P – Por favor, me diga seu nome completo, data e local de nascimento. Qual o nome do projeto e em que cidade fica? O que estava acontecendo na sua vida quando você encontrou a Ashoka e como é que foi esse encontro?
R - Meu nome é Luciana Martinelli e nasci em 23 de janeiro de 1976. Fundei o Instituto Pró Ação Pela Cidadania Jovem, uma organização que tem sede aqui em São Paulo, mas está atuando em Santos e também no Nordeste. Falar dessa época é muito complicado para mim. Os anos de 1999 e 2000 foram os piores de minha vida, sem dúvida nenhuma. Eu perdi minha mãe no finalzinho de 98 e foi de uma forma brutal e rápida. Então, um convite para uma viagem a esse tempo é um convite supercomplicado, mas foi nessa época que conheci a Ashoka. Eu estava no último ano de faculdade de Administração de Empresas. Muito frustrada porque saía com um diploma e com o atestado de uma empresária fracassada. Eu já havia feito de tudo. Com 13 anos de idade comecei a trabalhar na área social como voluntária em praticamente tudo o que aparecia. Em saúde, educação, meio ambiente. Era como uma criança que vai, faz alguma coisa, volta para casa e a vida continua igual.
Mas na faculdade a coisa mudou um pouco porque eu descobria esse mundo todo e já percebia que poderia mudar o curso da história também. A história não estava lá para a gente simplesmente ler ou contar. Mas para escrevê-la também. Nesse período difícil de 1999 e 2000 eu estava em meu processo de construção de um projeto de vida, sem saber exatamente o que fazer pessoalmente e profissionalmente também, acabando de me formar, com 23 anos. Então, comecei a olhar para trás, para minhas experiências de voluntariado, e comecei a desenvolver projetos. Em meio a tantas idéias, eu tinha que começar a tomar algumas decisões levando em conta também os acontecimentos de minha vida. Estava saindo da adolescência de uma forma brutal. Na tentativa de iluminar alguns caminhos, eu...
Continuar leituraP – Por favor, me diga seu nome completo, data e local de nascimento. Qual o nome do projeto e em que cidade fica? O que estava acontecendo na sua vida quando você encontrou a Ashoka e como é que foi esse encontro?
R - Meu nome é Luciana Martinelli e nasci em 23 de janeiro de 1976. Fundei o Instituto Pró Ação Pela Cidadania Jovem, uma organização que tem sede aqui em São Paulo, mas está atuando em Santos e também no Nordeste. Falar dessa época é muito complicado para mim. Os anos de 1999 e 2000 foram os piores de minha vida, sem dúvida nenhuma. Eu perdi minha mãe no finalzinho de 98 e foi de uma forma brutal e rápida. Então, um convite para uma viagem a esse tempo é um convite supercomplicado, mas foi nessa época que conheci a Ashoka. Eu estava no último ano de faculdade de Administração de Empresas. Muito frustrada porque saía com um diploma e com o atestado de uma empresária fracassada. Eu já havia feito de tudo. Com 13 anos de idade comecei a trabalhar na área social como voluntária em praticamente tudo o que aparecia. Em saúde, educação, meio ambiente. Era como uma criança que vai, faz alguma coisa, volta para casa e a vida continua igual.
Mas na faculdade a coisa mudou um pouco porque eu descobria esse mundo todo e já percebia que poderia mudar o curso da história também. A história não estava lá para a gente simplesmente ler ou contar. Mas para escrevê-la também. Nesse período difícil de 1999 e 2000 eu estava em meu processo de construção de um projeto de vida, sem saber exatamente o que fazer pessoalmente e profissionalmente também, acabando de me formar, com 23 anos. Então, comecei a olhar para trás, para minhas experiências de voluntariado, e comecei a desenvolver projetos. Em meio a tantas idéias, eu tinha que começar a tomar algumas decisões levando em conta também os acontecimentos de minha vida. Estava saindo da adolescência de uma forma brutal. Na tentativa de iluminar alguns caminhos, eu ligava para muita gente e dizia: “Posso bater um papo com você e tal?” E era para bater um papo também com outra intenção, do tipo: “Dá para você me dar uma força porque minha vida está uma zona?” E, ao mesmo tempo: “Dá para você me dar uma força, porque eu preciso abrir alguns caminhos profissionais.” Eu já conhecia a Ashoka através de outros fellows e me encantava muito a estrutura da organização no sentido de investir nas pessoas. Era uma coisa muito nova e eu queria conhecer a Mônica [de Roure, diretora da Ashoka] e conhecer a Ashoka por dentro. Marcamos um encontro e eu comecei a perguntar: “Mônica, será que é possível fazer o mesmo que a Ashoka faz, só que com os jovens?”
