IDENTIFICAÇÃO Nome, data e local de nascimento Eu nasci em 25 de outubro de 1941, na cidade de Ipojuca, em Pernambuco. TRABALHO Ingresso na empresa/Trajetória profissional Eu entrei na Brahma no dia três de dezembro de 1964. Quando eu entrei na Brahma, aqui, a cidade do Cabo, ainda era canavieira. A Brahma foi uma das iniciantes aqui no sistema industrial, e eu vim para aqui na fábrica me empregar. Fui quando tinha 22 anos de idade, e consegui ser colocado na fábrica, e entrei como servente. Trabalhei de 1964 a 1993, por 29 anos e 8 meses. Eu entrei como servente e saí meio arrastado, chamado... Fazendo as tatuagens, né? Na época era canavial. Vamos supor, aqui era canavial, era muita mata, e a fábrica foi se reampliando, e a gente ainda foi trabalhando no sistema de lavar dentro da fábrica, cortando as canas de redores, fazendo a ampliação e etc. Muitos dos operários, colegas na época, ainda era do tipo “macacão de saco”. A gente usava um tipo de macacão de saco, que era para distinguir as qualidades: o fraco era do saco, mas moderno era um tipo de brim. Mas eu fui, eu estava estudando na época, e fui ampliando a minha situação, e fui trabalhando devagarinho e contactando com os demais. Que era líder. Eu já era teatrólogo, na época. Eu estudava e fazia teatro. E fui saindo e fui me administrando com os colegas. Mesmo brutalmente, que tudo na época era bruto. E eu fui trabalhando. Em 1964 a 1967, eu já estava dando minha atitude de parecer, chamado o meio-ambiental. Eu fui trabalhando com os colegas, fui dando ampliação no pessoal e tal, e fui subindo, fui subindo... Aí me tiraram dessa legenda chamada “o matuto”, como se diz a história, quando era limpeza, e me colocaram para fazer as planadas da fábrica nas tubulações. Aí era servente já “A”. Saía de uma classificação para outra, ia nas tubulações. Em 1967, 1968, 1969, 1970, eu já estava trabalhando na...
Continuar leituraIDENTIFICAÇÃO Nome, data e local de nascimento Eu nasci em 25 de outubro de 1941, na cidade de Ipojuca, em Pernambuco. TRABALHO Ingresso na empresa/Trajetória profissional Eu entrei na Brahma no dia três de dezembro de 1964. Quando eu entrei na Brahma, aqui, a cidade do Cabo, ainda era canavieira. A Brahma foi uma das iniciantes aqui no sistema industrial, e eu vim para aqui na fábrica me empregar. Fui quando tinha 22 anos de idade, e consegui ser colocado na fábrica, e entrei como servente. Trabalhei de 1964 a 1993, por 29 anos e 8 meses. Eu entrei como servente e saí meio arrastado, chamado... Fazendo as tatuagens, né? Na época era canavial. Vamos supor, aqui era canavial, era muita mata, e a fábrica foi se reampliando, e a gente ainda foi trabalhando no sistema de lavar dentro da fábrica, cortando as canas de redores, fazendo a ampliação e etc. Muitos dos operários, colegas na época, ainda era do tipo “macacão de saco”. A gente usava um tipo de macacão de saco, que era para distinguir as qualidades: o fraco era do saco, mas moderno era um tipo de brim. Mas eu fui, eu estava estudando na época, e fui ampliando a minha situação, e fui trabalhando devagarinho e contactando com os demais. Que era líder. Eu já era teatrólogo, na época. Eu estudava e fazia teatro. E fui saindo e fui me administrando com os colegas. Mesmo brutalmente, que tudo na época era bruto. E eu fui trabalhando. Em 1964 a 1967, eu já estava dando minha atitude de parecer, chamado o meio-ambiental. Eu fui trabalhando com os colegas, fui dando ampliação no pessoal e tal, e fui subindo, fui subindo... Aí me tiraram dessa legenda chamada “o matuto”, como se diz a história, quando era limpeza, e me colocaram para fazer as planadas da fábrica nas tubulações. Aí era servente já “A”. Saía de uma classificação para outra, ia nas tubulações. Em 1967, 1968, 1969, 1970, eu já estava trabalhando na produção de cerveja. Que, na época, era tudo bruto – era sem luva, sem nada, etc