Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Ivani de Aguião Arlindo
Entrevistado por Laura Olivieri
Brasília, 08 de fevereiro de 2007
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB559
Transcrito por Flávia Penna
P/1 – Boa tarde Dona Ivani.
R – Boa tarde!
P/1 – Queríamos agradecer a sua participação no Projeto Memória Petrobras. É um prazer para a gente recebe-la.
R – Obrigada. Para mim também.
P/1 – Para começar, eu gostaria que a Senhora dissesse o seu nome, o local e a data de nascimento.
R – Eu me chamo Ivani de Aguião Arlindo. Sou natural de Santos, São Paulo. Nasci em 24 de abril de 1949.
P/1 – Conte-nos como e quando a Senhora ingressou na Petrobras?
R – Eu entrei na subsidiária da Petrobras, Interbras, que era a Petróleo Internacional, a trading da Petrobras, em dezembro de 1978. Trabalhei lá até 1991, quando foi extinta a Interbras no Governo Collor. Eu retornei agora a Petrobras em dezembro de 2005. Estou há um ano aqui em Brasília – quando eu retornei, eu vim direto para Brasília, já estava morando aqui –, antes eu morava no Rio de Janeiro. Até agora estou aqui no Gabinete da Presidência, no GAP de Brasília, na Assessoria Parlamentar.
P/1 – Agora eu gostaria de saber um pouco sobre o seu trabalho atual, o seu cotidiano de trabalho e se na Interbras a Senhora trabalhou em outros locais, se a Senhora viajou, e se puder falar um pouco dessa parte da sua história peculiar, a gente não tinha ainda pego nenhum caso – não sei se a gente chamaria de anistia, né?
R – Atualmente eu trabalho na Assessoria Parlamentar, o nosso trabalho é junto ao Legislativo e Executivo. Tem uma divisão, a minha parte é mais junto ao Legislativo, na Câmara dos Deputados, aqui em Brasília. Então a gente acompanha as Comissões Permanentes ou Especiais que ocorrem na Câmara dos Deputados, fazendo um acompanhamento dos projetos de leis, dos projetos que tenham interesse para a Empresa, para a...
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Depoimento de Ivani de Aguião Arlindo
Entrevistado por Laura Olivieri
Brasília, 08 de fevereiro de 2007
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB559
Transcrito por Flávia Penna
P/1 – Boa tarde Dona Ivani.
R – Boa tarde!
P/1 – Queríamos agradecer a sua participação no Projeto Memória Petrobras. É um prazer para a gente recebe-la.
R – Obrigada. Para mim também.
P/1 – Para começar, eu gostaria que a Senhora dissesse o seu nome, o local e a data de nascimento.
R – Eu me chamo Ivani de Aguião Arlindo. Sou natural de Santos, São Paulo. Nasci em 24 de abril de 1949.
P/1 – Conte-nos como e quando a Senhora ingressou na Petrobras?
R – Eu entrei na subsidiária da Petrobras, Interbras, que era a Petróleo Internacional, a trading da Petrobras, em dezembro de 1978. Trabalhei lá até 1991, quando foi extinta a Interbras no Governo Collor. Eu retornei agora a Petrobras em dezembro de 2005. Estou há um ano aqui em Brasília – quando eu retornei, eu vim direto para Brasília, já estava morando aqui –, antes eu morava no Rio de Janeiro. Até agora estou aqui no Gabinete da Presidência, no GAP de Brasília, na Assessoria Parlamentar.
P/1 – Agora eu gostaria de saber um pouco sobre o seu trabalho atual, o seu cotidiano de trabalho e se na Interbras a Senhora trabalhou em outros locais, se a Senhora viajou, e se puder falar um pouco dessa parte da sua história peculiar, a gente não tinha ainda pego nenhum caso – não sei se a gente chamaria de anistia, né?
R – Atualmente eu trabalho na Assessoria Parlamentar, o nosso trabalho é junto ao Legislativo e Executivo. Tem uma divisão, a minha parte é mais junto ao Legislativo, na Câmara dos Deputados, aqui em Brasília. Então a gente acompanha as Comissões Permanentes ou Especiais que ocorrem na Câmara dos Deputados, fazendo um acompanhamento dos projetos de leis, dos projetos que tenham interesse para a Empresa, para a Petrobras. Na época da Interbras, eu trabalhei em algumas gerências; logo que entrei eu trabalhei na Gepetro, como se chamava a Gerência de Petróleo, porque a Interbras negociava vários produtos, que eram divididos por gerências. Tinha a Gepetro, que era a Gerência de Petróleo, tinha a Gemetais, que era a Gerência de Metais e a Gerência Financeira, foram as três que eu trabalhei. Inclusive tem uma peculiaridade, que a Gepetro, que era da Interbras foi incorporada à Petrobras, e até os funcionários que trabalhavam lá já estão até aposentados pela Petrobras. E eu estou aqui, ainda começando de novo... (Risos)
P/1 – Porque houve essa interrupção...
