Meu nome completo é Ivan Calasans Meneses, nasci em 18 de janeiro de 1960, em Aracaju, Sergipe.
Eu era bancário nos anos 80 e este banco fazia o pagamento da folha da Petrobras. Por coincidência, um dos funcionários da Empresa, meu cliente, me informou que haveria um concurso. Em 1981, mais ou menos, prestei o concurso e ingressei na Petrobras em 1982, no dia nove de março. Estou na Empresa há 22 anos.
Na época, a gente não tinha essas informações. Achei interessante que existisse um concurso. Tinha concurso para auxiliar de escritório, de segurança e outras coisas. E achei interessante um nome que tinha lá, auxiliar de apoio operacional. “Apoio operacional deve auxiliar, operar alguma coisa”, pensei. Optei por auxiliar de apoio operacional. Mas não foi nada tão bárbaro assim Era só pegar em picareta, essas coisas. Eu, uma pessoa que contava dinheiro, ingressei na Petrobras como auxiliar de apoio, mas nunca exerci a atividade. Assim que ingressei, trabalhava num setor de apoio operacional e comecei a exercer a atividade de controlador de material, da entrada e saída de material. E, logo em seguida, após o meu estado probatório de um ano, fiz o concurso para auxiliar de escritório, para ingressar na área administrativa.
Trabalhei como auxiliar de escritório na Empresa. Hoje este cargo se chama auxiliar técnico administrativo. Mas teve um tempo em que estive embarcado e trabalhei como fiscal de contrato nas plataformas marítimas de Sergipe, na área de alimentação, conservação e limpeza. A Petrobras contrata firmas para isso. Existe um funcionário da Empresa para acompanhar, fazer a medição. Fiz este trabalho durante muitos anos nesta plataforma marítima. Como ninguém fica eternamente numa função, fui trabalhar na área de produção, numa sonda de produção. Fiz um estágio na Empresa e passei sete meses trabalhando na sonda de produção da Petrobras, como operador de petróleo. Mas, infelizmente, eu fui acometido...
Continuar leituraMeu nome completo é Ivan Calasans Meneses, nasci em 18 de janeiro de 1960, em Aracaju, Sergipe.
Eu era bancário nos anos 80 e este banco fazia o pagamento da folha da Petrobras. Por coincidência, um dos funcionários da Empresa, meu cliente, me informou que haveria um concurso. Em 1981, mais ou menos, prestei o concurso e ingressei na Petrobras em 1982, no dia nove de março. Estou na Empresa há 22 anos.
Na época, a gente não tinha essas informações. Achei interessante que existisse um concurso. Tinha concurso para auxiliar de escritório, de segurança e outras coisas. E achei interessante um nome que tinha lá, auxiliar de apoio operacional. “Apoio operacional deve auxiliar, operar alguma coisa”, pensei. Optei por auxiliar de apoio operacional. Mas não foi nada tão bárbaro assim Era só pegar em picareta, essas coisas. Eu, uma pessoa que contava dinheiro, ingressei na Petrobras como auxiliar de apoio, mas nunca exerci a atividade. Assim que ingressei, trabalhava num setor de apoio operacional e comecei a exercer a atividade de controlador de material, da entrada e saída de material. E, logo em seguida, após o meu estado probatório de um ano, fiz o concurso para auxiliar de escritório, para ingressar na área administrativa.
