Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de José Félix da Silva Riscado
Entrevistado por Graciliano
Urucu, 03 de julho de 2003
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB215
Transcrito por Transkiptor
00:00:31 P/1 - Então, começando, você me diz, por favor, seu nome completo.
00:00:35 R - José Félix da Silva Arriscado, nasci 13 de setembro de 1952, na cidade de Campos, estado do Rio de Janeiro.
00:00:44 P/1 - E ingressou na Petrobras quando?
00:00:45 R - Eu ingressei na Petrobras em 1980. Fiz o concurso, fiz o curso na Bahia e depois fui deslocado para Belém. Iniciei em Belém a minha carreira como auxiliar técnico de fluido de perfuração.
00:01:01 P/1 - Em 1980 mesmo?
00:01:02 R - Em 1980. 2 de junho de 80.
00:01:06 P/1 - E o que te levou a Petrobras?
00:01:08 R - Eu tinha feito a escola técnica. e o concurso apresentou a oportunidade, tinha alguma indicação de que seria bom negócio trabalhar e eu gostei da função, exerci essa função de auxiliar técnico de perfuração, de fluido de perfuração até 1984, quando mudei para trabalhar com revestimento e cimentação.
00:01:33 P/1 - Me descreve essa primeira atividade, o que exatamente você fazia?
00:01:37 R - Eu fazia fluidos para perfuração, popularmente chamado da lama. O fluido que faz o carreamento do cascalho do fundo do poço até a superfície. É um fluido especial. Diversos produtos químicos, né? Que esses produtos fazem a diferença com viscosidade para carreamento do cascade, né? É um dos dados, né? E também manter a parede do poço estável.
00:02:06 P/1 - Isso durante a perfuração?
00:02:07 R - Durante a perfuração.
00:02:09 P/1 - Você ajudou a perfurar os primeiros poços aqui?
00:02:11 R - Aqui na área, sim. Chegamos aqui, cheguei aqui em 80, cheguei lá no Alto Juruá, era no Alto Jurá, que tinha os postos de lá, postos de gás, que estão fechados, inclusive. Quando descobrimos aqui, o primeiro HUC1 estava presente também....
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Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de José Félix da Silva Riscado
Entrevistado por Graciliano
Urucu, 03 de julho de 2003
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB215
Transcrito por Transkiptor
00:00:31 P/1 - Então, começando, você me diz, por favor, seu nome completo.
00:00:35 R - José Félix da Silva Arriscado, nasci 13 de setembro de 1952, na cidade de Campos, estado do Rio de Janeiro.
00:00:44 P/1 - E ingressou na Petrobras quando?
00:00:45 R - Eu ingressei na Petrobras em 1980. Fiz o concurso, fiz o curso na Bahia e depois fui deslocado para Belém. Iniciei em Belém a minha carreira como auxiliar técnico de fluido de perfuração.
00:01:01 P/1 - Em 1980 mesmo?
00:01:02 R - Em 1980. 2 de junho de 80.
00:01:06 P/1 - E o que te levou a Petrobras?
00:01:08 R - Eu tinha feito a escola técnica. e o concurso apresentou a oportunidade, tinha alguma indicação de que seria bom negócio trabalhar e eu gostei da função, exerci essa função de auxiliar técnico de perfuração, de fluido de perfuração até 1984, quando mudei para trabalhar com revestimento e cimentação.
00:01:33 P/1 - Me descreve essa primeira atividade, o que exatamente você fazia?
00:01:37 R - Eu fazia fluidos para perfuração, popularmente chamado da lama. O fluido que faz o carreamento do cascalho do fundo do poço até a superfície. É um fluido especial. Diversos produtos químicos, né? Que esses produtos fazem a diferença com viscosidade para carreamento do cascade, né? É um dos dados, né? E também manter a parede do poço estável.
00:02:06 P/1 - Isso durante a perfuração?
00:02:07 R - Durante a perfuração.
00:02:09 P/1 - Você ajudou a perfurar os primeiros poços aqui?
00:02:11 R - Aqui na área, sim. Chegamos aqui, cheguei aqui em 80, cheguei lá no Alto Juruá, era no Alto Jurá, que tinha os postos de lá, postos de gás, que estão fechados, inclusive. Quando descobrimos aqui, o primeiro HUC1 estava presente também. Quando nós chegamos aqui, volta de 86, 87, os primeiros postos aqui na área.
00:02:33 P/1 - E esse primeiro trabalho, então, era dos fluidos. E a segunda atividade que você exerceu?
00:02:39 R - A segunda atividade que eu passei a exercer foi após treinamentos, né? Em 83, 84, em treinamentos, passei a descer revestimento, fazer revestimento, revestir o poço e cimentar. Esse é um trabalho muito bonito, que exerce bastante dedicação e atenção. Fiquei exercendo essa função até os dias de hoje, a gente exerce. Atualmente, nós estamos com pouca perfuração aqui e nós estamos nos aproveitando em outras atividades também, em completação de poço e outras atividades ligadas à produção.
