Se não me falha a memória, este evento ocorreu em meados de 1987 e retrata a situação vivida por um operador da Subestação de Imperatriz MA, do Sistema Tucuruí - Eletronorte.
Já era madrugada e houve atuação do sistema de proteção, com abertura dos disjuntores de alimentação do Barramento da subestação e como consequência, São Luiz MA e Belém PA, ficaram sem energia. Cabe ressaltar que uma ocorrência deste porte, causa alarmes sonoros e ......... além de inúmeras informações no computador da sala de controle e por conseguinte, é possível imaginar o estado psicológico e emocional do operador, tendo em vista o horário da ocorrência, já deveria estar fisicamente desgastado pelo sono. O impacto é considerável, se considerarmos o tamanho da responsabilidade sobre seus ombros e a pressão psicológica do momento.
Como de praxe, o operador aciona o Centro de Operações - Despacho de Carga, relatando o ocorrido e solicitando autorização para restabelecer a subestação, ou seja, efetuar o resete das proteções atuadas e religar os disjuntores. Após analise, o despachante autoriza o religamento dos disjuntores.
O operador inicia as manobras, porém sem sucesso, nenhum disjuntor aceita comando e para piorar a situação, não havia uma razão e uma explicação que justificasse esta situação. O despachante em contato direto com o operador sugere varias alternativas para religar os disjuntores e nenhuma com êxito.
O desespero aumenta, porque tanto o operador quanto o despachante do Centro de Operação do Sistema, sabiam que haviam duas industrias de Alumio, uma em São Luiz e outra em Vila do Conde PA, que não poderiam ficar sem energia por muito tempo, uma vez que o alumínio poderia solidificar nas cubas e para retirá-los levaria muito tempo de trabalho com as industrias sem produzir, além disso, outros consumidores importantes, como hospitais, industrias, prédios residenciais, semáforos, supermercados etc. O camarada...
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Se não me falha a memória, este evento ocorreu em meados de 1987 e retrata a situação vivida por um operador da Subestação de Imperatriz MA, do Sistema Tucuruí - Eletronorte.
Já era madrugada e houve atuação do sistema de proteção, com abertura dos disjuntores de alimentação do Barramento da subestação e como consequência, São Luiz MA e Belém PA, ficaram sem energia. Cabe ressaltar que uma ocorrência deste porte, causa alarmes sonoros e ......... além de inúmeras informações no computador da sala de controle e por conseguinte, é possível imaginar o estado psicológico e emocional do operador, tendo em vista o horário da ocorrência, já deveria estar fisicamente desgastado pelo sono. O impacto é considerável, se considerarmos o tamanho da responsabilidade sobre seus ombros e a pressão psicológica do momento.
Como de praxe, o operador aciona o Centro de Operações - Despacho de Carga, relatando o ocorrido e solicitando autorização para restabelecer a subestação, ou seja, efetuar o resete das proteções atuadas e religar os disjuntores. Após analise, o despachante autoriza o religamento dos disjuntores.
O operador inicia as manobras, porém sem sucesso, nenhum disjuntor aceita comando e para piorar a situação, não havia uma razão e uma explicação que justificasse esta situação. O despachante em contato direto com o operador sugere varias alternativas para religar os disjuntores e nenhuma com êxito.
O desespero aumenta, porque tanto o operador quanto o despachante do Centro de Operação do Sistema, sabiam que haviam duas industrias de Alumio, uma em São Luiz e outra em Vila do Conde PA, que não poderiam ficar sem energia por muito tempo, uma vez que o alumínio poderia solidificar nas cubas e para retirá-los levaria muito tempo de trabalho com as industrias sem produzir, além disso, outros consumidores importantes, como hospitais, industrias, prédios residenciais, semáforos, supermercados etc. O camarada começa a pensar no tamanho do estrago, no tamanho do prejuízo e ai a pressão aumenta.
Resultado, tiveram que acionar a equipe de plantão, vale ressaltar que a subestação fica a 30km da cidade. Ai a situação vai complicando ainda mais, até a van passar na casa de cada profissional e voltar a subestação levou quase uma hora.
Além da equipe de plantão, o operador acionou também o chefe da subestação, dada a gravidade da ocorrência.
Chega a equipe e o chefe da subestação logo pergunta ao operador " o que está acontecendo? e operador responde: " os disjuntores não estão aceitando comando de fechamento impossibilitando a energização da subestação" vai até a um disjuntor e excuta o comando, demonstrando para a equipe. Neste momento, todos ficam em estado de choque, o operador simplesmente esquecerá que, para dar comando nos disjuntores era necessário inserir uma chave de permissão que ficava na gaveta da mesa do operador. Ou seja, teve um lapso de memória, um bloqueio mental. Ele mesmo ao se dar da situação, entrou em pânico, um vez que era um operador muito experiente e esta manobra fazia parte do seu cotidiano, a muitos anos. O chefe da subestação entrou em contato com o Centro de Operações e restabeleceu imediatamente a subestação.
O operador foi demitido no dia seguinte, para tristeza de todos nós. Os prejuízos causados foram enormes, bem como os transtornos entre as empresas e demais consumidores.
Uma simples falha humana, um simples lapso de memoria, causou uma tragédia na vida de um profissional, de um trabalhador honesto. Profundamente lamentável;
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