O meu nome é João Percy Hohmann. Local de nascimento: Mafra, Santa Catarina, em 10 de dezembro de 1938. Sou conhecido na empresa como Percy.
Eu queria fazer engenharia. Em 1960, o ITA se projetava como uma novidade no campo da Engenharia no Brasil.
Além do que, era um curso provido de bolsa, de alojamento, de material didático. E o prestígio da escola era muito grande. Um colega nosso havia sido, no ano anterior, bem-sucedido no exame. Então, nosso grupo de cursinho, nosso grupo de estudos, resolveu aceitar esse desafio. E nós fomos aprovados em cinco colegas. Foi uma das maiores aprovações que o Paraná já teve no ITA.
A Petrobras fazia um de seus processos seletivos dentro das universidades. Então, fizemos o processo seletivo e imediatamente, em janeiro, já estávamos no Rio de Janeiro iniciando o
Eu me formei em 1964. A Petrobras tinha dez anos de vida. Era uma empresa de um apelo muito grande. E vinha apresentando resultados muito positivos. Então, não havia necessidade da Petrobras fazer um tipo de sensibilização. Ela apenas anunciava que as comissões fariam os processos seletivos na própria universidade. Você não tinha que procurar a empresa. Da nossa turma, mais dois colegas também integraram a Petrobras. Um foi para refino, outro foi para prospecção de petróleo. E hoje estão na mesma condição minha: aposentados.
Eu fiz esse curso no Rio de Janeiro. Fiquei depois um ano na manutenção da RPBC. E depois fui para o xisto. Para o xisto primeiro em Tremembé, em São Paulo. E somente em 1968 é que eu vim para São Mateus.
Inicialmente, participei do grupo de fiscalização das obras de implantação da usina industrial. A Usina de Xisto tem duas unidades muito distintas. É a unidade de Sólidos, que é uma unidade de mineração, e uma unidade de Processo, que é onde se produz o óleo, se trabalha aquele minério. Na época, havia dois grupos bem definidos: abertura da mina e implantação da usina. Eu entrei na parte de...
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O meu nome é João Percy Hohmann. Local de nascimento: Mafra, Santa Catarina, em 10 de dezembro de 1938. Sou conhecido na empresa como Percy.
Eu queria fazer engenharia. Em 1960, o ITA se projetava como uma novidade no campo da Engenharia no Brasil.
Além do que, era um curso provido de bolsa, de alojamento, de material didático. E o prestígio da escola era muito grande. Um colega nosso havia sido, no ano anterior, bem-sucedido no exame. Então, nosso grupo de cursinho, nosso grupo de estudos, resolveu aceitar esse desafio. E nós fomos aprovados em cinco colegas. Foi uma das maiores aprovações que o Paraná já teve no ITA.
A Petrobras fazia um de seus processos seletivos dentro das universidades. Então, fizemos o processo seletivo e imediatamente, em janeiro, já estávamos no Rio de Janeiro iniciando o
Eu me formei em 1964. A Petrobras tinha dez anos de vida. Era uma empresa de um apelo muito grande. E vinha apresentando resultados muito positivos. Então, não havia necessidade da Petrobras fazer um tipo de sensibilização. Ela apenas anunciava que as comissões fariam os processos seletivos na própria universidade. Você não tinha que procurar a empresa. Da nossa turma, mais dois colegas também integraram a Petrobras. Um foi para refino, outro foi para prospecção de petróleo. E hoje estão na mesma condição minha: aposentados.
Eu fiz esse curso no Rio de Janeiro. Fiquei depois um ano na manutenção da RPBC. E depois fui para o xisto. Para o xisto primeiro em Tremembé, em São Paulo. E somente em 1968 é que eu vim para São Mateus.