e tal. De 70 para cá, eles achavam que eu era muito credenciado, e tinha muita comunicação com o povo, aí fui colocado na SIPA. A SIPA era um meio de comunicar com o pessoal e segurança. E foi da SIPA que eu me transformei, fazendo a média – ou a mídia - que era para destacar o sistema de pessoas. Eu vinha para o auditório para fazer o chamado, reuniões com os homens, e daí fui ampliando o sistema da fábrica -eu colocando a pauta na mesa de acidentes – que era muito acidente da fábrica sobre aqueles estouros de garrafa, com a temperatura. E eles foram credenciando, credenciando, e esse crédito foi subindo. Aí começamos a fazer plataforma. Essas plataformas eram, evidentemente, para tirar, para minimizar o acidente. E depois colocamos exaustores nos murais, que era tudo fechado, que a produção era fechada, e ninguém via produzir. Hoje está aberto – a AmBev ampliou tudo. Mas naquele tempo era fechado. Então, colocamos exaustores, fui ampliando, fui trabalhando. Em 1978 para 1980 eu já estava credenciado a sair das produções, que eu era já encarregado de máquinas de produção. Chamado envazamento, envazamento. E me tiraram desse vazamento e: “o senhor agora vai ser aprendiz de supervisor”. Supervisor na época, na Brahma, não era credenciado à maioridade, quer dizer, não tinha mais um posto, mesmo maior – ele era inferior. Só que nas outras fábricas supervisor era credenciado como chefe – a gente era um aprendiz. Aí fui aprendendo. O chefe maior achava que eu não tinha poder de assumir o cargo, porque eu era muito brincalhão, e eu era teatrólogo, e eu fazia todas artes. Mas me deram crédito na produção industrial, e eu fui aprendendo a ser o supervisor. E daí por diante fui trabalhando: passei um ano na supervisão, passei dois anos na supervisão, passei três anos, aí me credenciaram como sub-chefe. Aí fui subindo. Em 1980 eu já era sub-chefe, encarregado de produção. Em 1986, eu fui operário padrão número 1, do Estado de Pernambuco. Aí, foi daí que eu, em 1986, fui aponderado, quer dizer, credenciado a ser líder oficial. E a minha carteira são três carteiras profissionais, todas credenciadas, desde o relevante do começo até a minha saída de aposentadoria, elas são todas credenciadas, com todas as mensalidades – aliás, todos abonos, ela é credenciada, ela é credenciada, e assim foi. E eu cheguei ao patamar de sair como encarregado supervisor líder da Brahma. Foi subindo os degraus – degrau por degrau. COSTUMES CULTURAIS Cultura pernambucana Na época, a fábrica começou com a cerveja. Que, por sinal, um detalhe importante, é que quando inaugurou a cerveja, o primeiro copo, quem primeiro tomou o primeiro copo, “foi” as autoridades: o governo do estado, o prefeito do município, e as autoridades importantes - o padre também, que veio benzer a cervejaria. Mas todo o sistema, como se fala na época de Brasília, que inaugurou com o candango, na época se chamava a candangaria. Era coisa popular, inferior, que hoje se debate na justiça. Mas, o candango era o “homem do saco”. Que não podia ver a inauguração e ficava afastado na área, de costas. Aí todo chefe dizia: “todo candango pras costas”. Aí ia junto do edifício, estava construindo, ficava tudo escondido, até a inauguração passar. Aí foi daí que começou a funcionar com aquelas máquinas brutas, ainda inativa, que ela produzia, que era bem pouquinha, aquela produção. Mas a cerveja era de primeiríssima qualidade. Foi a cerveja de maior qualidade no estado de Pernambuco foi a Brahma – ainda é. E depois que inaugurou, fomos, voltamos à atividade, né, sem tomar conhecimento da cerveja, porque era tudo embutido, secreto, para não... Isso também tem as suas posições, que cerveja é alimento. Não podia qualquer um chegar na produção. Era todo bem vestido, preparado, com aquele setor privado e restrito – só a produção. Era chamado engarrafamento. E na fabricação, somente os