00:03:15 P/1 - Então, nessa segunda fase, você realmente fazia o poço até o fim?
00:03:19 R - Até o fim. A gente já começava a produção. A gente revestia e colocava para produzir, entregava para produção.
00:03:26 P/1 - Um dos seus colegas aqui me falou de um aparelho que é usado para depois fazer o acesso ao petróleo mesmo, ao gás.
00:03:36 R - Os equipamentos de fundo de poço, depois de revestido, o revestimento, a gente canioneia Aí faz esse canhoneio, quer dizer, fura o revestimento até a parte do revestimento de alimentação e o poço vem a produzir. Aí tem uma série de equipamentos que são colocados para dar segurança, com válvulas que são colocadas desde o fundo, cá em cima, para manter sempre sob controle. E não sei que refere, que equipamento é esse, mas supõe que seja o válvulas, porque É, ele falou de um.
00:04:10 P/1 - Específico pra furação das paredes mesmo.
00:04:13 R - Eu não lembro o nome. Ah, sim. Então talvez seja na hora de caingonear. Porque a parede do poço, depois de revestido, que tem o revestimento, tem uma cimentação, pra depois ter o poço em si, né? E a gente tem que caingonear. Isso aí, tem um equipamento que desce, popularmente dizendo, atira-se, perfura o revestimento e a formação, e aí o petróleo vem.
00:04:35 P/1 - Quer dizer, ele abre buracos mesmo na parede.
00:04:37 R - Você delimita aquela área que vai canhonear.
00:04:40 P/1 - E o nome disso é canhoneio?
00:04:42 R - Canhoneio. Certamente é canhoneio. São furos que estão abertos na parede do revestimento para colocar a formação em contato com o interior do poço.
00:04:51 P/1 - E parece que a Petrobras vai voltar a perfurar aqui.
00:04:53 R - Estamos estimando que o ano que vem vamos voltar a perfurar. Tem postos aqui que a gente vai fazer um trabalho muito bonito porque esse poço está parado e a gente vai cortar uma parte dele, a parte do revestimento, recuperar, vamos direcionar sair daquele fundo, né? E vamos fazer um poço inclinado pra ir buscar a outra formação.
00:05:19 P/1 - Quer dizer, aproveita uma parte da perfuração?
00:05:21 R - Porque é caro, normalmente é muito caro, o poço de petróleo é caro. E a gente quer aproveitar essa parte, pelo menos uma parte desse poço.
00:05:28 P/1 - E você espera estar na equipe que vai trabalhar, né?
00:05:30 R - Se Deus quiser, estaremos.
00:05:31 P/1 - Você gosta de perfurar?
00:05:32 R - Todo tempo gosto, gosto bastante do que faço. Estou bem integrado, gosto dos companheiros de trabalho todo o tempo aqui. É uma vida aqui dentro, né? São 23 anos nessa área aqui. Isso é que eu vim fazer tudo aqui. Quando eu cheguei aqui era barro, né?
00:05:47 P/1 - Você acompanhou a construção toda aqui?
00:05:48 R - Acompanhei a construção todinha aqui. Quer dizer, acompanhando assim, de 14 dias, né? A cada 14 dias a gente está aqui.
00:05:54 P/1 - Devia ter já alguma alteração. Você ficava 14 dias ou ficava 14 de folga?
00:05:58 R - 14 de folga. Quando voltava já encontrava alguma coisa. Pequenas modificações que vimos. Não correndo, né? E hoje tá uma cidade isso aqui. Certamente. Muito bonito, inclusive, né?
00:06:09 P/1 - E você se sente... E você ajudou a construir?
00:06:14 R - Sim. Ajudamos a construir aqui, né? Desde o início, realmente. Vamos ver, gente, aqui, no primeiro posto que nós furamos aqui, vimos de helicóptero. Não tinha nada disso, nem sonhava ter aeroporto nem nada. Aí vimos de uma cidade chamada Scaranari. Desci lá de avião, de lá vimos de helicóptero pra cá. E depois a balsa atracou aqui no Porto do Cu e já começaram a rasgar as primeiras estradas aqui. Aí fizemos vários postos aí depois. Mas o primeiro foi descoberto, o Huk-1. A gente veio de helicóptero.
00:06:46 P/1 - Você lembra da...
00:06:48 R - Lembro. Lembro.
00:06:50 P/1 - Foi emocionante essa?
00:06:52 R - A gente estava se necessitando de encontrar óleo, né? Para começar o desenvolvimento e fazer isso que temos aí. A gente tinha muito gás. Gás hoje, próximo à cidade, muito valor. Mas aqui não tem valor. Ou seja, naquela época, inclusive, não tinha como a gente levar esse gás. Investimento muito alto. Hoje não, já temos aqui como levar o gás através de embarcações, mas na época não se pensava nisso. Não pensava porque era inviável praticamente levar daqui para São Paulo, para os grandes centros. Essa era uma das razões. Enquanto encontramos o óleo, foi bastante saudável porque a alegria veio. Toda vez que acha óleo, a esperança é que a gente tem mais trabalho. E mais trabalho é aquela busca que a gente sempre quer encontrar. Quando a empresa cresce também.
