Meu nome é Horácio Puppi. Nasci no Rio de Janeiro em 23 de agosto de 1936.
O meu ingresso na Petrobras se deu porque, em 1960, eu tinha deixado a escola militar Aman e um colega meu tinha um parente trabalhando na Petrobras, na construção da Reduc, a Refinaria de Duque de Caxias.
Reduc
Ele me indicou a esse parente e eu fui procurá-lo na Reduc. Eu cheguei numa manhã com muita chuva, a Reduc estava sendo construída, não existiam as instalações que existem hoje, eram barracos de obra mesmo.
E eu tive que andar com lama num paper way recém aberto até o local que me indicaram. Foi a primeira experiência minha e o primeiro contato que eu tive com a Reduc. Eu costumo dizer que sou um reduqueano de nascença, porque foi o meu primeiro local de trabalho e até hoje ainda retornei à Reduc, mesmo depois de aposentado como terceirizado.
A minha experiência toda e a minha vida toda estão muito ligadas à Reduc e, conseqüentemente, à Petrobras.
Após ingressar na Reduc, eu participei de muitos eventos; inclusive, eu fiz o curso de inspeção de equipamentos no antigo órgão que existia. Não resolvi seguir o trabalho de inspetor de equipamentos, mas trabalhava na divisão de engenharia e me especializei em equipamentos de montagens industriais, montagem de obras de construção. O meu primeiro trabalho na refinaria foi junto à central de concreto. Eu programava e fazia os relatórios de distribuição de concreto na execução de todas as unidades operacionais da refinaria. Mais tarde, eu me formei em Economia.
Prosseguindo a minha trajetória, chegamos até a época de 1964, uma época conturbada. Me lembro que eu saí de casa, peguei o ônibus e, quando cheguei na refinaria, encontrei tanques que tinham tomado conta da refinaria; houve uma intervenção militar naquela época. Mas assim mesmo a refinaria superou tudo isso e, por volta de 1969, o presidente Geisel, então presidente da Petrobras, criou o Grupo Executivo de Obras Prioritárias, o...
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Meu nome é Horácio Puppi. Nasci no Rio de Janeiro em 23 de agosto de 1936.
O meu ingresso na Petrobras se deu porque, em 1960, eu tinha deixado a escola militar Aman e um colega meu tinha um parente trabalhando na Petrobras, na construção da Reduc, a Refinaria de Duque de Caxias.
Reduc
Ele me indicou a esse parente e eu fui procurá-lo na Reduc. Eu cheguei numa manhã com muita chuva, a Reduc estava sendo construída, não existiam as instalações que existem hoje, eram barracos de obra mesmo.
E eu tive que andar com lama num paper way recém aberto até o local que me indicaram. Foi a primeira experiência minha e o primeiro contato que eu tive com a Reduc. Eu costumo dizer que sou um reduqueano de nascença, porque foi o meu primeiro local de trabalho e até hoje ainda retornei à Reduc, mesmo depois de aposentado como terceirizado.
A minha experiência toda e a minha vida toda estão muito ligadas à Reduc e, conseqüentemente, à Petrobras.
Após ingressar na Reduc, eu participei de muitos eventos; inclusive, eu fiz o curso de inspeção de equipamentos no antigo órgão que existia. Não resolvi seguir o trabalho de inspetor de equipamentos, mas trabalhava na divisão de engenharia e me especializei em equipamentos de montagens industriais, montagem de obras de construção. O meu primeiro trabalho na refinaria foi junto à central de concreto. Eu programava e fazia os relatórios de distribuição de concreto na execução de todas as unidades operacionais da refinaria. Mais tarde, eu me formei em Economia.