Trabalhei como auxiliar de escritório na Empresa. Hoje este cargo se chama auxiliar técnico administrativo. Mas teve um tempo em que estive embarcado e trabalhei como fiscal de contrato nas plataformas marítimas de Sergipe, na área de alimentação, conservação e limpeza. A Petrobras contrata firmas para isso. Existe um funcionário da Empresa para acompanhar, fazer a medição. Fiz este trabalho durante muitos anos nesta plataforma marítima. Como ninguém fica eternamente numa função, fui trabalhar na área de produção, numa sonda de produção. Fiz um estágio na Empresa e passei sete meses trabalhando na sonda de produção da Petrobras, como operador de petróleo. Mas, infelizmente, eu fui acometido de um acidente de trabalho e retornei para a área administrativa, quando fui transferido para o Estado de Alagoas, na cidade de Pilar. Tem uma unidade do E&P SEAL lá, onde atualmente estou lotado. No momento, estou afastado há mais de três anos da Empresa porque adquiri uma doença chamada artrite reumática. Quando saí do meu setor de origem para ir trabalhar na sonda, passei para o setor de engenharia. E quando retornei para lá, devido ao problema do acidente, não tinha locação para eu ficar. O setor de engenharia trabalha com sondagem, então são poucas pessoas na área administrativa. Fiquei alguns dias acreditando que ia encontrar um local para trabalhar aqui em Aracaju. Daí, fui emprestado ao setor jurídico, no qual trabalhei por alguns dias, já que eles estavam precisando de gente da área administrativa para fazer o lançamento de um programa novo. Mas, assim que terminou, tive que retornar. Foi quando a Empresa estava precisando ampliar o quadro de funcionários na área de Alagoas. Me propus a ser transferido para Alagoas, para trabalhar no setor de transportes. Voltei para o meu setor de origem, que é o setor de encargos gerais. Infelizmente, a saúde me tirou do meu local de trabalho e hoje estou em tratamento médico periódico. Sempre estou indo ao médico, tomando medicamento. Mas ainda continuo sendo da ativa da Empresa. Sou funcionário locado no Estado de Alagoas.
A Petrobras, nesses anos de 1990, tinha um quadro de funcionários na área administrativa e estava realocando esses funcionários para a área de produção. Fiz o curso interno para a área de produção, para trabalhar na área operacional, na sonda. Foi uma opção minha. Poderia não ter ido, mas optei pois ia ganhar mais e trabalhar em turno. Eu já trabalhava com turno, no mar, tinha os adicionais do turno, essas coisas todas. Eu tinha voltado para a área administrativa, em terra, e tinha perdido esses adicionais todos. Eu relaciono essa minha saída do mar a um período de greve. Tivemos aquela greve dos anos 1994, 1995. Eu, como era um ativista do movimento sindical, retornei para trabalhar na base e perdi todos os adicionais. Isso me pegou numa situação em que eu estava um pouco endividado. Eu tinha um salário alto e recebia todos os adicionais. De repente, meu salário ficou seco, um salário de base mesmo, de terra. Aí, surgiu essa oportunidade de trabalhar na sonda, onde meu salário voltaria a ser mais ou menos na faixa que eu recebia quando trabalhava embarcado. Voltaria a ter as folgas, porque trabalharia num regime de folga de sete por sete. Depois, veio o adicional administrativo, que é um regime administrativo de campo que criaram. Embolou muito, mas não perdíamos a nossa folga. Passei a trabalhar na área administrativa, trabalhando de segunda a sexta. Já estava habituado com essa folga. Então influenciou muito a minha opção para trabalhar na sonda. Estava precisando trabalhar num outro lugar, conhecer outras atividades da Empresa. Quando entrei na Petrobras, aqui na sede, o máximo em que cheguei foi trabalhar no mar, em Aracaju mesmo. Então, fui trabalhar em Alagoas, conhecer outras pessoas, outras atividades da unidade. Foi interessante.
Quando entrei na Petrobras, logo fui sindicalizado. Eu já era um sindicalista na atividade de bancário. Não fazia parte da direção, mas sempre me enquadrei. Era filiado ao Partido Comunista do Brasil. E quando vim para a Petrobras, estava aquele foco da criação do PT, de 1982, da CUT. Eu logo entrei no PT, em março. O PT era novinho, tinha um mês. Nascemos juntos. Parti mais para a área de atuar no sindicato, com essa turma que está aí no sindicato. Entrei primeiro no conselho fiscal. Não me lembro do ano, mas foi na primeira gestão dessa turma que está aí. Na segunda gestão, eu fui fazer parte da ABCP [Fundo de Greve], que é o fundo de greve que tem no sindicato. Depois, na gestão seguinte, continuei no conselho fiscal. Atualmente, estou na direção do Sindipetro. Faço parte da direção executiva do Sindicato. Acho que já estamos há uns dois anos e meio na direção. Deve ter sido no início de 2002. Haverá eleição no próximo ano. Nosso mandato completará três anos. São dois anos e meio que estamos na Secretaria de Educação e Cultura e na formação cultural do Sindicato.
