Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Lisiane Moraes
Entrevistado por Priscila Cabral
Porto Alegre, 01 de março de 2007
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB250
Transcrito por Ferramenta Transkriptor
00:00:07 P1:
Memória Petrobras, depoimento de Lisiane Moraes, entrevistado por Priscila Cabral, Canoas, 1º de março de 2007, realização Museu da Pessoa, entrevista MPAD-CB Refap, número 6. Bom dia, boa tarde, agora, né? Pra começar, eu queria que você falasse o seu nome, o local de nascimento e a data de nascimento.
00:00:35 R:
Meu nome é Lisiane, eu nasci em Novo Hamburgo em novembro de 1967.
00:00:42 P1:
E quando e como foi o seu ingresso no Petrobrás?
00:00:47 R:
Eu terminei a escola técnica e fiz concurso na sequência e fui chamada já e fiz estágio aqui, continuei trabalhando aqui, são praticamente 20 anos já aqui.
00:01:01 P1:
Você lembra o ano que você nasceu?
00:01:03 R:
Eu entrei em 1987 como estagiária e fui admitida em 88.
00:01:08 P1:
E você sempre trabalhou aqui na Refab?
00:01:10 R:
Sempre na Refab.
00:01:12 P1:
E me conta um pouco como é que foi a sua trajetória aqui dentro?
00:01:15 R:
Na verdade, minha formação é técnica em química, entrei no laboratório e continuo no laboratório até hoje. Passei por várias áreas dentro do laboratório, hoje eu estou na supervisão, já há dois anos atuando na supervisão da área administrativa, parte de controle de processo. Assim, tem algumas atuações dentro da refinaria, em organização de eventos, mas sipa e tal. Sempre trabalhei no laboratório.
00:01:54 P1:
Me conta um pouco como é o dia a dia de uma supervisora, cotidiana, do seu trabalho.
00:01:59 R:
Na verdade, não tenho muita rotina. Foi até uma mudança bem drástica. Sair de uma bancada onde fazia uma rotina, tinha já tudo mais ou menos esquematizado, passar para a supervisão onde tudo acontece. Não tem uma sequência lógica nas coisas. As coisas vão acontecendo na...
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Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Lisiane Moraes
Entrevistado por Priscila Cabral
Porto Alegre, 01 de março de 2007
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB250
Transcrito por Ferramenta Transkriptor
00:00:07 P1:
Memória Petrobras, depoimento de Lisiane Moraes, entrevistado por Priscila Cabral, Canoas, 1º de março de 2007, realização Museu da Pessoa, entrevista MPAD-CB Refap, número 6. Bom dia, boa tarde, agora, né? Pra começar, eu queria que você falasse o seu nome, o local de nascimento e a data de nascimento.
00:00:35 R:
Meu nome é Lisiane, eu nasci em Novo Hamburgo em novembro de 1967.
00:00:42 P1:
E quando e como foi o seu ingresso no Petrobrás?
00:00:47 R:
Eu terminei a escola técnica e fiz concurso na sequência e fui chamada já e fiz estágio aqui, continuei trabalhando aqui, são praticamente 20 anos já aqui.
00:01:01 P1:
Você lembra o ano que você nasceu?
00:01:03 R:
Eu entrei em 1987 como estagiária e fui admitida em 88.
00:01:08 P1:
E você sempre trabalhou aqui na Refab?
00:01:10 R:
Sempre na Refab.
00:01:12 P1:
E me conta um pouco como é que foi a sua trajetória aqui dentro?
00:01:15 R:
Na verdade, minha formação é técnica em química, entrei no laboratório e continuo no laboratório até hoje. Passei por várias áreas dentro do laboratório, hoje eu estou na supervisão, já há dois anos atuando na supervisão da área administrativa, parte de controle de processo. Assim, tem algumas atuações dentro da refinaria, em organização de eventos, mas sipa e tal. Sempre trabalhei no laboratório.
00:01:54 P1:
Me conta um pouco como é o dia a dia de uma supervisora, cotidiana, do seu trabalho.