R – Houve essa extinção da Empresa, no caso a gente estava na Interbras, e não foi absorvida pela Petrobras. Mas esse período todo, foram 16 anos, nós ingressamos com processos, com iniciativas para que a Petrobras nos readmitisse. Nós não conseguimos a readmissão, conseguimos a admissão. Tem uma diferença, porque na readmissão nós recuperaríamos todos os nossos direitos anteriores, e não foi assim, inclusive houve uma defasagem salarial, mas a gente agradece porque, pelo menos, conseguimos. Foi uma vitória retornar a Petrobras. Depois desse tempo, a Empresa cresceu muito, teve algumas modificações marcantes, como a energia, que agora é o ponto chave da Empresa. Mas eu estou satisfeita e a gente está tendo condições de fazer um trabalho novo, é uma área que eu nunca trabalhei, tem condições de fazer treinamento. O nosso gerente o Carlos Alberto Figueiredo, está dando bastante respaldo para os funcionários, para o desenvolvimento profissional. Então, está sendo bem interessante.
P/1 – Aproveitando o gancho dessa história da anistia, dos direitos, queria perguntar se a Senhora perdeu esse tempo para a aposentadoria e perguntar também se a Senhora é sindicalizada, se o Sindicato ajuda ou ajudou nessa época.
R – Certo. Esse período que a gente trabalhou, para o INSS não foi perdido. Agora, eu não sou sindicalizada, mas sempre acompanhei e o Sindicato nos deu muita ajuda. Graças a eles é que nós conseguimos essa vitória, então o Sindicato foi muito importante. Eles deram uma cobertura ampla, sempre foram muito atuantes e foi muito importante. Desculpe, qual foi a outra pergunta?
R – Eu estava interessada em saber esse ínterim assim da sua nova admissão e do fim da Interbras, como é que foi. E uma curiosidade, se a Senhora teve outra atividade e estava interessada nessa questão se o tempo foi perdido, porque se a Senhora tivesse sido readmitida, teria continuado...
R – É, a gente teria alguns direitos. Bem na questão da readmissão é o seguinte: a associação, a Petros, nós perdemos totalmente os diretos, nós não temos Petros. Como eu falei, a parte do INSS está tranqüila. Agora, nesse período eu trabalhei. Eu sei de alguns casos de algumas pessoas que nunca mais conseguiram trabalho, algumas pessoas faleceram, teve muita gente que se separou, porque a vida ficou realmente confusa, né? Foi muito prejudicial, o governo Collor, realmente, por um motivo político, fez a destruição de muitas famílias da Empresa que a gente conhece. Eu soube até do caso de um casal que trabalhava na Interbras que virou camelô porque não conseguiu emprego. Então, para essas pessoas, principalmente, eu acho que foi, quer dizer, para todos, né, é uma grande vitória. Eu nesse período todo trabalhei em outras empresas, trabalhei em multinacional, tive a sorte de conseguir logo colocação. O meu último trabalho foi no Ministério da Justiça, aqui em Brasília e logo em seguida, dois anos depois, eu voltei para a Petrobras. Mas soubemos de muitos casos que foi bem pesaroso, as pessoas tiveram muitos problemas, muita gente perdeu família mesmo, muita gente faleceu. Casos bem tristes. Até no último ano, agora, antes da gente entrar, nós perdemos colegas que ficaram doentes, tiveram muitas dificuldades. Então, nós tivemos muitas perdas de colegas que atuavam na Empresa e não deixa de ser por um fato político que foi bem triste.
P/1 – Sinto muito. Bom a Senhora até já falou um pouco, que mudou muita coisa, então eu queria perguntar mais afirmativamente: daquela época para hoje em dia, quais são as principais transformações que a Empresa passou, que a própria região aqui de Brasília, o que a Senhora destacaria?
