Meu nome é Luiz Antônio Cantor Magnani, eu nasci em São Mateus do Sul, aqui no sul do Estado do Paraná, no dia 7 de abril de 1954.
Meu ingresso na Petrobras foi em São Mateus do Sul, na Six, que era a unidade de xisto, foi em 1975. Como todo ingresso na Petrobras é feito através de concurso público ou processo seletivo, o meu não foi diferente. Numa cidade do interior, como São Mateus, Banco do Brasil ou Petrobras eram as instituições mais visadas. Então, ninguém pensava muito quando abria um concurso da Petrobras. Foi o meu caso. Fiz o concurso e comecei a trabalhar logo em seguida.
Na verdade já havia uma espécie de pré-clima na cidade, no sentido de que quando havia alguma atividade em relação à Petrobras, Banco do Brasil ou Caixa Econômica, eram empregos bons. E naquela época a Petrobras não tinha, claro, não tinha internet, não havia outra forma de divulgação, era via editais nas principais casas de comércio, nos locais como igreja. Então, as pessoas sabiam rapidamente via edital, ou mesmo via oral, essas informações sobre concurso. Foi desta forma que eu tomei conhecimento.
Eu tinha 19 anos e já estava na faculdade. Fazia faculdade numa outra cidade, distante 98 quilômetros de São Mateus do Sul, e dava aula também em curso estadual, para adultos. Já tinha dois empregos e uma faculdade.
E para conciliar esta vida foi com um certo malabarismo, como eu consigo fazer até hoje as várias atividades. A faculdade não exigia freqüência absoluta, mas tinha que ir pelo menos três vezes por semana. As aulas eram duas vezes por semana e o trabalho era durante o dia, então, eu fazia as atividades diferentes de uma forma mais ou menos agendada.
Eu ingressei em São Mateus e fiquei até 1989. Comecei na área de escritório, que se chamava auxiliar de escritório, e fui designado para trabalhar na área de serviço médico. Serviço médico sempre foi chefiado por um médico.
Havia uma série de prontuários das pessoas onde...
Continuar leituraMeu nome é Luiz Antônio Cantor Magnani, eu nasci em São Mateus do Sul, aqui no sul do Estado do Paraná, no dia 7 de abril de 1954.
Meu ingresso na Petrobras foi em São Mateus do Sul, na Six, que era a unidade de xisto, foi em 1975. Como todo ingresso na Petrobras é feito através de concurso público ou processo seletivo, o meu não foi diferente. Numa cidade do interior, como São Mateus, Banco do Brasil ou Petrobras eram as instituições mais visadas. Então, ninguém pensava muito quando abria um concurso da Petrobras. Foi o meu caso. Fiz o concurso e comecei a trabalhar logo em seguida.
Na verdade já havia uma espécie de pré-clima na cidade, no sentido de que quando havia alguma atividade em relação à Petrobras, Banco do Brasil ou Caixa Econômica, eram empregos bons. E naquela época a Petrobras não tinha, claro, não tinha internet, não havia outra forma de divulgação, era via editais nas principais casas de comércio, nos locais como igreja. Então, as pessoas sabiam rapidamente via edital, ou mesmo via oral, essas informações sobre concurso. Foi desta forma que eu tomei conhecimento.
Eu tinha 19 anos e já estava na faculdade. Fazia faculdade numa outra cidade, distante 98 quilômetros de São Mateus do Sul, e dava aula também em curso estadual, para adultos. Já tinha dois empregos e uma faculdade.
E para conciliar esta vida foi com um certo malabarismo, como eu consigo fazer até hoje as várias atividades. A faculdade não exigia freqüência absoluta, mas tinha que ir pelo menos três vezes por semana. As aulas eram duas vezes por semana e o trabalho era durante o dia, então, eu fazia as atividades diferentes de uma forma mais ou menos agendada.
Eu ingressei em São Mateus e fiquei até 1989. Comecei na área de escritório, que se chamava auxiliar de escritório, e fui designado para trabalhar na área de serviço médico. Serviço médico sempre foi chefiado por um médico.
