Meu nome é José Carlos Corona. Eu nasci em Taguaí, uma cidadezinha no sudoeste do estado de São Paulo. Fica perto de Piraju, Avaré, Ourinhos. Eu nasci em 29 de março de 1952.
Na minha família eu tenho um apelido. A minha mãe é uma das poucas pessoas que me chamam de José Carlos, mas os meus irmãos me chamam pelo apelido de Calo. Eu tenho um irmão mais novo que não sabia falar José Carlos, falava Calo. Ele se chama Carlos Alberto, eu falava Caeco, chumbo trocado. Essas histórias de interior.
Eu vim para Campinas por uma empreiteira chamada Manobra, em 1972. Aí houve oportunidade do concurso. Comecei a trabalhar na Petrobras, em 1973, na área de desenvolvimento, recrutamento e seleção, treinamento de pessoal. Nessa área eu fiquei cinco anos.
Depois eu fui para área de organização e métodos, cuidava da parte toda organizacional da refinaria. Depois, a própria área foi evoluindo, tendendo para a área de sistemas. Fiquei muito tempo trabalhando com um grupo de automação de escritório. Eu era o elo de ligação entre a parte técnica, a informática e os usuários. Depois de um certo tempo, nós começamos com a área de qualidade, porque o nosso setor começou a abranger a parte de qualidade. Eu trabalhei até o final com a parte de implantação da ISO 9000 e toda a parte de indicadores de desempenho.
Olha, o momento marcante foi a greve de 1983. Foi uma violência muito grande. Fomos demitidos, tanto que voltamos na situação de anistiados por decreto assinado pelo presidente da República, sinal que eles reconheceram. Foi um fato marcante, porque a gente cresceu. Todo mundo cresceu, a categoria, quem foi demitido.
Neste interregno, eu trabalhei algum tempo numa metalúrgica em Sorocaba. Depois eu fui trabalhar em São Paulo, fiquei um ano na TV Cultura, era analista de organização e métodos. Trabalhei durante um ano, e saí da TV para reingressar na Petrobras.
Outra coisa interessante que engrandeceu toda a...
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Meu nome é José Carlos Corona. Eu nasci em Taguaí, uma cidadezinha no sudoeste do estado de São Paulo. Fica perto de Piraju, Avaré, Ourinhos. Eu nasci em 29 de março de 1952.
Na minha família eu tenho um apelido. A minha mãe é uma das poucas pessoas que me chamam de José Carlos, mas os meus irmãos me chamam pelo apelido de Calo. Eu tenho um irmão mais novo que não sabia falar José Carlos, falava Calo. Ele se chama Carlos Alberto, eu falava Caeco, chumbo trocado. Essas histórias de interior.
Eu vim para Campinas por uma empreiteira chamada Manobra, em 1972. Aí houve oportunidade do concurso. Comecei a trabalhar na Petrobras, em 1973, na área de desenvolvimento, recrutamento e seleção, treinamento de pessoal. Nessa área eu fiquei cinco anos.
Depois eu fui para área de organização e métodos, cuidava da parte toda organizacional da refinaria. Depois, a própria área foi evoluindo, tendendo para a área de sistemas. Fiquei muito tempo trabalhando com um grupo de automação de escritório. Eu era o elo de ligação entre a parte técnica, a informática e os usuários. Depois de um certo tempo, nós começamos com a área de qualidade, porque o nosso setor começou a abranger a parte de qualidade. Eu trabalhei até o final com a parte de implantação da ISO 9000 e toda a parte de indicadores de desempenho.
Olha, o momento marcante foi a greve de 1983. Foi uma violência muito grande. Fomos demitidos, tanto que voltamos na situação de anistiados por decreto assinado pelo presidente da República, sinal que eles reconheceram. Foi um fato marcante, porque a gente cresceu. Todo mundo cresceu, a categoria, quem foi demitido.
Neste interregno, eu trabalhei algum tempo numa metalúrgica em Sorocaba. Depois eu fui trabalhar em São Paulo, fiquei um ano na TV Cultura, era analista de organização e métodos. Trabalhei durante um ano, e saí da TV para reingressar na Petrobras.