Porque foi um pouco isso que aconteceu na minha vida. Bati em um monte de portas. Muita coisa saiu errada; alguns projetos deram certo e, outros, mais ou menos. Queria saber se era possível fazer uma Ashokinha e fiquei quase duas horas com a Mônica conversando sobre isso. E eu nem imaginava que estava passando pela minha primeira entrevista. Fiquei sabendo só no final do café, quando ela falou: “Já estão pensando em fazer isso nos Estados Unidos. É possível, sim, volta aqui e vamos começar”. Esse momento foi marcante, absolutamente inesperado. Aliás, foram anos de sustos na minha vida. A Ashoka foi um deles, um dos sustos muito positivos.
P – Como foi e o que representou o processo de seleção da Ashoka?
R - Minha seleção demorou muito tempo. Quase o ano todo de 1999, um ano de idas e vindas. Então, eu desenvolvi no processo de seleção da Ashoka uma relação de amor e ódio, que acho que só foi resolvida algum tempo depois. Porque era muito complicado. Em um momento de tanta indefinição vira alguém para você e fala: “Onde você acha que vai estar daqui a 10 anos?” Eu queria socar, na verdade. Te convidavam a fazer uma reflexão de visão de futuro que você não tinha condição de ter naquela hora. Eu estava apenas com aquela idéia. E eu acho que muita coisa foi construída no processo. A segunda entrevista também foi muito forte. A segunda opinião. Os painéis. E porque também quando você está naquele processo parece que toda vez que você vai conversar com alguém você está em uma entrevista. Não era só o processo de seleção da Ashoka. Eu já incorporava tudo. Quando ia conversar com alguém, precisava explicar a idéia inteira. Já era uma coisa estruturada e esse processo desencadeou um movimento maior. Que foi o movimento de pensar e construir o projeto de uma forma mais coordenada. Naquela época, minha visão era de curto prazo. Era de ontem. A palavra de ordem para mim, em 1999, era sem, dúvida nenhuma, “projeto”. Projeto de vida, projeto profissional, projeto de todo lado. Mas eu tinha muita dificuldade de enxergar a médio e longo prazos. Enxergar estratégias, metas e, também, a idéia em um contexto maior. Acho que dei um grande salto nos painéis. Até na questão da língua. Quando vinha um gringo, era muito legal. Meu último painel foi com o Bill. Mas não o Bill Drayton, o outro Bill.
P – Bill Carter?
R - É. Terminamos a entrevista e ele falou: “Olha, terminamos.” Eu respondi: “Ah, foi tudo bem, não é?” Ele retrucou: “Mas fica aí ainda. Tem um filho meu que está engajado em uma coisa de teatro”. Começou a contar a história dele com o filho, porque o meu projeto inteiro é com jovens. E aquilo me deu uma outra visão. Eu pensei: “Espera um pouquinho. O que eu estou falando aparentemente sozinha ou pensando sozinha em um travesseiro talvez seja uma situação que tenha espaço no mundo. Tanto que um pai de família se identificou porque o filho faz teatro. E sei lá eu onde o filho estuda, em que escola estuda”. Então, a Ashoka trouxe a questão da construção da idéia para um cenário maior. Acho que isso foi muito forte nos processos, nos painéis. Eu falava de jovem e terminei falando de juventude. Eu comecei falando de um projeto doméstico e saí pensando em uma abrangência maior. Assim, as coisas mudaram muito no processo. É uma situação muito privilegiada porque a gente não está falando só com gente que entende do assunto, mas com gente que viveu isso também. Então, se você falasse assim: “Não, eu estou sofrendo.” Vinha a resposta: “Eu já sofri também.” Em outra situação: “Está difícil responder isso.” A resposta: “Eu sei.” É uma situação de alguma forma até aconchegante.
