Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos
Depoimento de José Ricardo Fernandes Pardo
Entrevistado por Morgana Maselli
Macaé, 5 de junho de 2008
Realização Instituto Museu da Pessoa
Entrevista número PETRO_CB358
Transcrito por Écio Gonçalves da Rocha
P – Então, José, eu queria começar a entrevista pedindo pra você dizer pra gente o seu nome completo, local e data de nascimento.
R – José Ricardo Fernandes Pardo, 23 anos e Salvador, na Bahia.
P – E qual é a sua formação?
R – Ensino técnico.
P – Técnico de quê?
R – Técnico em eletrônica.
P – E como foi e quando foi que você entrou na Petrobrás?
R – Eu entrei como administrador mesmo na... É que o ano sempre... Em 2004, 2003, é porque tem quatro anos mais ou menos.
P – E em que área você trabalha?
R – Eu agora trabalho na parte de eletrônica aqui com o sistema de acesso.
P – E como é que é o seu cotidiano de trabalho?
R – Eu faço as manutenções nos equipamentos de acesso de portas, nas catracas. Então tem sempre, mais é a parte mecânica e a parte eletrônica mesmo dos sistemas de acesso das portas.
P – E qual você acha que é a maior, você tem alguma dificuldade assim aqui no seu trabalho, alguma coisa que você enfrente como um desafio?
R – Não, não, que eu enfrente como um desafio não tem. Como todo sistema eletrônico, sempre tem algumas falhas dele mesmo, que aí são tudo sanadas mesmo com troca de peças, com um monte de coisas, que não seja difícil. É um aparelho eletrônico, então conseqüentemente de vez em quando há problemas.
P – E você falou que nasceu em Salvador, né? Como é que foi que você veio parar aqui em Macaé?
R – Vichi, não tem nada a ver essa história não. Eu vim, estou desde os cinco anos aqui. Então eu não tenho o sotaque da Bahia, não tenho. E eu nem cheguei a morar. Eu saí com meses, fui pra Rio Grande do Norte, Natal. Aí morei lá um período e depois vim pra cá, por causa do meu...
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Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos
Depoimento de José Ricardo Fernandes Pardo
Entrevistado por Morgana Maselli
Macaé, 5 de junho de 2008
Realização Instituto Museu da Pessoa
Entrevista número PETRO_CB358
Transcrito por Écio Gonçalves da Rocha
P – Então, José, eu queria começar a entrevista pedindo pra você dizer pra gente o seu nome completo, local e data de nascimento.
R – José Ricardo Fernandes Pardo, 23 anos e Salvador, na Bahia.
P – E qual é a sua formação?
R – Ensino técnico.
P – Técnico de quê?
R – Técnico em eletrônica.
P – E como foi e quando foi que você entrou na Petrobrás?
R – Eu entrei como administrador mesmo na... É que o ano sempre... Em 2004, 2003, é porque tem quatro anos mais ou menos.
P – E em que área você trabalha?
R – Eu agora trabalho na parte de eletrônica aqui com o sistema de acesso.
P – E como é que é o seu cotidiano de trabalho?
R – Eu faço as manutenções nos equipamentos de acesso de portas, nas catracas. Então tem sempre, mais é a parte mecânica e a parte eletrônica mesmo dos sistemas de acesso das portas.
P – E qual você acha que é a maior, você tem alguma dificuldade assim aqui no seu trabalho, alguma coisa que você enfrente como um desafio?
R – Não, não, que eu enfrente como um desafio não tem. Como todo sistema eletrônico, sempre tem algumas falhas dele mesmo, que aí são tudo sanadas mesmo com troca de peças, com um monte de coisas, que não seja difícil. É um aparelho eletrônico, então conseqüentemente de vez em quando há problemas.
P – E você falou que nasceu em Salvador, né? Como é que foi que você veio parar aqui em Macaé?
R – Vichi, não tem nada a ver essa história não. Eu vim, estou desde os cinco anos aqui. Então eu não tenho o sotaque da Bahia, não tenho. E eu nem cheguei a morar. Eu saí com meses, fui pra Rio Grande do Norte, Natal. Aí morei lá um período e depois vim pra cá, por causa do meu pai mesmo. Se eu for contar a história, é longa.
P – Pode contar, não tem problema.
R – Não tem muito a ver com a ______. Foi por causa, eu moro com o meu pai, entendeu? E então eu fiquei um tempo no Rio Grande do Norte com uma pessoa que ele pediu pra cuidar de mim. E depois, quando ele se casou, agora, com uma outra pessoa, porque aí ele veio pra cá. No caso eu chamo de mãe, entendeu? É como até a minha mãe mesmo. Aí veio pra cá e a gente mora, eu moro aqui desde os cinco, depois que eles estão juntos.
