Memória Petrobras
Entrevistado: Júlio César Carmo Bueno
Entrevistadores: Morgana Mazeli e Alexandre
Rio de Janeiro, 08 de maio de 2009.
Entrevista nº PETRO_HV142
Realização Museu da Pessoa
Transcrito por: Tereza Ruiz
P1 – Júlio, queria começar pedindo pra você dizer seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.
R – Júlio César Carmo Bueno, carioca da gema, nascido infelizmente em 12 de abril de 55, já faz tempo.
P1 – Júlio, qual é a sua formação?
R – Eu sou engenheiro.
P1 – Conta um pouco pra mim dos tempos de estudo.
R – Sou engenheiro metalúrgico, formado na UFRJ, enfim, natural do Rio, com todo currículo no Rio de Janeiro, é... Aluno do Pedro II, também do Zacaria depois no segundo grau, enfim, essa trajetória.
P1 – Por que que você escolheu estudar engenharia?
R – (risos) Pergunta difícil, né? Eu escolhi estudar engenharia... Eu queria ser jornalista, mas aí... Mas eu era de uma família pobre, aí meu pai, muito sabiamente falou assim: “Oh se fizer jornalismo vai ser mais difícil hein!”. Como eu tinha algum talento pra matemática aí eu resolvi fazer engenharia, que naquele tempo era uma carreira que tinha mais facilidade de arrumar emprego e que na verdade acabou se dando, tá certo? Então a minha trajetória como engenheiro foi na verdade é... Uma relação, uma simbiose, né, entre um pouco de talento numa coisa e um pouco também de pragmatismo, né?
P1 – O seu pai não queria que você estudasse jornalismo, mas ele tinha expectativa que você estudasse alguma coisa? Ele tinha um sonho?
R – Que eu fosse engenheiro! (risos)
P1 – Era esse mesmo.
R – É.
P1 – E quando você tava já na faculdade cursando engenharia tinha já uma expectativa de carreira futura, que que você imaginava?
R – Oh, a minha relação, se você quer saber, com a Petrobras, ela é anterior a minha formatura, né? Na verdade a minha relação com a Petrobras ela se dá por uma questão que todo brasileiro devia...
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Entrevistado: Júlio César Carmo Bueno
Entrevistadores: Morgana Mazeli e Alexandre
Rio de Janeiro, 08 de maio de 2009.
Entrevista nº PETRO_HV142
Realização Museu da Pessoa
Transcrito por: Tereza Ruiz
P1 – Júlio, queria começar pedindo pra você dizer seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.
R – Júlio César Carmo Bueno, carioca da gema, nascido infelizmente em 12 de abril de 55, já faz tempo.
P1 – Júlio, qual é a sua formação?
R – Eu sou engenheiro.
P1 – Conta um pouco pra mim dos tempos de estudo.
R – Sou engenheiro metalúrgico, formado na UFRJ, enfim, natural do Rio, com todo currículo no Rio de Janeiro, é... Aluno do Pedro II, também do Zacaria depois no segundo grau, enfim, essa trajetória.
P1 – Por que que você escolheu estudar engenharia?
R – (risos) Pergunta difícil, né? Eu escolhi estudar engenharia... Eu queria ser jornalista, mas aí... Mas eu era de uma família pobre, aí meu pai, muito sabiamente falou assim: “Oh se fizer jornalismo vai ser mais difícil hein!”. Como eu tinha algum talento pra matemática aí eu resolvi fazer engenharia, que naquele tempo era uma carreira que tinha mais facilidade de arrumar emprego e que na verdade acabou se dando, tá certo? Então a minha trajetória como engenheiro foi na verdade é... Uma relação, uma simbiose, né, entre um pouco de talento numa coisa e um pouco também de pragmatismo, né?
P1 – O seu pai não queria que você estudasse jornalismo, mas ele tinha expectativa que você estudasse alguma coisa? Ele tinha um sonho?
R – Que eu fosse engenheiro! (risos)
P1 – Era esse mesmo.
R – É.
P1 – E quando você tava já na faculdade cursando engenharia tinha já uma expectativa de carreira futura, que que você imaginava?
R – Oh, a minha relação, se você quer saber, com a Petrobras, ela é anterior a minha formatura, né? Na verdade a minha relação com a Petrobras ela se dá por uma questão que todo brasileiro devia fazer, né, que é ler Monteiro Lobato. Eu li Monteiro Lobato todo, né, eu li “O Poço do Visconde” algumas vezes e achava que a questão do petróleo era uma questão importante, eu tava certo, já menino, né? E eu me lembro... Tem uma história interessante minha, né, eu era do Zacaria naquela época, eu tava no primeiro científico, tinha 15 anos. A Petrobras foi na escola, a Petrobras fez um programa de ir às escolas no Rio de Janeiro, tal, pra explicar um pouco a empresa, né? Isso quando, né? Isso 1970, 70, 71, quer dizer, a Petrobras tinha 15, 16 anos de empresa, né? E aí eu lembro que na minha turma... Quer dizer, pegou todo o segundo grau do Zacaria tal, fez uma exposição o rapaz, né? E eu fiz uma pergunta, eu não vou esquecer a pergunta, eu falei assim, minha pergunta foi assim, inspirado no “Poço do Visconde”, naturalmente, né? “Quando é que a Petrobras vai ser auto-suficiente em petróleo?”. Olha a minha pergunta! Foi muito engraçado. Ele parou e falou assim: “Ué, essa pergunta é boa. E não tem resposta.”. E foi isso, né? Aí na... Na... Aí na universidade eu tinha algumas alternativas e tudo e fiz o concurso para a Petrobras, no último ano, né? E aí surpreendentemente passei no concurso e enfim, então foi isso. Foi uma relação anterior, né, uma relação inspirada nas leituras de infância e com entendimento, né, da importância da Petrobras desde muito tempo.