00:01:59 R:
Na verdade, não tenho muita rotina. Foi até uma mudança bem drástica. Sair de uma bancada onde fazia uma rotina, tinha já tudo mais ou menos esquematizado, passar para a supervisão onde tudo acontece. Não tem uma sequência lógica nas coisas. As coisas vão acontecendo na refinaria e a gente vai tendo que adaptar a mão de obra que a gente tem, os equipamentos, a gente precisa estar sempre desenvolvendo novas metodologias para poder ganhar tempo e executar mais análise. Agora, com a ampliação, a gente teve um acréscimo grande, né, no número de análises, então a gente está hoje atuando bastante em termos de diminuir tempo de análise e otimizar, né, o tempo dos nossos técnicos.
00:02:57 P1:
Você falou, você mencionou a ampliação da Refap e como você já trabalha aqui, você falou, né, 20 anos, quase 20 anos, queria que você falasse um pouco de como foi essa ampliação, se você acompanhou, E o que você acha que mudou? Você até já falou um pouquinho, mas queria que você pudesse falar.
00:03:17 R:
A Refap era considerada uma refinaria pequena, até, em termos do sistema Petrobras. Ela cresceu muito, aumentou a produção. aumentou o número de funcionários, o nível de complexidade muito maior do que se tinha. Até então, a gente tinha domínio total, conhecia bem as unidades. E hoje a gente tem desafios, né? A cada dia tem um novo desafio. Então, hoje a gente vive sempre sendo desafiado, tendo que inovar. Então, assim, as pessoas precisam estar mesmo abertas a mudanças, às mudanças que vão acontecer.
00:04:04 P1:
Você acha que a REFAB, em relação às outras refinarias, ela tem... ela se destaca em alguma coisa? Houve particularidade?
00:04:16 R:
A gente tem aqui na Refap uma particularidade que hoje a Refap não é mais uma unidade da Petrobras. Ela é uma subsidiária ou uma coligada. Isso até tem uma certa divergência. Então a gente está trabalhando numa nova realidade. Na verdade, são duas coisas novas. Uma foi a Refarp deixar de ser do sistema, passar a ser uma empresa privada ou semi, e a ampliação. Ela hoje é uma refinaria única dentro desse contexto da Petrobras.
00:05:01 P1:
E como é que você recebeu essa informação de que a Refap viria a ser uma subsidiária da Petrobras?
00:05:12 R:
No início, eu acho que, como todos aqui, houve uma preocupação grande em relação ao futuro mesmo. Como que ia ficar a Refap? Ser um funcionário da Petrobras é uma coisa que engrandece e traz uma segurança, traz todo um... Como que seria ser funcionário da Refap? Trouxe uma certa angústia, mas aí, com reuniões que ocorreram com o diretor-presidente, hoje o Yudo, uma pessoa superaberta, todas as pessoas puderam tirar suas dúvidas em relação a isso. E está sendo muito bom. Eu não tenho nada... A Refap, hoje, eu posso dizer que está muito melhor do que ela era. Assim, em termos de poder fazer as coisas acontecerem sem ter que estar... Como é que eu vou dizer? Ela é uma empresa única. Ela não tem que se reportar para a sede. Então, você pode tomar decisões, adquirir equipamentos, fazer cursos, inclusive cursos no exterior. Hoje, isso tudo está muito mais acessível do que antes. E a Refab cresceu muito com isso. Os funcionários cresceram muito. Tiveram que... evoluir.
00:06:54 P1:
O SMS, a gente sabe que tem essa política forte, tanto de segurança no trabalho também, como a questão ambiental. Então, eu queria que você falasse um pouco sobre essa política da empresa, nesses dois aspectos. Você podia comentar um pouco.
00:07:18 R:
Eu considero o sistema Petrobras como um todo muito preocupado com as questões de SMS. E a Refap também dentro desse contexto. Todas as possibilidades que são levantadas, todos os questionamentos, é avaliado, são feitas correções em procedimentos e até em equipamento, substituição, então a preocupação existe e houve uma conscientização das pessoas. Hoje a gente já trabalha em atitude, não precisa mais tanto trabalhar em readequação por conta de insegurança de equipamento ou de projeto. Hoje a gente já atua, a Refap atua mais na atitude das pessoas, então já está conseguindo trabalhar comportamento. Eu acho que isso é um um avanço. Então, assim, a empresa tem essa preocupação e proporciona, porque os funcionários se posicionam e coloquem sugestões. Então, eu me sinto bem tranquila com relação a isso.