P – Aí então você estudou e fez esse curso técnico aqui em Macaé mesmo?
R – Tudo aqui em Macaé.
P – E aqui dentro da Petrobrás, no seu trabalho, a gente tem visto que tem muitas pessoas de diversas regiões do país, apesar de ser...
R – Correto.
P – Como é pra você trabalhar com gente assim tão diferente?
R – Não modifica muito não porque aqui é assim, apesar de você poder trabalhar com várias pessoas, ao mesmo tempo você não trabalha com várias pessoas porque, dependendo do setor que você está você não encontra essas pessoas tão diferentes, de outros lugares. Você pode fazer um trabalho em que esta pessoa esteja inclusa mas você não vai perceber que a pessoa é de determinado lugar ou não, entendeu? É por isso que eu falo que são várias pessoas e não são ao mesmo tempo, porque nem sempre você tem um contato maior. Você não tem uma comunicação de saber de todos lá. Você está praticamente fazendo um trabalho, é uma coisa mais cotidiana.
P – No seu setor então as pessoas...
R – Não, são todas, a maioria é de Macaé. Teve gente de São Paulo que eu já trabalhei, entendeu, que é até uma pessoa que eu considero muito. A equipe que eu entrei aqui, foi uma das pessoas que estavam juntas, que eu entrei na parte administrativa com quatro pessoas. Aí a única pessoa que tinha sido de fora era de São Paulo mesmo. Foi um grande amigo que agora voltou pra terra dele.
P – Então você mora em Macaé há muito tempo. Como você percebeu as mudanças na cidade que a Petrobrás proporcionou?
R – Eu sou muito desligado. Então, de pequeno assim eu não tive essa modificação toda que foi ocorrendo. Eu percebi mais quando já estava maior um pouco, que aí é o trânsito, é a população, que você vai vendo o aumento que vai tendo, quando você estuda, até mesmo na escola, com criminalidade que vai aumentando. Sempre vai tendo algumas coisas que você vai percebendo que a cidade evolui mas acontecem os problemas cada vez maiores.
P – E nesses mais ou menos cinco anos que você está aqui trabalhando, você tem alguma história interessante pra contar pra gente, um caso assim que tenha acontecido?
R – O pessoal falando ali na frente que teria que falar isso. Mas o pior de tudo é que eu não lembro, não sei. Porque quando você é obrigado a, de certa forma, você está fazendo uma entrevista, tem que contar alguma coisa. Aí você, é parte de um esquecimento, acontece de você não ter uma história. E eu não chego a lembrar mesmo. Tem coisas engraçadas cotidianas assim, que, ah, um amigo que fez uma brincadeira. Mas um fato, uma coisa assim que seja engraçada, que esteja na minha cabeça agora, não...
P – É, porque a gente tem ouvido histórias aqui das pessoas que trabalharam embarcadas, de trotes com pessoas embarcadas.
R – É, apesar de que, assim, plataforma eu nunca cheguei a ir não. E você passa lá, são 14 dias direto lá. Aqui tem um tempo administrativo. Então você tem coisas assim engraçadas de colegas meus que já caíram de alguma forma muito engraçada, ninguém conseguir levantar, de ficar rindo. Mas são coisas assim, são coisas simples, não tem nenhuma coisa assim além, assim, que eu já comece a rir agora.
P – Ta. E então você trabalha na área de eletrônica. Tem alguma mudança nos equipamentos, assim, que você tenha notado, que facilite o trabalho?
R – A Petrobrás está sempre em mudança com relação a administração, seus gerentes, seus supervisores, está sempre tendo modificações. E cada pessoa trás uma carga de experiência maior onde facilita o desenvolvimento do trabalho, entendeu? Tem algumas coisas que facilitaram porque o sistema de acesso pra parte de catracas e equipamentos era uma coisa mais assim de segundo plano e que foi uma coisa que foi começando a desenvolver, desenvolver, desenvolver. Então hoje em dia é uma coisa mais segura, é uma coisa mais, que consegue trabalhar mais por serem distribuídas as tarefas, por ser... As modificações que há é mais não no eletrônico, é na parte do modo de trabalhar, que facilitou algumas coisas.
P – E quando não era com catraca eletrônica, antes era como?