P1 – Que ano foi esse que você prestou o concurso?
R – Eu prestei o concurso em 77, né, eu entrei na Petrobras em 16 de fevereiro de 78. também um episódio muito feliz e muito importante da minha vida, né? Quer dizer, desde a instituição, que eu me lembro como se fosse hoje, eu entrei por ali, pela República do Paraguai, meu pai tinha um táxi, né, meu pai me levou na hora do almoço e tal. Eu desci, né, o Rio de Janeiro era outro naquela época, né? A Petrobras não tinha grade, não tinha grade em torno, não tinha roleta, não tinha grade, nem roleta, né, (_____?). Eu entrei e aí perguntei onde era o concurso, era no segundo andar, né, onde tem ali a biblioteca, eu acho que é hoje ainda a biblioteca. Fui lá me inscrevi tal e essa recordação eu tenho até hoje, muito presente, né, foi um fato marcante na minha vida.
P1 – E você uma vez admitido em que setor você foi trabalhar?
R – Uma vez admitido, eu... Em 16 de fevereiro, eu fiz o curso de formação, que era um curso... chamava “Curso de Engenharia de Inspeção”, que durou oito, nove meses. Então eu entrei como engenheiro já, eu fiz o curso e foi um curso muito interessante porque era um curso difícil, né? Quer dizer, tinham muitos candidatos, poucas vagas, eu surpreendentemente, como eu falei, passei, né, e gente de todo o Brasil, eram 25 alunos, né? E eu tinha uma desvantagem, porque dependendo da colocação você escolhia pro lugar que você ia, né? E eu como era carioca e tal, eu bebi o curso todo, tá certo? E foi muito engraçado isso, né? Então eu tinha uma desvantagem competitiva importante com relação aos alunos do resto do país, porque eu tava muito feliz e tal, mas fui o curso muito bem, acabei... Fui o sétimo a escolher, dos vinte e cinco e não tinha mais vaga no Rio. Aí eu peguei o compasso, centrei, né, e vi onde era o lugar mais perto, que a questão profissional era pouco importante, o mais importante naquele momento, eu menino, 22 anos... Menino não, já homem, mas enfim, um jovem, né? O Rio era a questão mais importante. Eu centrei e era São José dos Campos. E eu... E fui muito feliz, né, eu dei sorte, como eu tenho dado na minha vida. E aí eu fui pra São José, fiquei cinco anos em São José e aí levei minha mulher, que acabou sendo minha mulher... Nas minhas bebidas, numa noturna, acabei conhecendo a minha mulher, né? Como eu tava muito sozinho em São José acabei levando ela, né? E aí meu filho nasceu em São José, fiquei cinco anos lá, e minha filha não nasceu, mas foi fabricada em São José, acabou nascendo no Rio, que fui transferido um pouco depois. Então essa é minha história básica do meu início na Petrobras.
P1 – E lá em São José era na Refinaria?
R – Na Refinaria, é.
P1 – Conta um pouco lá quais eram as suas atribuições...
R – Eu lá eu trabalhei num setor que hoje é muito importante na Petrobras, chamado SEQ, né, Setor de Qualificação, não sei exatamente como é que é o nome hoje, né? Era um setor do serviço de engenharia que tinha o objetivo de qualificar pessoas, né, para trabalhar para toda Petrobras. Qualificar pessoas das empresas contratadas pela Petrobras, né? A gente tinha duas tarefas, uma era dar apoio à montagem da refinaria e a outra tarefa era exatamente formar um sistema de qualificação de pessoas que trabalhassem em áreas fundamentais pra área de engenharia da Petrobras, né? O setor hoje é muito importante na Petrobras, tem trinta anos, acabou de fazer trinta anos, né? E foi esse o meu primeiro trabalho na Petrobras.
P1 – E depois vindo lá de São José você conseguiu retornar pro Rio?
R – É eu gostei do consegui, é isso mesmo. Eu vim pro Rio, é... E pronto, e aí foi, né? E aí fiquei na área de sistemas de qualidade na Petrobras, de 80... 78, né? Comecei em 78, fiz o curso, 82 voltei de São José. Aí fiquei de 82 até 88 fazendo um trabalho na área de sistemas de qualidade, que é uma coisa nova no Brasil e na Petrobras, muito importante pros investimentos novos da Petrobras e em 88 a Petrobras me deu a grande... O grande presente de me mandar pra Inglaterra, fiquei dois anos na Inglaterra fazendo mestrado na Inglaterra, né? Fiz o mestrado de 88 a 90, né, que foi uma coisa também muito importante na minha vida. Talvez se eu pudesse classificar o episódio mais interessante na vida pessoal e profissional.