Inicialmente, participei do grupo de fiscalização das obras de implantação da usina industrial. A Usina de Xisto tem duas unidades muito distintas. É a unidade de Sólidos, que é uma unidade de mineração, e uma unidade de Processo, que é onde se produz o óleo, se trabalha aquele minério. Na época, havia dois grupos bem definidos: abertura da mina e implantação da usina. Eu entrei na parte de obra da usina. Era uma usina nova, sem similar no mundo. Então nós desenvolvíamos esses projetos e contratávamos as obras de execução. E exercíamos a fiscalização para que fossem em coerência com esse projeto. À medida que as unidades vão ficando prontas, você parte para o condicionamento, o comissionamento, a pré-operação. E a colocação em marcha. Como a usina era nova, sem similar, a colocação em marcha foi bastante trabalhosa. Demoramos muito tempo para tirar o primeiro óleo dessa usina-protótipo de São Mateus.
O xisto em São Mateus do Sul, é originário da formação Irati. Ele aparece em duas camadas praticamente horizontais. Essas camadas são recobertas por um capeamento de solo vegetal, argilas, alguma rocha também, conforme a profundidade. Esse material tem que ser removido para se acessar a primeira camada. A primeira camada é trabalhada com explosivos para ser afrouxada. Depois, ela é carregada em caminhões. Levada para um britador. E à medida que você remove essa primeira camada, descobre uma camada intermediária. Essa camada intermediária é estéril. Tem que ser removida para acessar a segunda camada. A camada inferior, que sofre o mesmo tratamento da primeira. Na britagem ocorre, então, a cominuição, que é um termo técnico. A cominuição do minério, o peneiramento, a classificação, e o material é levado para a retorta, que é onde ocorre a extração do óleo.
A formação Irati é uma parte da bacia do Paraná e é uma camada geológica. Os desafios eram imensos na implantação, você estava implantando uma usina pioneira. Sem ter uma escola onde você pudesse aprender a construir e operar essa usina em uma comunidade pequena.
São Mateus na época, era desprovida de algumas qualidades, que são chamados hoje de indicadores de qualidade de vida. A Petrobras sempre foi muito pioneira em tudo o que fez. Na área de São Mateus, ela se preocupou muito com três componentes. O econômico, que não se faz nenhum empreendimento industrial desse porte se não tivesse um panorama econômico equacionado. Para isso, se fazia a protótipo. Que era para obter os dados econômicos da industrialização do xisto. Ela se preocupou, também, com o aspecto social e com o aspecto ecológico desde aquela época. Isso é um pioneirismo; hoje, a Agenda 21 trata desses temas que há 30 anos já se fazia dentro da Petrobras.
São Mateus não possuía água encanada, tratada, não possuía hospital; o acesso rodoviário era feito por estradas não pavimentadas. Isso tudo levou a Petrobras, em conjunto com o Governo do Estado, a estabelecer uma série de convênios através dos quais se viabilizaram telefonia, televisão, hospital, a rodovia, o sistema de água. Criando sistemas de educação para filhos de empregados. Além de dar preferência nos processos seletivos - o que era possível naquela época - aos extratos humanos da região. Nós conseguimos excelentes colaboradores dentro da comunidade. São Mateus, era uma economia estagnada, o ciclo de erva-mate, o ciclo de madeira estava exaurido.
Isso fez que a Petrobras se integrasse dentro de São Mateus. Sempre tivemos uma integração muito perfeita. As nossas residências não eram em vilas, eram disseminadas na comunidade, e isso facilitou muito a integração.
Nós tínhamos que treinar os empregados. Na indústria de xisto sempre tiveram os cursos de formação, aperfeiçoamentos dentro e fora da unidade. De maneira a melhorar sempre o patamar técnico e tecnológico desse grupo.
As coisas marcantes foram quando você consegue colocar em funcionamento uma máquina inovadora, um processo que é inovador. Em 1990, colocamos em operação a unidade industrial do xisto em 15 dias. Isso não existe nem na indústria normal. Foi inaugurada por ministro, essa coisa toda. São fatos muito marcantes. E compartilhados sempre com todos os nossos colaboradores. Há um empenho muito grande. Porque é uma coisa que foi criada ali. É um filho que você está vendo nascer, que você participou desde a concepção.