R – Eu trabalhei na implantação do sistema de cadastro, porque eles não tiveram como transportar o banco de dados todos pra... Porque a Petrobrás fez um sistema, ela comprou um sistema que ficam todas as pessoas que trabalharam na base cadastradas. E algumas pessoas que já não estavam mais trabalhando, então ficou difícil de estar sendo implementada dentro da tabela deles. E o que foi feito? Então solicitou uma equipe pra estar digitando, estar programando lá como que estariam as pessoas, o cadastro das pessoas, de todas as pessoas. Então entrei numa equipe pra estar fazendo isso aqui.
P – E você consegue pensar assim pra frente, como é que vai estar aqui a Bacia de Campos?
R – Pra frente, pensar como está a Bacia de Campos. Ganhando muito dinheiro, como sempre. E tem o desenvolvimento normal da população. Então é uma coisa que não tem como planejar, é uma coisa... Mas é algo que está sempre em crescimento e provavelmente vai estar em crescimento ainda por muito tempo, porque cada vez tem uma bacia nova que descobrem, tem um poço novo que descobrem. As tecnologias de perfuração estão cada vez mais avançadas, e geologia, que é para, geofísica, que é para verificar os solos, cada vez mais aprimoradas, equipamentos de perfuração cada vez mais sofisticados. Então é sempre algo que está em crescimento. Eu não vejo ainda quando que vai acabar o crescimento, é muito amplo ainda.
P – E as pessoas aqui, você tem pouco tempo mas de repente você já desenvolveu assim o sentimento de ser petroleiro, de ser trabalhador da Petrobrás. Como é que é isso pra você, você conseguiria definir?
R – É, porque, de trabalhar na Petrobrás é bom, é bom porque você tem conhecimento de pessoas, você aprimora os seus conhecimentos mesmo, ganha experiência. Mas assim de, vamos dizer, ser petroleiro assim de coração, como você está querendo dizer, assim como tem várias pessoas que trabalham mesmo como petroleiros, que têm, que vestem a camisa da Petrobrás. É um pouco diferente porque eu não trabalho diretamente com, eu trabalho pra Petrobrás, eu não trabalho na Petrobrás. Então há algumas modificações, seja bonificações, seja salário, tem algumas modificações mesmo. Tem a forma de reconhecimento também que é diferente. Mas é uma empresa muito grande, é uma empresa que se dá várias experiências e toda experiência é muito boa.
P – E você falou isso, que tem diferença no reconhecimento se você trabalha pra Petrobrás ou na Petrobrás. Você já teve algum problema por conta disso?
R – É, está cada vez diminuindo mais assim, mas só que tem sempre aquelas pessoas que, como é que fala, que sabem que, por você estar prestando serviço pra eles, então a pessoa se torna às vezes ignorante ou alguma coisa assim, entendeu?
P – Já aconteceu isso com você?
R – Não, já. Aqui é bem difícil não acontecer.
P – É mais parte de preconceito assim?
R – É, de certa forma sim, de certa forma se torna um preconceito quando você trata uma pessoa de diferente forma. Mas assim também como, não pode falar que é só dessa forma porque, se uma pessoa que é o seu superior, então ele tem o direito também. Então, assim como eu que sou contratado, um petroleiro também que tem um superior e pode também acontecer a mesma coisa. Então é normal isso. É uma coisa de cargo, não é nem só da empresa que trabalha mas de cargo também. Sempre tem isso de diferente.
P – Tem alguma coisa assim que você queira falar, que de repente nas minhas perguntas eu não te dei espaço, alguma coisa que você se lembre?
R – Não, não tenho não.
P – Ta. Então, pra gente encerrar, eu queria que você dissesse pra mim o quê que você acha de participar de um projeto como esse nosso de memória dos trabalhadores, de contar a história aqui da Bacia de Campos à partir das lembranças de cada um, da história de vida de cada um?
R – Ah, é muito importante. Eu acho que pra uma empresa que está sempre em crescimento, sempre em desenvolvimento, é manter as histórias, as raízes que ela teve, de tudo, o seu crescimento, porque hoje a gente faz, no caso vocês, fazem uma entrevista com uma pessoa. No futuro outras pessoas e cada vez você vai vendo modificação, o estilo de trabalhar, a forma que a pessoa trabalha. E é uma história, tudo é o crescimento, é o desenvolvimento assim como é da população, assim como fazem do Brasil, um histórico do Brasil, de pessoas. Aí você pensa: “Caraca, como é que trabalhava daquela forma e hoje em dia é tão diferente”. Então é sempre bom fazer aquele histórico porque você vai sabendo de tudo, até problemas que houve, que você pode estar sanando de formas diferentes. Eu acho muito importante mesmo. Por isso que eu estou aqui participando.
P – Ah, então era isso, obrigada, José.
R – Está certo.
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