IDENTIFICAÇÃO
Meu nome é Lecir de Aguiar Mendes, sou natural de Belo Horizonte e nasci no dia 22 de março de 1965.
INGRESSO NA PETROBRAS
Em princípio, eu nunca tinha trabalhado antes de servir o Exército. Eu fiz o terceiro ano de eletrônica, no Exército e servi um ano e meio no Pelotão de Operações Especiais do Exército, o Pelopes, e lá também consegui concluir o meu curso de eletrônica. Eu saí do Exército em 1985 e em 86, 87 já estava trabalhando como técnico de eletrônica. Trabalhei durante uns três anos e aí eu prestei concurso na Petrobras, na área de segurança. Passei e fiquei esperando. Prestei outro concurso na Petrobras também na área de lubrificador, passei e tive até uma boa colocação. Fiquei dois anos esperando, até que me chamaram nos dois lugares. Optei por trabalhar para a segurança, porque trabalhava em turno e tinha um salário melhor, com o adicional de turno. Trabalhei durante quatro anos no setor de segurança, prestei concurso para operador de refinaria, passei, trabalhei um ano no Secra – Setor de craqueamento - e já estou trabalhando há mais ou menos oito anos no Setor de Transferência e Estocagem.
TRAJETÓRIA PROFISSIONAL
Eu gostei muito quando entrei na segurança. Como eu servi o Exército, era muito “vibrador”. Era segurança patrimonial e o meu perfil se enquadrava perfeitamente no serviço. Eu era muito vibrante, nós tínhamos o coronel João Vitor que entusiasmava muito a turma; e tinha uma quantidade de funcionários maior, eram todos empregados da Regap e eles ficavam animando a gente a trabalhar e nós aprendemos o serviço. Era uma época muito boa, eram mais ou menos 14 vigilantes, seguranças por turno. Então, nós conseguíamos colocar todo o serviço tranqüilo. Não tinha problema. Sempre quando o problema queria aparecer, nós já conseguíamos solucionar antes que ele acarretasse alguma coisa. Tínhamos problemas diversos. Algumas pessoas entravam para poder cortar e roubar a...
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Meu nome é Lecir de Aguiar Mendes, sou natural de Belo Horizonte e nasci no dia 22 de março de 1965.
INGRESSO NA PETROBRAS
Em princípio, eu nunca tinha trabalhado antes de servir o Exército. Eu fiz o terceiro ano de eletrônica, no Exército e servi um ano e meio no Pelotão de Operações Especiais do Exército, o Pelopes, e lá também consegui concluir o meu curso de eletrônica. Eu saí do Exército em 1985 e em 86, 87 já estava trabalhando como técnico de eletrônica. Trabalhei durante uns três anos e aí eu prestei concurso na Petrobras, na área de segurança. Passei e fiquei esperando. Prestei outro concurso na Petrobras também na área de lubrificador, passei e tive até uma boa colocação. Fiquei dois anos esperando, até que me chamaram nos dois lugares. Optei por trabalhar para a segurança, porque trabalhava em turno e tinha um salário melhor, com o adicional de turno. Trabalhei durante quatro anos no setor de segurança, prestei concurso para operador de refinaria, passei, trabalhei um ano no Secra – Setor de craqueamento - e já estou trabalhando há mais ou menos oito anos no Setor de Transferência e Estocagem.
TRAJETÓRIA PROFISSIONAL
Eu gostei muito quando entrei na segurança. Como eu servi o Exército, era muito “vibrador”. Era segurança patrimonial e o meu perfil se enquadrava perfeitamente no serviço. Eu era muito vibrante, nós tínhamos o coronel João Vitor que entusiasmava muito a turma; e tinha uma quantidade de funcionários maior, eram todos empregados da Regap e eles ficavam animando a gente a trabalhar e nós aprendemos o serviço. Era uma época muito boa, eram mais ou menos 14 vigilantes, seguranças por turno. Então, nós conseguíamos colocar todo o serviço tranqüilo. Não tinha problema. Sempre quando o problema queria aparecer, nós já conseguíamos solucionar antes que ele acarretasse alguma coisa. Tínhamos problemas diversos. Algumas pessoas entravam para poder cortar e roubar a fiação, roubar equipamento eletrônico. Nós tínhamos uma área de campo de eucaliptos onde eles queriam roubar. Então, se deixasse... Quando eles começavam a cortar o eucalipto e colocar no caminhão, a gente já chegava e conseguia controlar. Era muito serviço. Hoje, só sei que diminuiu muito, deve ter quatro ou três seguranças por turno e o resto é contratado. Eu não sei como que está a área de segurança.
