Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Maria Ivandete Santana Valadares (Iva Valadares)
Entrevistado por Márcia de Paiva
Brasília, 08 de fevereiro de 2007
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB557
Transcrito por Flávia Penna
P/1 – Boa tarde, Iva.
R – Boa tarde.
P/1 – Gostaria de começar a entrevista pedindo que você nos diga o seu nome completo, local e a data de nascimento.
R – Maria Ivandete SantanaValadares, 18 de julho de 1960, Ribeira do Pombal, Bahia.
P/1 – Iva, conta um pouco como foi o seu ingresso na Petrobras.
R – Eu fiz um concurso público em 1987 e ingressei pela Bahia, no Dexba.
P/1 – Dexba?
R - Dexba, Distrito de Exploração da Bahia. Tem quase 20 anos que estou na Empresa.
P/1 – Você entrou em que função?
R – Entrei como Auxiliar de Escritório, hoje é Auxiliar Administrativo. Então, eu iniciei, fiquei na Secretaria da Superintendência, porque eu tinha experiência, eu larguei uma gerência bancária para vir para a Petrobras, basicamente pela AMS, pela oferta da assistência médica. Com onze meses de firma, a Empresa abriu um escritório em Manaus e quem quisesse se inscrever, mandava o currículo. Eu mandei o meu currículo e fui convocada para ir para Manaus. Aí eu fui para o Distrito de Exploração Norte – o Denoc, para a área financeira pela experiência bancária que eu tinha. Com três anos que nós estávamos lá, a Empresa decidiu mudar o escritório para Belém. Aí não iria abraçar todas as pessoas que estavam em Manaus. Um gerente me convidou e eu fui para Mossoró.
P/1 – Mas você chegou a ir para Belém?
R – Não, de Manaus eu fui direto.
P/1 – Eles puxaram o escritório de Manaus para Belém?
R – Isso, aí a grande maioria das pessoas foi para Belém e eles abriram a oportunidade pra quem quisesse ir para outro estado, estava liberado. Aí eu fui para Mossoró.
R – Seguiu com o seu chefe?
R – Com um ex-gerente meu, é. Em Mossoró, eu...
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Depoimento de Maria Ivandete Santana Valadares (Iva Valadares)
Entrevistado por Márcia de Paiva
Brasília, 08 de fevereiro de 2007
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB557
Transcrito por Flávia Penna
P/1 – Boa tarde, Iva.
R – Boa tarde.
P/1 – Gostaria de começar a entrevista pedindo que você nos diga o seu nome completo, local e a data de nascimento.
R – Maria Ivandete SantanaValadares, 18 de julho de 1960, Ribeira do Pombal, Bahia.
P/1 – Iva, conta um pouco como foi o seu ingresso na Petrobras.
R – Eu fiz um concurso público em 1987 e ingressei pela Bahia, no Dexba.
P/1 – Dexba?
R - Dexba, Distrito de Exploração da Bahia. Tem quase 20 anos que estou na Empresa.
P/1 – Você entrou em que função?
R – Entrei como Auxiliar de Escritório, hoje é Auxiliar Administrativo. Então, eu iniciei, fiquei na Secretaria da Superintendência, porque eu tinha experiência, eu larguei uma gerência bancária para vir para a Petrobras, basicamente pela AMS, pela oferta da assistência médica. Com onze meses de firma, a Empresa abriu um escritório em Manaus e quem quisesse se inscrever, mandava o currículo. Eu mandei o meu currículo e fui convocada para ir para Manaus. Aí eu fui para o Distrito de Exploração Norte – o Denoc, para a área financeira pela experiência bancária que eu tinha. Com três anos que nós estávamos lá, a Empresa decidiu mudar o escritório para Belém. Aí não iria abraçar todas as pessoas que estavam em Manaus. Um gerente me convidou e eu fui para Mossoró.
P/1 – Mas você chegou a ir para Belém?
R – Não, de Manaus eu fui direto.
P/1 – Eles puxaram o escritório de Manaus para Belém?
R – Isso, aí a grande maioria das pessoas foi para Belém e eles abriram a oportunidade pra quem quisesse ir para outro estado, estava liberado. Aí eu fui para Mossoró.
R – Seguiu com o seu chefe?
R – Com um ex-gerente meu, é. Em Mossoró, eu fui trabalhar na área de liberação de terras. Foi quando eu comecei a ter uma outra visão da Petrobras.