00:08:37 P1:
E você tem conhecimento dos projetos de responsabilidade social da Refap?
00:08:44 R:
Sim, conheço. A Refap Cidadã. Na verdade, ele está iniciando o processo. A gente tem o atendimento a crianças do entorno da refinaria, que são atendidas no clube. e está iniciando um processo de voluntariado, que está em uma fase ainda inicial. Eu acho isso superimportante. Uma empresa com uma estrutura da Refap tem condições totais de trabalhar com essa comunidade e está fazendo um trabalho muito bonito. Agora, já com a participação dos funcionários.
00:09:26 P1:
Eu vou... mudando um pouquinho de assunto, você é sindicalizada?
00:09:33 R:
Estou, sim, sou sindicalizada.
00:09:35 P1:
Você já exerceu um contrato?
00:09:36 R:
Não, não.
00:09:38 P1:
Não, mas você participa, tem aluno?
00:09:41 R:
É, eu já fui bem mais ativa dentro do sindicato, já participei de reuniões, participava sempre de assembleias, mas atualmente eu estou meio assim, Não é a parte, mas meio por fora. Não estou participando muito.
00:10:02 P1:
Mas você tem alguma impressão desse relacionamento do sindicato com a Petrobras? Hoje em dia, se mudou alguma coisa?
00:10:11 R:
Eu acho que com o nosso presidente, o Lula, essa relação mudou bastante. Eu vejo hoje o sindicato mais como, não sei se poderia usar esse termo parceiro, mas assim, não é mais uma oposição. Então, acho que a gente ganhou muito com isso, a Petrobras como um todo, inclusive a Refab. porque o diálogo acontece mais fácil, não é aquela coisa de embate. Sim, um diálogo mesmo para que todos ganhem. Eu acho que esse deveria ser o objetivo do sindicato, trabalhar para que todos ganhem, tanto os funcionários quanto a empresa, porque o objetivo da empresa também é atingir as suas metas. Então, acho que essa relação melhorou.
00:11:08 P1:
Existe alguma questão em pauta? Bom, a gente sabe que existem questões mais abrangentes, mas alguma coisa específica que o sindicato reivindique aqui para a refábricação?
00:11:25 R:
Atualmente, estão tendo reuniões sobre a questão do número por conta da ampliação. Então, essas reuniões estão acontecendo justamente para ver qual seria o número ideal possível para as unidades. Hoje, acho que seria esse.
00:11:49 P1:
Você diz o número de funcionários.
00:11:51 R:
O número de funcionários para atender a demanda da Refap 30 mil.
00:11:57 P1:
Bom, a gente está quase chegando ao fim, mas a gente sempre pergunta se o entrevistado tem alguma história interessante para contar, já que você está aqui há tanto tempo trabalhando na Refap, se tem alguma história marcante, algum momento interessante que ficou marcado na sua lembrança para você deixar registrado aqui na entrevista?
00:12:21 R:
Eu não teria, assim, um momento, né? Na verdade, são vários momentos, né? Eu acho, assim, coisas que a gente leva pra vida, assim, são amizades que a gente faz, né? Além do trabalho, a gente acaba desenvolvendo relacionamento, inclusive, com outras unidades, outros estados, e a gente acaba tendo laços, Até afetivos, de uma certa maneira. Então, isso é uma coisa muito boa. Tu poder saber que tu tem uma pessoa lá em Sergipe, que tu já fez um curso com essa pessoa, e tu pode ligar pra ela e conversar e trocar ideias sobre o teu trabalho, sobre a vida mesmo. e a todos os lugares onde a Refap atua. Em 2004, acho que houve os Jogos da Petrobras, do Jubileu. Eu participei e foi muito interessante, porque tivemos contato com Equador, Colômbia, pessoas que trabalham na... Argentina, Bolívia. Então, houve uma integração muito boa entre as unidades do Brasil e, inclusive, no exterior. E acho que isso é uma coisa que a gente leva na vida da gente, não só para o trabalho, mas para o pessoal mesmo.
