(00:20) P1 - Vamos começar, então. Queria pedir para você falar de novo seu nome completo, onde você nasceu, dia, mês e ano.
R1 - Meu nome é Solano Benedito Teixeira dos Santos, nascido e criado no Paracatu do Príncipe, 28 de setembro de 1979 é a minha data de nascimento, Paracatu, Minas Gerais.
(00:45) P1 – Está certo. E os seus pais são de onde?
R1 - Meu pai e a minha mãe são zona rural. Minha mãe foi nascida no São Sebastião, povoado de São Sebastião, bem pertinho. E meu pai nasceu na aldeia, município de Unaí, mas entre Paracatu e Unaí, onde se conheceram e vieram morar na cidade.
(01:16) P1 – Seus avós?
R1 - Meus avós também do São Sebastião, pelo lado da minha mãe, aquela terrinha boa ali, São Sebastião e pelo lado dos avós paternos também da aldeia. E, no passar dos tempos, vieram para a cidade, para morar aqui.
(01:39) P1 - E você sabe o que eles faziam? Seus pais, seus avós.
R1 - Meus avós... produtores rurais. Era a lida da roça, do dia a dia, de ambos os lados, tanto materno como paterno. E lá era a lida do gado, meu avô do lado materno era carpinteiro, fazia curral, trabalhava em fazendas. E meu avô com a minha avó também nesse mesmo segmento.
(02:15) P1 - E você, quando era pequeno, viveu nesse ambiente do meio rural e como foi aqui, para a cidade, como é que você... o que você lembra da sua infância, nesses ambientes?
R1 - Da minha infância, quando eu já me entendia por gente, meus avós de ambos os lados já residiam na cidade. Então, às vezes, eu ia em roça, na casa de tios, primos, custava esperar chegar as férias, para a gente ir para passear. Então, a lida deles na roça eu meio que não participei. Eu não cheguei a ver, assim, a olho nu, mas eu sei de histórias que meu pai e minha mãe contavam da lida deles, da infância deles, mas viver presencialmente não.
(03:13) P1 - E o que você lembra de ter vivido, na sua infância?
R1 - Na minha infância eu fui criado ali, na Praça...
Continuar leitura(00:20) P1 - Vamos começar, então. Queria pedir para você falar de novo seu nome completo, onde você nasceu, dia, mês e ano.
R1 - Meu nome é Solano Benedito Teixeira dos Santos, nascido e criado no Paracatu do Príncipe, 28 de setembro de 1979 é a minha data de nascimento, Paracatu, Minas Gerais.
(00:45) P1 – Está certo. E os seus pais são de onde?
R1 - Meu pai e a minha mãe são zona rural. Minha mãe foi nascida no São Sebastião, povoado de São Sebastião, bem pertinho. E meu pai nasceu na aldeia, município de Unaí, mas entre Paracatu e Unaí, onde se conheceram e vieram morar na cidade.
(01:16) P1 – Seus avós?
R1 - Meus avós também do São Sebastião, pelo lado da minha mãe, aquela terrinha boa ali, São Sebastião e pelo lado dos avós paternos também da aldeia. E, no passar dos tempos, vieram para a cidade, para morar aqui.
(01:39) P1 - E você sabe o que eles faziam? Seus pais, seus avós.
R1 - Meus avós... produtores rurais. Era a lida da roça, do dia a dia, de ambos os lados, tanto materno como paterno. E lá era a lida do gado, meu avô do lado materno era carpinteiro, fazia curral, trabalhava em fazendas. E meu avô com a minha avó também nesse mesmo segmento.
(02:15) P1 - E você, quando era pequeno, viveu nesse ambiente do meio rural e como foi aqui, para a cidade, como é que você... o que você lembra da sua infância, nesses ambientes?
R1 - Da minha infância, quando eu já me entendia por gente, meus avós de ambos os lados já residiam na cidade. Então, às vezes, eu ia em roça, na casa de tios, primos, custava esperar chegar as férias, para a gente ir para passear. Então, a lida deles na roça eu meio que não participei. Eu não cheguei a ver, assim, a olho nu, mas eu sei de histórias que meu pai e minha mãe contavam da lida deles, da infância deles, mas viver presencialmente não.