Aí tiveram mudanças na refinaria. A refinaria começou a passar por fases de ter que entrar no mercado de forma diferente, com a ISO chegando, com o (programa) “5S”, aqueles programas. Ela teve de ir se ajeitando ao mercado de trabalho internacional para poder ser competitiva e optou por diminuir o quadro de segurança. Para a turma que estava na segurança, passou a oferecer a opção de fazer concurso. Falava assim: “Olha, vocês estão aqui, agora a tendência da segurança é terminar; nós vamos abrir vagas para operadores, para outros setores”. E eu optei por ir para a operação. Eu fiz um concurso, passei. Nós fizemos curso para operador durante uns seis a sete meses. A Refinaria passou por muitas mudanças, mais ou menos há uns oito anos atrás.
TRABALHO DE OPERADOR
Refinaria é o refino do petróleo. O operador atua, justamente, com parâmetros do refino e em cima dos equipamentos. Nós temos conversores, torres, fornos, e nós temos bombas. O operador trabalha junto com todos esses instrumentos automatizados, monitorados por computador. A função do operador é versátil. Ele tanto fica no painel controlando com o computador, como também ele tem que ter o trabalho dele na área. A gente fica revezando dentro desse serviço, nós fazemos o monitoramento dos equipamentos, das máquinas, dos conversores, das torres. Nós temos que controlar esses indicadores de processo para que o petróleo chegue e passe dentro da indústria e essa indústria vai transformar em derivados de petróleo que são a gasolina, o gás de cozinha, diesel, óleo combustível, o querosene industrial, o querosene de aviação. E hoje eu estou na área de transferência. Porque nós temos que preparar o petróleo. Ele entra na indústria, dentro da refinaria, passa por todo esse processo que eu falei de refino e sai já como derivado. Nós temos que transformar esses derivados em produtos para o mercado. Então, nós recebemos vários tipos de gasolina, fazemos a mistura dessas gasolinas para ter uma octanagem ideal para o mercado, com parâmetros ideais para o mercado, tanto o diesel, quanto o enxofre enquadrado; nós temos que ter cor e fazer análises diárias desse produto que está chegando. Hoje, eu estou trabalhando justamente nessa área de transferência e estocagem; a gente entrega o petróleo pronto. Ele entra e nós pegamos os derivados e transformamos em produto pronto para o mercado de trabalho. E nós também faturamos na saída.
ESPORTES / PETECA
Eles me convidaram para falar, justamente, porque eu participo aqui de peteca, não sei se colocaram, sou “petequeiro”. Em Belo Horizonte, Minas Gerais, peteca é natural, é um esporte que o pessoal gosta, pratica muito. Eu mesmo não praticava peteca. Eu vim também já com o pré-conceito de peteca da mesma forma que as pessoas lá fora não conhecem. Eu jogava futebol, gostava muito de vôlei e praticava atletismo. Sempre gostei de esporte. Eu cheguei aqui e vi tanta quadra de peteca na Regap, que falei: “Gente, mas esse povo Quadra de peteca? Não tem quadra de vôlei, não?” Então, o esporte aqui dentro é peteca. Eu via todo mundo animado com peteca. Quando eu cheguei aqui, a peteca já era o esporte. E eu achei engraçado isso, porque achava que era uma coisa muito fácil. Eu falei “Eu jogo vôlei, jogar peteca é fácil.” Fui jogar uma vez com a turma no clube, porque eu trabalho em turno, não tinha tempo de jogar aqui dentro. Aí fui jogar no Clube dos Petroleiros. E eu apanhei Não consegui nem colocar a mão na peteca Aí eu pensei: “Não, esse esporte aí eu tenho que pelo menos aprender.” Por que eu era bom em vôlei e na peteca eu nem conseguia encostar a mão? E cansava até não querer mais e consegui. Engraçado, depois disso eu comecei a me empenhar, treinar peteca. Quando eu vim para o Administrativo fazer curso, no horário de almoço, a gente deixava de almoçar para jogar peteca. E isso me levou a treinar. A Regap sempre teve fama de ter bons jogadores de peteca. Fazem torneios aqui em Minas Gerais. Já teve Torneio das Indústrias. A Regap sempre ganha. A direção da Regap apóia e investe nisso, fornecem transporte, diárias para a gente poder disputar quando é fora de Belo Horizonte. E, com isso, nós conseguimos ganhar vários troféus para peteca. Nós temos o campeão brasileiro aqui dentro, campeão mineiro, campeão de copas famosas, como a Copa Chevrolet. Temos grandes nomes da peteca aqui dentro. Lá fora, as pessoas acham que a peteca é um esporte bem feminino, uma coisa que o povo acha graça: jogar peteca Mas eu falo a verdade: peteca é um esporte radical, queima muita caloria; não pense que vai entrar, jogar e sair achando que jogou muito, não. Tem que treinar muito.