produtores. E serventes, nenhum. Mas era muito engraçado. Aí a primeira... Eu vim provar a cerveja Brahma quando já estava com 12 anos de fábrica Bebia, mas naquela época, o pessoal matuto, como se diz, ele, na cidade – Cabo ainda era uma cidade pacata – a gente nem conhecia o que era cerveja. Porque cerveja era para rico. Era uma cerveja só para uma pessoa. Hoje a pessoa está tomando por demanda: chega numa mesa toma 10, 12, 20 cervejas de uma vez só. Naquela época, uma cerveja, a cerveja, mesmo como antigamente, que era chamada a cerveja alemã, quando você tomava uma, dava um arroto que era capaz de morrer. E só tomava uma – tinha medo de tomar outra. E outra: o poder aquisitivo era desse tamanhinho. Quem podia tomar cerveja era quem tinha dinheiro. Porque ninguém podia tomar uma cerveja, duas cervejas, o pobre, o pobre coitado servente. Hoje eu posso tomar 10, 20, 30, 40, 100 cervejas de uma vez só, porque foi feito para isso. O poder gradativo foi aumentando de acordo com a seqüência financeira e do sistema técnico chamado moderno. Naquela época não existia modernidade – existia uma tecnologia barata, antiga. Hoje estamos com a sede de computação, e aviões já furando o chão. Naquele tempo, coitado, era na mão. Mas, na realidade, era bom aquele sistema, porque ninguém ficava embriagado. Hoje está todo mundo embriagado. É, um gerente, o Clery Rosar, que por sinal o auditório ainda é auditório Clery Batista Rosar. E eu acompanhei esse gerente desde quando ele iniciou até ele falecer – faleceu agora há pouco, há quatro anos atrás. E eu continuei, eu como servente, ele como gerente. Mas ele não tinha acesso de vir aqui não – aqui, essas salas aqui, que “a gente construímos”. Essas salas por aqui. Não tínhamos acesso. Porque, está certo, a gerência naquela época era rígida. E ela era documentada, e ela era posicionada e ela era tinha gravatas, e andava de gravata, e era chique Servente? Só o credenciado de fita. Mas, abaixo de grau? Nem pensar O mais engraçado aqui era a alimentação. Eram quatro refeitórios. E o refeitório do candango, chamado o operário da categoria quinta, ele almoçava numa fila – a fila ia lá na área de lazer, no sol quente, e ficava na fila. Era um tipo da escravidão. Já que tinha acabado uma escravidão, nós chegou agora, né? A gente era na fila. Só não tinha chicote, porque tinha... Aí em 1988 acabou. Mas o chefe da cozinha ficava somente lá tomando conta e dizia: “o que sair da fila, vai para fora”. Na época, se saísse da fila e passasse para outra fila, o chamado corte de fila, ia ser chamado a atenção e possivelmente ia ser botado para fora da fábrica. Porque era uma lei restrita – era uma chamada lei do chicote. Lá em cima, no refeitório, quando fosse almoçar, ele almoçava, mas se ele derrubasse a bandeja, entortasse um garfo daquele e melasse o chão, descia para falar com a gerência e ia ser punido. Agora, eu fico dizendo isso, mas era bom, porque ninguém “passava do caco”, como dizia na história. Era na linha. Mas era uma linha tradicional. Hoje não, hoje é tudo moderno: a AmBev ampliou o refeitório, tirou de quatro, passou para dois, e agora só é um - é único. Mas não tem mais fila, não tem mais nada, porque agora é contínuo: é de dez e segue em frente, vai até terminar a noite. Porque o refeitório é self-service. EMPRESA Companhia Cervejaria Brahma/Fratelli Vita O refrigerante veio depois. Com o sistema da compra da Fratelli Vita. Aí veio produzir o guaraná Brahma, a Sukita, a que fazia... o refrigerante Cola, que fabricava aqui mesmo. E foi produzindo, foi subindo, aí quando ela comprou a Fratelli Vita, da época de 1970, 1977, por aí assim, aí foi tirando o produto Fratelli Vita, que era um dos melhores refrigerantes do Brasil, antes Antártica, a cerveja Antártica, que o mais famoso do Brasil era o guaraná Champanhe. Por sinal, hoje não tem mais o guaraná Champanhe. Hoje tem um