00:13:47 P1:
E você participou de que modalidade do jogo?
00:13:50 R:
Do vôleibol, por incrível que pareça. Foi do vôleibol. Foi bom, a gente conseguiu, o Rio Grande do Sul foi campeão da fase internacional. A gente passou pela fase estadual, na verdade não tinha adversários, porque não tem muitas mulheres. e a fase regional, depois nacional, que foi no Rio de Janeiro, e aí a fase internacional, que foi com atletas da... Não tenho certeza, acho que Colômbia e Bolívia, que a gente participou.
00:14:31 P1:
Isso é muito interessante, né? Promover... Que isso também promove uma integração entre eles. os diferentes estados onde a Petrobras atua. Bom, você se considera petroleira?
00:14:50 R:
Eu me considero petroleira.
00:14:53 P1:
Então, me explica o que é ser petroleira.
00:14:57 R:
Putz... Putz, não. Ser petroleira... É uma pergunta difícil essa. Como é que eu podia definir isso assim, rápido? Eu acho assim, tem uma coisa que é ser petroleira é ser nacionalista, eu acho, a princípio. Parte daí, eu acho. Essa convicção de que a Petrobras é uma coisa boa para o Brasil mesmo. Desculpa.
00:15:46 P1:
Quando você se sentir bem, a gente retoma.
00:15:57 R:
Essa é uma pergunta difícil mesmo.
00:15:59 P1:
É, mas é uma pergunta que muitas pessoas se emocionam. É normal. Pode ficar tranquilo.
00:16:36 R:
Não sei se eu vou conseguir responder. Vou falar de novo, vamos ver se consigo falar e depois a gente repete. Acho a questão de ser nacionalista, de acreditar na empresa. A própria eleição do Lula acho que foi uma coisa que os petroleiros queriam. A gente veste a camiseta da empresa mesmo e a gente vinha vendo uma deterioração, principalmente a Refab, em termos de equipamento. Acho que a gente ganhou muito com a eleição do Lula. Só que isso é até uma coisa que eu não posso falar, não sei.
00:17:55 P1:
Então.
00:18:00 R:
A gente ganhou. A Refap foi ampliada. Houve um financiamento do BNDES que ajudou. A gente chegou a funcionários, equipamentos. Então, hoje, a Refab é uma empresa que pode competir no mercado. Uma coisa que vinha sendo ao longo do tempo... Ela vinha sendo sucateada. Acho que a empresa como toda vinha sendo sucateada. E a gente estava assistindo isso e não estava conseguindo fazer muita coisa. Mas, assim, essa coisa nacionalista e tal, acho que todos trazem. Então, hoje está tudo mais tranquilo.
00:18:47 P1:
Lise, agora a gente já... chegou ao fim. Só tem uma pergunta que a gente costuma fazer, até para a gente ter um feedback das pessoas que a gente está entrevistando, de como você se sentiu de ter participado do projeto, se você gostou de ter participado do Projeto Memória, se faz as suas considerações.
00:19:10 R:
Eu acho muito legal, gostei bastante. Acho que o funcionário se sente valorizado quando ele é chamado a falar. Não sei quantas pessoas vão ser entrevistadas, mas acho muito interessante. Inclusive as pessoas contratadas, não sei se está incluído, mas isso faz com que eles se sintam valorizados, porque a gente tem pessoas aqui dentro que trabalham há 11 anos. não são funcionários da Petrobras, mas são os nossos colegas que a gente convive dia a dia. Quando a gente chama essas pessoas para falar também, isso para eles é ótimo. Adorei, apesar da dificuldade. Muito bom.
00:19:57 P1:
Te agradeço muito. Não fique emvergonhada de ter se emocionado, porque isso a gente... Ser humano tem emoções, né? É normal acontecer e eu acho até bonito.
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