Tecnologia e pesquisa são como uma árvore: ela vai crescendo e apresentando outros ramos. De repente, aquele galhozinho é que vai ser o suporte da tua estrutura toda. Então, todos os sucessos que a Six teve, não somente naquilo que é o bussiness na exploração de xisto, são fatores que se multiplicam e que dão essa capacitação que a Petrobras tem hoje, que faz dela uma empresa de ponta. Você não pode nunca parar com tecnologia. Não se faz tecnologia, não se faz pesquisa em cima de cronograma. Se faz, em cima de metas, de objetivos e avaliações. Se você não manter muito forte esse espírito de desenvolvimento tecnológico, você sai da ponta. É muito fácil ser superado.
Não existem hierarquias entre Araucária e São Mateus, são unidades irmãs e que trabalham juntas. Colaboram na sinergia, em programas comuns. São unidades diferenciadas de mesmo nível. Uma é refinaria a outra é uma unidade de produção de óleo e de pesquisa tecnológica.
Uma coisa importante é a Petrobras hoje ter a melhor gasolina do mundo, Fórmula 1. Parte dessa gasolina é produzida em São Mateus e é uma pesquisa que nunca se imaginou. Mas como você tem capacitação, facilidade de instalações e você tem vontade.
As pesquisas e o reconhecimento internacional são conseqüências. A Six teve a honra e a oportunidade de participar disso junto com o Cenpe e outras unidades de refinaria, provavelmente Replan. É uma demonstração de que se pode trabalhar a tecnologia em rede, dentro da empresa, em sinergia. E isso tem efeito espantoso. Você ter uma gasolina na Fórmula 1 já é muito importante, mas ter a melhor delas é uma coisa extraordinária.
A Petrobras teve a felicidade de fazer essas grandes descobertas da bacia de Campos. Com isso, a importância do xisto ficou diminuída. É um processo que não pode competir em termos de custo com o petróleo pronto na natureza. Mas alguns países do exterior, China, Mongólia, eles têm grandes reservas de xisto e não estão encontrando reservas de petróleo com a mesma felicidade que a Petrobras. Isso está abrindo um caminho muito importante de venda de tecnologia para esses países, que têm necessidades crescentes de combustível. Isso oferece uma oportunidade de presença da Petrobras no mercado mundial, como a detentora da melhor tecnologia para exploração de xisto.
A greve faz parte do processo democrático, do processo gerencial, são situações angustiantes quando acontecem, mas que depois são recordadas como marcos bem superados para os dois lados. Com isso, a gente aprende, moderniza. A gente participa de todo um processo de transformação que é necessário para o país. É caminhar na direção do seu amadurecimento.
Foi uma empresa que sempre correspondeu aos anseios dos seus funcionários, dos seus contratados e do povo brasileiro. A globalização, com todos os seus vícios, com todas as suas virtudes, com todas as suas conseqüências, cria para a Petrobras, a oportunidade de se ombrear com as maiores companhias do mundo. Para o Brasil é fundamental ter presença efetiva nesse cenário. A gente tem que entrar mesmo nesse jogo, mergulhar e nadar.
A Petrobras como marca se destaca em três áreas de importância, consideradas macro-áreas: é o aspecto econômico, dentro desse processo todo. Ela é uma alavanca, uma mola. Redistribui muito a riqueza nacional, fazendo a sua função econômica. Para isso, ela mantém todos aqueles componentes que são fundamentais de desenvolvimento tecnológico, bem-estar de seus empregados e contratados, das comunidades onde atua. Depois, o aspecto social é sempre levado em conta com muito cuidado. E o aspecto ambiental, que esse é cada vez mais importante. Ela ainda cumpre essa função dentro do cenário mundial. Ao lado de Embraer, ao lado da Vale do Rio Doce, e de outras empresas que estão tendo sucesso nesse processo de globalização.
A empresa tem lá seus arquivos próprios, mas ele vai ser muito enriquecido com essas histórias que vão aparecer durante o processo. E acho que esse trabalho que vocês estão desenvolvendo, em conjunto com o sindicato, é da maior importância. Essa memória vai ser muito rica. Tenho certeza de que vai ter muita gente fazendo tese de doutorado em cima dela.
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