P1 – E o que que foi de tão marcante assim nesse episódio que...
R – Ah morar no exterior é muito importante, né, é muito diferente, morar como estudante, é... Tendo dois filhos, né, tendo mulher, dois filhos, casa e tendo que estudar, fazer mestrado, tal... Foi um episódio importante na minha vida, talvez o mais... Dos mais difíceis, os mais importantes, no ponto de vista do aprendizado pessoal e profissional. E a Petrobras é que me proporcionou isso, né? É importante que... Antes disso talvez seja importante registrar, né, nesse depoimento, eu tive uma atuação política importante na Petrobras. Eu fui diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobras por quatro anos, né? Numa época do final da ditadura, né, aonde a gente tava lutando. E também pra afirmação na nova constituição do monopólio estatal do petróleo. Então foi um período muito importante do ponto de vista político, né, da Associação dos Engenheiros da Petrobras, que já não é a mesma, isso é provocação! Mas que naquela época teve uma importância grande pra manutenção do monopólio, tal, eram outras épocas, né? E também vale a pena registrar isso, foram quatro anos na diretoria da Associação de Engenheiros da Petrobras, muito importante.
P1 – Você pode contar um pouquinho como foi essa experiência na constituinte?
R – Foi muito, muito gratificante, muito interessante, porque é... Havia naquela época já uma luta pela quebra do monopólio e nós lutávamos... É importante dizer que nesse momento a minha posição é diferente da que eu tinha naquela época, mas a minha posição naquela época era defendendo o monopólio estatal do petróleo, né? E foi uma luta política, um embate político interessantíssimo, né? E a Associação dos Engenheiros teve uma atuação muito importante. O Antônio Maciel hoje presidente da Suzano Papéis, ele era o presidente, eu era diretor, né? E foi muito importante, a nossa atuação, a luta no congresso, a luta é... Para esclarecimento da sociedade, para regimentar forças, né? Então foi muito... Muito interessante, muito importante para a Petrobras naquele momento.
P1 – E aí Júlio quando... Retornando do mestrado na Inglaterra e... Você voltou pra Petrobras, e como que...
R – Eu voltei pra Petrobras, eu fui ser... Eu era do serviço de engenharia, né? Eu voltei é... Em 90 o brasil fez uma legislação nova sobre a questão ambiental, eu tinha estudado... Eu fui para a Inglaterra estudar risco, confiabilidade, né? E o serviço de engenharia abriu um setor é... De engenharia de ambiente e de segurança, pra discutir os riscos e tal, os empreendimentos da Petrobras, que é o que fazia o setor de engenharia. E eu fui ser o gerente desse setor, né, é... E aí fui, fiquei um ano e meio, quando uma coisa absolutamente fora da curva aconteceu na minha vida, eu que tinha um movimento mais à esquerda, sempre participado mais à esquerda, né, lutado pela consti... Pelo... Pelo... Pela Petrobras e pela manutenção do monopólio, eu fui convidado para ir pro governo Collor (risos). E aí foi muito curioso é... E aí foi muito curioso e... Pra ser diretor do Inmetro, em 91, 92, eu não sei precisamente quando. É... E eu tinha muitos amigos na Petrobras que tinham ido e eu cabei aceitando e fiquei... Aí o Collor teve o impeachment, felizmente, e... Eu fiquei um ano e meio no Inmetro fazendo um trabalho que até hoje rende frutos eu acho. Então eu fiquei de 91 até 93 no Inmetro como diretor. Em 93 eu voltei pra Petrobras, fui pra área de segurança e meio ambiente, chamava Qualidade, Segurança e Meio Ambiente, naquela época SUZEMA, fui ser gerente geral da área de segurança da Petrobras é... E aí fiquei de 93, final de 93, 94, até o início do governo Fernando Henrique, quando eu fui convidado pela minha militância no Inmetro para ser presidente do Inmetro. Aí eu fiquei de presidente do Inmetro de 95 a 99, fevereiro de 99. Quando voltei para Petrobras, fui ser diretor da BR distribuidora, e depois presidente da BR distribuidora, né? Aí no início do governo Lula eu fui convidado para ser secretário de desenvolvimento econômico do Espírito Santo. Aí fui pra lá, fiquei quatro anos e aí o governador Sérgio Cabral ganhou no Rio de Janeiro eu fui convidado pra ser secretário do desenvolvimento econômico do Rio de Janeiro. Então essa é a minha carreira...
P1 – E como é que foi esse convite pra ser secretário aqui no Rio?