Havia uma série de prontuários das pessoas onde constavam os exames. Como não havia uma pessoa ligada a essa área mais administrativa, os prontuários estavam muitos desorganizados, os exames estavam atrasados, então eu fui designado para colocar uma certa ordem na casa. Depois, fazer com que o serviço continuasse de uma forma um pouco mais normal.
Meu cotidiano de trabalho, desde aquela época até agora, é com uma intensa atividade com as pessoas. Então, eu tinha que chamar as pessoas, até aqueles colegas mais antigos, que relutavam em fazer o exame médico porque achavam uma coisa meio secundária, não havia muito tempo, era coisa mais de mulher. Quer dizer, era um período em que cuidar da saúde era algo considerado secundário e algo levemente mais de mulher, de pessoa muito vaidosa, quer dizer, de uma conotação pejorativa no trato com a saúde. Então, eu tive a missão de primeiro sensibilizar e convencer as pessoas de que era importante fazer aqueles exames que a empresa, por lei, tinha que fazer.
Eu trabalho na área de comunicação. Como todos nós hoje, tenho junto comigo uma pessoa que é operador de computador. Na verdade, os nomes que estão escritos nos crachás nem sempre correspondem mais a uma realidade, que é hoje multidisciplinar, na atividade de cada um. Então, na área de comunicação aqui da refinaria, nós temos uma equipe de seis pessoas e cada pessoa coordena alguns projetos. Nós nos dividimos em projetos, mas nos juntamos no apoio da atividade de cada um. Eu coordeno a área de visitas, a área de projetos culturais, a área de patrocínios, a área de recepção de novas pessoas e algumas atividades voltadas para a comunidade. Então, a minha área é basicamente relações públicas.
Eu gosto muito da minha atividade. Acho uma atividade de extremo valor, gosto, faço com extremo prazer. Mas dois pontos me tocam muito, um é o ponto de poder fazer textos, que eu gosto muito; o outro é receber visitantes, principalmente quando são visitantes vindos de escolas, alunos pequenos, ensino médio, universitários. Então, considero essa atividade muito boa, porque é fortíssima em cada aluno, em cada pessoa, em cada professor, a sensação de agradecimento para a Petrobras, por poder ter essa oportunidade de visitar as instalações da refinaria. Então, é sempre renovada essa satisfação de receber visitas e ter essa relação com elas de extrema empatia, de extrema sinergia, de extrema afetividade. A gente percebe que a empresa teve enorme ganho de imagem ao receber crianças e visitantes de forma geral.
Nós trabalhamos o conteúdo de petróleo em si. A escola tem a programação curricular de fazer esse trabalho e culmina com a visita na refinaria para conhecer uma planta industrial. Então, meu trabalho não é falar de petróleo, falar das novidades que o petróleo teria, é apenas dar um reforço nessa idéia e praticamente mostrar aquilo que eles aprenderam em sala de aula, como que funciona uma grande planta, como que é uma refinaria. Então, eles têm a vivência prática. Então, é interessante, porque eles têm muitas perguntas para serem feitas e nós respondemos, às vezes explicando melhor, às vezes confirmando o que eles já sabem e às vezes desmistificando muitas coisas, principalmente na questão do meio ambiente.
Surgem perguntas inusitadas, as crianças têm uma capacidade de fazer perguntas do nada. O que sempre chama muito a atenção aqui são as instalações grandes, a torre que tem o fogo, o flare, os fornos, as chaminés. Como a refinaria produz um odor natural do petróleo e não faz mal à saúde, as crianças se incomodam com esse odor e então perguntam sobre ele, se faz mal à saúde. Perguntam sobre meio ambiente e perguntam por que tem fogo nas tochas, por que tem tantas chaminés, se existe poluição. As crianças perguntam principalmente, ou por curiosidade ou de forma mais séria, muitos assuntos voltados à questão ambiental. Mostra que elas têm uma consciência bem desenvolvida, embora as perguntas sejam meio simples, mas mostra a preocupação com o meio ambiente.