guaraná qualquer. O guaraná Champanhe era um dos mais delicados do Brasil e do mundo. E o Fratelli Vita, chamado “Armação”. Depois que a Brahma comprou, ela ficou em restrito, e começou a produzir aqui guaraná Brahma, que era tomar posição, para acabar com o Antártica – que, por sinal, não acabou, acabou o Brahma, que foi produzindo, produzindo... Mas a Brahma comprou tanta coisa, que isso aqui era um celeiro de alimento e refrigeração, que foi produzindo, foi progredindo, progredindo... Hoje está a AmBev. Porque o gerente da época, o Gregori, ele... Isso aqui, o gerente daqui passou 25 anos – um gerente MUNDO DO TRABALHO Cotidiano de trabalho Era, antes, quando começou com uma produçãozinha pequena, que era as chamadas máquinas pacatas – era aquela coisinha pequena, duas enchedoras – aí o horário era diurno. Eu comecei aqui na fábrica, que eu vinha a pé, que eu morava no centro, e vinha a pé – não tinha transporte – vinha a pé. Era 5h da manhã aqui. Eu saía de casa de 4h da manhã – chuva, sereno e sol. E eu tinha uma lanterna, chamada a lanterna de menino. De brincadeira. Era de vela. Colocava um candeeiro, ou uma vela da grande dentro de um tampo de vidro. Na época se fazia. Era coisa artesanal, com uma lata, e vinha pelo meio da cana, por causa dos guarás. Quem conhece o que é um guará? É um bicho feito uma melancia, deste tamaninho. Ele é da cana, mas ele avança, e pega e mata. Mas eu vinha com uma lanterna, que era para assustar ele. Eu vinha sozinho – daqui é 2km do Cabo – eu vinha, chegava aqui às 4h45. Se batesse o cartão num minuto, era punido. TRABALHO Momentos marcantes Porque quando eu comecei a ser gente – com a história de dizer, ser, entender das pessoas – eu já... Eu comecei a fazer turismo aqui da Brahma. Eu era... Eu formei uma equipe chamada Comtur - Comissão Executiva de Turismo de Meio Turístico. Aí quem fazia todo o turismo da Brahma era eu. Para todas as cidades. E aqui tinha um departamento que fazia o esporte, eu fazia o do turismo, outro fazia da cultura, e fazia. E a coisa mais marcante aqui foi a medalha de ouro, 25 anos. Todo o pessoal da Brahma que é antigo – vai chegar aqui alguns que vai entrevistar, eu não trouxe porque esqueci - mas nós temos a medalha de ouro, pequenininha, bonitinha – 25 anos de fábrica. Isso faziam uma festa, era o dia todinho. E a outra que marcou foi o operário padrão, que eu fui o segundo lugar na apresentação no SESI de Pernambuco. Coisa marcante. E o mais importante também dessa marcação foi quando eu fui chamado para ser encarregado de fábrica. Porque eu cheguei como servente e eu recebi 478 votos para o operário padrão, de todo o meio do operário, do pequeno ao grande. Quando a fábrica me chamou, me parabenizando, e elogiando, onde eu vim almoçar com meus homens, que nunca tinha almoçado com a gerência, é coisa para cinema. MUNDO DO TRABALHO/ COSTUMES CULTURAIS Cotidiano de trabalho/Cultura Pernambucana No estado de Pernambuco, o Cabo era Cabo canavieiro. O governo Cid Sampaio, na época, em 50 e 60, acabou com a usina, quer dizer, fechou a usina e implantou o sistema industrial – cidade do Cabo industrial. Aí, a primeira fábrica do Cabo foi a Coperbo, a Companhia Pernambucana de Borracha Sintética, que é aqui logo na via que entra para a Suape. Aí aquela primeira fábrica foi ela que começou a se expandir. Após ela, aí vem a Brahma, foi a segunda do Cabo. Duas “empresa enorme,” que assustou a cidade. O povo era canavieiro – não tinha outro sistema, era tudo rural. E foi se expandindo. Aí o pessoal do canavial, que ficaram ao relento, foram se empregando nas fábricas. Só que eles deram um sistema diferente: acabando a usina, o pessoal que trabalhou na cana vai para as fábricas. Só que o pessoal da fábrica era rude Não tinha estudo Era corte de cana. O que é que aconteceu? Eu De mim tirou o todo. Pau barro, cavar a terra, derrubar a mata para ampliar