P – Quando que você obteve a resposta?
R - No início de janeiro. E acho que isso também foi muito forte. Ou seja, a questão do mistério também veio muito à tona. “O que é isso que está unindo essas pessoas? Que cruza nossas vidas? A gente entrava naquele hotel e ficava sete horas em uma cadeira. Marcou profundamente e foi um processo de construção riquíssimo. E misterioso também, mas um mistério bom.
P – Como foram seus três últimos anos na Ashoka?
R - Bom, já falei um pouquinho como foi meu primeiro ano, todo condicionado ao meu projeto de vida. O Pró Ação é a terceira ONG que fundei. Antes eu havia fundado outras duas, mas o presidente era meu pai, porque eu nem tinha idade para assinar o estatuto. Eu cresci com o Pró Ação e o Pró Ação cresceu comigo também. E no primeiro ano era aquela dúvida: “Para onde ir?” O mundo se abriu na minha frente. Eram várias janelas. Era aquela coisa do adolescente viver intensamente e eu era ativista por excelência.
Eu falava com muitas pessoas em todas as oportunidades que tinha e só depois é que eu pensava onde as conversas iam dar (risos). Era também muito difícil tomar decisões, mesmo sabendo que era preciso, mas chegava a ser cruel ter de fazer algumas opções. Sei que minha trajetória nesses três anos foi um reflexo das oportunidades que eu tive, mais até do que das opções que fiz. Ou um conjunto disso. Sem dúvida nenhuma, as oportunidades aparecem e a gente, às vezes, consegue enxergar algumas. É um processo de crescimento, é dialético, é em espiral, ou seja, é muito complicado a gente separar. Esses três anos foram de equilíbrio entre oportunidades e opções. O começo foi nebuloso, eu estava absolutamente sozinha. Ao mesmo tempo em que estava fazendo mais coisas, enchendo as prateleiras. Depois a gente separa as coleções das enciclopédias e dos livros, mas tem a fase de acumular. E eu estava nessa fase desde os 13 anos. Não encontrava o eixo, o caminho, nada parecia ligar com nada. E aí começa a ter uma essência de: “Bom, mas espera aí, por trás de tudo isso tem uma questão muito forte da juventude”. E não era a missão do Pró Ação. Mas era uma crença pessoal. Isso sempre foi confundido. E muitas vezes difícil de separar. Até hoje eu não sei se é à toa, mas eu moro a duas quadras do escritório. Eu já não sei qual que é a minha casa; qual é o quintal e qual é a casa. Às vezes é difícil separar, é um ideal muito forte. Tinha a vontade de falar com jovens, sem muita estrutura, sem muita estratégia. Vamos falar com o jovem, vamos inspirar a pessoa. Desde uma palestra para dez mil, no Rock in Rio, até uma pequena comunidade de jovens. E viver a faculdade da perspectiva da sala de aula era uma coisa pequena. Eu começava a pensar nos números. “A FEA tem cinco mil alunos, cinco mil empresários que vão entrar neste mundo. Alguém tem que fazer alguma coisa, ampliar a visão por aqui”. O tempo todo isso era muito forte.
E foi assim o começo com a Ashoka. Ajudou o processo de seleção, nos primeiros projetos, a escrever as primeiras propostas. Daí vem aquela condição: “Não, não, antes de você começar a fazer alguma coisa vamos escrever a justificativa.” Eu falei: “Que justificativa? Justificar o quê?” Como é que você consegue transcrever um valor? Como é que você consegue colocar no papel toda uma crença? Eu ficava irritada. Justificar o quê? Como é que eu vou justificar o fato de achar que o jovem tem que participar e ser um ator principal? E como é que eu justifico a indignação quando a gente fala de democracia e um terço da população entre 14 e 30 anos não tem participação ativa? Que democracia é essa? Como é que eu vou justificar isso? Quer pegar dados? Então a gente pega o Censo, a gente pega tudo isso. É muito cruel. Mas do bem. Eu fiz uma justificativa. Eu uso até hoje (risos). São três parágrafos. “Precisa de justificativa? Então toma. Tem uns números bonitos, tem umas referências da América Latina, tem uma coisa muito bacana.” Mas comecei a tentar clarear um pouco o que era toda essa zona. E aí veio, eu montei um pouco a idéia do quebra-cabeças aqui, na Ashoka. Algumas partes da minha vida foram sendo estruturadas. Ou seja, eu comecei a sair de um processo depressivo, de uma condição de administradora frustrada, para entrar no processo de ser educadora. Já não fazia mais parte da minha vida um olhar só de planejamento, mas eu começava a falar em processos. Processo em trânsito, tudo é um processo. Um processo de aprendizagem.