Eu entrei em São Mateus, passei por alguns outros setores e terminei na área de planejamento. Havia naquela época, na Unidade de Xisto, uma separação entre a usina que ficava em São Mateus do Sul e a administração que ficava em Curitiba. Alguns serviços eram repetitivos, porque duas unidades em dois locais, mas na verdade era uma única unidade. E em Curitiba havia o serviço de Relações Públicas, realizado por uma mulher, mas era um serviço bem convencional, ela ia apenas acolher as pessoas que vinham no aeroporto e trabalhos bastante básicos em termos de RP. Em São Mateus não havia uma pessoa com esse perfil, então, informalmente, eu fui sendo uma espécie de colaborador mais direto da área de relações públicas de Curitiba, fazendo históricos da cidade, começando a receber visitantes. Fui me encaminhando para essa área porque tinha uma necessidade em São Mateus e eu tinha um certo perfil para isso.
Eu vim para Curitiba em 1989, 1990. Foi um período na Six que a gente chama de "diáspora", porque foi uma época muito difícil na usina de xisto. Porque ela foi concebida para ser uma usina que tivesse um produto que fosse similar ao petróleo numa situação de emergência no mundo, estilo novo choque do petróleo. Este novo choque não aconteceu, e o xisto não conseguiu vencer a barreira econômica de ser um substituto à altura do petróleo. Apenas venceu a barreira técnica, então, a usina de xisto passava por uma crise. Sempre passou, mas nessa época foi mais intensa, uma crise de não ter recursos financeiros e poder se auto-sustentar com aquele número de pessoas que havia. Sempre era muito difícil conseguir uma transferência da Six, porque todas as pessoas queriam Curitiba, de uma forma ou de outra, porque tinham filhos ou porque a capital era sempre uma atração especial. Nesse momento que a gente chama de diáspora foi o momento em que a Six teve que abrir espaço para que as pessoas pudessem escolher outras unidades. Foi quando eu me inscrevi para a refinaria. Então, foi dentro de uma circunstância favorável de obter transferência.
Eu não tinha vontade tanto pela refinaria em si, mas pela circunstância de estar em Curitiba, para poder fazer um curso. Fiz um curso de Direito logo em seguida. No segundo ponto, foi a refinaria, que seria um desafio diferente.
Eu acho que fui bem recebido em Curitiba, se eu fosse naquela época, como eu sou hoje, a pessoa que recebe as pessoas, acho que seria melhor recebido do que fui. Não por, digamos, deficiência humana, não nesse sentido, mas por falta de uma estrutura profissional de receber as pessoas que vinham como recém-transferidos ou recém-admitidos. Mas não havia um programa de integração com as pessoas que mais rapidamente colocasse as pessoas até no seu "melhor eu", como se diz hoje, para que pudesse dar o melhor de si para a empresa. Eu acho que havia muita perda nesses primeiros meses, conforme o temperamento de cada pessoa, até que ela estivesse novamente integrada a ponto de dar o melhor de si para a empresa. Mas hoje é diferente.
Acho que um momento marcante em termos profissionais foi a minha promoção. Eu fiquei muito tempo parado na Six em termos de ascensão profissional, por razão da dificuldade da própria Six ter dinheiro para isso, era uma unidade que tinha que controlar muito os seus custos. Eu vim para a refinaria e logo no segundo ano eu fui promovido de cargo.
Isso se deu também por uma circunstância, que foi uma greve que houve naquela época, e depois haviam greves muito sucessivas, e a área de comunicação precisava trabalhar de uma forma muito intensa em situações de greve, principalmente com relação de acompanhamento de clipping, que é a leitura dos jornais locais, de como que repercute a greve. Havia uma espécie de "combinado" entre a nossa gerência-geral, na época superintendência e área de comunicação, que as pessoas componentes da comunicação não deveriam fazer greve, porque eles são justamente a equipe que faz a cobertura do evento e faz o contato com a imprensa. E os colegas da época fizeram e deixaram a gerente sozinha. Como eu já era dessa época, embora não tenha vindo direto para a comunicação, vim para a comunicação na refinaria, seis meses depois que eu estava aqui. Em função de poder atender a uma situação de greve no trato com a imprensa. Aí fiquei.