P/1 – Mossoró estava começando?
R – Não, em Mossoró já existia a Base, já estava estruturada. Eu comecei a visualizar a Petrobras mesmo. Era área de liberação de terras, onde a Geologia descobre onde será o roteiro que será feita a prospecção, então a gente entrava em contato com o proprietário da terra para pegar a autorização para que a Petrobras atuasse. Foi quando eu comecei a descobrir a Petrobras.
P/1 – Parece que em Mossoró tiveram várias localidades que vocês foram adquirindo terras, né?
R – Sim, tanto que o Rio Grande do Norte é o maior produtor de óleo terrestre. Nós temos vários campos no estado.
P/1 – Quanto tempo você ficou em Mossoró?
R – Três anos. Aí eu recebi um convite para ir para Natal e eu fui para Natal. Na época era considerado um prêmio sair de Mossoró para Natal, o que é um tanto discutível mas, em termos de companhia, não deixa de ser. Aí, eu fui para o escritório de lá e assumir a área administrativa. Nós éramos 88 pessoas na Superintendência, Gereg, 87 técnicos – geólogos, geofísicos e ATG’S, o gerente, que na época era Superintendente e, no cargo administrativo, era só eu. Eu era secretária e responsável pela área Adm como um todo.
P/1 – Imagine.
R – Era maravilha! Aí você tem condições de adquirir um conhecimento da Empresa desde a área básica de adm, que pela experiência de trabalho já conhecia, à área de pessoal, os detalhes de como a Empresa lida conosco.
P/’ – Como ela funciona, né?
R – Isso.
P/1 – Desde Mossoró, quando você começou a se interar desse funcionamento da Empresa, dessa época, você tem alguma história?
R – Dessa época de Mossoró?
P/1 – É. Ou de Natal
R – Mas eu ainda não acabei minha história (risos)
P/1 – ah, então vamos acabar a sua história...
R – Faleceu um irmão meu e eu vim para a Fábrica de Fertilizantes, na Bahia. Como baiana, voltei para a Bahia.
P/1 – A Fafen?
R – É, a Fafen Bahia. A Fábrica tem uma coisa interessante: quem passa por lá vira “fafudo”, é como você tivesse ingressando dentro Fábrica. Cria uma identidade muito grande entre a gente, existe uma união muito grande entre os fafudos.
P/1 – Fafudos é ótimo!
R – É. Aí, eu fiquei na Fábrica e quando foi em 2001 a Petrobras reestruturou a Área de Comunicação, e surgiram as Regionais de Comunicação. O Walter Brito que era coordenador na época, me fez um convite e eu fui para a Área de Comunicação. Trabalhei cinco anos no Nordeste com os Projetos Sociais.
P/1 – Mas essa parte ainda na Bahia?
R – É. Eu saí da Fafen e fui para a Comunicação Institucional, em Salvador.
P/1 – Trabalhando com a parte administrativa?
R – Iniciei com a parte administrativa. No início era só eu, o Walter e a Mônica Cristaldi. Depois eu comecei a fazer a parte de Patrocínio também e fiquei com a Área Social, que é essa que enche os olhos e o coração.
R – Com certeza!
R – Pronto! Depois eu passei (estava fazendo a conta) cinco meses no Maranhão, na Área de Comercialização da Lubnor e depois recebi o convite para vir para cá, para a Regional assumir os Projetos do Fundo da Infância.
P/1 – No Maranhão você...
R – Estava na Área de Comercialização.
P/1 – Trabalhou na Área Social?
R – Também fazia, era inserido no contexto.
P/1 – Então, do Maranhão você veio para cá?
R – Vim para cá. Passei cinco meses no Maranhão e tem seis meses que eu estou aqui. Eu cheguei aqui em agosto.
P/1 – E você veio com uma missão de...
R – De assumir os Projetos do Fundo da Infância. A Petrobras doa os recursos e eu monitoro e fiscalizo esses projetos, oriento.
P/1 – Dentro desses projetos aqui, qual o que você está acompanhando, qual o que você destacaria?