(03:13) P1 - E o que você lembra de ter vivido, na sua infância?
R1 - Na minha infância eu fui criado ali, na Praça Firmina Santana e bem em frente à minha casa tinha, onde é a Praça Firmina Santana hoje, era o quartel. Só que antes de ser quartel, lá era rodoviária. Só que eu não presenciei o lado da rodoviária, que a gente brincava muito por ali, mas acima, ao lado do quartel da Polícia Militar, tinha um lote vago. Não presenciei, mas eu já escutei falando do meu avô, da minha avó que lá, antigamente, era uma cadeia, quando era o quartel. Porém, lá ficou um lote vago e a minha infância foi ali. E lá tinha um campinho de futebol, onde a gente nomeou de Campim. A minha infância foi ali, brincando ali na Praça Firmina Santana, na Rua Olho D’água e custava chegar pra sair da escola, pra ir brincar nesse campinho. E a gente tinha uma turminha muito boa lá, os amigos da infância jogavam bola cedo e de tarde. Quando esse Campim teve um período alugado, pra um material de construção e a gente foi pra rua, pra jogar o golzinho, sempre praticando algum esporte, naquela brincadeira e eu fui criado ali, na Praça Firmina Santana.
(04:54) P1 - Você tem irmãos?
R1 - Tenho irmãos. A minha irmã hoje, atualmente, mora em Uberlândia. Ela chama Suleima, até mandar um beijão para ela. É o cérebro, ela é muito inteligente, sabe? Ela trabalha numa empresa, lá em Uberlândia. Eu me lembro que ela foi para lá, para estudar e saía daqui chorando para ir para lá, muito apegada com o pai, com a mãe. Meus pais, toda a vida, foram assim: um pai e uma mãe muito protetores, sabe? Protetores, mas na hora de corrigir, de ser rígidos, eram rígidos. E nós muito apegados com o pai e a mãe. Eu me lembro como hoje, ela ia chorando na rodoviária. Ou uma ocasião ou outra a minha mãe mais meu pai entrava dentro do carro e levava. Eu sei que nessa brincadeira aí eu acho que já tem mais de 18 anos que ela reside lá, em Uberlândia. Hoje enraizou e eu creio que, se for para voltar para Paracatu, vai ser se aposentar, o que hoje ela enraizou, casou, mora lá, mora bem, mandar mais um beijão para ela. E tem meu irmão caçula, que é Saulo, Saulo Teixeira. Um menino muito bom, estudioso, sabe? Muito inteligente também. Eu falo, em questão de inteligência, o que passou neles, faltou em mim. (risos) Mas não é, é uma brincadeira que a gente faz, né? Muito ‘cabeça’, hoje ele trabalha na empresa aqui em Rossi, se não me engano há 17 anos, não precisamente, mas eu acho que é isso. Mas ele foi militar, morou em Brasília, esteve na Marinha. É um ‘cara’, assim, muito sensacional. Eu sou suspeito de falar dos meus irmãos, que a gente tem um convívio muito bom. São duas pessoas que eu sou ‘fã de carteirinha’, minha irmã e meu irmão. Pessoas que... fenomenais e um exemplo para mim. Eu sou suspeito falar deles. Beijo para os meus irmãos Suleima e Saulo.
(07:10) P1 - Então, você está falando aí dos seus irmãos, da sua família, com muito carinho, gosto. (risos) Como é era a vida de vocês, assim, cotidiana? Você brincava de futebol com seus amigos, né? Mas a vida da família, como era? Tem alguma característica, alguma tradição, algum costume específico? Como é era a vida de vocês? A rotina do dia a dia.
