Projeto Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos
Entrevistado por Douglas Thomaz
Depoimento de José Trajano de Castro
Macaé 18/06/2008
Realização Instituto Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB427
Transcrito por Augusto César Mauricio Borges
P - Vou pedir pra você começar falando o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.
R - Meu nome é José Trajano de Castro, sou natural de Trajano de Moraes, eu nasci em sete do seis de 1956.
P - Ok. Qual a sua formação, grau de escolaridade?
R - Segundo grau completo.
P - Trajano, eu queria que você começasse falando e contando um pouco da sua história. Quando e como você ingressou na Petrobras?
R - Eu vim de Trajano no ano de 1978 e foi exatamente na época em que a Petrobras estava chegando em Macaé e eu estava terminando o segundo grau. Eu sou formado em Contabilidade, eu me formei no ano de 1980. Nesse mesmo ano quando a Petrobras estava chegando em 78 eu já trabalhava numa prestadora de serviços para a Petrobras. E assim que veio o escritório, o setor de pessoal da Petrobras veio de Vitória eu fui chamado pra trabalhar no setor de pessoal como auxiliar de portaria na época. Então eu fiquei conhecendo o pessoal da Petrobras assim muito cedo, né? E em 1980 apareceu um concurso, surgiu um concurso, pra auxiliar praticamente de produção na época. Praticamente de produção e então eu fiz a prova, passei e me lembro que na época era pra embarcar. Então eu fiquei torcendo pra eu ser chamado após eu ter o término do meu curso de Contabilidade e foi justamente o que ocorreu: me chamaram só em 1981, em maio de 81. Aí eu já tinha terminado o meu curso e fui fazer um estágio na oficina na época era da _______. Aí fiz um estágio de três meses e quando eles me chamaram pra embarcar eu pedi que eu não embarcasse. Eu era um pouco temeroso de embarcar. Aí fiquei três anos trabalhando na oficina e quando foi em 84, em agosto de 84, eu fiz o meu primeiro embarque e estou...
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Projeto Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos
Entrevistado por Douglas Thomaz
Depoimento de José Trajano de Castro
Macaé 18/06/2008
Realização Instituto Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB427
Transcrito por Augusto César Mauricio Borges
P - Vou pedir pra você começar falando o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.
R - Meu nome é José Trajano de Castro, sou natural de Trajano de Moraes, eu nasci em sete do seis de 1956.
P - Ok. Qual a sua formação, grau de escolaridade?
R - Segundo grau completo.
P - Trajano, eu queria que você começasse falando e contando um pouco da sua história. Quando e como você ingressou na Petrobras?
R - Eu vim de Trajano no ano de 1978 e foi exatamente na época em que a Petrobras estava chegando em Macaé e eu estava terminando o segundo grau. Eu sou formado em Contabilidade, eu me formei no ano de 1980. Nesse mesmo ano quando a Petrobras estava chegando em 78 eu já trabalhava numa prestadora de serviços para a Petrobras. E assim que veio o escritório, o setor de pessoal da Petrobras veio de Vitória eu fui chamado pra trabalhar no setor de pessoal como auxiliar de portaria na época. Então eu fiquei conhecendo o pessoal da Petrobras assim muito cedo, né? E em 1980 apareceu um concurso, surgiu um concurso, pra auxiliar praticamente de produção na época. Praticamente de produção e então eu fiz a prova, passei e me lembro que na época era pra embarcar. Então eu fiquei torcendo pra eu ser chamado após eu ter o término do meu curso de Contabilidade e foi justamente o que ocorreu: me chamaram só em 1981, em maio de 81. Aí eu já tinha terminado o meu curso e fui fazer um estágio na oficina na época era da _______. Aí fiz um estágio de três meses e quando eles me chamaram pra embarcar eu pedi que eu não embarcasse. Eu era um pouco temeroso de embarcar. Aí fiquei três anos trabalhando na oficina e quando foi em 84, em agosto de 84, eu fiz o meu primeiro embarque e estou embarcando até hoje.
P - E por que nesse primeiro momento você teve temor de embarcar?
R - Eu tive temor porque naquela época a gente ouvia falar muito em queda de aeronaves. E realmente havia muitas quedas de aeronaves naquela época. Então eu fiquei meio receoso de embarcar por esse motivo.
P - E em 84 você foi para a plataforma e foi trabalhar em que área, em que função?
R - Aí em 84 eu depois de auxiliar de produção eu passei pra assistente de produção e fui pra área de completação, completação de poços.
