Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Leonardo Muniz Carneiro
Entrevistado por Graciliano
Manaus, 02 de julho de 2003
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB199
Transcrito por Transkiptor
00:00:06 P/1 - Então, inicialmente, me diz, por favor, seu nome, data e local de nascimento.
00:00:44 R - Meu nome é Leonardo, eu nasci no dia 19 de novembro de 1962, na cidade do Rio de Janeiro.
00:00:53 P/1 - Leonardo, desde quando você trabalha na Petrobras?
00:00:58 R - Eu fui admitido em 29 de dezembro de 1987 e comecei realmente a trabalhar no dia 4 de janeiro, aliás, fazendo o curso, o SEMPRO, o curso de diaria de processamento. 4 de janeiro de 88, e esse curso foi o ano inteiro de 88. Então, na realidade, trabalhar mesmo só em 89, né? Depois de vencer essa etapa de treinamento.
00:01:21 P/1 - Você foi admitido em 88, mas teve um ano de treinamento e começou em 89.
00:01:25 R - Exatamente.
00:01:26 P/1 - E você começou onde? Em que região?
00:01:28 R - Eu comecei aqui na Reman. Ah, na própria Reman. Na própria Reman, né?
00:01:33 P/1 - E desde a admissão você está na Reman?
00:01:35 R - É, excluindo um período de três anos que eu tive prestando serviço na sede, eu sempre fui da Reman.
00:01:42 P/1 - Sede no Rio de Janeiro?
00:01:43 R - No Rio de Janeiro, no Abaste.
00:01:47 P/1 - E qual é a sua função atual na Petrobras?
00:01:49 R - Eu atualmente tenho a função de gerente de segurança no meio ambiente de saúde.
00:01:56 P/1 - Segurança no meio ambiente de saúde. Me descreve, por favor, a rotina de trabalho. O que faz exatamente o que você faz nessa função?
00:02:05 R - A rotina nossa é planejar e organizar as ações na área de segurança de modo a cumprir a política nossa do sistema de gestão integrado. Ações referentes à saúde, cumprimento de exames periódicos, cumprimento do planejamento orçamentário, cumprimento das legislações trabalhistas, legislações ambientais. Enfim, é...
Continuar leitura
Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Leonardo Muniz Carneiro
Entrevistado por Graciliano
Manaus, 02 de julho de 2003
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB199
Transcrito por Transkiptor
00:00:06 P/1 - Então, inicialmente, me diz, por favor, seu nome, data e local de nascimento.
00:00:44 R - Meu nome é Leonardo, eu nasci no dia 19 de novembro de 1962, na cidade do Rio de Janeiro.
00:00:53 P/1 - Leonardo, desde quando você trabalha na Petrobras?
00:00:58 R - Eu fui admitido em 29 de dezembro de 1987 e comecei realmente a trabalhar no dia 4 de janeiro, aliás, fazendo o curso, o SEMPRO, o curso de diaria de processamento. 4 de janeiro de 88, e esse curso foi o ano inteiro de 88. Então, na realidade, trabalhar mesmo só em 89, né? Depois de vencer essa etapa de treinamento.
00:01:21 P/1 - Você foi admitido em 88, mas teve um ano de treinamento e começou em 89.
00:01:25 R - Exatamente.
00:01:26 P/1 - E você começou onde? Em que região?
00:01:28 R - Eu comecei aqui na Reman. Ah, na própria Reman. Na própria Reman, né?
00:01:33 P/1 - E desde a admissão você está na Reman?
00:01:35 R - É, excluindo um período de três anos que eu tive prestando serviço na sede, eu sempre fui da Reman.
00:01:42 P/1 - Sede no Rio de Janeiro?
00:01:43 R - No Rio de Janeiro, no Abaste.
00:01:47 P/1 - E qual é a sua função atual na Petrobras?
00:01:49 R - Eu atualmente tenho a função de gerente de segurança no meio ambiente de saúde.
00:01:56 P/1 - Segurança no meio ambiente de saúde. Me descreve, por favor, a rotina de trabalho. O que faz exatamente o que você faz nessa função?
