P – Jane, diga seu nome completo, o local e a data de nascimento.
R - Meu nome é Jane Sieh, eu nasci em Xangai, China, em 1941, bem no meio da guerra entre japoneses e chineses. Fiquei sete anos em Xangai até que foi impossível continuarmos lá. Minha família mudou para Hong Kong e depois de cinco anos fomos para Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde fui criada desde a adolescência. Estudei em Filadélfia, numa escola feminina chamada Primor College. Lá conheci meu marido, que é arquiteto e sonhador e queria fazer arquitetura social. Ele vinha de uma família muito patriarcal, muito chinesa e muito católica, que morava no Brasil. Depois de casados, ficamos dois anos em São Francisco, na Califórnia, onde nasceu nosso primeiro filho. Estou no Brasil desde 1965.
P – Seu marido é americano?
R - Chinês, de Xangai também. Saiu da China por causa de Revolução Comunista, em 1948.
P - Que faculdade você fez?
R - Sociologia. Eu ia fazer um MBA [um grau acadêmico ao nível de mestrado] em Harvard, mas encontrei meu marido e acabei só fazendo a faculdade de Letras e Sociologia.
P – Quando o Grupo Primavera entra em sua história?
R - Em 1981. Pensei que ficaríamos no Brasil só três ou quatro anos, mas percebi que meu marido não queria mais sair daqui. Gostei muito do Brasil, mas a grande diferença entre as classes sociais me incomodava muito. Via meus filhos com tudo o que eles queriam e outras crianças com muito pouco. Quando percebi que íamos fixar residência aqui, pensei: “Vou ter que fazer alguma coisa para justificar a minha permanência aqui, neste país tão bonito, mas que é tão distorcido em termos de valores sociais”. Meu trabalho começou por acaso, quando doamos material de construção para um homem muito bondoso, um advogado, que construiu uma creche em um dos bairros mais violentos de Campinas, chamado Jardim São Marcos.
Com adolescentes, o começo de tudo
Na inauguração fiquei tão comovida com a...
Continuar leituraP – Jane, diga seu nome completo, o local e a data de nascimento.
R - Meu nome é Jane Sieh, eu nasci em Xangai, China, em 1941, bem no meio da guerra entre japoneses e chineses. Fiquei sete anos em Xangai até que foi impossível continuarmos lá. Minha família mudou para Hong Kong e depois de cinco anos fomos para Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde fui criada desde a adolescência. Estudei em Filadélfia, numa escola feminina chamada Primor College. Lá conheci meu marido, que é arquiteto e sonhador e queria fazer arquitetura social. Ele vinha de uma família muito patriarcal, muito chinesa e muito católica, que morava no Brasil. Depois de casados, ficamos dois anos em São Francisco, na Califórnia, onde nasceu nosso primeiro filho. Estou no Brasil desde 1965.
P – Seu marido é americano?
R - Chinês, de Xangai também. Saiu da China por causa de Revolução Comunista, em 1948.
P - Que faculdade você fez?
R - Sociologia. Eu ia fazer um MBA [um grau acadêmico ao nível de mestrado] em Harvard, mas encontrei meu marido e acabei só fazendo a faculdade de Letras e Sociologia.
P – Quando o Grupo Primavera entra em sua história?
R - Em 1981. Pensei que ficaríamos no Brasil só três ou quatro anos, mas percebi que meu marido não queria mais sair daqui. Gostei muito do Brasil, mas a grande diferença entre as classes sociais me incomodava muito. Via meus filhos com tudo o que eles queriam e outras crianças com muito pouco. Quando percebi que íamos fixar residência aqui, pensei: “Vou ter que fazer alguma coisa para justificar a minha permanência aqui, neste país tão bonito, mas que é tão distorcido em termos de valores sociais”. Meu trabalho começou por acaso, quando doamos material de construção para um homem muito bondoso, um advogado, que construiu uma creche em um dos bairros mais violentos de Campinas, chamado Jardim São Marcos.