Quando entrei na Petrobras, fui me lembrando que o ano de 1982 era meio confuso, porque vínhamos daquele período de pós-revolução. Na minha casa havia tido um problema muito sério com meu irmão, que era comunista ativo. Tínhamos percebido a perseguição política e viemos meio assustados. Essa geração dos anos 1960 perdeu muito na formação política. Mas achei interessante a primeira luta. Como eu trabalhava no setor de encargos gerais, ia trabalhar em Carmópolis. Íamos para as bases em cima da caminhonete. Não tinha aquela proteção, não era um carro fechado. E, assim, quando chegávamos em Carmópolis, percebíamos que tinham dois restaurantes, sendo que um era somente para os engenheiros, para os funcionários graduados da Empresa. Isso é uma besteira, todos somos funcionários, produzimos na mesma Empresa. Percebíamos que tinha que haver uma mobilização para acabar com isso. Víamos essas pequenas mudanças acontecerem de acordo com a mobilização do trabalhador.
Próximo dos anos 90, a gente sentia uma dificuldade social. A Empresa teve um problema econômico. Isso aconteceu com todos os trabalhadores no Brasil. Foi quando participei mais diretamente das atividades, porque mexeu no meu bolso. Tínhamos a garantia de trabalhar numa Empresa que sempre pagou em dia. Mas, nessa época, vimos a quebra do monopólio e a campanha contra essa quebra. Vi o quanto era necessária a existência do sindicato, as mobilizações. Teve a queda daquele governo também. Lutamos e estivemos juntos.
Ainda bem que as pessoas perceberam que estavam cometendo um erro grave. Não existem mais esses restaurantes divididos. Hoje é um só restaurante. Eu não sei bem se essa divisão ainda existe, mas deve estar existindo só para os nossos companheiros terceirizados. Eles estão trabalhando na mesma área e deveriam comer no restaurante onde comem todos os funcionários da Petrobras. Todos deveriam fazer parte do mesmo restaurante. Eu não tenho acompanhado, mas acho que ainda existe essa discriminação disfarçada, do pessoal ter que comer em área isolada, em marmita térmica.
Temos, em Sergipe, uma realidade. Devido à mudança, à esperança do governo dos trabalhadores, algumas lideranças de sindicatos da Petrobras, pessoas que estavam há poucos dias do lado dos trabalhadores, hoje fazem parte do governo. Para mim, governo é governo. Ele não está errado em sua visão. Ele é governo, está lá para governar. Mas, na visão dos trabalhadores, está fazendo um governo que está deixando a desejar. Nossos camaradas que faziam parte desse grupo de pessoas que estavam do lado de cá, lutando pelo direito dos trabalhadores, pela igualdade dos trabalhadores –porque trabalhador não é só da Petrobras, trabalhador somos todos –, essas pessoas estão do outro lado, hoje estão fazendo complô no governo. Lembro do presidente da Petrobras, um companheiro que, até poucos dias atrás, estava na porta da fábrica com a gente, demitido, senador pelo Estado de Sergipe e pelo Partido dos Trabalhadores. É uma das pessoas que admirávamos muito como companheiro, uma pessoa muito querida dentro do movimento sindical. Hoje, não sei se ele está no lugar certo, defendendo a posição da Petrobras, mas deixa a desejar na relação com o trabalhador. Como a questão dos anistiados, por exemplo, porque ele, o senador da República José Eduardo Dutra, criou a lei da anistia. A gente acreditava que, quando o Partido dos Trabalhadores assumisse o governo, a relação ia ser diferente.