00:02:05 R - A rotina nossa é planejar e organizar as ações na área de segurança de modo a cumprir a política nossa do sistema de gestão integrado. Ações referentes à saúde, cumprimento de exames periódicos, cumprimento do planejamento orçamentário, cumprimento das legislações trabalhistas, legislações ambientais. Enfim, é uma tarefa bastante interessante, muito corrida, tem sempre muita novidade. A gente tem que estar sempre se desenvolvendo, estudando, aprendendo. Tem um grupo muito forte, muito bom aqui, que dá suporte para todo esse desenvolvimento.
00:02:52 P/1 - Especialmente na área de ambiente, o que vocês fazem?
00:02:57 R - Na área de meio ambiente, nós temos atividades na área de resíduos sólidos, emissões atmosféricas e efluentes hídricos. Então, o que a gente faz é desenvolver o serviço para cumprimento dos requisitos legais, acompanhamento de indicadores de desempenho para estar em uma constante melhoria da forma como a gente Trata o meio ambiente, né? E... Enfim, é uma atividade, assim, também bastante envolvente, né? Que... Que... Na nossa área, especificamente, tem um grupo muito bom. Nós temos um centro de defesa ambiental. Temos os preparativos em caso de emergência. Treinamentos, simulados. Nós atuamos, damos manutenção dos equipamentos nossos de combate a derrama de óleo. É, é uma tarefa assim... Vocês trabalham.
00:03:51 P/1 - Na prevenção de contaminação ambiental, é isso?
00:03:55 R - Nós trabalhamos em prevenção e preparação, treinamento. Em caso de emergência, nós também estamos aptos a atuar.
00:04:04 P/1 - Vocês entram no combate direto a um vazamento, por exemplo?
00:04:09 R - Isso, exatamente. Nós temos aqui na Reman um dos nove centros de defesa ambiental da Petrobras. E esse centro de defesa ambiental está dotado de equipamentos, materiais, gente treinada, planejamento e planos para poder atuar em vazamentos de óleo em escala bastante grande.
00:04:29 P/1 - E já houve algum acidente mais grave aqui no período em que você trabalha?
00:04:35 R - Nós já tivemos alguns acidentes, mas nenhum de grande monta e a atuação sempre foi muito segura, muito competente e inclusive aprovado pelos órgãos de controle ambiental. Agora, a gente tem um treinamento muito forte, a gente simula muito, faz muito simular, de modo a manter as pessoas sempre muito bem preparadas para essas emergências.
00:05:08 P/1 - Existe alguma área particularmente preocupante aqui na Reman?
00:05:13 R - Não, não tem nenhuma área. hoje que seja muito preocupante. A gente tem um cuidado especial, muito com a parte de saúde do trabalhador, com a parte de prevenção de acidentes, controle ambiental, mas isso daí é um trabalho contínuo e que faz parte da nossa rotina.
00:05:41 P/1 - Não existe nenhum problema, por exemplo, de saúde relacionado às condições de trabalho?
00:05:46 R - Nós estamos há vários anos sem nenhum relato de caso de doença ocupacional. Nós temos cumprido anualmente todos os exames periódicos. E os exames têm demonstrado que a saúde do trabalhador perto abaixo tem evoluído, tem melhorado.
00:06:09 P/1 - Você tem alguma história interessante desse período na Petrobras?
00:06:13 R - Ah, tenho algumas, né? Uma das mais interessantes estão relacionadas às andorinhas.
00:06:18 P/1 - Andorinhas.
