Nasci em 08 de abril de 1966. Foi no Tatuapé, São Paulo, Hospital Cristo Rei. Sou o primogênito de uma família de quatro irmãos: Eu, o Luciano, Laércio e Luciane. Sempre que passava de ônibus pela Celso Garcia, fazia questão de olhar, com orgulho, para o velho prédio do Cristo Rei, que eu achava até bonito.
Morava na Rua "A", nº 122. Depois a rua mudou de nome algumas vezes. Só me lembro do nome que ficou definitivo, acho, Rua Carnaúba dos Dantas. A casa era pequenina, apenas o quarto e a cozinha. O banheiro ficava logo ali, do lado de fora da casa. O quintal era comprido e estreito: 6m de frente por 30m de comprimento. Eu gostava bastante disso. A rua, de terra, não tinha sarjeta de cimento e nenhuma melhoria. Os poucos carros que passavam por lá, em dias de chuva, corriam sérios riscos de atolamento. A sorte é que a rua era bem plana em quase toda sua extensão. Numa ponta estava a Rua da Ponte Rasa e na outra a Av. do Imperador (dizem que ele passou por lá...) também conhecida como Estrada de Mogi das Cruzes.
Tenho lembrança de ir à "venda" do seu Paulo, um japonês de poucas palavras, que ficava numa rua bem próxima. Não me lembro o nome. Eu tinha poucos anos, arrisco nos 4. Ia com meu irmão, de 3, e pulamos um rego cheio de mato. Acho que sujei meu pé, por isso tenho lembrança do fato. Eu comprava pão regularmente no seu Paulo. Geralmente era uma ou meia bengala.
Achava interessante meu pai dizer que ia à cidade. Ele trabalhava na Penha, Rua Cel. Rodovalho, na Light, hoje Eletropaulo. Fui algumas vezes com ele para entregar viaturas da empresa. Isso também ocorreu num lugar chamado Monte Santo, onde havia (e há até hoje) um edifício da Light.
No comprido quintal, eu gostava de brincar e mexer na terra. Havia um pé de manga, um abacateiro e outras plantinhas. Antes havia uma bananeira. Meu pai e minha mãe tiravam o cacho de bananas, ainda verde, e embrulhavam num jornal, para que amadurecesse. Colocavam no forno (desligado,...
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Nasci em 08 de abril de 1966. Foi no Tatuapé, São Paulo, Hospital Cristo Rei. Sou o primogênito de uma família de quatro irmãos: Eu, o Luciano, Laércio e Luciane. Sempre que passava de ônibus pela Celso Garcia, fazia questão de olhar, com orgulho, para o velho prédio do Cristo Rei, que eu achava até bonito.
Morava na Rua "A", nº 122. Depois a rua mudou de nome algumas vezes. Só me lembro do nome que ficou definitivo, acho, Rua Carnaúba dos Dantas. A casa era pequenina, apenas o quarto e a cozinha. O banheiro ficava logo ali, do lado de fora da casa. O quintal era comprido e estreito: 6m de frente por 30m de comprimento. Eu gostava bastante disso. A rua, de terra, não tinha sarjeta de cimento e nenhuma melhoria. Os poucos carros que passavam por lá, em dias de chuva, corriam sérios riscos de atolamento. A sorte é que a rua era bem plana em quase toda sua extensão. Numa ponta estava a Rua da Ponte Rasa e na outra a Av. do Imperador (dizem que ele passou por lá...) também conhecida como Estrada de Mogi das Cruzes.
Tenho lembrança de ir à "venda" do seu Paulo, um japonês de poucas palavras, que ficava numa rua bem próxima. Não me lembro o nome. Eu tinha poucos anos, arrisco nos 4. Ia com meu irmão, de 3, e pulamos um rego cheio de mato. Acho que sujei meu pé, por isso tenho lembrança do fato. Eu comprava pão regularmente no seu Paulo. Geralmente era uma ou meia bengala.