P - O que vocês faziam lá?
R - A gente completava os poços. Completar os poços é equipar um posto para produzir o petróleo.
P - Você trabalhava na parte de completação?
R - De completação. Na parte de completação.
P - E como é que era o cotidiano de trabalho lá na plataforma, como é que é isso trabalhar em plataforma?
R - O nosso cotidiano, por exemplo, até hoje nós não temos assim uma escala de trabalho. Então uma completação é uma seqüência de operações, né? São várias equipes que completam o poço, cada uma na sua função. Então nós não temos horário pra trabalhar. Nós temos o período de 14 dias, mas dentro desses 14 dias você pode trabalhar à noite ou de madrugada, durante o dia. Qualquer horário, sabe?
P - E que fase do processo que a completação entra? Porque tem parte de descobrimento. Pode falar um pouco pra mim como é que é?
R - Tem a parte de perfuração, né? Primeiro, a Geologia descobre o poço e aí vem o pessoal da perfuração. A área de perfuração perfura o poço, reveste o poço, depois do poço revestido aí entra a parte de completação propriamente dita. São equipamentos que você desce no poço. Esses equipamentos tem a função não só carrear o óleo como também prevenir que esse óleo, que esse fluxo de óleo venha descontrolado. Então você tem um equipamento que controla a extração do óleo.
P - E o ambiente de trabalho na plataforma? Algumas pessoas me falaram de algumas brincadeiras, das pessoas novatas que chegam. Você passou por algum tipo de brincadeira ou tenha feito? A forma de inserção na realidade.
R - Eu passei também. Inclusive teve uma vez que a gente chegando na plataforma o rapaz pediu pra eu pegar uma ficha pra eu poder almoçar. E eu fiquei aguardando o rapaz me dar a ficha e o rapaz desapareceu e não me entregou a ficha e enquanto isso o pessoal estava almoçando e eu só no final do horário do almoço é que eu fui perguntar pra um rapaz que estava lá se eu poderia almoçar sem a ficha porque já estava terminando o horário. E ele falou: "não, não. Não precisa de ficha". (risos)
P - E Trajano, em Enchova você trabalhava já embarcado?
R - Eu embarquei em Enchova, mas na ocasião do acidente eu não estava lá, mas eu cheguei a trabalhar lá na Enchova.
P - E depois qual a função que você exerce atualmente? Quando é que você saiu, quando é que você mudou de função?
R - Eu mudei de função em 1995. Em 95 eu fiz um curso pra na época é era a ATOP, Assistente Técnico de Operação de Produção. Aí eu mudei de função. Passei a ser ATOP.
P - E o que é que você faz hoje?
R - Hoje a completação é a mesma função. É uma completação, só que hoje a gente já está mais na função de supervisor. A gente embarca mais na função de coordenador dos trabalhos.
P - E desde da década de 80 muita coisa mudou no processo na sua área?
R - Mudou, mudou muita coisa. Mudaram os equipamentos, novas tecnologias. Antigamente a gente só completava um poço revestido. Hoje em dia a gente já completa poços abertos, a gente chama de poço aberto, poço horizontal, né? Antigamente a gente fazia os poços verticais.
P - Hoje já tem essa possibilidade.
R - Hoje você perfura o poço e quando atinge o reservatório você perfura horizontalmente, um trecho horizontal.
P - Na época não tinha a perfuração horizontal? É uma coisa recente?
R - Não é muito recente, mas deve ter uns 12 anos, 12, 15 anos no máximo.
P - E você lembra de alguma nessa mudança, nessa coisa de tecnologia, você lembra de alguma função que deixou de existir e que hoje já é coisa do passado?
R - Alguma função que deixou de existir. Não, não. As funções, por exemplo, eu entrei como praticamente, depois fui para assistente, depois ATOP e agora eu sou operador técnico de operação, né?
P - E nesses seus tantos anos de Petrobras qual foi o seu maior desafio enfrentado até hoje?
R - O meu maior desafio?
P - Ou a maior dificuldade.
R - O meu maior desafio foi quando eu recebi um convite pra ir pra Angola, pra trabalhar e ficar lá um mês. A princípio seria um mês e acabei ficando 36 dias lá embarcado em Angola.
P - E como foi o trabalho lá? Foi difícil?