Com adolescentes, o começo de tudo
Na inauguração fiquei tão comovida com a preocupação desse senhor idoso com as pessoas carentes do bairro, que disse: “Olha, doutor Nélson, se tiver que fazer mais alguma coisa eu fico às ordens”. E ele me “pegou” pelas palavras, literalmente. No dia seguinte, o carro dele estava em frente de minha casa para me levar à creche. Eu pensei: “O que vou fazer nessa creche se tem tudo lá: cozinheira, babá, assistente social, tudo?” Mas eu notei que as crianças eram tratadas muito bem e que não poderiam ter os mesmos cuidados quando estivessem em casa. Disse ao doutor Nélson: “Poderíamos dar cursos para as mães, para que elas possam continuar a dar o mesmo tratamento que as crianças recebem na creche”.
Quando chegou o dia da matrícula das mães no curso, vieram adolescentes também. Minhas amigas disseram: “O curso é para as mães, nós não vamos lidar com essas adolescentes”. Eu fiquei com dó de fechar a porta na cara dessas meninas. Disse para elas: “Venham comigo”. Fiquei com seis adolescentes embaixo de uma árvore, sem lenço, sem documento, e começamos a conversar. Perguntei sobre a vida delas, as lacunas, os anseios de vida, e nós ficamos amigas e continuamos dialogando até hoje. Desses diálogos é que surgiu o Grupo Primavera. Acompanhamos a privação dessas meninas tanto na parte social, comunitária, quanto na educação. Essas lacunas é que, talvez, sejam responsáveis pela criminalidade e injustiça que eu vejo hoje.
P – Como é exatamente o seu projeto?
R - A missão do Grupo Primavera é formar as mulheres de amanhã. O projeto é sustentado, principalmente, por trabalhos voluntários. Até 1992 não tivemos nenhum profissional contratado. Nós e as meninas acreditávamos que poderíamos juntas melhorar a situação, tanto delas como a da creche. O objetivo é, principalmente, resgatar os valores de formação para inseri-las na sociedade. Para que elas adquiram auto-estima, que é o primeiro passo para vencer na vida.
P – Do encontro com essas meninas até a fundação do Grupo Primavera demorou quanto tempo?
R - Eu não queria ter fundado nada, não queria nada estruturado, nada de burocracia. Durante 12 anos ficamos quietinhas no quintal, sem lenço, sem documento. Assim é que eu queria, porque realmente você faz um trabalho muito mais eficaz se não há limitações. Quando você se estrutura com um monte de documentos, contabilidade, sua atenção fica dispersa e não se concentra somente na formação. Essa era minha maior preocupação. Mas, em 1992, vimos que as meninas chegavam com muito mal-estar. A maioria delas vinha com dor de cabeça, fraqueza, dor de estômago, incapazes de se concentrar. Levamos as meninas, quatro de cada vez, para serem examinadas em um centro médico.
Descobrimos, depois de muita relutância das meninas, que não queriam ser examinadas, que 95% desse mal-estar eram causados pela fome, pela má nutrição. Precisávamos remediar isso enquanto elas estivessem na fase de crescimento e começamos a procurar empresas que pudessem nos fornecer refeições. Nós imaginamos: “Se uma empresa pode fornecer sete, oito mil refeições por dia, será que não poderia nos dar 100 refeições diariamente?” Mas no início da conversa, as empresas nos diziam: “Podemos dar, mas só as sobras: arroz em um dia, salada no outro.” Mas não aceitamos dessa maneira: “Sobras elas têm todo dia e não é nada muito especial o que queremos”. Esse impasse durou quase um ano, até que as empresas cedessem, com uma condição: “Vocês precisam dessas refeições para as meninas, mas nós precisamos de recibos”. A partir daí começou nossa incessante burocracia.
Uma das primeiras fellows do Brasil
P – Então, oficialmente o Grupo Primavera começou em 1992?
R - Oficialmente, legalmente. Mas no coração já faz muito tempo, desde 1981.
P – E quando surgiu sua ligação com a Ashoka?
R - Em 1988. Eu fui uma das primeiras fellows do Brasil. Também foi outra história por acaso, porque sempre achei que estava sozinha. Uma amiga casou com o diretor-presidente da McKinsey, Fred Clark, e eles vieram ao Brasil para fundar a McKinsey em São Paulo. Fui convidada para um jantar como amiga da Sue, esposa do Fred. Estavam lá alguns fellows. Vieram fazer uma apresentação para o Fred. Estávamos conversando e eles me perguntaram: “Por que você não está na Ashoka?” Eu respondi: “Eu nem sabia que existia essa tal Ashoka”. E foi assim, em 1988, minha ligação com a Ashoka.