R1 - Quando criança, a rotina nossa, meu pai mais minha mãe criou a gente muito... não vou dizer muito rígido, mas cobrava muito da gente em questão da honestidade. Se eu chegasse com uma bala em casa, que não fosse eles que tivessem me entregado, eles queriam saber de onde foi, de onde vem, quem te deu. Então, mas com isso eu agradeço hoje, se eu tenho honestidade hoje, eu agradeço meus pais. E essa formação, a maneira que eu fui criado foi para todos. Eles cobravam muito da gente, mas sempre um pai e uma mãe muito carinhosos, muito carinhosos para a gente. E lá em casa, uma coisa que eu não esqueço, era muita fartura. Pessoal criado em roça e nunca faltou para a gente o pão de cada dia. Mas meu pai era pedreiro, não tinha uma profissão: “Nossa, aquele ali ganha bem!” A minha mãe era costureira. Então, nunca faltou o pão de cada dia, sempre aquela fartura. Minha mãe fazia bolo, roda de bolo, pão de queijo. E uma coisa lá em casa que eu nunca esqueço, nunca que almoçava somente nós de casa. Assim, sempre chegava alguém diferente e nunca faltou. Almoçava todo mundo, aquela fartura, aquela coisa mais gostosa e a casa era sempre cheia, muito cheia de gente, sabe? Inclusive, vinha gente de fora. E, naquela época não é igual hoje, era diferente. Eu já perdi as contas de pessoas que ficaram lá em casa, para estudar. A filha da minha comadre, lá da roça, ficou lá em casa para estudar até formar e morava com a gente numa casa simples, humilde, mas aconchegante, era ali no centro da cidade. E uma coisa também que eu não esqueço, onde também era o pão de cada dia, era o sustento. A minha mãe vendia isca, isca para pesca. Aqui em Paracatu tem o Rio Paracatu, que é movido muito a pescaria e tem o Country Club Brasília. O pessoal vinha direto de Brasília. Então, a minha casa era muito movimentada. Minha mãe vendia isca e a cidade toda não tinha lugar nenhum que não vendia... a gente não vendia artigo para pesca, mas sim a isca e o tempo todo chamava minhocuçu, tinha tuvira e tinha o mussum também. Então, chegava de fora aquela correria, a gente ajeitava ali tudo bonitinho, logo, logo vendia. E minha mãe também dava aula de corte e costura. Tinha um salão na frente de casa, uma mesa enorme, grandona e lá tinha os períodos, né? (11:22), manhã e à noite. Então, a casa era sempre cheia de gente. E aquela fartura que eu não esqueço. Muita fartura. Nunca faltou nada para a gente, graças a Deus. Uma criação boa que eu tive. Eu não tenho nada a reclamar.
(11:39) P2 - Solano, e na parte da educação, como é que foi? Você falando que, como você é um Benedito, você era um menino custoso, né?
R1 - Isso. (risos)
(11:49) P2 - Falam que quem tem sobrenome de Benedito é uma criança sapeca, né? Mas como foi o Solano nos primeiros períodos da escola? Quais as lembranças que você tem, dessa época?