R – Olha, nós firmamos os convênios agora, em dezembro, fizemos as doações. E eu visitei Rondônia, Roraima, Acre, alguns projetos de Minas e Goiás. São 41 convênios do Fundo da Infância com 41 municípios, mas tem um que eu destacaria que nós estamos em processo de implantação, que é o Projeto Gira Ação, aqui em Brasília. Vai ser desenvolvido com o Secria e o público alvo são meninos e meninas que trabalham aqui na Rodoviária do Plano Piloto, não sei se você teve a oportunidade de ver.
P/1 – Não.
R – Os meninos que são engraxates, que trabalham.
P/1 – Só pela televisão.
R – Então, faço o convite: dê uma turnê na Rodoviária que você vai ver o nosso público alvo. Nós vamos trabalhar com crianças de sete a 18 anos. Esperamos fazer uma transformação grande aqui no Plano Piloto.
P/1- E esse Projeto está focado em educação, como vocês vão fazer?
R – Nós vamos pegar as crianças de sete a 14 anos que terão atividades lúdicas, dentro do que o ECA prega, que toda criança tem direito a educação, comer e brincar. Por que são meninos e meninas de rua, então o contexto a gente vai fazer uma transversalidade das ações: ao mesmo tempo em que a gente atrai com atividades lúdicas, vai trabalhar a questão educacional na sua totalidade da educação. Aqueles não estiverem inseridos na educação formal iremos encaminhar e também faremos uma educação na formação da cidadania. Essa mudança do pensamento interno – porque eles têm uma realidade que já assimilaram – nós vamos trabalhar isso, juntamente com eles, uma coisa construída, não é uma coisa imposta. Os mais velhos continuarão trabalhando – eles querem, nós já trocamos esse diálogo com eles, eles têm interesse de continuar sendo engraxates, é o que eles querem e gostam de fazer – e serão capacitados no Sistema de Cooperativismo. No futuro, eles assumirão a cooperativa deles.
P/1 – Esse projeto é exclusivo da Petrobras ou é uma parceria com uma outra entidade?
R – Não, nós buscamos o Secria, que é uma entidade que é referência a nível nacional para trabalhar com criança e adolescente e construímos juntos a idéia. O Secria é que vai implementar, porque infelizmente a Petrobras não implementa, não pega nas mãos sozinho. É tanta coisa que nós temos que fazer então nós contribuímos com o patrocínio, com o recurso e estamos aliados nesta ação. Não são 24 horas, mas a gente discute desde a concepção da idéia do projeto à forma como é desenvolvido o processo. É muito reconfortante essa história.
P/1 – Com certeza. Iva, me diga: aqui em Brasília já existia essa parte social, já estava-se trabalhando ou você veio implementar o setor?
R – Não, a Regional aqui tem uma peculiaridade que a Gerência ficava no Rio de Janeiro. Então, de fevereiro para cá – está fazendo um ano – que o Samuel quando assumiu ficou aqui. Então, as coisas estão sendo segmentadas agora. A Área Social, era feita a fiscalização e o monitoramento pelo Rio, pela Sede. Agora é que a gente esta assumindo essa Área Social. Agora é que a gente vai começar a criar o sonho e a implementar.
P/1 – E caminhar sozinho.
R – Caminhar sozinho.
P/1 – Você está ligada a Petrobras?
R – Sim, a holding. À Comunicação Institucional.
P/1 – Você passou por muitos lugares, já tem um percurso bem grande de Petrobras, o que você sentiu da presença da Petrobras aqui no Centro-Oeste em relação aos outros lugares?
R – Olha, eu trabalhei no Nordeste esses 19 anos, já estou fazendo vinte e tem uns seis meses que estou na Centro-Oeste. Eu tenho viajado pelas estradas e pelo que eu senti a gente está começando a chegar. Eu vi agora, na cidade de Goiás, quando nós chegamos para fazer a reunião , discutir o projeto, as ações detalhadamente, uma representante de uma ONG, uma conselheira dos direitos da criança olhou pra mim e: “você tem certeza que você é da Petrobras? Porque a Petrobras é coisa de televisão. É coisa que a gente vê na televisão, no posto de gasolina. A Petrobras não se preocupa conosco.” Chegou a um ponto em que ela pediu a minha identificação profissional porque ela não acreditava que a Petrobras estava ali junto. Eu já ouvi isso no interior do Ceará, já ouvi isso em Minas e agora ouvi em Goiás. Então, a mudança que está ocorrendo na Petrobras é muito grande. Deixa de ser aquela Empresa elitista
P/1 – Ou de posto de gasolina.