P – E a Ashoka incrementou o trabalho do Grupo Primavera logo no início?
R - Não. Isso só aconteceu em 1999. Um grupo de americanos que contribuía para a Ashoka veio a São Paulo para conhecer algumas associações. Fui uma das convidadas e falei sobre nosso trabalho, que procurava valorizar as mulheres. Nessa época, a grande preocupação dos americanos era com o desmatamento da Amazônia. Eu dizia para o grupo: “Pior do que isso é o descaso das pessoas com os direitos humanos aqui no Brasil. É muito mais triste do que o desmatamento”. Isso chocou todo mundo, porque não se falava muito sobre isso naquela época. Eu falei das meninas, como é importante levantar sua auto-estima e sua inserção social. Entre eles havia um senhor chamado Martin Send, um empresário que mora na Filadélfia. A Merit Oil, uma grande empresa de combustíveis da Costa Leste dos Estados Unidos, é da família dele. Ele sempre ligava e me convidava para visitá-lo na Filadélfia. Eu sempre respondia: “Na minha correria eu não tenho tempo para viajar”.
Mas ele continuava insistindo e uma vez, disse: “Eu faço questão de sua visita”. Deu certo porque tive que resolver alguma coisa de família por lá e fui, mas ensaiando como é que eu me livraria daquele homem, que estava sempre pegando no meu pé (risos). Eu sempre falei para ele que o problema não era econômico, mas ele não entendia o projeto e discutíamos muito.
Nos Estados Unidos, a descoberta das bonecas
P – Para ele bastava ter o dinheiro, é isso?
R - É isso mesmo Eu imaginava: “Um americano capitalista e nós, sonhadores chineses e brasileiros, não íamos nos entender”. Ele ficou animado com a visita porque tinha um projeto com uma empresa de bonecas e queria que eu a conhecesse. Ele me garantiu que eu iria gostar muito e que poderíamos levar o projeto para o Brasil. Isso foi em 1998. Veja como ele foi persistente: eu o conhecia há anos, ele sempre me convidava e eu sempre negava até que aceitei o convite: “Olha, pára de pegar no meu pé, que eu vou” (risos). Quando vi aquela empresa, com a inscrição na porta que dizia de maneira singela: “Nós somos todos sonhadores e artistas do possível”, fique muito tocada.
Depois, entrei e vi um homem enorme, negro, todo desajeitado, mas colocando, muito carinhosamente, os cabelos em uma bonequinha. A cena também me surpreendeu. Na visita entendi que a empresária, Kate Wilson, também era uma idealista e queria, através da diversidade, buscar um objetivo na vida, de dignidade humana, e fui cativada naquele momento. E a Kate é uma ótima e generosa empresária, que também sempre sonhou em promover seres humanos. E ela queria que a empresa dela tivesse um aspecto social, não somente para ganhar dinheiro. No ano seguinte ela veio ao Brasil disposta a ensinar todo mundo a fazer bonecas de meia.
As pessoas ficavam encantadas: “Como ela pode dar todo o know how sem nada em troca?” Quer dizer, era o ganha-pão dela, como, por exemplo, a fórmula da Coca-Cola. Entregou a técnica a um país onde a pirataria é conhecida. Eu fiquei preocupada, mas ela não. Ela acreditou tanto na nossa obra que convidou algumas das meninas para ir até a Filadélfia fazer um workshop de duas semanas com ela.
P – Como se chama a fábrica dela?
R - Little Souls, Pequenas Almas. Muito tocante.
P – Qual a ligação dela com esse empresário?
R - Nenhuma, ele a conheceu por acaso. Eles pertencem à mesma associação, a Small Venture Capitalist.
P – Toda essa aproximação com a idéia das bonecas foi um pouquinho antes do concurso do Plano de Negócios?
R - Um pouco antes. Tudo se parece com peças de quebra-cabeça. Vai entrando uma peça, depois outra e se encaixam no seu tempo certo. Entramos no concurso de Idéias Inovadoras, em 1988, e ganhamos.
P – E qual era a idéia?
R - Era fazer parcerias com empresas, formando redes. Não era tanto a boneca como produto, mas através de qualquer produto fazer a rede, expandir sua rede tanto na comunidade quanto no País e até no exterior.
P – Mas como? Explica um pouquinho como era a estruturação da idéia.