R1 - No período da escola era bom demais. Uma época boa, época de se recordar. E eu vou voltar um pouquinho no passado, aqui. O meu prezinho foi com uma professora aqui que era referência, chamava Dona Aurora. Era um prezinho, assim, que todo mundo passava por ela. E ela era muito rígida, mas, porém, carinhosa. E foi um prezinho assim que eu nunca esqueci. Depois, quando eu saí de lá, eu fui para um outro prezinho, eu não me engano se ela estava com problema de saúde e foi perto da minha casa, Ciranda Cirandinha. Foi um período muito bom, lá tinha a cantineira Tia Matilde e tinha aquela musiquinha, né? “Bom dia, Tia Matilde, como vai?” Aí as musiquinhas não saem da cabeça da gente. “Faremos o possível para ser bons amigos. Bom dia, Tia Matilde”. Então, tinha que cantar essa musiquinha na hora do lanche, né? Na hora do lanche. E também, eu estudei no Afonso Arinos, escola diferenciada, top demais, mas eu não era assim, eu era muito sapeca, eu era custoso, custoso mesmo, até dentro de casa, (risos) às vezes meu pai saía para trabalhar, minha mãe falava: “Eudeu, você pode carregar Solano? (risos) Ele mexe com Suleima e com Saulo. Pode carregar, que hoje...”. Mas aquela arte de criança, tanto é que é Solano Benedito. Foi uma promessa de São Benedito. O nome Solano, lá em casa é tudo com S: Solano, Suleima e Saulo e o nome Solano minha mãe falou que ela teve um colega que chamava Solano e era muito custoso também, mas (risos) como diz o outro: “Da barriga, vai saber se eu sou custoso ou não”, mas colocou. E tinha aquele negócio: se fosse homem, minha mãe escolhia; se fosse mulher, meu pai escolhia o nome. Então, foi por isso aí. Um período meu que marcou, eu saindo também do primário e tal e eu fui para o Colégio Estadual Antônio Carlos. Que época boa! Lá eu fiz muitos amigos e era apaixonado por futebol, jogar bola, esses jogos escolares eu jogava também, eu era muito participativo, mas não era muito estudioso, mas eu participava, ‘corria atrás’ e terminei os estudos, mas dizer que eu ia para a escola com prazer, porque eu gostava de estudar, eu estou mentindo, tenho que ser sincero. Mas ia. (risos)
(15:37) P2 - E esse período, o que você acha que foi esse período da escola, na sua vida? O que isso te trouxe, em termos de transformação? Como é que foi isso?
R1 - O período na escola, pra mim, em questão de amizade, em si, de transformação, foi essencial porque, na minha época, os meninos a gente conhecia: “Você é filho de quem?” A professora já sabia: “Você é filho de fulano, você é filho de ciclano”. Nessa época, Paracatu era menor. Para mim foi essencial em questão de amizade, em questão de convívio, em questão de aprender a conversar, a lidar com as pessoas, a aprender, a respeitar. Foi uma parte muito essencial da minha vida, onde os professores cobravam muito da gente, tem um carinho, um beijo para todos os professores meus daquela época. E até hoje ainda vejo na rua e a gente tem aquele carinho incrível. Pro meu crescer, para a minha educação, foi uma parte, assim, muito essencial e aprendi também, além dos meus pais, a discernir do certo, do errado. Eu, graças a Deus, nunca mexi com coisa errada em questão da escola, em questão dos meus pais também. Para mim, para o meu crescer, foi uma parte fundamental a escola.
(17:13) P1 - E quando você começou a pensar o que você queria ser, quando crescer?
R1 - Nessa época, para você ver, a minha família, meus tios, a vida toda foram caminhoneiros. E eu cresci vendo-os de caminhão, viajando para lá e para cá e na minha cabeça eu queria ser caminhoneiro. Aí perguntava o que eu queria ser: “Não, quero ser caminhoneiro”, porque eu achava bonito e, nas minhas férias, meus tios também muito carinhosos comigo, me levavam para viajar. Às vezes o caminhão quebrava, dormia na beira da estrada, mas para mim era a coisa mais gostosa do mundo. O que, para eles, às vezes, estava cansado, era o sofrimento de um caminhão quebrar, para mim era a coisa mais gostosa do mundo estar ali. E chegou um período, que chegando aos meus 18 anos, eu tive que alistar. E nesse período, fui selecionado, onde morei um ano em Cristalina e servi o Exército. Lá no Exército tinha que fazer os exercícios físicos, mas tinha as partes