Achava interessante meu pai dizer que ia à cidade. Ele trabalhava na Penha, Rua Cel. Rodovalho, na Light, hoje Eletropaulo. Fui algumas vezes com ele para entregar viaturas da empresa. Isso também ocorreu num lugar chamado Monte Santo, onde havia (e há até hoje) um edifício da Light.
No comprido quintal, eu gostava de brincar e mexer na terra. Havia um pé de manga, um abacateiro e outras plantinhas. Antes havia uma bananeira. Meu pai e minha mãe tiravam o cacho de bananas, ainda verde, e embrulhavam num jornal, para que amadurecesse. Colocavam no forno (desligado, claro) e esperavam...
Eu nem sabia direito, mas a vida não era muito fácil. Nos finais de semana, meu pai fazia alguma coisa em casa, arrumava uma cerca (não havia muro ou grade no quintal, apenas uma cerca feita de "ripas" de madeira), pintava uma parede, inventava algo. Certa vez, acompanhando um trabalho desses, li um anúncio num jornal - comecei a tentar a ler muito cedo, aos 5 anos -, sobre o valor de uma bicicleta. Quando eu era muito pequeno, meu pai tinha uma bicicleta. Eu tinha uma vaga lembrança dela, e havia alguma foto da bicicleta. Só que, por algum motivo, talvez financeiro, meu pai a vendeu. Daí, como eu sabia mais ou menos o salário de meu pai, diante do anúncio, disse que seria possível a ele comprar uma bicicleta nova, se quisesse. Sua resposta ficou gravada pra sempre: "Filho, o valor dessa bicicleta dá pra comprar leite durante um mês." Dificilmente nós tomávamos leite.
Como eu fazia (e faço ainda) aniversário em abril, tive dificuldade em entrar na escola, pois havia uma regrinha: para iniciar o que se chama hoje de ensino fundamental, era necessário ter 7 anos completos. Assim, eu comecei com 8 incompletos, mas uma vizinha, filha de um policial militar, conseguiu a vaga na mesma escola que eu não consegui... "nada que é humano me assusta..."
Houve uma época em que uma tia, Beatriz, que veio do nordeste, comprou uma casa num lugar bem próximo, chamado Vila Rio Branco. Lembro-me da primeira vez que fomos à sua casa. Acho que eu tinha 5 ou 6 anos. O caminho era esquisito. Na verdade era uma trilha. Descíamos um morro e andávamos uns 15 ou 20 minutos para chegar lá. Era divertido. Conheci meus primos Valdo e Severino - na verdade o Valdo era Zenivaldo -. Brincamos de esconde-esconde, pega-pega etc.. O tempo estava agradável, quente.
Tinha um poço em casa. Eu gostava de olhar para o seu interior, mas tinha um pouco de medo. Às vezes ouvia falar de crianças que caíram num poço. Aliás, minha mãe ouvia diariamente, pelo rádio, Gil Gomes. No final da tarde era o Zé Bettio. O Gil Gomes contava histórias macabras, horríveis: crimes passionais, acidentes fatais etc. Às vezes via minha mãe chorar diante das tais histórias.
Ainda numa fase muito tenra de minha infância - 3 ou 4 anos - meu irmão caiu do berço com a mamadeira. Ela era de vidro, e houve cortes profundos nos lábios dele. Eu não lembro de ter visto o meu irmão acidentado, apenas uma toalha suja de sangue e uma certa correria para levá-lo ao hospital. O seu Manoel, nosso vizinho, marido da dona Preta (Romilda), tinha um taxi. Foi ele que socorreu o Luciano. Enquanto isso, eu fiquei na casa deles. Eles tinham muitos filhos: Marisa, Maurício, Marli, Meire, Joaquim, José, Cida. São os que me lembro. O Joaquim viria a se tornar um dos meus melhores amigos. Mas entre a nossa casa e a deles havia a da dona Tereza e do seu André. Eles eram parentes da dona Preta e também tinham muitos filhos: Newton, Nilo, Nivaldo, Nelson, Solange, Beth. São os que me lembro.
O Luciano nasceu em 1967. O Laércio em 1972. A Luciane em 1974.
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