R - Ou só de combustível, que não deixa de ser elitista, porque o posto de gasolina é para quem tem condições de ter um carro, para ser uma empresa em que a responsabilidade social vem sendo ampliada e reconhecida, o que é mais importante. Ela vem tendo um estreitamento de relação com a população, com as diversas comunidades. Porque no passado, a gente trabalhava com as comunidades científicas, as universidades, era uma coisa mais do próprio histórico da Petrobras. Agora, se você permitir, eu vou lhe contar uma historinha de quando eu entrei na Empresa. Eu entrei na Empresa em 1987, pela Bahia. Existia o refeitório da Empresa. Os empregados que eram de nível superior, almoçavam em determinadas mesas, que eram separadas do nível médio. Para pegar o elevador, os novatos ouviam: “está lotado.” A gente tinha que esperar os doutores subirem para depois ingressar no elevador. Hoje, principalmente de 2003 para cá, essa mudança na Empresa tem sido estúpida. Porque eu participai lá na Lubinor nós participávamos de cafés da manhã onde tinha os chamados peões - a mão-de-obra terceirizada -, os de nível médio, de nível superior, gerentes gerais, todo mundo junto, tomando café, rindo, brincando. Eu considero que a Empresa hoje tem o mesmo olhar para a força de trabalho, não existe essa diferença por cargo, por nível de conhecimento, não importa se você tem um nível superior lá fora ou não tenha. No passado você tinha que ter, inclusive no crachá. Então, essa mudança de filosofia, da forma de pensar da Petrobras é que eu acho que tem feito com que ela cresça mais, não só perante a força interna como a externa também, dá um novo olhar.
P/1 – E como mulher você sentiu ou existiu alguma diferença?
R – Olha como mulher na Empresa eu nunca senti não, não sei se pelo meu histórico de trabalho, né, eu vim de banco, já estava na gerência do banco. O que eles tentam fazer é o preconceito quanto à mulher, mas na minha pele eu nunca senti não. Em Mossoró eram 14 homens e só eu de mulher e o trabalho era desenvolvido junto, tinha sempre um respeito muito grande. Eu nunca enfrentei não. Claro que hoje a gente já tem uma mudança, hoje a gente já pode chamar Auxiliar Técnica. Isso já é um grande ganho, né? Esse trabalho que a ouvidoria vêm fazendo, sobre a questão de gênero, e eu lido muito com isso. Na minha externa, extra Petrobras, a gente vem obtendo também um reconhecimento muito grande. Antigamente só procuravam os homens para dar os depoimentos, eram os destaques, né? Hoje, nós temos as mulheres sendo destaque em várias linhas.
P/1 – Daqui, do escritório de Brasília, você está contando que vocês estão montando essa parte social agora, que ficava mais com o Rio. O Esbra está se transformando também, está tomando um outro rumo? O que você percebe das ações que estão sendo feitas aqui também?
R – O olhar até para a mudança do pensamento gerencial que a Petrobras vem passando nesses últimos quatro anos, vem se refletindo em todos os lugares e em Brasília também não poderia deixar de ocorrer. Então, com as atuais gerencias do Esbras e da Comunicação Institucional, a Petrobras está deixando de ser aquela Empresa que patrocina só os festivais de cinema, a parte cultura, onde ela é maior investidora. Brasília era muito isso, era só a parte cultural. Hoje a Petrobras está sendo procurado por associações de bairros, por ONG’s, pessoas que fazem trabalhos comunitários. Eu acho que isso é um retrato das nossas ações. A Empresa está deixando de ser aquela Empresa que trabalhava somente com grandes produções. Hoje a gente trabalha com produções desde o encontro de culturas tradicionais lá na Chapada dos Veadeiros aos Festivais de Cinema, que são muito bem vindos e trazem cultura para todo mundo também. Então, a Empresa aqui está agindo da mesma forma que em todo o país, está se estabelecendo da mesma forma.
P/1 – Esse Projeto também é uma parceria com o Sindicato. Você é sindicalizada?
R – Sempre, desde que eu assinei a minha primeira carteira.
P/1 – Você chegou a exercer algum cargo?