também que você tinha que conversar, tinha a comunicação e tal, onde eu sobressaí conversando, mas lá não tinha rádio, não tinha essas coisas, não. E quando eu voltei para cá, para Paracatu, nesse período de um ano que eu fiquei lá, eu com 18 anos, era apaixonado por rádio. Escutava rádio e não podia passar em frente a uma loja, pelo letreiro ali, na minha cabeça eu já criava alguma coisa. Alguma propaganda já mexia com alguma coisa, nessa época. E teve um período da minha mãe que nós começamos com o telemensagem. Aquela ligação por telefone. Era Telemensagem Explode Coração, o nome. E até hoje é. E nesse período eu já trabalhei numa rádio, aqui em Paracatu, trabalhei um período bom, aí fui aprimorando. E nessa telemensagem, nós começamos com a mensagem ao vivo também, primeiro por telefone. Você ligava para a pessoa: “Alô, quem fala? Aqui é do Telemensagem Explode Coração, um minutinho só, que temos uma mensagem para você”. E a gente tocava aquela mensagem, no finalzinho: “Você gostou? Com muito amor e carinho, quem te mandou essa mensagem foi fulano”. E quando começou aquela febre de mensagem, você via, você escutava a pessoa chorar ali, por telefone, que realmente tocava mesmo. E virou aquela ‘febre’, aquela coisa e a gente não parava. E as ao vivo, então? E a gente ia na porta das pessoas, para fazer a mensagem ao vivo, naquela época. Porém era com uma parceria, um colega da gente tinha um carro, era gravado, a gente chegava, tocava a mensagem, através até de fita, no finalzinho tirava a fita, dava para a pessoa, aí foi aprimorando, levava rosas e tal e também a gente ia, quando passou para CD, gravava o CD, entregava na porta da pessoa e isso a gente foi aprimorando, mexendo, surgiu a oportunidade de eu trabalhar na TV, na época era o Programa Balança Paracatu, virou uma ‘febre’ aqui na cidade também, uma audiência incrível, onde a gente levava as matérias de pedido de ajuda e também procurava levar o humor. E o pessoal esperava e eu, toda vida, fui aquele tipo de pessoa que eu não tinha vergonha com as coisas. E, lá no programa, ‘botava’ peruca, vestia de mulher, ia na rua, fazia as ‘pegadinhas’. E assim foi crescendo. Essa parte... eu não tinha timidez para mexer com as coisas, sabe? Aí foi aonde surgiu também a mensagem ao vivo. Aí passamos a fazê-la tudo ao vivo, como até hoje eu ainda faço. É difícil um dia que não tenha uma mensagem ao vivo, que a gente vai para fazer nas portas. Aí você vai aprimorando, você vai mudando, você vai levando. E hoje a gente faz mediante a demanda. Conversa com a pessoa, da mesma maneira que vocês estão conversando comigo, eu converso com a pessoa para entender quem está mandando, quem vai receber, o que a pessoa é sua. A gente faz o estudo antes, para chegar lá já para levar um serviço de qualidade.
(22:41) P1 - Como funciona? As pessoas ligam para vocês, falam... eu estou falando. (risos) Como funciona? Tenho curiosidade.
R1 – Isso. A mensagem ao vivo hoje... hoje em dia as redes sociais tomaram conta, né? E eu faço muita mensagem, eu também posto no Instagram, TikTok, Facebook ainda posto. Então, o que eu mexo com mensagens aqui já tem mais de uns 25 anos que eu mexo nessa área. Então, praticamente a cidade toda já conhece o meu trabalho. Praticamente. Os que não conhecem, às vezes é porque a gente é de fora e tal. Mas o pessoal liga: “Eu quero uma mensagem”. Eu vou em zona rural. Tem vez de andar sessenta, setenta quilômetros daqui, de estrada de chão, pra gente levar aquela emoção, aquele carinho. Essas cidades perto, aqui, que às vezes não tem o serviço de mensagem, a gente vai pra levar. E o pessoal liga.
(23:46) P1 - Mas a pessoa te passa a mensagem pronta, ou você que... ela fala o que quer dizer e você monta?
R1 – A mensagem só me passa o que quer e a gente faz tudo ao vivo, na hora. Até brinco. Sem roteiro, sem nada. Nua e crua, é tudo ao vivo, tudo feito na hora.
(24:08) P1 - Mas a mensagem, quem é que monta? Quem é que cria a mensagem? A pessoa, ou é você?
R1 - É tudo na cabeça. Sou eu que faço tudo. Tudo na cabeça, tudo sem roteiro, sem nada. Eu chego lá e deixo acontecer. É o ao vivo e em cores mesmo, na hora.
(24:26) P1 - Você lembra de alguma mensagem que te emocionou, ou que deu...