00:06:19 R - Bom, então vou resumir. As andorinhas são aves migratórias que elas usam a remã como uma espécie de ponto de parada, né? Elas vão do... quando começa o inverno europeu, o inverno no esfero norte, né? Elas começam a rota migratória até o sul da Argentina. E aí param na remã, né? E aí ocupam as torres, as linhas, as tubulações, né? E fazem... E esse efeito são vários meses seguidos, né? Isso provoca alguns malefícios, né? Porque elas, quando param aqui, elas deixam os dejetos, enfim, sujam e isso daí causa um problema, né? Que pode ser um problema de saúde, né? Que pode... e também corrosão das tubulações. Então, quando eu entrei na Petrobras, uma das incumbências que o meu chefe me deu foi procurar um meio de afastar as andorinhas das unidades. E ele colocou como princípio básico somente que a gente não poderia matar as andorinhas, né? Então, E aí a gente não podia matar as andorinhas. nós saímos em campo procurando ver formas de poder afastar as andorinhas. Então eu me lembro de ter testado, por exemplo, um espantalho que nós trouxemos da NASA. O espantalho era engraçado porque era uma bola amarela com dois olhos em forma de holograma. Aí compramos uns quatro, cinco espantalhos desses, trouxemos, enchemos. Aí eu chamei um colega nosso, técnico de segurança, e falei pra ele, mostrei os locais que eu queria que instalasse o espantalho, né? Ele foi e colocou o espantalho. Aí, lá, após tanto, ele aparece comigo, né? Falou, Leonardo, pô, eu acho que esse troço vai dar certo mesmo. Eu falei, por quê? Não, rapaz, até eu fiquei com medo do espantalho. Aí tá, né? Passou um tempo. No dia seguinte, nós fomos ver, as andorinhas sumiram. Todas elas ficaram realmente com medo do espantalho. Passou um tempo e tal, só que elas foram se acostumando. Aí, quando se acostumaram, não teve mais jeito. Elas começaram a... a voltar e até pousar em cima dos próprios espantalhos. Mas não ficou aí. Nós chegamos a testar, colocar... ruído, som, gravado em fita de gaviões. Tentamos colocar produtos grátis pelas tubulações, né? Pra ela não conseguir se pousar. Nós testamos várias coisas, mas foi uma incumbência que até hoje eu não consegui...
00:09:14 P/1 - Elas ainda vêm pra cá.
00:09:15 R - Até hoje.
00:09:16 P/1 - Ainda em grande quantidade.
00:09:18 R - Em grande quantidade. São milhares ao longo de semanas, né? Várias semanas. meses, né? São milhares que passam aqui pela remã e elas dão um efeito, é bonito, né? Chegam à noitinha, assim, chegam enrevoadas, assim, nuvens de andorinha. É muito bonito, só que causa um problema pra gente, que ela deixa a unidade suja. Nós temos que lavar, pra garantir a saúde do nosso empregado, né? Nós temos que lavar as unidades, deixar elas todas lavadinhas, todos os últimos dias, né?
00:09:47 P/1 - Todo dia. Todo dia.
00:09:48 R - Isso dá muito trabalho, mas enfim, é o preço que a gente paga.
00:09:54 P/1 - Por que será que elas escolheram a Reman? Será que antigamente se tinha que instalar a refinaria aqui já era um ponto de pouso dela?
00:10:01 R - Eu já consultei especialistas. várias pessoas que chegaram a estudar sobre isso e tal, e nunca conseguiram me responder exatamente por quê, né? Porque no cerne dessa resposta, estaria a solução do que a gente fazia para tirá-las daqui, né? Mas a gente pode conjecturar, por exemplo, o que é que tem daqui diferente de outros lugares? Tem o cheiro de hidrocarboneto no ar, né? Tem o calor e o ruído. das torres, né? E das máquinas, nossa, as bombas, né? Então, pode ser que seja isso. Agora, assim, uma resposta precisa, eu nunca consegui ter.
00:10:42 P/1 - Só as Andorinhas tem alguma?
00:10:43 R - É. Talvez elas só, né?
00:10:46 P/1 - Mais alguma? Você tem mais algum caso curioso?
00:10:49 R - As Andorinhas são um caso muito... Tem alguns outros, mas esse é o principal.
00:10:57 P/1 - Pelo jeito você gosta de trabalhar na Petrobras.
00:11:00 R - Eu considero a Petrobras a minha segunda casa. É um prazer enorme eu vir todos os dias e batalhar o dia inteiro como pessoal de ralar coco.
00:11:12 P/1 - O seu primeiro emprego foi na Petrobras?
00:11:16 R - Foi o meu primeiro emprego. Espero que seja o último também.