R – Não, cargos não. Mas dentro da Petrobras, na Bahia eu só passei de imediato 11 meses, depois eu saí. Em Manaus a gente sempre foi, vamos dizer, interligado, participava do movimento sindical. Agora, cargo não, eu nunca assumi. Em Mossoró, a gente tinha um trabalho muito grande no Sindicato que a gente escolhia temas - textos ou livros - e fazíamos as reuniões no Sindicato, junto com Olegário Passos, Com Márcio Dias, com Jorge Câmara – a gente misturava um pouquinho os segmentos. Não importava qual a bandeira partidária que fosse. Dentro do Sindicato não importava qual a bandeira que eu, Ivã, tivesse ou a que o companheiro Márcio Dias tivesse, não importava. A gente visava a categoria. Então, a gente escolhia os textos e montava discussões. Utilizava um pouco o recurso do churrasquinho para chamar os colegas. Marcava um churrasquinho na praça em frente e a galera ia e a gente ficava discutindo aquele texto. Foi cresceu um pouco mais a participação da categoria nos congressos estaduais, nos congressos dentro de Mossoró. Então, esse trabalho de formiguinha eu sempre gostei. Eu gosto mais dos bastidores. (risos)
P/1 – Você me relatou também essa diferença até da posição da própria Empresa com os funcionários. Eu quero te perguntar se a relação da Empresa com o Sindicato também mudou. Como está, como você vê essa relação?
R – Atualmente?
P/1 – É.
R – Mudou total. Hoje, nós temos os nossos ex-companheiros de representação sindical a frente das gerências. Eles já estiveram anos e anos do lado contrário e, hoje, eles têm a oportunidade de estar caminhando junto, quer dizer, gerenciando e trabalhando junto com a turma do sindicato. Isso eu acho que facilita as conquistas, não no sentido de abrir mão do olhar Petrobras, do olhar Empresa e olhar Sindicato, da defesa dos direitos do trabalhador. Não, mas facilita. É tipo você cozinhar e saber os temperos. Eles estão à frente com olhar empresarial, de gestão empresarial, mas também tem o olhar sindical. Então, eu acho que facilita o diálogo. Não tem mais aquilo que tinha no passado, em que o Sindicato era visto como contrário às decisões gerenciais. Hoje a gente trabalha lado a lado. O que não impede e não deve impedir o papel do Sindicato que é ter sempre um olhar para ver se as ações estão sendo desenvolvidas em conformidade aos interesses do trabalhador.
P/1 – Desse tempo, desde que você entrou na Petrobras, me conta uma outra história que tenha te marcado também. Ou engraçada, mas uma coisa que tenha te marcado.
R – Além dessas mudanças?
P/1 – É. Mas me conta uma outra, porque você é boa de história.
R – Eu fiz um trabalho de levantamento de bens patrimoniais lá em Urucu. Eu tive a oportunidade de passar duas semanas fazendo um levantamento de bem patrimonial. A imagina e ouve falar em Urucu, mas quando a gente vai lá e passa duas semanas e pega um barquinho para fazer uma hora e meia de viagem, até chegar a determinado terminal. Foi uma coisa que eu não esqueço, realmente, porque as adversidades que os companheiros enfrentam...
P/1 – Pela localização?
R – Pela própria localização. Adversidade vamos dizer, local, ambiental no sentido do ambiente em que eles estão inseridos, com todas as facilidades que a Empresa tenta proporcionar. Mas a beleza do local vale tudo. Você passar a noite ali, ouvindo as onças, com todas as histórias que se conta que a onça vai lá no nosso alojamento – eles dizem, né, mas eu não cheguei a ver. Eu costumo dizer que eu conheço na Empresa do poço ao posto, exceto a plataforma marítima, que é a única coisa da Petrobras que eu não conheço.
P/1 – Pelo seu temperamento, eu sei que você chega lá, né?
R – Ah, chego. Então, a Empresa proporciona para gente oportunidades de você crescer profissionalmente, crescer como pessoa e, ainda se você tiver o senso de aproveitar o dia-a-dia e o local, independente do trabalho que está fazendo, você tem oportunidade de ver coisas maravilhosas. Eu vi isso em Urucu, vejo isso nas estradas, quando pego o carro e saio por aí, dormindo em posto de gasolina – porque tem locais que não tem hotel, não tem nada – a gente cai nas estradas e vai fazendo o trabalho que tem mudado mesmo a visão sobre a Empresa. Acho que o grande ganho que a Empresa tem – para nós - é essa oportunidade da gente não se acomodar. Quem tiver o espírito um pouquinho aventureiro, tem campo. (risos)
P/1 – Você já falou muita coisa, falou que conhece do poço ao posto, mas eu quero que você me diga o que é ser petroleira. Como é que você me define o “ser petroleira”?
