Meu pai é pescador. Sou filho de pescador. Um dos avôs, o Amaro Fernandes da Rocha, era pescador nato, desde novo. Eu morava perto da praia, numa casa muito pequena. Aqui era muito pobre. O meu avô Amaro pescava numa enseada aqui pertinho. No tempo dele tinha esses tipo de barco, era canoa, a gente chamava aquilo de baleeira e minha mãe contava que ela levava o peixe que ele trazia, as pescadas, as corvinas, nas costas, em Piúma, pra trocar por galinha, trocar por qualquer coisa, feijão, arroz, porque não tinha, aqui não tinha o que comprar nada. Tinha muita fartura de peixe porem não tinha aonde vender. Condução aqui era charrete, essas coisas assim. Não tinha carro, não tinha condução, não tinha nada. Isso quando eu comecei a me entender por gente, na década de 50, que eu nasci em 52. Pro pessoal comprar uma roupa, tinha que ir a pé pra Itapemirim, atravessava o rio de barquinho. Depois de longos anos, 12 anos depois, começou a vir um senhor de Piúma, que ele tinha um Ford, tipo esses pau de arara carroceria que levava o pessoal pra fazer compra todo final de semana, todo sábado. Eu trabalhei num barco a vela no meu tempo de garoto, que eu estudava e quando eu voltava da escola eu ia pra enseada. Desde cedo meu pai lá me colocou pra mestrar barco, ele era mestre. Eu era desde garotinho, já dez, doze anos já começava a pescar. Que ia pra escola voltava e pescava aqui perto. A escola era minha paixão. Inclusive o meu sonho era estudar fora, mas naquela época não tinha conhecimento, a família aqui devia ser um pessoal muito humilde, muito simples, falar em Rio de Janeiro parecia o fim do mundo. Eu tive a oportunidade de viajar, de embarcar num navio escola da Marinha depois. Já trabalhando no mar, já estava completando os 18 anos e meu pai tinha muita amizade com o pessoal da capitania dos portos, no Rio de Janeiro, e o pai do comandante de um navio era muito amigo do meu pai. Ele via o interesse; quando eu passava lá na Baía da...
Continuar leitura
Meu pai é pescador. Sou filho de pescador. Um dos avôs, o Amaro Fernandes da Rocha, era pescador nato, desde novo. Eu morava perto da praia, numa casa muito pequena. Aqui era muito pobre. O meu avô Amaro pescava numa enseada aqui pertinho. No tempo dele tinha esses tipo de barco, era canoa, a gente chamava aquilo de baleeira e minha mãe contava que ela levava o peixe que ele trazia, as pescadas, as corvinas, nas costas, em Piúma, pra trocar por galinha, trocar por qualquer coisa, feijão, arroz, porque não tinha, aqui não tinha o que comprar nada. Tinha muita fartura de peixe porem não tinha aonde vender. Condução aqui era charrete, essas coisas assim. Não tinha carro, não tinha condução, não tinha nada. Isso quando eu comecei a me entender por gente, na década de 50, que eu nasci em 52. Pro pessoal comprar uma roupa, tinha que ir a pé pra Itapemirim, atravessava o rio de barquinho. Depois de longos anos, 12 anos depois, começou a vir um senhor de Piúma, que ele tinha um Ford, tipo esses pau de arara carroceria que levava o pessoal pra fazer compra todo final de semana, todo sábado. Eu trabalhei num barco a vela no meu tempo de garoto, que eu estudava e quando eu voltava da escola eu ia pra enseada. Desde cedo meu pai lá me colocou pra mestrar barco, ele era mestre. Eu era desde garotinho, já dez, doze anos já começava a pescar. Que ia pra escola voltava e pescava aqui perto. A escola era minha paixão. Inclusive o meu sonho era estudar fora, mas naquela época não tinha conhecimento, a família aqui devia ser um pessoal muito humilde, muito simples, falar em Rio de Janeiro parecia o fim do mundo. Eu tive a oportunidade de viajar, de embarcar num navio escola da Marinha depois. Já trabalhando no mar, já estava completando os 18 anos e meu pai tinha muita amizade com o pessoal da capitania dos portos, no Rio de Janeiro, e o pai do comandante de um navio era muito amigo do meu pai. Ele via o interesse; quando eu passava lá na Baía da Guanabara que via aqueles fuzileiros ali, poxa, ficava encantando. Meu sonho era ser um oficial da Marinha, porem não tive oportunidade porque quando se falava em sair a minha mãe chorava. Na época eu me lembro que eu varava a noite pescando. Era lamparina, que não tinha energia elétrica, não tinha televisão. Quando eu comecei essa vida de pescar em alto mar, foi com meu pai. Eu sou o mais velho de todos os irmãos e fora todos eles filhos de pescador, e pescadores também. Não tiveram outra atividade não. Até hoje eu sonho que estou pescando junto com meu pai.
Recolher