00:11:24 P/1 - Diz uma coisa, eu não vi a ficha. Você tem alguma ligação com o sindicato? Você é sindicalizado?
00:11:28 R - Não, não sou sindicalizado. Quando.
00:11:37 P/1 - Você entrou na empresa, a área de... essa área de saúde e ambiente tinha a mesma relevância que tem hoje?
00:11:45 R - Ah, não. Não. Primeiro que eram áreas estantes, separadas. Quando eu entrei, a área de meio ambiente tinha um jeito, a área de segurança eram outras pessoas, a área de saúde eram outras pessoas e elas não se conversavam. Quando eu também entrei, o volume de dinheiro alocado para essas três áreas era também bastante pequeno. E aí, nesses últimos anos, as coisas foram evoluindo de uma forma que hoje a gente trabalha integrado, segurança, meio ambiente e saúde. E hoje o orçamento que a gente tem para operacionalizar é muito maior.
00:12:26 P/1 - E você acha que a Petrobras ganhou mais credibilidade nessa área de ambiente? Você acha que a empresa tem uma imagem melhor hoje do que tinha quando você entrou aqui?
00:12:37 R - Hoje é visível isso. Eu tenho muito contato externo com órgão ambiental, com Ministério Público. com pessoas de fora, delegacia do trabalho. Hoje a imagem da empresa com essas instituições é completamente diferente, muito melhor. Isso daí a gente construiu com muito trabalho, depois do Pegasus, que a empresa realmente colocou o foco nesse aspecto de segurança no ambiente. E aí, a partir disso, a gente começou aos poucos, fomos trabalhando no ambiente, na cabeça das pessoas, colocando os equipamentos, trabalhando a qualificação das pessoas, o aspecto comportamental também, que é fundamental. E não só internamente, como também daqui pra fora, né? Mostrando o que a gente tá fazendo, o que a gente tá evoluindo, os indicadores que mostravam que a gente tá evoluindo. E aí, isso daí, as pessoas, as instituições, elas ficam ávidas, né? Pra saber. E quando você mostra, dá boas notícias, elas ficam felizes, né? Satisfeitas.
00:13:57 P/1 - Você já chegou a ser questionado alguma vez, por exemplo, havia um derramamento qualquer de óleo, mesmo que em outra região, você tinha esse tipo de conversa da gente chegando, pô, mas na Petrobras... Você chegou a ser questionado sobre... Pela posição.
00:14:09 R - Que eu ocupo, eu tenho muitas amizades aqui na cidade, né? Então as pessoas sabem que eu sou gerente de segurança e meio ambiente da Petrobras. E aí, quando ocorre qualquer evento, mesmo que não seja da empresa, os amigos ligam e falam. Pô, Leonardo, você já... Antigamente, né? Agora nem tanto mais, né? Pô, mas a Petrobras já causou outro acidente e tal, mas... Mas isso é normal, né? Porque é uma empresa que detém quase 100% do mercado de petróleo derivado, né? Então, eu acho que é até natural que isso ocorra, né? De ser responsabilizado pelo que ocorre no mercado. Hoje em dia, como existe um controle muito maior sobre as operações, os acidentes diminuíram muito mesmo, né? Então, eu acho que esse... Essa visão que as pessoas tiveram, um período, né? Aquele período lá de 2001, 2001, da empresa de poluidor, eu acho que isso já tá praticamente já afastado.
00:15:16 P/1 - Você sentiu um certo orgulho de ter participado desse processo de melhora nas condições ambientais?
00:15:22 R - Ah, pô, eu tive no olho do furacão, como se diz, né? Eu cheguei aqui no final de 99. Quando eu cheguei, A Rayman estava numa situação crítica nessa área, né? E aí deu uma... Deu uma... Trezentos e... Cento e oitenta graus, né? Ela estava no caminho, aí voltou. Deu uma reviravolta muito boa. E eu me orgulho muito de ter participado dessa equipe aí que deu essa resposta pra empresa.
00:15:56 P/1 - Bom, muito obrigado, Leonardo.
Recolher