R – Bem, eu moro aqui em Brasília há nove anos. Eu vim pra cá porque eu tenho uma amiga que mora aqui já há uns trinta anos. Ela conheceu bem Brasília no início ainda. Quando eu cheguei, já estava mais ou menos tudo urbanizado como é hoje em dia. Agora a Empresa, em si, mudou muito. A Petrobras tomou uma dimensão assim, que é assustadora e, ao mesmo tempo, compensadora. Porque na época em que eu trabalhei na Interbras, a gente fazia a comercialização da Petrobras praticamente. A Interbras era trading da Petrobras, então, se comercializava muita coisa, não estava restrito ao petróleo, tinha grãos, que a gente fazia comercialização. Eu lembro que tinha algumas atividades em que a gente comercializava carros, peças de carros para o Irã, Iraque. Tinha a Gerência de Café, então eram produtos totalmente alheios às atividades da Petrobras. E hoje em dia não. Hoje em dia a gente está ligado totalmente ao que a Petrobras faz, se propõe, que é energia, gás, petróleo. A Empresa cresceu muito. Já havia naquela época escritório no exterior, mas cada país tinha um representante, praticamente. Não era um escritório montado, não havia as plataformas, os campos de prospecção que tem hoje, né? Então, a Empresa cresceu muito. E fazer parte de uma das maiores Empresas do país é uma coisa bem importante e interessante, nesse retorno principalmente que a gente teve para a Empresa.
P/1 – E a Senhora destacaria alguma história interessante, alguma coisa significativa para contar desses anos todos de Empresa, seja da Interbras ou de agora?
R – Bem, com o grupo que retornou comigo, foi interessante a gente ver a história das pessoas, como eles sobreviveram nesse período, alguns já se aposentaram, outros não conseguiram. E, principalmente, foi muito interessante a gente conseguir se reencontrar. Apesar de tudo o que aconteceu na vida de cada um, nós conseguimos vencer uma batalha, porque, ao mesmo tempo em que não se tinha uma certeza desse retorno para a Empresa, cada um sobrevivendo de uma forma ou de outra, conseguimos, no final, nos reencontrar. Tem alguns que estão lá no Rio, tem pessoas que estão em Curitiba, tem outras que estão aqui em Brasília. As pessoas se dividiram nos escritórios que a Petrobras tem pelo país. Em Vitória também tem gente da Interbras que está lá. As Histórias são muitas, sabe, é difícil pegar uma específica para destacar. Mas eu sei que todos se sentem muito vitoriosos. Tem pessoas que estão em cargos de chefia, outras que voltaram mais ou menos no nível em que estavam. Eu mesma estou fazendo uma coisa totalmente diferente de tudo o que eu fiz nesse período todo e do que eu já havia feito na Empresa. Então essa parte de Assessoria Parlamentar é bem diferente de toda a minha atividade, eu sempre trabalhei na área mais administrativa. Está sendo bem interessante e está me trazendo uma outra visão da política, inclusive. Está sendo bem gratificante.
P/1 – Se a Senhora não se importar de falar mais desse trabalho atual, porque inclusive eu estava pretendo voltar...
R – Bem, a Assessoria política faz um link dos interesses da Empresa com o Congresso Nacional, junto à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. O que nós fazemos? Nós procuramos de uma forma legal, de uma forma que não entrave o relacionamento com segundas intenções junto aos políticos, ter um contato com os parlamentares para que o andamento dos projetos da Petrobras, de assuntos que estejam ligados à Empresa, possam correr com maior facilidade e possam ter um entendimento junto aos parlamentares de interesses que não travem o andamento das questões e dos empreendimentos da Empresa. Como que nós fazemos isso? Procurando trazer aos parlamentares o conhecimento do que a Empresa está fazendo junto ao meio ambiente, junto às comunidades, o que a Empresa faz pelas comunidades onde ela está atuando que é um trabalho muito grande, que muita gente não conhece. Eu tive oportunidade já de ir a Urucu, em Manaus, e eu fiquei maravilhada com o trabalho que a Petrobras faz lá junto ao meio ambiente. Só o trabalho de reflorestamento, depois que foram colocados os gasodutos, é impressionante, eu fiquei maravilhada. As comunidades... Tem uma escola que eles construíram lá com todos os apetrechos, com todo o material necessário. E até foi uma coisa muita curiosa, que eles falaram que tinha um índice muito grande de acidente de trabalho. E aí eles foram descobrir que, como tem os terceirizados, tinha muitas pessoas que eram analfabetas. Então eles não sabiam verificar a sinalização que a Empresa dava para que fossem evitados alguns acidentes. Eles fizeram um trabalho