R – Foi surpreendente, eu acho que pra mim e pro governador. O governador não me conhecia, foi ao Espírito Santo aprender um pouco o que que tava acontecendo no Espírito Santo, que era uma coisa notável, e aí já tinha ouvido falar de mim e tal. E evidentemente secretário de desenvolvimento econômico do Rio sendo da Petrobras ajuda muito, né, porque o Rio tem uma grande parcela, né, da sua economia na área do petróleo. E aí ele lá no almoço e tal ele me convidou para ser secretário de desenvolvimento econômico do Rio, né? Daí eu não conhecia o governador, ele não me conhecia, a gente só se conhecia por... Pela imprensa, ou por amigos comuns, e foi... Foi assim que é meu convite, né? E foi... E tem sido muito interessante, né? Pelo convívio, né? E pelo convívio também intenso com a Petrobras, no Espírito Santo também eu tinha um convívio intenso com a Petrobras, né? Embora eu tenha... Esteja fora da Petrobras a sei lá, oito anos, né, nessa última jornada. A atividade que eu exerço ela é muito próxima a Petrobras, né, e de alguma maneira ajuda muito a companhia, né? Na verdade a Petrobras continua sendo a minha referência fundamental, né? A minha referência fundamental, né? Onde eu aprendi a trabalhar, onde eu me formei, né? Me formei, eu diria assim, na cidadania. A Petrobras é uma empresa que ela faz com que as pessoas entendam que na vida pública é possível unir competência e probidade, né? A Petrobras tem essa... Essa... Essa varinha de condão, né? Você aprende lá que tem gente competente... Eu, pelo menos a minha geração aprendeu isso, a minha geração aprendeu isso, né? Você podia juntar competência e probidade e ter como referência central servir ao público e a vida pública brasileira, né? Então é a minha escola, é onde eu sustentei meus filhos, fiz a minha vida, né? Então a minha ligação intelectual e afetiva é muito intensa com a Petrobras, muito, fortemente.
P1 – Eu acho que já que agora que você tocou na sua relação da sua atividade atual com a Petrobras,eu posso passar pro Alexandre para fazer umas perguntas sobre o Comperj especificamente.
P2 – Eu tô vendo que a gente tem três pontos em comum, primeiro, você entrou em 78, eu entrei também em 78.
R – Ah é?
P2 – Também entrei, entrei em junho.
R – Entrei em fevereiro.
P2 – A segunda tem dois amigos em comuns, né, um na esfera tricolor, que é o Ivan Assunção.
R – Ah é verdade!
P2 – Ivan Assunção e outro o Afonso Celso que é o …
R – Afonso Celso Granato Lopes.
P2 – Exatamente, que nosso colega de trabalho no antigo DSG, né?
R – Afonso Celso Granato Lopez, queridíssimo amigo!
P2 – O mundo é pequeno!
R – Muito! Na Petrobras menor ainda.
P2 – Menor ainda. Bom, indo nessa linha que você comentou, quando você foi convidado por Sérgio Cabral pra ser secretário, até por causa assim, por um impacto que a Petrobras tem na economia...
R – Isso, isso.
P2 – E também pelo fato de você conhecer a Petrobras, né?
R – É, verdade.
P2 – Hoje a gente tá pegando, ouvindo umas histórias também sobre o Comperj e foi levantada uma questão que eu já tenho ouvido a questão, essa aí. A Petrobras como começou foi em Macaé, houve a Bacia... A expansão da Bacia de Campos, ela entrou em Macaé basicamente para tocar um projeto da empresa. As questões, digamos assim, sociais, de impacto na cidade, as questões econômicas, não foram... Não faziam parte do projeto. Era uma consequência que obviamente não foi dada uma priorização e houve... Hoje claramente se vê, né, o impacto que deu na cidade a entrada da Petrobras com o tamanho dela e a cidade era quase uma vila de pescadores na época que a Petrobras começou a atuar lá. E o que foi comentado hoje, que no caso do Comperj também tem uma situação semelhante, tá, naquela região, Itaguaí, né, também perto de São Gonçalo, também é um complexo petroquímico muito sofisticado, de grandes dimensões. E que o pessoal começou ter a preocupação de inserir o projeto dentro da sociedade, quer dizer, dentro da comunidade, e também dentro do seu... Interagir com o Estado, como otimizar o desenvolvimento do Estado, o que... Isso obviamente deve ser não só maturidade da empresa como também maturidade acho que da sociedade, as coisas não são tratadas mais isoladamente. Você... Nesse papel no Estado como você vê essa questão, tá, de uma empresa começar a tocar um processo e essa parceria, essa aliança tem que ser construída, tá?Quais os ganhos que tem com isso? Normalmente as pessoas tentam separar isso, acho que o objetivo nosso é mostrar que isso tem que ser trabalhado, discutido e visto como um todo.