Em 1995, construí a greve com meus companheiros camaradas. Não na direção do Sindicato, mas participando da greve, das atividades de protesto. Quando eu retornava da greve, já no vigésimo nono dia, recebi um contato da Petrobras dizendo que eu tinha que retornar ao trabalho. Mas, no dia seguinte, a greve foi dada como encerrada e retornei ao trabalho. Existia um trabalho no qual a direção da Petrobras tinha prometido que não iríamos ser tratados como pelegos, nem quem estava na greve ia tratar os companheiros que não tinham participado. Íamos ser indiferentes: “Faça a sua atividade, eu faço a minha” Cumpri a minha parte, sou responsável por mim, não sou responsável pelos outros. A gente imaginava que, quando chegássemos na Empresa, íamos ser tratados como um funcionário que está retornando ao trabalho depois de ter passado o final de semana em casa. Só que estávamos em um enfrentamento político. E, naquele período, tive um problema de saúde e me afastei da Empresa. Fui ao meu setor de trabalho em Atalaia, no TeCarmo, que antigamente se chamava NUCAM [Núcleo do Campo de Atalaia e Mar], e informei à secretária que estava indo ao setor médico. Ela me encaminhou para este setor com uma senha eletrônica que só ela podia fazer. Quando cheguei, o médico da Empresa me afastou das atividades de trabalho e me encaminhou para casa, para me recuperar de saúde. Quando saí do setor médico, retornei ao meu local de trabalho e fui comunicar pessoalmente que estava de licença médica. O setor médico já tinha colocado no meu prontuário que eu estava de licença médica. Então segui para casa. Não estava nem em condições de dirigir. Era a minha esposa quem estava dirigindo para mim, embora eu achasse que devia ser uma viatura da própria Petrobras que devia fazer isso. Mas pedi meu carro e minha esposa foi buscar. Passaram-se os sete dias de licença médica. Retornei ao médico e ele me orientou para que eu voltasse ao trabalho, que seria até melhor para eu me recuperar. Aceitei, embora não estivesse totalmente curado. Quando cheguei na sala da gerência, me dirigi à secretária e falei: “Quero dizer para o Engenheiro Silvio Leonardo que estou retornando ao meu local de trabalho.” Ela disse: “Tudo bem, mas ele quer falar com você, aguarde aí.” Me sentei na sala e fiquei aguardando ele me chamar. Depois de alguns minutos, ele me chamou. Entrei em sua sala e me sentei: “Oi Silvio, tudo bem?” “Tudo bem” Ele falou normalmente comigo: “E aí, como foi a greve?” Eu disse: “Conseguimos nossos objetivos. A Petrobras continua sem ser privatizada. Até hoje nosso objetivo permanece.” “E a saúde?” Eu disse: “Eu tive um problema de saúde, mas está tudo bem agora.” Ele disse: “Olha, Ivan, está tudo bem. Você está retornando ao trabalho, mas eu tenho uma correspondência para você. Faça a gentileza de ler.” Quando eu li, dizia: “Por motivo de abandono do local de trabalho e negligência, o senhor está sendo punido e advertido por escrito.” Eu disse: “Como, Silvio? Estou de licença médica, estou retornando do médico agora.” Ele chegou para mim, naquela época do governo autoritário do FHC, e disse bem assim: “Você procura seu sindicatozinho que ele resolve isso” Mas o interessante é que eu não tinha sido punido, entre aspas, como os meus outros camaradas foram. Eu também gostaria de estar na relação dos demitidos. Seria muito interessante para a sua história que a Petrobras tivesse tomado essa atitude de demitir todos os funcionários que fizeram a greve pela não-privatização da Empresa. Mas não, apenas alguns companheiros foram crucificados, sacrificados. Como eu não tinha sido punido com a pena capital, eles teriam que me punir de qualquer forma. Então achei que, se eu ficasse calado, seria o melhor. Mas me lembro ainda que, naquele dia, olhei para ele e disse: “Olha, Silvio, eu nunca te faltei com o respeito, sempre fui seu amigo. Eu ainda acredito que, nesse país, um dia, teremos um governo dos trabalhadores, onde os direitos dos trabalhadores sejam preservados, respeitados.” Pedi licença e saí de sua sala. Já tinha sido punido. Assinei a carta e procurei o gerente da unidade. Expliquei a ele: “Rapaz, o que está acontecendo? Você nos garantiu que, quando retornássemos ao trabalho, íamos ser tratados da mesma forma, não íamos ser perseguidos, não íamos ser tratados. E o cara ainda me puniu.” Eu saí e disse: “Vou lutar até o fim, porque ainda vamos ter um