R1 - São muitas mensagens.
(24:35) P1 – Então, 25 anos...
R1 - Inclusive hoje, com muito respeito, eu faço até cortejo fúnebre. O que é? A pessoa, o familiar, o ente querido pede para tocar música na porta do velório, sabe? Aqui em interior tem. Eu faço. E olha pra você ver um detalhe, que coisa mais impressionante! Duas ou três pessoas, às vezes passam na rua, brinca comigo: “Solano, (risos) quando eu falecer eu quero você lá”. Eu falo: “Então vai demorar, vai demorar eu ir lá, que eu quero você por muito e muito tempo”. Só que é uma homenagem prestada pra um familiar, sabe? E em questão de mensagens, teve um fato até engraçado, sabe? Assim, aconteceu em uma roça. É mensagem para qualquer ocasião. E essa mensagem lá, hoje eu encontro com o rapaz, com o casal e a gente senta e dá gargalhada, vocês também vão entender. E no carro, eu tenho os leds, na época era um giroflex, o casal desentendeu, brigou e a moça entrou em contato comigo: “Solano, nós desentendemos lá, mas foi briguinha à toa. Eu queria que você fosse lá, tocar uma música para ele, a gente dá muito certo, mas o casal... isso acontece”. Saiu daqui (26:16). A esposa do rapaz também foi, foi num carro com o filho. E, na briga dos dois, no calor da emoção, a esposa falou: “Não, eu vou lá na polícia, vou dar parte de você”. Beleza, assim ficou na cabeça dele. E a gente sai daqui e eu ligo o som. Na época eu não me recordo do nome do rapaz, vim: “Atenção, atenção, fulano, atenção, fulano” e o giroflex. Esse homem saiu correndo no fundo da roça, quebrando bananeira no peito, quebrando cancela, (risos) saiu quebrando tudo e sumiu para o meio do mato. A esposa: “Meu Deus do céu, que aconteceu? Nossa, ele correu”. E depois eu fiquei sabendo que ele ficou três dias no mato com fome, com sede, dormindo no relento. (risos) Aí depois ele voltou meio ressabiadinho, olhando pra lá e pra cá: “Mulher do céu, você chama a polícia pra mim, ainda manda me chamar no microfone?” (risos) Aí depois eu encontrei: “Não, marido, era uma mensagem pra você” “Mas você queria o quê? Nós discutimos aqui, você falou que ia chamar a polícia pra mim, que eu chego aqui, um carro gira as luzes da polícia e me chamando pelo nome, eu vou ficar dentro de casa?” Aí depois eu fiz a mensagem pra eles, retornei lá e serviu pra gente rir, bater papo, fez um biscoito lá, fez um bolo e eles estão juntos até hoje, então foi um fato que me marcou, dele contar que ficou três dias no mato, (risos) com fome, com sede e com medo da polícia prendê-lo. Foi um fato que marcou muito. (risos)
(27:58) P2 - Solano, você falou que começou, nos primeiros contatos, no Exército, aquela coisa da conversa e primeiras mensagens ali no Telemensagem.
R1 - Justamente.
(28:10) P2 - Mas o que você acha que mudou na sua vida a partir do momento em que você começou a se comunicar assim, com as pessoas?