a fábrica, e entrar na lama, dia e noite, e, sistematicamente, continuar. Eu já vinha estudando um pouquinho na Escola anterior aqui do Cabo, que era a escola técnica – eu já vinha estudando – aí ele foi me aproveitando, e eu fui estudando. Mas só tem uma coisa que eu quase deixava a fábrica. Foi quando eu cheguei ao encarregado, que eu pegava de 5h da manhã às 7h da noite, horário contínuo, aí eu falei para um encarregado o seguinte – essa foi quem meu deu um pouco de indecisão, que eu ia deixar a fábrica com oito anos de idade na fábrica, oito anos de empresa. Eu chamei o encarregado e disse que ia embora. Porque eu disse assim a ele: “olhe, eu pego de 5h da manhã e eu estudo de 7h da noite. O senhor me libera de 6h?”. Eu ia fazer hora extra. Aí ele disse: “Não vai. Ou bem o senhor trabalha, ou bem o senhor estuda. Decida a partir de hoje”. Aí eu deixei a fábrica. Nesse momento, 6h da noite, entreguei a máquina ao outro operário, e fui embora. No dia seguinte eu fui chamado. Passei um dia aqui em pé, chamado – tem um nomezinho que dá –o gelo, para responder o porquê eu deixei a fábrica. Aí eu comecei explicando – eu fui punido. Aí me puniram por um dia de serviço. Depois mandaram me chamar. Eu voltei ao trabalho e aí disse: “pode continuar”. Porque a resposta foi bruta – naquela época achava que era bruta. Aí eu fui estudar. Mas eu não agüentei a pressão da fábrica, porque eu tinha que estudar ou trabalhar, e meus pais eram pobres - eu tinha que sustentar os pais. Aí eu disse: “é, vou continuar trabalhando mesmo”. Aí deixei o estudo. Foi quando eu não passei pelo segundo grau, que na época era segundo grau – hoje é Médio, né? Naquela época era o grau. Aí eu não terminei, porque eu virava noite aqui na fábrica. Virava noite. Não tinha como estudar – aí deixei. Mas eu fui anistiado, com essa brutalidade da época, que ainda estava reservado aqui no documento. Aí quando eu fui operário-padrão, aí mandaram me chamar, e eu vim para uma cerimônia especial aqui, em cima de toda a gerência, dando a anistia daquele documento que foi feito na época daquela gritaria chamada “punição”. Aí rasgaram na minha frente, me deram aqueles abraços, me deram papel, documento, me deram até um cheque, e eu saí. E hoje eu sou aposentado e sou... Recebo salário suficiente, que é o salário de encarregado, né, e estamos aqui. Ainda hoje eu sou... Faço parte da fábrica. Uma vez por mês, que eu sou ainda do conselho, que eu já fui presidente, da UTAB, a União dos Trabalhadores Aposentados da Brahma, esse pessoal que trabalha aí são todos diretores – eu só convidei diretores praqui – e a gente todo mês faz a reunião aqui no auditório, com 50, 60 pessoas, 45, e almoça aqui. EMPRESA Companhia Cervejaria Brahma/AmBev Muito importante. Porque se não fosse a Brahma, na época, hoje a AmBev, eu não teria sido... Poderia ser que tivesse modificado mais. Eu poderia ter sido outra pessoa. Porque eu estava estudando e eu queria ser mais técnico, industrial. E eu não tinha a oportunidade de pegar esse tipo de estudo, por causa da companhia, mas mesmo assim ela me deu o que queria, quer dizer, que eu passei para encarregado. Não saí tanto a... Chamava-se a ralé. Saí com um subsídio, bem, né? Não é que estou me gabando que eu saí... que eu podia sair com um melhor custo de vida, como os outros saíram. Mas não – eu saí com um salário razoável, na minha posição. Eu agradeço à Brahma, que foi ela, que eu tenho todo destaque da Brahma. Eu tenho um escritório no Cabo, uma salinha, assim, tenho um escritório meu – menor do que esse, mas é um escritório, que a gente vai fazer reunião agora – e todo destaque da Brahma – medalhas, documentos... É um tipo de museu. Aí está todinho nas prateleiras, todo conservado, piso moderno, tudo moderno, computação, tudinho, está tudo lá – aí a gente chama de museu. Que, por sinal, vamos ter uma reunião agora com um galego