R - Através de um produto você pode envolver muitas pessoas ao seu redor, mas também atingir o lado comercial, porque você estimula o uso de roupas, sapatos e a compra de outras coisas, outros produtos do Segundo Setor, que é o das empresas. Com a divulgação dos nossos produtos, poderíamos atingir nacional e internacionalmente o Segundo Setor. Ou seja, seria uma parceria do Segundo Setor com o Terceiro Setor. Temos que nos abrir para envolver os outros setores, para ganhar maior visibilidade. Em 1999 entramos no concurso de Plano de Negócios.
Com a fabricação artesanal, a auto-sustentação
P – Como foi essa participação, Jane?
R - Foram cinco meses. Escolheram a dedo oito fellows da Ashoka que tinham algum plano auto-sustentável. Nós, do Grupo Primavera, fomos um dos escolhidos. Depois vieram dois rapazes simpáticos do Instituto McKinsey que se apaixonaram pelo trabalho. Isso foi muito importante porque eles deram o que puderam e o que não puderam para nos ajudar a formular e racionalizar nosso planejamento e nossa produção. Após cinco meses fizemos um planejamento de cinco anos para o Grupo Primavera, de como ampliaríamos a produção para concretizar nossa auto-sustentação, que é o mais importante de tudo no Terceiro Setor.
Eles foram muito bons, mas o plano era previsto para cinco anos. Em cinco anos, nós iríamos fazer cinco mil bonecas, mas só em cinco anos. Etapa por etapa, refizemos cálculos, porcentagem e produzimos um monte de números que ficamos até tontos. Mas no fim, em menos de um ano chegamos a produzir 3.500 bonecas, muito mais do que a previsão de mil bonecas em um ano. Detectamos no plano uma fórmula de como poderíamos fazer funcionar tudo muito rápido. Mas as circunstâncias também ajudaram muito porque nossa produção coincidiu com o assunto que estava em pauta, na época, que era a da responsabilidade social por parte do Segundo Setor.
Muitas empresas se apaixonaram pelo produto. Naquele ano, por exemplo, a empresa 3M queria seis mil bonecas. Mas decidimos que seria melhor fazer bem feito do que fazer tudo de uma vez. Conversamos com eles sobre a possibilidade de fazermos 1.500 bonecas em quatro anos. Assim dava uma folga para planejarmos melhor a produção. Eles toparam, mas ficaram ligando para fazermos mais 200, 300 bonecas. Até hoje estamos meio atrapalhados com o número de encomendas.
P – Nesse plano de negócios, quem eram as pessoas da McKinsey?
R - Auren Pinsky e Ronaldo Soares. Tiveram a supervisão do Hans Peter, que é o chefe deles. Sei que tivemos muitos torcedores na McKinsey.
P – Quantas reuniões vocês tinham, como era a dinâmica?
R - Nós não tínhamos muitas reuniões, os contatos eram mais por e-mail. As informações vinham para cá, iam para lá. Eles faziam mil perguntas e tínhamos que encher as páginas com muitas informações, mas nós não tivemos muitas reuniões.
P – Essa consultoria foi diferente, de alguma maneira, do que você imaginava? Você tinha idéia do que era trabalhar com consultores?
R - Não, não tinha a mínima idéia do que era e estranhei porque as pessoas muito jovens, não entendiam muito do assunto e, para minha surpresa, os dois eram formados em Engenharia. Eu pensei: “Meu Deus, o que eles têm a ver conosco, com esse trabalho social e com a fabricação de bonecas?”. Mas a rapidez deles de buscar informações, de entender o objetivo do nosso trabalho foi algo que nos surpreendeu. Até hoje eles continuam dando idéias, apoio, torcem e compram nossos produtos também.
P – Continuam mantendo um vínculo?
R - Bastante forte. Eles são muito ocupados e eu também, mas hoje em dia temos e-mail e estamos sempre em contato.
P – Depois desse plano, o que mudou na organização?
R - Uma das coisas mais significativas foi o pedido de verbas para o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]. A solicitação se encerrou em dezembro de 1999. Ganhamos o concurso do Plano de Negócios em novembro daquele ano e a informação que tínhamos era que o BNDES nem ia olhar para nosso plano, mas eu não desisti e pensava: "O BNDES vive dizendo que não tem projetos bons para apoiar e o nosso plano merece um olhar por parte deles”. Não tive dúvidas e mandei uma carta falando de nossa experiência e da necessidade de ampliação do projeto. Eles perceberam que nossa parceria era muito forte com a Ashoka, com a McKinsey, com a 3M e que outras empresas estavam interessadas em nossos produtos. Então, o projeto não era só um sonho, era algo real, palpável.