R – Excelente questão. Assim né, eu tenho como credo fundamental que o que liberta é o desenvolvimento econômico. Quer dizer, nada liberta que não seja a cidadania, que tem como premissas a renda, né, a renda, o trabalho, são premissas centrais, renda e trabalho, juntos, associados, tá? Portanto, qualquer atividade que faça crescer a economia tende a criar cidadania e criar desenvolvimento econômico. É importante diferenciar crescimento econômico de desenvolvimento econômico, né? Crescimento econômico é fazer crescer o PIB, desenvolvimento econômico é o crescimento econômico que junta a redução da iniquidade, né, a sustentabilidade, né, a inclusão social, né, são diferentes. O … Pra sair do crescimento econômico pro desenvolvimento econômico tem que ter um cenário, né? E esse cenário é a democracia, por que? Porque as forças sociais elas tem que agir de forma a fazer com que o crescimento ele vire na verdade em favor da sociedade e não em favor de poucos. É uma questão central da democracia. Quando a gente fala de Macaé, eu conheço bem Macaé, porque a minha vida profissional, embora em São José dos Campos, eu fui várias vezes a Macaé. Eu desci no aeroporto de Campos, não é nem Macaé, Campos, né, não tinha nem... Era terra, desci no (____?) na terra em Campos, pra começar a Bacia de Campos. Eram... Era... Eram tempos bicudos, tempo s da ditadura, tempos do autoritarismo, tá certo? Em que a sociedade pouco podia opinar e agir, as forças sociais na verdade tinham outro foco, que era fazer com que o Brasil virasse uma democracia. Os tempos são outros, os tempos são outros. Eu acho que o Comperj, se a gente comparar com Macaé, as dificuldades são maiores do ponto de vista do estrato social e da... E do impacto social a que o Comperj está situado. Por que isso? Macaé era uma vila de pescadores. O Comperj vai ser instalado numa região muito pobre, de enormes carências. Se a gente olhar o Rio de Janeiro, e eu tenho estudado economia do Rio de Janeiro por dever de ofício, né? O Rio de Janeiro é talvez um dos lugares mais heterogêneos do país, né? Ao mesmo tempo que tem Ipanema e que tem a Lagoa, né, que tem indicadores de desenvolvimento humano, indicadores sociais nórdicos, do ponto de vista de países, da Suécia, da Noruega, quem mora em Ipanema ou mora na Lagoa, tá certo, é igual morar em Oslo. A diferença, evidentemente, é um pouco da segurança e tal, mas os indicadores sociais são muito semelhantes, né? E é completamente distinto de morar em São Gonçalo. São Gonçalo não tem saneamento básico, tá certo? É... Tem índices de educação muito baixos e tal. E a Petrobras resolveu colocar um empreendimento de nove bilhões de dólares, oito e meio, nove, dez, sei lá, alguma coisa dessa, na região mais pobre do Rio de Janeiro. O que é o maior presente, o maior presente que a Petrobras na sua história deu ao estado do Rio, nada, nada, né, se compara a decisão de colocar o Comperj naquela região. O que representa? Uma enorme possibilidade e um grande desafio. O que é ótimo, tá certo? Diferente de Macaé, muito mais difícil, porém num cenário muito diferente. O cenário é outro, cenário de democracia, né, cenário onde os prefeitos valem, né, onde os movimentos sociais apitam, né, onde tem Ministério Público, onde tem a sociedade organizada de imprensa livre, é outra coisa! Ninguém vai fazer o Comperj, tá certo, como nós fizemos Macaé. Nós que eu tô falando é a Petrobras e eu sempre me coloco assim, né? Nós fizemos aquele terminal de Angra dos Reis, né, o Tebig, tá certo? O Tebig jamais passaria, se a gente transportasse pros tempos de hoje, né? Naquele paraíso e tal. Então eu acho que o Comperj é um grande presente que a Petrobras deu ao solo do Rio de Janeiro. Um grande presente, um grande desafio, mas eu tô otimista. Otimista por conta desse cenário diferente, por conta das possibilidades, por conta das forças sociais, né, que interagem no sentido de fazer com que o Comperj seja a favor e não contra, diferente de Macaé. Onde a gente foi... Onde se instalou ali num regime autoritário, né? E por conta, como consequência, tanto a Petrobras quanto o Estado do Rio tão tomando providências que não tomamos em Macaé, que eu posso numerar. Não sei se você quer perguntar mais.
P2 – Sim, sim, sim.
R – Eu posso enumerar.
P2 – É exatamente isso que a gente quer saber.
R – A primeira questão importante é o seguinte, o Comperj ;e tão importante, tão central para a economia do Rio que a nós formamos na organização do Estado, à semelhança do que ocorre na Petrobras, um empreendimento chamado Comperj, dentro do Estado, dentro do Estado hoje tem um grupo que trabalha cem por cento do tempo em cima do Comperj. Em cima da onde? Das suas externalidades. O Comperj precisa de energia, de água, de habitação, de educação, de escola, de hospital. Então tem um grupo, né, que ( _____?), a Petrobras constrói o Comperj, faz a sua terraplanagem, etc. Esse grupo aqui, né, vai construindo a água, a energia, a habitação, a escola, unindo os municípios, né? Então... É... Há hipótese de se tornar uma Macaé? Há. É pouco provável? É. A possibilidade é que o Comperj sintonize, se metabolize na economia do Rio de Janeiro de forma completamente diferente do que ocorreu em Macaé.
P2 – Seria uma ação conjunta, né? Da empresa e do Estado.