especializado, só para diretor. PROCESSOS INTERNOS DA EMPRESA Fusão É importante, porque todas fábricas têm um poder de modificar. A Brahma, quando começou a venda, ela já começou essa venda para modificação de modernismo, que a Brahma vinha de um sistema arcaico. Ela era poderosa, mas o pessoal dela saía se modificando, se modificando, e houve essas vendas, que foi vendida para as americanas, foi vendida para um setor japonês, foi vendida para um setor... e logo em seguida veio essa fusão de transformação. A AmBev é um sistema que ela não teve, ela não conhece o fundamento da fábrica Brahma. Ela não conhece, ou deve conhecer através de site ou coisa parecida, e através dos documentos, que são fundamentais – tudo que é vendido passa para o poder aquisitivo – mas a AmBev transformou a Brahma de um modo tal, que não gerou o emprego necessário para o mundo todo, como dizia que a AmBev vinha com a fusão e ia botar o povo todo para funcionar. Só que o povo não entendeu, e não entende, que não estamos mais trabalhando com o setor humano – estamos trabalhando com a captação de mecanismo, chamado automático. Tudo é “roborizado”. Então, a AmBev não ia colocar cem homens, como eu trabalhei com 120 por turno. O setor hoje, esse quadrado aqui, era 120 pessoas – homens. Que, por sinal, era uma das maiores dor de cabeça. Aí que se fala bem claro: “trabalhar com boi é bom, que empurra a vala”, mas trabalhar com ser humano é difícil. Mas a gente trabalhava. E ia levando esses homens. Só que a fábrica agora tem dez pessoas num turno só. Ele trabalha com seu conceito. Porque é toda “computada”, toda conceituada, e tem mais agilidade. Porque, naquela época, a Brahma era muito “carão”. Por que ela era muito “carão”? Do conceito de produção, lá fora – vinha muita coisa errada. Porque o ser humano, ele é fraco – e está escrito na Bíblia: o homem é fraco, a carne é fraca. Ele passava uma hora no farol, chamado visor, e o homem não agüenta. A pupila do homem não agüenta essa luz uma hora. E essa aqui ainda é boa, que você ela o mundo. Ela era quatro fluorescentes. Ele cochilava. Aí passava tudinho na frente dele. E a Brahma recebia esses desgastes, e ela foi recebendo esses desgastes, aí na imprensa isso e aquilo vai – a gente era chamado atenção – aí eu, como da SIPA, o que é que eu fiz, na época – que foi um sucesso, isso aí: eu cortei – que para eles, foi difícil – mas eu cortei, não era mais uma hora, mas trinta minutos por homem. Mas foi um sucesso. Aí com esse sistema, a Brahma melhorou mais. O homem saía de meia em meia hora, ia virar as larvas, tomava um café, lavava o resto – ele lá ficava uma hora sem lavar o rosto. E se lavasse o rosto, era punido. Aí eu mandava ele lavar o rosto, ia tomar um cafezinho, tomava qualquer coisa, e voltava com meia-hora depois, para ele ficar atento. Foi daí que a Brahma começou a ter um acesso melhorado na produtividade. E, conseqüentemente, foi modificando tudinho – e a SIPA em cima, que a SIPA era o Sistema de Integração para a Prevenção de Acidente. E eu em cima. E, daí para cá, ela começou a diminuir os acidentes, a melhorar a produção, e assim foi. ENTREVISTA Recado Eu queria. Mas eu disse... É muito bom Olhe, a AmBev está de parabéns, porque ainda aceita a gente aqui. Aí quando ela foi a fusão, a gente “sentimos” que a AmBev não ia mais ter essa... compartilhar conosco, porque já aposentado, já é: “fora casa”. Mas a AmBev ainda tem esse conceito de nos conceder a vir para a reunião, e a gente almoça aqui, é chamado – com essa é a segunda entrevista – e o gerente que entra também nos adora – a gente faz palestra com ele... Esse de hoje a gente não entrou contato com ele ainda, mas já está prévio pra fazer uma entrevista. Então, a gente, os aposentados, agradece e... Para assentar e a conversar como se fosse ontem. Eu agradeço.
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