Eu me lembro dos dias em que começaram a sair de minha cabeceira Peter Drucker para entrar Paulo Freire; sai o Marketing e entra Processo de Comunicação na Perspectiva de Mobilização (risos). E foi nesse período que saíram algumas coisas e entraram outras. Até na questão da profissão. Hoje eu não me considero administradora de empresas e realmente não sou. Então, sou empreendedora social, educadora. Esse é o caminho. Foi em 2001 que as coisas começaram a ocupar seus lugares e no final daquele ano eu estava sozinha, mas ao mesmo tempo sentia estar acompanhada por um terço da população. Que era aquela coisa de estar sozinha, mas saber que todo jovem era um grande companheiro. Aquela coisa meio de luta, rebeldia. Eu era contra o sistema por opção (risos). Eu era contra o sistema e tinha que ser. De usar boina na faculdade. Até hoje eu tenho vontade de conhecer quem invadiu a reitoria da PUC [em 2004] para absolutamente dar os parabéns, porque aquilo foi histórico.
Eu me lembro de ter inaugurado o primeiro projeto na faculdade dentro do teatro Tuca. E na abertura eu falei: “Olha, aqui foi palco de revoluções e eu acho que isso diz alguma coisa. A gente também está em outra revolução aqui”. Acho que isso era muito forte. Depois as coisas começaram a se encaixar e eu já não estava mais sozinha com toda a juventude. Começaram a aparecer nomes de pessoas quando optei pela formação de uma equipe. Eu sabia que esse momento ia chegar.
P – Você utilizou os recursos na formação da equipe?
R - Na formação. Eu gasto hoje 80% do meu tempo na equipe interna, principalmente em formação. Porque tem um detalhe: a maioria do pessoal que está aqui não sabe o que vai ser da vida. Entra, sai. É muito complicado e é preciso investir mesmo. E não é um investimento para qualificar, por exemplo, um funcionário. É um investimento para facilitar a construção de um projeto de vida. Sabendo que, talvez, e isso aconteceu muitas vezes no Pró Ação, o projeto de vida é sair da organização para alguma coisa maior. O Pró Ação é uma escola de formação e já circulou muita gente por lá. Começamos com dois, três que se transformaram em muitos, em tempo integral. Mas está todo mundo no mesmo barco. Se alguém tem que cobrar alguma coisa de alguém, vai ter de cobrar de todo mundo. Vamos dividir juntos. É tudo muito horizontal. Eu sempre soube que o Pró Ação era um meio e não um fim. Não fundei a organização para ser um fim.
Antes do Pró Ação houve outros projetos. Por que eu não fiquei naqueles projetos? Por que é que hoje eu não fiquei lá atrás? Ou seja, com os projetos da faculdade ou nos trabalhos no SOS Mata Atlântica, na Cruz Vermelha ou na Cruz Verde? Eu tentava entender o que significava a organização ser meio para uma causa maior. E hoje eu entendi. A organização tem que ser meio para você se desprender disso com uma facilidade muito grande, pouco importa se vai ter o nome Pró Ação, se vai ter o CNPJ, se vai ser uma rede, um grupo de pessoas ou de amigos. Tem uma coisa que está acima disso, dependendo de como as coisas acontecem; se a gente vai trabalhar em um escritório, se a gente vai trabalhar no Brasil. Se tem uma coisa que te move mais.