R – Isso, isso. Uma ação conjunta, e aí sim eu acho que é o ponto central, pensando nas suas externalidades, né? Quer dizer, os empreendimentos na década de 70, de 80 talvez, é... Por conta do ambiente eles pensavam e refletiam apenas as questões empresariais. Eu me lembro que na refinaria que eu participei, que ;e a refinaria de São José do Campos, se fez uma... Uma zona de amortecimento da refinaria, mas que do lado da refinaria se fez um bairro, o que é impensável se fazer hoje, por conta de que? Dos movimentos sociais, da democracia, do Ministério Público, etc, né? Então eu sou muito otimista que as novas intervenções econômicas no Brasil, né, elas... Por conta de tudo isso, por conta do ambiente democrático e tal, elas se dêem de outra forma, né? Muito mais no sentido de ajudar no desenvolvimento econômico do que apenas no crescimento econômico, voltando pro conceito inicial que eu formulei aqui.
P2 – E nessa linha, exatamente que você falou, tudo bem, nesse trabalho conjunto pra poder fazer o desenvolvimento econômico, quer dizer, não só no negócio, na empresa, mas também da sociedade, que isso acaba uma coisa alimentando a outra. Agora, normalmente... Muitas vezes, né, quando tem uma fábrica trazida para algum estado é... A preocupação do Estado de trazer a fábrica pra ganhar, digamos assim, a parte de impostos, tá? E não aproveita do potencial econômico que tem de desenvolver outros negócios. Existe uma estratégia a partir do Comperj de desenvolver na sua, digamos assim, na sua extensão, outras indústrias? Porque a idéia parece que é ter um anel rodoviário, um anel rodoviário ligando o Comperj até Sepetiba, né, e começar a ter um espaço para desenvolver várias empresas que seriam, digamos assim, iriam processar a produção do Comperj. Existe esse projeto, ou não? Qual a idéia? Aí seria a expansão econômica.
R – Eu queria apenas dizer assim, diferentemente... Quer dizer, os estados hoje eles estão abdicando do tributos, essa tem sido a regra, pra atraírem empresas. Quer dizer, a guerra fiscal, ou a guerra tributária, é uma questão hoje da cena brasileira, da vida brasileira. Quer dizer, há uma consciência hoje dos estados brasileiros que abdicar de tributos vale a pena pra se ter crescimento econômico. Quer dizer, isso eu diria que é um consenso. Na verdade a luta hoje é de atração de empresa e a redução dos tributos é um fato que tem sido inclusive criticado, né? É... Por muita gente. Aliás pela maioria, não por mim, pessoalmente. Então é... Eu queria dizer que isso é um ponto importante na discussão, né? O Comperj, quer dizer, ele tem uma possibilidade enorme de geração de várias empresas em torno dele, né? E nós estamos lutando por isso. Há uma... Há um fato, é uma tese, uma questão, que é a terceira geração do Comperj, que parece que... Nós estamos estudando isso profundamente... Que precisa de um trabalho de atração, e faremos, a Petrobras e o estado, para que fique no Rio de Janeiro. Uma preocupação e tal, mas poucas coisas são tão cariocas quanto o Fluminense e a Petrobras, tá certo? E portanto, tanto a Petrobras quanto nós lutaremos para atrair as empresas de terceira geração. É... Eu não tenho dúvida disso. Agora, além disso nós estamos fazendo algumas obras estruturais no estado, uma delas importante pro Comperj que é o que você falou, se referiu, que é o Arco Metropolitano...
P2 – Arco Metropolitano, é isso.
R – Que leva uma estrada moderna, espetacular e tal, pro porto de Itaguaí, do porto de Itaguaí até a região de Itaguaí, onde fica o Comperj, né? Nós estamos estudando, junto com o Banco Interamericano, que empresas em torno desse arco e por conta do Comperj e do porto, nós podemos atrair, né? Então essa preocupação de se ter uma visão mais ampla do que propriamente uma indústria instalada, né, nós estamos procurando ter. O Estado procura ter.
P2 – Eu também ouvi hoje... A questão é a seguinte, a ONU ela tem um índice econômico, é ONU habitat. É um índice que eles estão trabalhando pra você medir de uma certa medida de indicadores acompanhar a evolução social, tá, o desenvolvimento econômico, tá...
R – Isso.
P2 – De uma região. Normalmente já tinham essa abordagem pra cidades, né, algumas cidades européias. E eles procuraram o Comperj pra fazer, digamos pela primeira vez, aplicar esse índice, mas olhando um projeto, um mega projeto como esse, e acompanhar essa evolução, pra servir até futuramente como um case, né? Que a idéia é assim como um projeto desse pode impactar, auxiliar no desenvolvimento econômico e nessa interação junto com o Estado. Você acha interessante esse tipo de abordagem...
R – Muito.
P2 – As empresas começarem também a se preocupar com esse tipo de indicador?