P – Você acha que o sucesso dependeu também da participação da McKinsey?
R - Não tenho a menor dúvida. O nome da McKinsey carrega muito peso e sabemos que não é qualquer entidade ou qualquer empresa que poderia receber alguma consulta da McKinsey. Aliás, uma das coisas que eu soube desde o início era que a McKinsey não olhava portfólios que não girassem em torno de 500 milhões de reais anualmente. Coitados de nós, que não girávamos nem um milhão. Então, como poderíamos ter esse nível de consultoria? Esse, para nós, já foi um despertar.
P – O Plano de Negócios foi um sucesso?
R - Para nós foi o início. O futuro me parece ser muito promissor. Com o problema de desemprego, na época, da falta de credibilidade do Terceiro Setor, esse Plano de Negócios reforçou muito a importância da união do Terceiro Setor com o Segundo Setor; foi uma grande abertura.
O atendimento se estendeu para toda a comunidade
P – O projeto começou com seis meninas, agora já envolve a comunidade. Em que ponto é que você percebeu que isso tinha que crescer e qual sua perspectiva de ampliação para o futuro?
R - Para o pessoal do bairro Jardim São Marcos nós éramos sempre muito fechados, como se fossemos um casulo. Não tínhamos muita ligação, a não ser com os pais das meninas, de vez em quando, nas festas. Mas com o Plano de Negócios começamos a romper esse casulo para estender a beleza desse trabalho para toda a comunidade. Hoje temos pessoas fazendo sapatos; pais desempregados que estão fazendo móveis; mães que necessitam de reforço de alimentação para sua casa; mães que estão costurando, outras fazendo crochê, cortando moldes.
Estamos envolvendo muita gente da comunidade de uma maneira muito positiva. Não é teoria, é algo concreto. Estamos mudando a vida das pessoas e, o mais importante, trazendo esperança e orgulho porque o Jardim São Marcos deixou de ser conhecido como um bairro somente de drogas e de prostituição. Tem pessoas que lutam pelo futuro. A repercussão do nosso trabalho não é só em Campinas, já se espalhou por São Paulo e outras cidades. Estamos até exportando para o exterior. Mandamos duas bonecas para a rainha Silvia, da Suécia. Enviamos encomendas para ela e outras grandes personalidades mundiais. As pessoas que compram consideram mesmo que a boneca é um presente digno de uma rainha.
P – Deu para perceber alguma mudança nos rapazes da McKinsey durante o trabalho com vocês?
R - Eu percebi. Eles estão muito mais interessados hoje em um campo que para eles era totalmente estranho. Era uma coisa que eles gostariam de poder fazer, participar e ajudar, mas se sentiam sem recursos, sem saber como se engajar. Nós tínhamos os problemas e eles teriam que trazer as soluções. Foi muito benéfico tanto para eles quanto para a gente. Acredito que eles cresceram muito como pessoas, mais do que como profissionais de engenharia ou de uma das maiores consultorias que existem. Eles participaram conosco de uma mudança para um mundo melhor.
P – Como são os produtos, os Brotinhos?
R - A linha se chama Brotinhos por causa do nome do Grupo Primavera. São brotos que estão nascendo e florescendo. Cada brotinho tem um nome e vai para a loja com um cartão com o nome de quem fez a boneca e uma poesia sobre o que é a infância. Quando alguém compra esse produto está ajudando muitas meninas a viver plenamente a infância.
P – Vocês também produzem outras peças que não sejam bonecas?
R - Sim, nós temos produtos de bordados de Natal e de datas comemorativas. Temos vários tamanhos e fazemos bordados também para agendas telefônicas, diários e álbuns de fotografias.
P – O Plano de Negócios também influenciou a qualidade dos produtos?
R - Não, nós sempre almejamos a qualidade dos produtos. O Plano de Negócios nos ajudou na montagem de uma estratégia, que nós não tínhamos. Nós pegávamos encomendas ou o que surgia. Hoje temos outro tipo de organização.
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