Nós temos uma equipe de peteca e já fomos Campeões Regionais. Nós já disputamos torneio lá fora também, no Campeonato Mineiro, Campeonato Brasileiro. Eu, o Milton e Gino, nós conseguimos conquistar o Campeonato da Chevrolet. No último campeonato que tivemos em Belo Horizonte, nós fomos campeões. Foi muito bom. E saiu em matéria de jornal, O Estado de Minas, e tudo o mais. Aqui em Minas Gerais é assim: a peteca é a mesma coisa que o vôlei de praia lá no Rio de Janeiro, na Bahia e em outros esportes de região. Aqui em Minas Gerais, peteca é forte.
SINDICATO
Sou filiado ao Sindicato. Desde a minha data de admissão, em primeiro de junho de 1989. Quando eu entrei, fiz a entrevista e tive vontade de me filiar ao Sindicato. Antes, eu não tinha contato com o Sindicato, eu trabalhava com eletrônica e não era filiado, porque não era obrigado a sê-lo. Aí eu me filiei porque eles me esclareceram, disseram: “Temos que ter pessoas para poder defender, conversar com a Empresa pela categoria, para representar a categoria.” Com isso, todos que entram já se sindicalizam e, na época, eu falei: “Eu não vou ser diferente, eu vou me sindicalizar.”
Para exercer cargo no Sindicato tem que ter vocação. E tem que ser uma pessoa que se for fazer alguma coisa, tem que fazer de coração, com tempo, dedicar tempo, e o meu tempo e a minha vocação talvez não sejam para a militância sindical.
Eu sempre participo dos movimentos do Sindicato, mas na hora que tem a reunião, você vê a situação, analisa e vê se a categoria realmente necessita daquilo que está querendo. Na maioria das vezes, eu tenho participado. Eu tenho participado dos movimentos. Houve greves e eu participei, todos os colegas participaram. E a gente também vê que o Sindicato coloca uma situação pra gente e a gente analisa aquilo e fala assim: “então é melhor participar”, de maneira a não denegrir, violar nenhuma regra, sempre dentro dos direitos que temos.
Hoje, há o grupo local que está querendo sempre algo para aquele local e o Sindicato está mais atuante de modo geral. Tem a FUP (Federação Única dos Petroleiros), entre outros. Tem alguns problemas que são mais internos e o pessoal não olha.