governo.” Daí, participei mais efetivamente das atividades políticas do meu país. Eu acreditava que, um dia, o Lula pudesse chegar ao governo para que essas coisas fossem resolvidas. Eu era do Partido dos Trabalhadores até o dia da composição do governo Lula. Mesmo assim, no segundo turno, votei no Lula. No primeiro turno, votei em Zé Maria, acreditando que a política do partido que faço parte seja uma política mais voltada aos direitos coletivos dos trabalhadores. Não de uma categoria dos trabalhadores, mas de todos os trabalhadores. Posso dizer que, hoje, somos traídos mais uma vez. Mas acredito que o povo brasileiro, um dia, terá o direito de poder governar a si próprio, sem intervenção do FMI, nem de nenhum império. E acredito que nos direitos que outros Ivans, que outros cidadãos brasileiros venham a ter. Passar por uma decepção, pela humilhação por que passamos é uma ilusão. É por isso que estou contando essa história, porque você me perguntou como que eu vejo a relação. E o pior é que, falando do Sindipetro, um sindicato nacional, ainda existem pessoas que eu acreditava que estivessem do lado dos trabalhadores. Foram nessas pessoas que coloquei minha esperança. E vejo que estão fazendo a mesma coisa. Perseguindo os trabalhadores, tirando seus direitos, apagando sua história de luta. Não sei o porquê. Eu não tenho o direito de chamá-los de equivocados, mas acho que eles devem estar, no mínimo, enganados. Não quero dizer outra palavra, para que eu não venha a cometer um erro, porque existem pessoas que também estão lá e que ainda acreditamos. Existem pessoas que ainda estão do lado dos trabalhadores. É por isso que vejo o movimento sindical de vanguarda, neste país, meio prejudicado pela maneira que está sendo construído este governo que se dizia um governo popular.
Quando entrei na Petrobras, trabalhava num setor chamado SEGE [Setor de Encargos Gerais], que era uma oficina de carpintaria onde existiam várias pessoas de outros Estados, que entraram na Petrobras bem antes. Os alagoanos, por exemplo, chegaram aqui primeiro. Tinha a história do Seu Adão, que hoje deve ser falecido ou aposentado. Perdemos contato. Seu Adão era um negão vaidoso que se vestia de branco. A gente saía para fazer uma atividade e dizia: “Vamos ali” Esse “ali” eram dois, três, quatro dias, até uma semana no meio do campo. O interessante é que seu nome, se não me engano, é Juvino, mas era chamado de Adão. Até confundo o nome dele. Será que é Juvino ou será que é Adão? Só sei que ele é ainda conhecido na Petrobras como Adão, porque ele trabalhava de cueca durante o dia, no campo com aquela ceroula. E, à noite, ele vestia uma roupa de linho branca. Daí, ele pegou o nome de Adão. É um fato interessante.
Um outro era o João Terto, um trabalhador da Petrobras, daqueles camaradas bem antigos, que entraram na Petrobras sem muita formação. Ele assinava o nome de João Terto. Escrevia “2000T” e, ali, era João o nome dele. Mas o interessante é que ele era criador de galo de briga. Ele vinha trabalhar de roupa branca, de linho branco. Um médico não se vestia tão bem como ele. Ele era pintor de parede e criava galo e porco também. Um dia, ele me chamou para ir a sua casa: “Vamos lá em casa?” Falei: “Vamos” Eu tinha me casado e ele queria me dar uma peruazinha de presente. Fui buscar. Quando abri a porta da casa de João, parecia que eu estava abrindo a porta de um galinheiro. Tinha galinha na mesa, na geladeira, em todos os lugares. Eu disse: “Seu João, isso é uma casa ou um galinheiro?” Ele disse: “Imagina, rapaz Você ainda não viu nada” Aí, quando abro o quintal, o que tinha de gaiola de galo de briga E eu dizendo: “Rapaz, você não mora numa casa, isso é um galinheiro” Isso, dentro da área urbana, na cidade. Foram coisas que aconteceram que me lembro. Dá um saudosismo daqueles camaradas, de quando entrei na Petrobras, aquelas pessoas trabalhadoras do dia-a-dia. Eu não trabalhava ali, mas vivia uma vida simples, comum. Aracaju, ainda hoje, é uma cidade provinciana, uma cidade com 450 mil habitantes. A Petrobras fez parte da história dessa cidade. Os empregos e o comércio se desenvolveram muito com a presença da Petrobras. Esses fatos pitorescos que aconteciam dentro da Petrobras, quando a gente se lembra, dá umas gargalhadas gostosas. Os João Tertos da vida, as histórias de Adão... E vamos levando a vida.
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