R – Ser petroleira significa você fazer parte na sua essência mesmo da maior Empresa da América Latina e ter orgulho dos 20 anos que eu tenho de Empresa, não por ela ser a pole position na exploração das águas profundas – o nosso problema são as águas profundas, a nossa grande riqueza -, não por a gente ter conseguido chegar à auto-suficiência do petróleo, mas porque a Empresa hoje, cada vez mais, vem fazendo com que os olhos da gente brilhem e se encham de lágrimas porque hoje ela busca também o ouro nas pessoas. Tanto nós, que fazemos parte da história dela – nós petroleiros, não o petroleiro crachá verde, nós todos que trabalhamos aqui e fazemos com que ela cresça, mas ela tem buscado esse aprimoramento na Responsabilidade Sócio-Ambiental. Hoje, a Empresa é de todos e para todos mesmo. Esse é o grande orgulho de ser petroleira. Não é porque a Petrobras me dá AMS, não é porque ela pague dentro do mercado – não é que ela pague nenhum marajá, mas dentro do mercado a gente ganha razoavelmente bem -, mas o grande orgulho de ser petroleiro é por essa amplitude que ela vem alcançando nessas ações. Ela vem mudando esse país. E fazer parte disso, dessa mudança, com os mecanismos, as ferramentas que a Empresa permite que a gente se insira nesse processo de mudança, dá um orgulho estúpido. E isso passa pra gente, passa pela família, pais, filhos, amigos. Eu costumo dizer que ser petroleiro tem que estar aqui.
P/1 – No sangue.
R – Tá no sangue. Depois que entra não sai mais.
P/1 – Você tem planos de continuar se aventurando pelo Brasil?
R – É, atualmente eu venho me aventurando, porque esses 41 projetos do Fundo da Infância são na Região Norte, Centro-Oeste e Minas. São 41 municípios espalhados por essa região. E eu vou neles todos.
P/1 – E o Brasil daqui de cima, do Norte, do Centro-Oeste, que ainda é pouco conhecido, como é que você define?
R – Você fala na figura Petrobras?
P/1 – É. Na figura até de Brasil mesmo, você falou tão bonito do que a Petrobras está fazendo...
R – Eu acho que a região Norte, o Amazonas, Manaus em si já é mais conhecido. Mas nós temos Acre, Rondônia, Roraima e Amapá e que a sensação que eu tive é que eles estão sendo descobertos, não sei por limitação da vida que eu tinha dentro da esfera geográfica que eu atuava na Empresa, mas tem riquezas belas para a gente ver. A Globo está mostrando aí agora a história do Acre. E a Empresa vive no mundo inteiro, no universo Petrobras e não chegava lá. Eu estive em Boa Vista, onde eles disseram: “vocês descobriram a gente?” A sensação que eu tenho é que eles acham que não pertencem, não tem o sentimento de pertencimento. E nos três lugares desses dois estados eu ouvi isso: “que bom que a Petrobras chega até aqui!”
P/1 – Bacana! Iva, a gente vai terminando a nossa entrevista, eu queria saber se você queria deixar alguma outra coisa registrada, uma coisa que a gente não tenha falado que você gostaria de deixar gravado.
R – Não, só isso, só que a gente continue esse processo de mudança e ampliar cada vez mais. Que a Empresa consiga chegar no menor lugarejo que exista nesse país e que ela, que a maior Empresa desse país, considere o povo como o foco dela, como está sendo.
P/1 – Muito bem. Para terminar queria saber o que você achou de ter participado e contribuído para o Projeto Memória?
R – Bem, eu espero que tenha contribuído (risos). Porque estava com uma resistência, uma colega é que ficou me convencendo hoje: “vamos, vamos”. Como eu te falei: eu gosto é dos bastidores. As luzes, câmera e ação, se eu ficar do outro lado, eu adoro. O lado de ficar em foco me deixa um pouco insegura.
P/1 – Insegura nada, você falou muito bem. Foi muito bom. Queria agradecer a sua participação.
R – Obrigada.
P/1 – Obrigada.
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