Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Lucidea Prazeres da Silva
Entrevistado por Rosana Miziara
Urucu, 03 de julho de 2003
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB214
Transcrito por Transkiptor
00:00:06 P/1 - Você pode falar seu nome completo, local e data de nascimento?
00:00:48 R - Lucideia Prazeres da Silva, nascida em Mocajuba, Pará, 19 de 7 de 57.
00:00:55 P/1 - Lucideia, e que ano que você entrou na Petrobras?
00:00:59 R - 76, 1976.
00:01:02 P/1 - Você decidiu prestar concurso, por que você tinha algum sonho em trabalhar na Petrobras? Como é que foi sua entrada?
00:01:08 R - Bem, foi o seguinte, meu pai trabalhar na Petrobras, né? Então, diz a minha mãe que desde pequenina eu dizia que queria trabalhar com o meu pai na Petrobras. E certo dia eles estavam a distribuir uns cartões de inscrição para os empregados lá levarem para os seus filhos. Só que o meu irmão mais velho estava viajando, então o papai pediu para eu preencher. Eu preenchi a ficha e tal. Aí passou um certo tempo, porque eu era nova, não tinha idade. Eu só sei que eles chamaram para fazer o concurso. Eu fiz o concurso e eu fazia o terceiro ano do segundo grau. E nessa época eu já pensava em trabalhar. Então, foi quando eles me chamaram. Eu pensei até que não tinha passado, mas eles me chamaram para trabalhar. Era concurso de quê? O CEA de escritório.
00:01:59 P/1 - Aí você entrou em que unidade? Lá em Belém?
00:02:01 R - Em Belém. Lá era Renó. Renó, na época. Aí eu entrei na divisão regional de perfuração. Eram duas divisões, né? A de exploração e a de perfuração. Entrei na de perfuração.
00:02:16 P/1 - E como é que era Petrobras lá em Belém nessa época?
00:02:19 R - Ah, era muito movimentada, né? Na época tinha muitas sondas funcionando, era muita gente trabalhando, era super agitado lá, né?
00:02:30 P/1 - E já tinha mulher nessa época lá?
00:02:32 R - Tinha, já tinha mulher. Só que na divisão...
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Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Lucidea Prazeres da Silva
Entrevistado por Rosana Miziara
Urucu, 03 de julho de 2003
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB214
Transcrito por Transkiptor
00:00:06 P/1 - Você pode falar seu nome completo, local e data de nascimento?
00:00:48 R - Lucideia Prazeres da Silva, nascida em Mocajuba, Pará, 19 de 7 de 57.
00:00:55 P/1 - Lucideia, e que ano que você entrou na Petrobras?
00:00:59 R - 76, 1976.
00:01:02 P/1 - Você decidiu prestar concurso, por que você tinha algum sonho em trabalhar na Petrobras? Como é que foi sua entrada?
00:01:08 R - Bem, foi o seguinte, meu pai trabalhar na Petrobras, né? Então, diz a minha mãe que desde pequenina eu dizia que queria trabalhar com o meu pai na Petrobras. E certo dia eles estavam a distribuir uns cartões de inscrição para os empregados lá levarem para os seus filhos. Só que o meu irmão mais velho estava viajando, então o papai pediu para eu preencher. Eu preenchi a ficha e tal. Aí passou um certo tempo, porque eu era nova, não tinha idade. Eu só sei que eles chamaram para fazer o concurso. Eu fiz o concurso e eu fazia o terceiro ano do segundo grau. E nessa época eu já pensava em trabalhar. Então, foi quando eles me chamaram. Eu pensei até que não tinha passado, mas eles me chamaram para trabalhar. Era concurso de quê? O CEA de escritório.
00:01:59 P/1 - Aí você entrou em que unidade? Lá em Belém?
00:02:01 R - Em Belém. Lá era Renó. Renó, na época. Aí eu entrei na divisão regional de perfuração. Eram duas divisões, né? A de exploração e a de perfuração. Entrei na de perfuração.