R - Não. Foi bom, foi ótimo. Fomos em uma equipe: foram dois engenheiros e um técnico que era eu na época. Mas o trabalho ele era praticamente o mesmo daqui, a mesma função. O mesmo trabalho que eu fazia aqui eu fui fazer lá. A dificuldade foi só ficar longe da família esse tempo todo num país que estava em guerra civil na época, na ocasião. Inclusive quando nós chegamos lá o aeroporto estava lá tomado pelas tropas angolanas. Estavam recebendo um presidente de um outro país que eu não me lembro bem qual foi o país. Então o aeroporto estava muito cheio, muito tumultuado e a gente estava procurando se afastar o mais rápido possível daquele cenário ali.
P - E Trajano, essa coisa de longe da família a plataforma também isso toca bastante?
R - Toca. Isso aí pra mim acho que pra mim é pior. Até a situação quando você está embarcado, né? É o tempo que você fica longe da sua família. Mesmo hoje em dia tendo. Antigamente era pior, antigamente era muito difícil você ter telefone pra ligar pra falar com a esposa, com os filhos.
P - Como é que era feita a comunicação?
R - Eu lembro que minha esposa vinha aqui na guarita da Petrobras ligar pra mim. Quando chegava ali tinham várias mulheres de outros maridos que estavam embarcados também e então ela tinha que ficar na fila e a gente tinha que combinar um horário pra domingo nove horas da manhã, por exemplo. Aí quando elas chegavam ali domingo estava cheio de gente também. Aí a gente fica aguardando dando um telefonema e, às vezes, quando elas ligavam o telefone da __________ estava ocupado. Então era muito difícil. Hoje em dia é bem mais fácil, né?
P - E na Bacia de Campos qual foi a fase de produção mais marcante assim que você lembre pra você também?
R - Produção de óleo no caso?
P - Em geral. Você tem algum momento que você lembre que houve uma expectativa geral, uma comemoração ou alguma coisa do tipo?
R - Foi na época aí que nós conseguimos atingimos a auto-suficiência. Foi a época mais marcante.
P - E Trajano, você já me contou algumas, mas você normalmente tem alguma história interessante ou engraçada que você costuma sempre estar falando para os amigos ou para os filhos, para a família que você gostaria de registrar?
R - Tem uma história, mas não é muito engraçada. É uma história até um pouco triste. Eu não sei se é o momento de falar, mas foi o acidente que eu sofri na plataforma. Em 96 eu sofri um acidente muito grave na plataforma e esse momento me marcou muito. Inclusive eu pensei em até parar de embarcar, mas depois que me recuperei, eu vi que foi um acontecimento que não poderia até acontecer de novo e graças a Deus não aconteceu de novo e passou, sabe? Hoje em dia.
P - Virou um conto, né?
R - Virou só um conto mesmo, né?
P - E Trajano, o que é ser petroleiro?
R - Pra eu ser petroleiro é muito importante na minha vida porque eu praticamente trabalhei somente na Petrobras e nesse trabalho eu me realizei, realizei a minha família, formei minha família. A Petrobras hoje pra mim ela faz parte da minha vida. Ela faz parte da minha vida.
P - E como é que é na comunidade essa coisa de ser petroleiro? Tem um impacto em outros lugares, em próprio Trajano de Moraes?
R - Tem impacto sim. Apesar de minha parte eu procuro levar isso numa boa sem pretenciosismo, mas as pessoas falam muito. Por exemplo, se você chegar assim numa festinha lá em Trajano ou um lugar menor assim aí as pessoas falam: "olha, esse aí é petroleiro e tal". Tem, tem.
P - Sempre lembrando.
R - Sempre lembrando.
P - E Trajano, eu queria que você emitisse a sua opinião sobre o nosso projeto de estar contando a história das pessoas que trabalham aqui. A história de vida das pessoas que trabalham na Petrobras e também a história da Petrobras já que a gente conta a história das pessoas.
R - Eu achei a princípio quando vocês me convidaram, eu fiquei meio assim receoso. Mas eu achei uma boa idéia de vocês porque contar a história da Petrobras. A Petrobras é tão fundamental para o país que ela não deve ser esquecida nunca. Eu acho que nem vai ser esquecida. Mas é bom a gente guardar a memória da Petrobras.
P - E pra gente terminar tem alguma coisa que você queira falar pra gente terminar que eu não tenha falado e que você queira?
R - Não. Eu queria agradecer a vocês a oportunidade que me deram de estar contando um pouquinho a minha vida aí na Petrobras. Muito obrigado.
P - Tá bom então Trajano. Valeu.
FIM DA CABINE
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