R – Muito, muito, esse é um indicador fundamental. No caso do trabalho que eu acabei de me referir que nós estamos fazendo junto com o Banco Interamericano, uma das questões que nós temos colocado são os indicadores sociais na região, né? Quer dizer, como... Que indicadores sociais nós vamos acompanhar ao longo do tempo, né? Então só pra concordar com a tese que esta questão... Eu diria a mais importante, né, não tem nada mais importante do que o desenvolvimento humano, tá certo? Quer dizer, na verdade ninguém faz petroquímica por fazer petroquímica, quer dizer, na verdade quando a gente vai ao âmago da questão ela tá relacionada diretamente como desenvolvimento humano.
P2 – Agora, essa questão de responsabilidade social, existem algumas críticas, té, que, principalmente no exterior, quando estive nos Estados Unidos em alguns eventos, que pessoal sempre olha pra uma empresa que faz um projeto, alguma ação social, que é muito na linha... Eles entendem que é como se fosse o assistencialismo, só que, quer dizer, pra mim a Petrobras começou a mostrar o que que é fazer um projeto de desenvolvimento social, tá, não é assistencialismo. A gente consegue enxergar claramente que é um papel de articulador, devido digamos ao seu papel, impacto econômico, ele acaba sendo um agente de articulação entre várias entidades pra conseguir um desenvolvimento comum, porque uma empresa também tem o seu limite de atuação entre um pensar, digamos assim, no crescimento da empresa e no crescimento da sociedade. Existe uma fronteira, mas você acha que o papel da empresa teria que ser esse mesmo? A empresa atuar como articulador... Porque no Comperj foi citado que pra poder obter licenciamento ambiental e fazer o estudo da região toda, tá, foram feitas várias caravanas. Eram audi6encias públicas com os municípios, né? Pra ouvir questões e pra poder, digamos assim, reduzir essa resistência e ter um diálogo franco com a sociedade. E nessas caravanas muitas questões eram colocadas que a empresa falou: “Não, esse não é nosso papel. Nosso papel é fazer isso e isso é um papel ou da prefeitura do município ou do estado”. Você acha também que a empresa nessas situações pode agir também com o papel de um canal de comunicação? Quer dizer, ser um articulador e um canal de comunicação com o município, estados?
R - (____?)Essa sua pergunta é absolutamente interessado, é...
P2 – Resumindo, não ser passivo, a empresa não tem um papel passivo.
R – Eu entendi perfeitamente.
P2 – É ser um agente dentro do estado.
R – Eu entendi perfeitamente a sua pergunta, a sua pergunta é absolutamente interessante. Deixa eu dizer o que que eu acho, eu vou dividir em dois pedaços, ou três talvez. Primeiro eu vou talvez ser muito duro do ponto de vista conceitual eu acho que o papel da empresa, como diria Adam Smith, é ser um agente econômico com toda a eficiência e pagar imposto, né? E o Estado tem que fazer o que tem que fazer, hospital, escola, estrada, pô, saneamento básico, esse é o papel. O papel da empresa é ser uma gente econômico. O Estado tem que ser Estado. Essa história de responsabilidade ela existe e está colocada, do meu ponto de vista, falando conceitualmente, depois eu vou falar da Petrobras e vou pro meio termo, né? Ela existe porque o Estado é ineficiente, né? Escola, hospital e tal tem que pagar imposto. O Estado pegar o imposto e fazer direito, é isso que tem que fazer, né? A empresa tem que dar lucro, ser eficiente, gerar trabalho e pagar imposto, esse é o papel da empresa, esse é o papel da empresa. Não acho que a empresa, conceitualmente, devia avançar nisso não, devia fazer isso, esse é seu papel. Ah, a empresa vai fazer teatro, fazer hospital, fazer escola, não é isso, papel... O papel é o papel do Estado, o Estado é que não consegue fazer o que tem que fazer, né? Difícil dizer isso, as pessoas normalmente acham que não, a Petrobras tá ganhando muito dinheiro, tá pagando imposto gente, né? Imposto é regra e a partir daí ela tem que cumprir o seu papel corretamente, cumprir os contratos sociais, empregar direito, pagar direito e tal, cumprir a lei e daí pra frente é o Estado que tem que fazer... Quem reduz a iniquidade não é o agente econômico, é o Estado. Esse é um conceito central, central, que eu não sei se é de esquerda ou de direita, engraçado isso, pode ser olhado pela esquerda ou pela direita, mas é um conceito central no meu ponto de vista. Então tem um equívoco, do meu ponto de vista, hoje nessa discussão da responsabilidade social... Eu me divirto muito, essa discussão da responsabilidade social com as empresas do meu ponto de vista é muito divertida porque é equivocada, equivocada, quem tem que ter o papel é o Estado, de educação, e tal. Quando não consegue fazer vai pra empresa, né, um custo a m ais que a empresa tem pra fazer. Por outro lado, as empresas vem se beneficiando disso, segundo pedaço, pra depois ir pra Petrobras, né? É a “The Economist”, há dois anos atrás fez um trabalho interessantíssimo sobre responsabilidade social e aí ela verificou o seguinte, das 500 empresas listadas na bolsa de Londres, as 500 hoje tem rubricas falando em responsabilidade social, muito bem. É, só que é o seguinte, representa 0,000 tal cinco por cento do seu lucro. Quer dizer, é muito mais, como diriam meus amigos queridos da escola de samba, “alegoria e adereço do que samba no pé”. É muito mais alegoria do que samba no pé, a história da responsabilidade social nas empresas hoje, tá certo? Eu queria registrar isso também. Primeiro que é função do Estado, não devia ser da empresa. Segundo, as empresas usam a ineficiência do Estado e tal como se fosse uma grande coisa do capitalismo e tal, o capitalismo moderno. Aí você aprofunda e verifica quanto é que tão gastando, não tão gastando nada, zero, tá certo? Regra geral, regra geral. Eu tô me reportando aqui a um artigo, quem quiser vai olhar, da “The Economist” de um, dois anos atrás, que mostra isso, que é um detalhe. É muito mais, de novo, alegoria e adereço do que samba no pé.