00:02:16 P/1 - E como é que era Petrobras lá em Belém nessa época?
00:02:19 R - Ah, era muito movimentada, né? Na época tinha muitas sondas funcionando, era muita gente trabalhando, era super agitado lá, né?
00:02:30 P/1 - E já tinha mulher nessa época lá?
00:02:32 R - Tinha, já tinha mulher. Só que na divisão onde eu entrei, eu fui a primeira mulher a trabalhar, né? Tanto é que eles tiveram que improvisar, negócio de banheiro feminino, porque na época que eu cheguei, só homem que trabalhava na perfuração. Eu fui a pioneira. Mas não tive problema nenhum.
00:02:51 P/1 - Nunca teve nenhum problema?
00:02:52 R - Não, nenhum problema. Sempre fui respeitada pelos meus colegas. E...
00:02:58 P/1 - Quanto tempo você ficou lá em Belém?
00:03:01 R - Eu fiquei lá até a unidade vir transferida pra Manaus, né? Foi 2001 que eu vim transferida pra cá, pra Manaus.
00:03:10 P/1 - Você ficou de 76 a 2001 lá?
00:03:12 R - É. Janeiro de 2001 eu vim transferida, né? Porque algumas pessoas vieram em 2000, só que eu vim em 2001. E passei o ano de 2001 morando em Manaus. Só que aí não deu certo trabalhar no escritório. Não deu certo porque meu marido não conseguiu transferência. E meus filhos também sentiram dificuldade em morar em Manaus. Então eu pedi pra trabalhar aqui no Urucu. E voltei a morar em Belém. Trabalho no regime 14 por 14.
00:03:38 P/1 - E é a primeira vez que você trabalha nesse regime?
00:03:41 R - É, é a primeira vez.
00:03:42 P/1 - Como é que é trabalhar nesse regime 14 por 14 aqui em Urucu?
00:03:46 R - Eu acho ótimo, né? Porque nesse tempo todinho que eu trabalho na empresa, esses dois anos que eu vou fazer agora, né? Tipo assim, eu posso dizer que foram os dois anos que eu mais me realizei dentro da empresa, que eu mais gostei do meu trabalho, entendeu? Porque a gente aqui faz muita coisa, é muita coisa, você não tem... não tem tempo, assim, pra estar, tá entendendo? Todo tempo tá ocupada, sempre fazendo coisas diferentes, você sempre tá aprendendo. Então, desse tempo todinho que eu tenho, de 27 anos, esses dois anos é o que eu mais gostei, nesse tempo todo.
00:04:29 P/1 - Quando você veio aqui a primeira vez, como é que foi aqui em Urucum?
00:04:36 R -
Olha, eu vim aqui há uns 5 anos, mais ou menos, só para visitar, então não deu tempo de ver nada. Mas quando eu comecei a trabalhar, quando eu vim a título de experiência, que eu trabalhava com o doutor Rafael Frazan, um ex-gerente geral aqui da unidade, e eu pedi pra vir pra cá. Ele disse, olha, você vai primeiro pra conhecer, pra ver se você vai gostar e tal. Aí eu vim. Realmente quando a gente chega aqui é, sei lá, é uma coisa diferente, né? Você trabalhar aqui, Você está em contato, além de estar em contato com a natureza, você tem... Sei lá, você fica espantada de ver tanta coisa. Você trabalha dentro da... Aqui na unidade do processo, onde você vê as coisas que você até então só ouvia falar, né? Só digitava, só lia e não entendia nada, como é que era. Hoje em dia, não, eu sei. Eu vou até a unidade do processo e vejo tudo, tá entendendo? Posso admirar a beleza, não só pela revista, mas pessoalmente.
00:05:36 P/1 - Qual é o seu cotidiano de trabalho? Quais são as suas atividades?