de alfabetização e diminuiu muito o número de acidentes devido a esse trabalho, porque aí as pessoas podiam ler e entender a sinalização que tinha. Foi uma coisa que eu achei muito interessante. Outra coisa também foram as plantações. Antes de fazer a clareira, como eles chamam, que é o desmatamento do local em que vão ser colocados os gasodutos, eles recolhem uma muda de cada planta nativa que tem lá. Então, tem, assim, 165 espécies de plantas: bromélias, orquídeas, que eles retiram. Eles têm um semeadouro e tem um campo, um galpão onde eles plantam essas bromélias e essas orquídeas e depois eles fazem uma replantação na área que foi desmatada. Então é muito interessante, muito gratificante saber que a Empresa tem essa preocupação também. E não é um trabalho muito divulgado, as pessoas não conhecem. Outra coisa que a gente faz junto aos parlamentares é convidá-los a conhecer o Cenpes, que é o centro de pesquisa, essa unidade, as refinarias para que eles tenham um contato mais de perto com as atividades e o que realmente a Empresa faz. Não são só os desastres ecológicos, né? E isso tem um efeito muito grande, porque eles têm uma outra pré-disposição para atuar com os projetos que a gente pretende levar para o parlamento. A reação dos parlamentares é surpreendente, eles ficam maravilhados, porque eles não têm conhecimento do que a Empresa faz; sobre o trabalho junto à comunidade também, porque todo o lugar que a Petrobras vai, ela proporciona um desenvolvimento para a comunidade, ela procura melhorar a comunidade, dando condições ambientais, escolares e profissionais também. Então é uma coisa muito interessante, é um trabalho muito gratificante. E, para mim também, está sendo surpreendente, porque é uma coisa bastante nova, né? Para mim... (Risos)
P/1 – Bem, a gente está chegando ao fim, eu gostaria que a Senhora nos contasse se sente aquele espírito de ser petroleiro? Como é ser petroleiro? Essa identidade da Empresa.
R – É muito bom! A Empresa tem nos dado... É lógico, nunca se consegue a satisfação cem por cento. É difícil em qualquer lugar. Mas eu acho que, pelo tamanho da Empresa e o objetivo, o planejamento estratégico, eu acho que a Petrobras consegue proporcionar aos funcionários uma qualidade de vida bastante interessante, que é gratificante. Para a gente que trabalha aqui, consegue perceber isso. Eu já trabalhei em algumas outras empresas multinacionais e, por exemplo, o trabalho de SMS – que é: Segurança, Meio Ambiente e Saúde – que a Petrobras desenvolve, eu acho bem marcante, em todas as áreas que a Empresa atua. Então foi uma coisa que me chamou muito a atenção quando eu cheguei de volta à Empresa. Esse trabalho de SMS é bem forte e a gente percebe em todas as áreas. Eu tive a oportunidade de visitar uma plataforma onde o perigo é latente e a gente percebe muito a atuação da SMS. Então eu achei bem interessante. Lá em Urucu também, tem uma parte onde eles fazem a reciclagem de todo o lixo que é recolhido lá, então é bem interessante.
P/1 – É uma responsabilidade sócio-ambiental voltada para dentro, para a qualidade dos funcionários...
R – E até com a saúde dos funcionários, essa parte de alimentação, de ginástica, de proporcionar isso. Nas plataformas, todas têm essa preocupação; eles têm até uma academia para que os funcionários pratiquem exercícios, tem a comida balanceada pelos nutricionistas... Lá no Cenpes, na Ilha do Governador, também. É bem interessante. Essas mesmas situações ocorrem em todos os estados, onde a Petrobras funciona, quer dizer, fora do país eu não conheço, mas eu acredito que sim, porque a Petrobras tem um padrão de qualidade em todas as unidades. Eu fui no meio da Amazônia, no meio da floresta, e não percebi a diferença, parecia que eu estava em um escritório na cidade. A experiência foi bem interessante.
P/1 – Quer dizer, tem essa identidade institucional, ne? Bem, para terminar, eu gostaria que a Senhora nos desse o retorno de como foi, como está sendo participar desse Projeto. Se a Senhora acha importante a memória da Petrobras... falar um pouco da sua memória...
R – Eu achei bastante importante. Eu nem tinha a idéia da dimensão que é o trabalho, né? Mas eu espero que o meu depoimento contribua para alguma coisa. Eu não sei se eu fui muito clara, se eu contei alguma coisa interessante, mas fiquei feliz por participar. Eu agradeço a oportunidade e parabenizo pelo projeto.
P/1 – Muito obrigada à senhora. O depoimento foi muito interessante e para gente é uma oportunidade única conhecer as pessoas que fazem essa empresa.
R – Obrigada!
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