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Por: Museu da Pessoa, 28 de novembro de 2013

Mãe de muitos filhos

Esta história contém:

Mãe de muitos filhos

Eu nasci no dia 19 de outubro de 1929, num sábado, às cinco horas da manhã. Eu nasci, era um casal muito pobre e muito feliz. Eu vim de uma família pobre e de muito amor. Ele era agricultor. Foi muito interessante que no dia que eu nasci essa casa onde nós morávamos tinha um lajedo muito grande, não sei se vocês sabem, aquelas pedras. Deu um temporal muito grande e deu um trovão tão forte que caiu um raio na pedra e saltou uma lasca da pedra que fez um tanquinho. Eu costumo dizer que eu vim da rocha mesmo, da pedra. E então a gente viveu, eles foram um casal muito unido, tiveram muitos filhos. A minha mãe teve 22 filhos, eu a mais velha. Eu sempre tive muita vontade de estudar. Nossa, minha vontade era grande de estudar. O meu avô era quem me dava caderno, lápis, aqueles tinteiros, ele pagava isso para eu estudar. Mas, como eu cuidava dos meus irmãos, eu era a última a chegar na escola, tudo pra mim era difícil na escola porque eu só chegava atrasada. Eu nunca estudei em um livro novo, eu só estudava nos livros das minhas primas, então elas terminavam o primeiro ano era aquele coração de criança. E eu sentia uma alegria do livro, eu tinha muito gosto no livro, de escrever eu gostava demais, mas os meus estudos eram muito difíceis porque eu saía correndo, quando chegava era trabalhando, eu tive muita dificuldade. Eu cuidava de todo serviço de casa, ajudava na roça, apanhava café, milho, arrancava feijão. Todo serviço da roça eu fazia. Carregava água de longe, ainda hoje tenho um calinho aqui que é de carregar lata d’água na cabeça . Tem aquela música lá, lata d’água na cabeça. Eu carregava água, carregava lenha. Plantava, quando começavam as chuvas eu ia plantar, ia ajudar meu pai. Eu trabalhei muito. Muito, muito. O meu pai, teve uma época que ele matava boi e vendia no sítio. A gente ia entregar a carne nas casas. E o meu marido ia comprar a carne lá, ele sempre ia a cavalo comprar a carne pra levar pro pai...

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Dados de acervo

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P/1 – Bom, dona Antônia, primeiramente eu quero agradecer a sua participação aqui no Museu. E pra começar eu gostaria que a senhora dissesse pra gente o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.

R – Tudo bem, prazer foi meu. Eu que agradeço, estou muito feliz em participar aqui. Eu nasci no dia 19 de outubro de 1929, num sábado, às cinco horas da manhã.

P/1 – Qual o nome completo da senhora?

R – É Antônia Antonita da Silva.

P/1 – E a cidade?

R – Bezerros.

P/1 – Bezerros. Qual o nome dos seus pais?

R – José Martiniano dos Santos e Maria Teresa dos Santos.

P/1 – E o que eles faziam, dona Antônia?

R – Eles eram agricultores.

P/1 – A senhora podia falar um pouquinho sobre eles pra gente?

R – Ah, com muito prazer. Eu nasci, era um casal muito pobre e muito feliz. Eu vim de uma família pobre e de muito amor. Ele era agricultor. Foi muito interessante que no dia que eu nasci essa casa onde nós morávamos tinha um lajedo muito grande, não sei se vocês sabem, aquelas pedras. Deu um temporal muito grande e deu um trovão tão forte que caiu um raio na pedra e saltou uma lasca da pedra que fez um tanquinho. Eu costumo dizer que eu vim da rocha mesmo, da pedra . E então a gente viveu, eles foram um casal muito unido, tiveram muitos filhos. A minha mãe teve 22 filhos, eu a mais velha, e foi uma coisa muito desagradável a perda que teve dos meus irmãos. Porque eram 22 e acontece que só ficamos em cinco. São três mulheres e dois homens. Os outros morreram tudo grande, morreu irmão meu com oito anos, com 12 anos, com dez anos. Uns foi de sarampo, outros eram muito, eu acho que era falta de um acompanhamento porque lá não existia nada de medicamento. E a gente vivia trabalhando na roça. Agora, teve um irmão meu que teve uma morte muito triste, muito triste. Ele tinha oito anos e um cachorro mordeu ele. E aí o meu tio levou ele pra Caruaru pra tomar as injeções. Ele tomou as injeções, foi assim no...

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