P2 – Agora esse comentário, uma empresa americana, Boeing, comentou: “A gente finge que fazemos responsabilidade social. Nós fingimos”.
R – É isso, mas tem que ter coragem de dizer isso, né? Terceiro, a Petrobras é diferente, a Petrobras é diferente. Por que que é diferente?
(Troca de Fita)
R – Posso ir? Então eu tô no terceiro pedaço que é a Petrobras e a responsabilidade social. Bom, eu tô dizendo que na Petrobras é diferente. Por que que é diferente? Por vários motivos, o primeiro motivo é histórico, né? A Petrobras ela nasceu dos anseios da sociedade brasileira, né? Ela é uma empresa genuinamente brasileira, talvez seja a maior obra brasileira, junto com a música, tá certo? Junto com a música e o futebol. Tem três troços que deram certo no Brasil, foram a música, né, o futebol e a Petrobras, tá certo? São três símbolos nacionais que deram certo. Então a Petrobras ela é intestinamente brasileira, veio da sociedade. Então a Petrobras quando faz responsabilidade social ela não faz só como alegoria e adereço, isso é que é interessante. Tem um outro motivo econômico também que cobro da Petrobras, né? Então assim, a Petrobras é monopolista, continua sendo. “Ah não tem 35 empresas na Bacia de Campos”. Isso é pra inglês ver, não pra mim, né? Tá certo? A Petrobras é monopolista, não de direito, mas de fato. E sendo monopolista de fato ela tem obrigação com o desenvolvimento nacional. Eu sempre preguei isso na Petrobras. Quando eu era monopolista eu dizia assim: “Oh, o monopólio tem duas questões, tem a questão da eficiência que nós temos que lutar por isso, mas tem compromisso com o desenvolvimento nacional.”. Se você ''e uma empresa de mercado você não precisa ter, basta pagar imposto. Então o primeiro pedaço da história que eu falei, eram três lembra? O primeiro pedaço é esse. Petrobras não, Petrobras é monopolista, nasceu intestinamente da sociedade brasileira e portanto, ela tem um compromisso om o desenvolvimento nacional. Então quando ela faz responsabilidade social, ou quando ela compra plataforma no Brasil, ou navio mais caro que no exterior, ela tem que comprar mesmo, né? Por que é um fardo que é colocado nela porque ela é monopolista. O que é bom pro Brasil, (____?), não tô colocando mono... Não tem nenhum problema de ter monopólio. Acho que monopólio, enfim, é um regime econômico que tem que ser controlado pela sociedade, né. Então é isso. Eu acho que a sua pergunta da responsabilidade social, eu acho que tem três aspectos, no aspecto da Petrobras é diferente, é diferente. Eu vi, vi e fui ator, né? Quando nós decidimos... Cá entre nós, quando nós decidimos, né, retomar o cinema brasileiro em 98, né? O cinema brasileiro tava morto com farofa, né? Nós na Petrobras decidimos retomar o cinema brasileiro, a BR era o grande agente disso, né? Nós botamos recurso e retomamos o cinema brasileira, que é um sucesso hoje. Isso é obra da Petrobras, tá certo? Quer dizer, nós não... A gente não encara responsabilidade social como a maior parte das empresas encaram, com muito mais marketing do que tal. Porque nós temos compromisso com isso, né, mas do meu ponto de vista nós não precisamos fazer nada disso não. Empresa é pra tirar lucro, gerar emprego, pagar direito, cumprir a lei e tal, esse devia ser o compromisso. Talvez eu tenha me estendido um pouco, mas eu acho que eu esclareci a minha posição.
P2 – Perfeito. Pra mim já.
P1 – Vou fazer o encerramento. É só uma coisa de praxe no trabalho do memória que é perguntar o que que você achou de ter participado da entrevista, de ter dividido um pouco a sua história com a gente.
R – Eu achei ótimo, né? Quer dizer, imagina, a gente pensar em poder falar a nossa história é sempre... É sempre excelente. Então fiquei feliz.
P1 – Então é isso, obrigada.
R – Nada.
P1 – Ah sim, existe alguma coisa que a gente não perguntou e que o senhor deseja deixar registrado?
R – Acho que não, acho que... Acho que não, acho que tá tudo contado.
P1 – Então é isso. Obrigada.
R – Eu que agradeço.
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