A equipe é um pessoal que gosta realmente do que faz. Tive até a oportunidade de conversar um dia desses no almoço, que a gente chegou à conclusão que as pessoas só podem fazer bem o trabalho se o foco do trabalho for uma série de ações positivas, dentre elas tem um salário, tem as contribuições, tem uma série de itens básicos. E eu me considero motivado porque a minha equipe também é. Eu tenho a satisfação de trabalhar com um grupo de pessoas com as quais a gente troca motivação, troca energia, troca sinergia, e é um grupo que acaba se destacando na refinaria como um todo
Eu gostei, é uma oportunidade. Eu acho que a empresa se mostra, digamos assim, sensível, o lado humano da empresa, em ouvir essas histórias, que às vezes podem ser singelas, podem ser pitorescas apenas pitorescas, mas ela está preocupada em ouvir essas histórias das pessoas e fazer um painel. Acho que é um projeto que mostra, que vem ao encontro da empresa, numa linha que ela tem de Gestão sem Lacunas, que é fazer com que as pessoas tenham preferência, tenham importância.
Momento marcante também foi a greve de 1991. Teve a de 1991, a de 1992, teve sucessivas greves de menor ou maior porte, e a grande greve que teve na Petrobras foi a de 1995, foi a última. Foi a greve que culminou com a tomada das refinarias pelo Exército, por ordem do presidente, porque era uma greve muito grande e podia suspender o abastecimento de mercado.
Poucas pessoas sabiam que o Exército estaria aqui no dia seguinte. Então, quando os ônibus, de manhã, como normalmente fazem, pegam as pessoas nos seus pontos para trazer para a refinaria, vinha uma pessoa do RH em cada ônibus dizendo assim: " Você hoje deve ficar em casa, você deve ir para a refinaria!" E eu deveria ir porque fazia parte da área de comunicação. Então, algumas pessoas voltadas às atividades mais estratégicas vieram, e nós ficamos uma semana nessa situação do Exército ocupando a refinaria em tudo quanto era ponto. Como o Exército é formado por gurizada, por jovens, então, no começo eles tinham que ser muito rigorosos porque eles também estavam numa situação tensa, e tinham que mostrar serviço e tudo aquilo que era exigido. Mas na medida em que o tempo foi passando, e isso foi meio rápido, logo os soldados me pediam caneta, pediam brinde e tal, como seria possível acontecer. Então, logo a gente fez amizade com toda a hierarquia do exército. As baionetas, as armas que eram postas por motivo de segurança, continuaram, mas já não assustavam mais, e acabou sendo uma relação de amizade. Embora, para o sindicato nós ficássemos como "pelegos", que é o nome dado a quem não pode aderir ou não quer aderir uma greve. Mas faz parte do jogo.
Este projeto "Memória dos Trabalhadores da Petrobras" eu considero excelente. Quando eu vim para cá, há uns dez anos, havia aqui uma espécie de sala da memória, que era nesse prédio. Uma sala da memória que era o jeitão mais estático e tradicional de se fazer museu, que é colocar umas peças soltas, dar um nome a elas, mas não contextualizar. As pessoas no começo vinham, depois aquele material empoeirado, feio, danificado, as fotografias dos álbuns retiradas, então, era o ambiente mais triste e mais desolador do que é um museu, que deveria ser algo vivo. E este material hoje está morto porque está guardado, embora sistematizado, mas não houve ainda uma possibilidade de que ele viesse à tona. Então, muitas pessoas não conhecem. Então, acho que o projeto vem mexer de uma forma um pouco mais estruturada na questão da memória.
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