Outra coisa interessante que engrandeceu toda a minha vida - o coral. Nós tivemos o início do coral dia 5 de setembro de 1975. Atualmente, eu sou o único remanescente. Estou no coral há 27 anos. O coral exige uma disciplina fenomenal senão você derruba o grupo todo. A gente faz um monte de viagem, gravamos um CD muito bonito o ano passado. É coisa que preenche. Ali é uma oportunidade prá gente se educar.
Participamos de uma missa que vai ao ar no programa "Siga bem, Caminhoneiro." uma Missa de Natal para os caminhoneiros. Nós cantamos lá no Santuário Nacional de Aparecida. Cantamos a música "Nossa Senhora" do Roberto Carlos. Na hora em que começou a cantar todo mundo começou a engasgar, era um negócio emocionante. E o povo aplaudindo a Santa. Ficamos debaixo do nicho da Nossa Senhora. Foi um negócio diferente.
Quando era molequinho, na minha cidade, meu pai tocava harmônica na igreja. Ele ia à noite, e eu ia também, mas o padre não me deixava cantar porque eu desafinava. Eu fiquei traumatizado.
Quando o coral veio aqui, eu fui lá, fiz o teste de voz. Aí comecei.
Hoje, só eu que sou da primeira turma. Eu entrei em 1975, não parei nenhum dia. Eu moro em Jaguariúna, 60 quilômetros de estrada. Eu venho toda segunda e quarta porque gosto mesmo. Quando eu mudava de setor ou o chefe mudava, uma das primeiras coisas que eu falava: "Se quer marcar uma reunião, nesse horário não, porque eu tenho compromisso agendado." Hoje, termina o expediente e a gente ensaia das 16h30 às 18h30. Aí ninguém pode dizer que é para fugir do serviço.
Paulínia é hoje o que é por causa da Replan. A cidade é um brinco. Você pode ver as edificações, a cidade é muito bonita, a saúde é muito bem estruturada. O hospital de Paulínia é muito bom, a educação tem subsídio para os estudantes. A Replan veio para cá e trouxe todo o pólo petroquímico da região.
Recentemente, a Petrobras está envolvida com um gama muito grande de projetos sociais. A Petrobras está treinando trabalhadores de outras empresas, fazendo certificação da Associação Brasileira de Manutenção Industrial, chamada ABRAMAM. A Petrobras está em convênio com os parques e as prefeituras de Paulínia, Cosmópolis, Artur Nogueira, para treinar o trabalhador. Está dando mais que qualificação, está tornando cidadãos mesmo. Ela tem um lado social muito forte, ela investe na parte da criança. Paulínia tem um projeto de bicicross patrocinado pela Petrobras. A equipe foi bicampeã brasileira.
Na parte de meio ambiente também, ela atua muito na área da bacia, tentando melhorar a qualidade das águas dos rios Atibaia e Piracicaba.
Sou sindicalizado desde 1973, mas nunca exerci cargo no sindicato.
Eu sempre apoiei o sindicato, participei de todas as assembléias quando importantes, mesmo agora como aposentado participo de reuniões.
Campanhas Salariais
Eu vejo a relação Sindicato-Petrobras, são forças antagônicas. Sempre tivemos essas brigas homéricas, mas faz parte. Mas, no final das contas, acabam chegando a um denominador comum. Existe sempre o senso comum que acaba prevalecendo no final das contas.
Nós temos conquistas, aliás, em nível nacional. Nós temos colegas nossos que saíram daqui! O presidente estadual da CUT começou com a gente. Jogava bola com ele, entrou em 1973, O Antônio Carlos Spis. O Deputado Zica, ele era operador, também foi demitido em 1983.
O projeto Memória dos Trabalhadores da Petrobras é mais importante do que eu estar falando aqui, o projeto é fundamental. A gente tem uma memória curtíssima; mas quando alguém faz isso, você começa a ver, tem hora que você percebe que está escorrendo lágrima, porque é coisa emocionante mesmo. Acho que foi muito importante essa visão, principalmente a Petrobras completando 50 anos; a Replan fez 30.
Eu gosto que sempre lembrem do coral porque é um negócio importante. O sindicato também, por exemplo, é um negócio importantíssimo, lembrar da greve. Chega uma hora que você esquece que existiu, mas a hora que alguém toca, a gente lembra dos colegas que sofreram. Não é nada agradável! De repente a gente vê tudo isso documentado para que não fique esquecido. Está lá, aconteceu, vai ficar registrado.
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