Foi um desprendimento grande nos unirmos a uma organização que se chama Marco Três Marketing e Comunicação para o Terceiro Setor. E ampliar não só o trabalho com a juventude. A gente acabou voltando para trás e observando que além da juventude existia um trabalho de mobilização social. A Gincana da Cidadania é um trabalho em Santos que tem o foco na juventude, mas envolve uma cidade. Mas estou muito feliz por ter entrado na Ashoka com o Pró Ação e estar saindo com uma organização que se chama Aracati – Agência de Mobilização Social.
Aracati é o nome dado a um vento que começa na cidade de Aracati, no Ceará. Ele sopra todo dia na mesma hora e vai passando pelas cidades. E lá é um calor absurdo. Ele passa mais ou menos na mesma hora e a brisa é forte o suficiente ou suave o suficiente para fazer as pessoas saírem de casa, colocar a cadeira na rua, na varanda e começar a conversar e a se encontrar. Então, por conta desse vento foi criado um outro, o Aracati, que a gente espera seja forte e suave o suficiente para fazer as pessoas se mobilizarem. Quando eu achei as peças do quebra-cabeças e estava imaginando o que iria montar, passou um vento. Há uma sensação de fim, sem dúvida nenhuma. Estava pensando agora: esse Aracati é ótimo para propaganda porque sempre quando a gente está falando alguma coisa passa um vento. Então a gente fala: “Olha o Aracati” (risos). E eu estou falando de um aprofundamento conceitual.
O que é a questão da juventude? A participação, a democracia, processos decisórios? Nós estamos falando de relação de poder, de um conceito mais abrangente. Quando eu tinha encontrado essas peças eu falei: “Bom, agora eu vou montar esse quebra-cabeças e ele vai ficar absolutamente lindo”. Eu me lembro de nós terminando o planejamento de 2001. Eu falei : “Nossa, vamos ter muitos programas, projetos. Porque agora a gente achou aqui o negócio.” E aí vem o Marco Três e nós nos identificamos com a causa. E foi isso o que aconteceu. Mudamos tudo, mudamos de casa e mudamos de organização também. Entrei na Ashoka com o Pró Ação e saí fundando outra organização. É muito bacana. Em termos de futuro, não sei. Que venha (risos).
P –Nesses três anos, quais foram os altos e baixos da relação com a Ashoka?
R - Bom, os altos e baixos passam pelos altos e baixos de tempo e tudo mais que a gente teve nesse percurso. Mas não só o tempo, tem aquela coisa de estar disponível, que significa mais do que ter tempo. Você vai à reunião, mas quem disse que você está lá? Vai ao curso, mas quem disse que você está lá? Toda vez que eu estive disponível, bateu a química do convite da Ashoka e isso aconteceu. Participei de vários cursos: captação de recursos, comunicação. Não faz sentido você guardar esse conhecimento todo, essa oportunidade toda que é um investimento na figura do empreendedor. E tem uma outra coisa bacana na Ashoka, a perspectiva de rede. E todo elemento de uma rede é fonte de iniciativa. Eu nunca fiquei esperando coisas, eu acho que isso foi muito claro.
Desde o primeiro curso uma coisa ficou bem clara: “Vocês têm o espaço para a criação”. Então, a única coisa que eu esperava era uma definição do tamanho desse espaço, e esse espaço é ilimitado. Esse é um ponto. E o outro ponto é o universo de possibilidades que a Ashoka abre para você interagir. Quando eu fui ao escritório de Washington, eu percebi um mundo da Ashoka que eu não conhecia. É um mundo, o fellowship é um mundo. A gente tem um universo fora o universo de criação e eu também não sabia. Eu acho que tem uma coisa do buscar e eu fui muito bem recebida. Fazer parte da rede não é simplesmente ser fellow da Ashoka. Eu acho que tem um salto aí. Ou seja, é alimentar a rede, costurar a rede, dividir com as pessoas. Tenho a sensação de que, às vezes, os altos e baixos da Ashoka têm muito mais a ver com os meus altos e baixos do que efetivamente uma condição que está sendo oferecida. Saio achando que aproveitei dois por cento do que poderia. Mas também quem disse que terminou a questão da fellowship? E como não terminou, há uma possibilidade de termos um processo de mobilização caloroso. Depende de nós.
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