00:07:45 P/1 - Você lembra, houve alguma comemoração quando encontraram?
00:07:47 R - Sim, certamente sim. Tivemos comemoração. Os primeiros testes indicavam que era bom, mas não o que seria o campo hoje. O óleo muito bom. Naquela época os testes eram feitos com pessoas, com umas firmas contratadas, né? E me lembro bem que o... o senhor colombiano que estava aqui, era um colombiano, e ele dizia, não, é assim, essa água, na minha vida aqui dentro da empresa, eu ainda não tinha visto. Veio muito gás, mas quando passava, veia óleo, alegria, né? Óleo, tem óleo, e a gente, como era com os colegas, falava, pô, agora fica bom, vai mais forte, vai mais forte. E tinha bastante sonda aqui na época. E quando tem bastante trabalho, é melhor ainda.
00:08:32 P/1 - Foi aqui a primeira vez que você viu petróleo, Jorra?
00:08:34 R - Sim.
00:08:34 P/1 - Foi.
00:08:35 R - Aqui. Quer dizer, eu via, Petróleo, quando eu estava estagiando na Bahia. Mas eu posso estar produzindo, o cara jogava óleo, pegava, né? Mas aqui, produzindo mesmo, foi aqui. E essa... A gente está nessa luta aí desde de 80.
00:08:53 P/1 - Nesse período todo, você lembra de alguma história interessante que aconteceu?
00:08:56 R - Alguma... Agora, essa história ligada à pessoa, coisa assim, ou da gente, né? Tem várias, uma sequência enorme, né? Desde... de gozações, digamos, em termos. Mas uma que me causou, assim, que é até interessante, para lembrar, que o meu sobrenome é Riscado. Eu fui fazer uma missão, assim que eu cheguei aqui, ninguém conhecia. E, na época, lá no aeroporto de São Luís, ficava um um senhor administrativo que fretava o avião para nos mandar para uma região, Barreirinhas. Você já deve ter ouvido falar em Barreirinhas. Nós estávamos com sonda lá e eu fui para uma missão. O rapaz que estava na cidade recebeu através de telegrafia, de sinais de telegrafia, né? A lista do pessoal, onde falaram Zé Fred da Silva, arriscada. Aí ele pensou que era arriscada. Aí o cara libera o avião. Só que quando eu cheguei lá no aeroporto, Aí eu falei, não, rapaz, não vai. Aí que eu fui novo, né? Ele disse, não, rapaz, esse cara é meu nome. Aí, rapaz, o cara passou na lista que você não ia, olha aí. Aí já tinha liberado, eu fui só à tarde, foi uma... Aí começou, foi um tipo de brincadeira. Hoje essa pessoa até recentemente faleceu, o senhor que... sem querer ele causou isso. É, riscou. Mas isso é o que acontece. Vale lembrar agora de outras situações de colegas aí, tem inúmeros aí que a gente, se for parar dá livro, tem gente já escrevendo livros disso aí. Os homens de colegas, digamos, sacanas mesmo, tem um agora faz muitos anos, tem um camarada que tinha, que trabalhava aqui com a gente, morava em São Luís e ele saía de casa de ônibus e vinha até Belém, a base era em Belém, de Belém pegava avião pra cá. Ele aposentou, só que ele tinha uma namorada pelos caminhos, e ele continuou viajando. Dois anos depois, a sogra dele morre, e a mulher liga pra cá pra procurar pelo cara. Disseram, não, esse cara saiu, já tá aposentado. Não, senhor, não pode. Ele viajou semana passada, o que foi descobrir era essa. O cara continuou viajando, mas só pra casa da namorada. Ele passava 14 dias na casa da namorada e folgava os outros em casa, né? pequenas coisas que a gente... isso é inumerável, né? Muitas histórias que talvez até interesse contar, né? Alguém tá contando esse livro aí? Já tem quem esteja escrevendo isso aí? Pequenas. Que talvez lá fora não interesse a ninguém. Mas que aqui dentro a gente que conhece como o petroleiro trabalha no cativeiro, né? Porque isso é um cativeiro.
00:11:32 P/1 - É, o mundo da paz é diferente.
00:11:33 R - É, diferente. E... Aí a gente vai coletando, conversa com um. Você conhece fulano? Fulano fez isso, fez aquilo. E a gente vai associando. Tem várias desse tipo. Histórias desse tipo temos bastante.
00:11:46 P/1 - Bom, é isso. Uma entrevista curta. Obrigado.
00:11:51 R - Muito obrigado a vocês também.
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