REIVINDICAÇÕES TRABALHISTAS
Acho que é igual quando nós saímos da vigilância, da segurança e fomos para a área de operações. Nós saímos de um setor, com uma função, e fomos para outro, com outra função, com muita responsabilidade. É diferente, não que na segurança não tinha responsabilidade, pelo contrário; mas nós fizemos cursos, trabalhamos em cima daquilo. E quando nós chegamos na área operacional, eles fizeram planos de cargos e salários e excluíram funções que davam condições da gente progredir dentro da função de operador. E o operador, hoje, perdeu a função do operador de movimentação. Porque tem o operador I e II. O operador I entra no nível 24 ou 25. E o operador II já era no nível 40. Então, entre o 24 e o 25, tinha um que era o nível 35, onde você fazia o concurso, ficava naquela função e depois você subiria de nível. Estava no nível 35 e já era mais fácil, você tinha condições de fazer concurso para operador II. Quando eu entrei, teve um concurso só e nunca mais teve. E já são oito anos. Agora nós temos que esperar. Só pode chegar a operador II com três níveis, para poder chegar à função, que é de nível 40. Então, eu só posso chegar a operador II se eu estiver no nível 37, porque aí eu só vou subir três níveis. Antes, a gente tinha promoção por mérito, com um ano e meio, no máximo, nós éramos promovidos automaticamente por mérito. Hoje não. Hoje, você fica, se o seu supervisor não for com o seu jeito de trabalhar ou então se no seu grupo só tem pessoas mais antigas e essas pessoas então vão exercer um serviço mais completo do que você, que está aprendendo; até você se tornar capaz pra competir com aqueles que já estão há 11 anos no trabalho, você demora quatro, cinco anos. Foi o meu caso, eu fiquei anos sem ganhar nível. Isso atrasa a minha carreira na Empresa. E também não te dá motivação. Então, a gente passa isso para o Sindicato, pra poder, dentro da Empresa, ver se consegue uma forma da gente ter uma promoção, ter um incentivo de querer estudar mais, de correr atrás, de se tornar um profissional mais capaz e prestar concurso. Porque a gente trabalha; tem colega que foi para o curso de operador, saiu de uma função que ele era mais antigo e veio já com o nível 40, mas não sabe. O cara já chega com nível porque ele é transferido para aquele nível, não sabe nada; ele está aprendendo. E nós trabalhamos com nível 27, 30, quer dizer, ensinando pra uma pessoa nível 40. Então, não há uma igualdade. Nós, que entramos há oito anos, para subir de nível e ter promoção ou alguma coisa, a gente está trabalhando junto com pessoas com nível 45, 40, 30. E a diferença de salário é muito grande pra gente. Eu acho que o Sindicato devia atuar mais; talvez a gerência não veja esse problema, porque nós é que estamos vivendo. E é muita gente, sabe, é muita gente. Os próprios operadores novos, que entraram agora, vão passar por isso, e isso tira um pouco a motivação; não de trabalhar, mas de aprender; acho que isso é de cada um; motivação a gente tem que ter mesmo. Eu me envolvo no trabalho, eu gosto, eu procuro sempre ser o melhor, sempre ter uma avaliação boa. Graças a Deus, as minhas quatro últimas avaliações têm sido excelentes, tenho pegado o nível, tenho conseguido alcançar, receber. Mas eu só fui conseguir isso depois que eu passei anos e anos; alguns operadores mais antigos se aposentaram e eu comecei a ficar naquela faixa também, que agora os outros já não pegam também, eu pego mais o que os outros já não conseguem pegar, entendeu?
RELAÇÃO PETROBRAS-SINDICATO
Hoje, nós mudamos de Governo. E eu vejo que a relação Petrobras versus Sindicato está mais aberta. Eu vejo sempre o Leopoldino e a turma do Sindicato conversando, eles podem chegar e conversar, coisa que não acontecia nos outros governos. O Diretor Sindical não tinha contato com a gente, ele não podia entrar dentro da área de trabalho. Hoje está mais acessível, direto. E, também, já se passam por e-mail muitas informações. Há uma comunicação maior.
PROJETO MEMÓRIA
Eu não sabia, fui pego de surpresa Eu sou um pouco tímido; vocês deixam a gente à vontade, trabalham muito bem, conversam e nos deixam à vontade para poder falar. Mas eu achei legal também falar um pouco. Vocês perguntaram a respeito de como eu entrei na Empresa, perguntaram uma coisa legal, que eu falei que justamente me chamaram porque eu jogo peteca e tenho destaque para a peteca aqui. Mas vocês também pediram pra eu falar um pouco do que acho do problema que está acontecendo comigo, da categoria e tomara que isso seja legal. Achei importante, porque eu nunca tive a oportunidade de falar isso para as pessoas. Queria parabenizá-los, porque me deixaram à vontade. Eu sou super tímido e vocês me deixaram à vontade, eu estava meio nervoso.
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