Prosseguindo a minha trajetória, chegamos até a época de 1964, uma época conturbada. Me lembro que eu saí de casa, peguei o ônibus e, quando cheguei na refinaria, encontrei tanques que tinham tomado conta da refinaria; houve uma intervenção militar naquela época. Mas assim mesmo a refinaria superou tudo isso e, por volta de 1969, o presidente Geisel, então presidente da Petrobras, criou o Grupo Executivo de Obras Prioritárias, o Geop, e eu fui designado chefe do setor de planejamento de obras. Essa foi uma grande experiência na minha vida, foi realmente o que me impulsionou dentro da Petrobras. Tinha quatro grandes empreendimentos prá serem executados, com prazo determinado de mil dias, e o Geop cumpriu muito bem essa missão, a ponto de ter concluído como seminário de tudo que foi feito, e daí isso foi embrião do Segen - Serviço de Engenharia. Nasceu daí o Segen, hoje extinto. Depois, teve um período de 18 meses que eu deixei a Petrobras, pedi demissão e passei 18 meses fora. Retornei ao sistema via Copene - Companhia Petroquímica do Nordeste, e fui a Camaçari na central de matérias-primas, sempre ligado a planejamento de construção e montagem da Copene. Eu continuei no sistema na Braspetro, que foi onde me aposentei. Diria que eu sou um petroleiro de nascença. Me aposentei, fiquei cinco anos aposentado, e agora retornei à Petrobras, dessa vez como tercerizado, trabalhando na refinaria na parte de engenharia na Ierque - Implantação de Empreendimentos na Reduc. Estou feliz, porque continuo fazendo o que sempre quis, o que gosto.
Os companheiros são os mesmos, os colegas são os mesmos, mas tive uma vivência muito grande, coisas muito interessantes que eu passei na Petrobras.
Inclusive, nas épocas em que muitas coisas foram feitas no sentido de acabarem com a Petrobras, as maledicências, as informações malévolas que sempre se fez contra a Petrobras, eu digo que ela vale realmente pelo potencial de seus trabalhadores porque é a força de trabalho que realmente dá à Petrobras essa grandiosidade que ela tem. É o trabalhador com a sua força, com seu denodo, que transformou isso numa grande empresa. E o orgulho de ser petroleiro só é superado por um outro orgulho, que é o de ser brasileiro.
Contam que, na época da intervenção, em 1964, o coronel interventor reuniu os supervisores de operação, os engenheiros e tudo mais e, no sentido de mostrar a sua autoridade, pediu que a tocha da refinaria iluminasse a cidade do Rio de Janeiro. Era exatamente o que o pessoal queria, mas não foi cumprido, porque a consciência do petroleiro foi maior que esse absurdo. Mas esse é um dos fatos interessantes.
Outro fato marcante também foi um incremento que a Petrobras teve na parte off-shore, que hoje detém realmente toda a tecnologia de águas profundas e faz cada vez mais o orgulho da gente, ficar em evidência claro. No mais, são os companheiros, aqueles que participaram com a gente de tudo isso, os que já se foram.
Outro fato marcante foi a explosão, isso na década de 70. Uma esfera que explodiu na refinaria. Uma esfera é um tanque esférico que armazena gás. Numa madrugada, houve um vazamento, e esse vazamento com fogo fez a esfera explodir. Foi o primeiro acidente grave que houve na refinaria naquela época, isso ficou bem marcado na gente, no pessoal que trabalhava lá.
No mais, é a convivência com todos os colegas, realmente como se fosse uma família, porque todos nós somos unidos. O petroleiro antigo, ele veste a camisa da empresa. Ele veste mesmo. Hoje a coisa está um pouco mudada devido a essa execração de concorrência, essa dificuldade em se colocar. A política atual faz com que a gente veja a empresa com outros olhos, porque muitos já tentaram acabar com ela, mas esbarram, batem de frente com a força do petroleiro.
Eu acho interessante essa iniciativa, esse projeto de contar a história da empresa através da visão dos seus trabalhadores. A população geral só conhece a Petrobras através das informações da imprensa, que nem sempre tiveram a resposta à altura por questões políticas. E têm uma imagem muito malfeita da Petrobras, porque o povo, de um modo geral, pensa que a Petrobras é só esse prédio grande, monumental, maravilhoso, quando na realidade eles esquecem as plataformas, esquecem o campo de produção, esquecem os terminais, esquecem todo o trabalho e toda a trajetória da Petrobras em relação ao meio ambiente, em relação à sociabilização dos locais onde ela atua. Isso não aparece, mas quem é petroleiro sabe, então essa imagem deverá ter agora um pouquinho mais de força com esse tipo de trabalho.
A relação do sindicato com a empresa, hoje são tempos novos, porque o conflito do sindicato, do empregador com o sindicato, dos operários, isso é circular, mas hoje está assumindo realmente uma outra posição, em que se dá mais força ao diálogo, se dá mais força à compreensão, se tenta trabalhar em prol do desenvolvimento da empresa e não somente se vê a luta de classes em ambos os lados, isso é importante.
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