00:05:41 R - Eu trabalho na gerência de operação da produção, na parte de sistema de gestão integrado. A gente trabalha com os padrões, com os registros de tratamento de anomalias. E trabalha também com a parte de... ajudando na comunicação empresarial lá de Manaus, na parte dos eventos. Aqui a gente é o suporte do SGI, suporte de SGI, Sistema de Gestão Integrada, mas a gente faz de tudo um pouco. Se tem uma palestra, a gente precisa montar equipamento, a gente vai e monta equipamento todo, entendeu?
00:06:16 P/1 - Quais foram os principais acontecimentos ou eventos que você presenciou, participou aqui em Urucuru, desde que você tá aqui? Desde que eu tô aqui... Tipo, hoje a gente aqui...
00:06:29 R - É, hoje vocês aqui, né? Fazendo esse trabalho com a nossa memória, né? Desintegrado à Petrobras. Ixi, me vê, tem tanta coisa. Que... Ixi, a vida.
00:06:49 P/1 - Com essa ideia, quantas mulheres moram aqui?
00:06:55 R - No total, assim, Petrobras é contratada.
00:07:00 P/1 - Petrobras quantas?
00:07:02 R - Petrobras, nós somos nove, né? Somos quatro no regime administrativo, que é 14 por 14, né? Uma que é enfermeira, 14 por 21, e também as operadoras, que são quatro, também é 14 por 21.
00:07:18 P/1 - Você tem filhos? Você é casada?
00:07:21 R - Tenho dois filhos. Um de 20 anos e um de 15. Sou avó também. É mesmo?
00:07:26 P/1 - E eles sempre faltam. Como é que é pra você estar aqui?
00:07:29 R - É, sentir, sente, né? Mas eles ligam pra mim, eu ligo pra lá pra saber como é que tá. Qualquer coisa que estiver errada, eu dobrou o cabelo do telefone. Dobrou o cabelo do telefone e assim a gente vai levando.
00:07:43 P/1 - E como é que essa mulher vive aqui, a relação com os homens?
00:07:48 R - Olha, eu acredito não, eu tenho certeza que a gente não tem problema nenhum em conviver aqui com essa maioria, a maioria homem, né, você sabe disso. Então a gente não tem problema com eles, graças a Deus, né? A gente fica preocupado às vezes. Mas aqui, sinceramente, a gente não tem. Eles respeitam muito a gente, entende? Falam normalmente, a gente fala com eles, oi, oba, bom dia, boa tarde, tudo bem, como é que o senhor está? E não sei o quê, perguntam se eles precisam de alguma coisa, eles procuram a gente, perguntam ou pedem alguma coisa. Mas eles respeitam a gente, entendeu? Respeitam mesmo. Graças a Deus a gente não tem esse problema aqui.
00:08:26 P/1 - Lucidade, o que significa pra você trabalhar aqui na Petrobras?
00:08:30 R - Significa muito, porque até então eu não valorizava, eu achava que meu trabalho não era valorizado, trabalhar como secretária, entendeu? E já aqui não, eu acho que eu sinto que meu trabalho é valorizado, eu me sinto útil, Como se realmente eu fizesse parte da empresa. Eu me sinto orgulhosa de trabalhar aqui, entendeu? De fazer parte desse mundo aqui.
00:09:00 P/1 - Nessa ideia, esses anos que você está na Petrobras, qual foi o fato mais marcante, um acontecimento, uma anedota, um caos que tenha acontecido?
00:09:11 R - Sim. Mas essa pergunta agora vai ficar complicada para eu me lembrar, né? Deixa eu ver, meu Deus. Aí é complicada de tudo lembrar assim.
00:09:31 P/1 - Tem alguma outra coisa que eu não tinha perguntado se você era o bicho da registrada?
00:09:35 R - Não, não. Tudo bem.
00:09:38 P/1 - Então tá bom.
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