R1 - Então, a princípio, o começo foi muito difícil. Eu comecei fazendo propaganda no carro dos outros. Aí eu saía vendendo: “Moço, você tem loja? Vamos fazer uma propaganda ao vivo aí, na rua?” Aí onde eu fechava, que a gente trabalha por hora. Se eu fechasse uma hora, um exemplo: se a hora hoje fosse dez reais, então cinco reais eram meus e cinco reais era do dono do carro do som. Eu não tinha carro de som, nessa época. Aí a coisa foi fluindo, foi aumentando, muito trabalho, muito serviço, eu conversei com meus pais: “Não, me ajuda a comprar um carro. Tem um carro vendendo ali, é um Premiumzinho, custa três mil, pai, (risos) me empresta aí, que eu pago o senhor”. Isso logo 18, 19 anos, né? Aí, quando eu chego na casa de um colega, uma caixa de som muito simplesinha, estava lá encostada, tinha um galinheiro, galinha cagava em cima dessas caixas. Falei: “Não, me vende essa caixa aí, ou então me empresta”. Eu achava que era só chegar e ‘botar’ em cima. Não sabia que tinha que ligar potência e tal. Aí eu comprei essa caixinha, lavei bonitinho, pintei e comprei esse Premium. No que eu comprei esse Premium, eu rodei duas horas, (risos) ele fundiu o motor. (risos) Quem me vendeu já sabia. (risos) Eu falei: “Meu Deus do céu, como é que eu vou fazer? Eu peguei o dinheiro emprestado aqui, pra eu pagar e pra trabalhar com o serviço”. Aí eu fui lá no rapaz, um rapaz muito gente boa, motorista do DR. Falou: “Eu não vendi de má fé com você, não, ele estava rodando perfeitamente”. E na verdade não foi. E ele me ajudou a arrumar esse motor, sabe? Aí o carro não estava ‘fumando’, não. Não estava saindo muita fumaça. Eu comecei a andar nele e parecia que era uma carvoeira. Eu passava na rua e os outros perguntavam: “É a lenha?” (risos) Porque saía fumaça demais, né? (risos) Eu falei: “Não, não é a lenha, não”. (risos) Aí eu arrumei o carro, só que aí eu fiquei com ele mais uns cinco anos. Aí as coisas eram (risos) difíceis, mais, na época, para mim. Difícil assim, porque eu falo que não tinha muito serviço e ele era a álcool e ele engasgava muito. Aí o rapaz falou assim: “Você ‘bota’ álcool e gasolina”. (risos) E eu ‘botava os dois’, álcool e gasolina. “Você ‘bota’ dez, você coloca cinco de álcool e cinco de gasolina”. (risos) E Deus foi ajudando e foi melhorando as coisas e serviço não faltava. E como tem a propaganda gravada e o meu diferencial era ao vivo, só que eu faço a gravada e a ao vivo as propagandas e, com isso, eu sobressaí com as propagandas ao vivo, aí as portas abriram, abriu um ‘leque’. E chegou um ponto que, às vezes, um comerciante tem aquela hora mais cobiçada, que seja de duas às quatro. Um exemplo, não estou dizendo que é essa a melhor hora. E os comerciantes, às vezes, chocavam, falava: “Não consigo te atender. Essa hora já estou marcado”. E aí começaram a fechar os pacotes, sabe? Depois eu passei pra um Fiat Uno, aí melhorou, aí não era a lenha, mais, não, (risos) não saía aquela fumaceira. (risos) Já era um carro melhorzinho. Desse Fiat Uno, trabalhei bastante com ele, ficou um carro bonito. Tinha o som, tanto interno, como externo. Aí eu já fui mudando a caixa de som. Depois eu passei para outro Stradinha, cinza, onde eu montei o bauzinho, o minitrio e um som muito bom também. Trabalhei bastante com esse carro, era um carro prata. Eu o comprei de um rapaz, chama Carlão e nisso eu fui mexendo. Hoje eu tenho um carro, não vou dizer que é bom, não, mas é um carro que não precisa colocar lenha nele, para trabalhar. (risos) Ele já é flex, é um carro melhorzinho e graças a Deus hoje eu também trabalho com a comunicação, apresento alguns eventos aqui na cidade, né? Na proporção, são muitos eventos, nós temos muitos colegas na parte da locução, de apresentação e eu ainda apresento alguns eventos aí.
(33:38) P1 - E como você passou disso para a telemensagem? Como é que foi isso?
R1 - Na verdade, telemensagem foi o primeiro, né? Eu comecei com telemensagem no telefone, depois a gente passou para fazer ao vivo as mensagens na porta da pessoa. Aí eu fui fazendo propaganda e hoje eu faço a propaganda e faço as mensagens ao vivo. Que é essa que a gente vai de porta em porta, sabe? E apresenta alguns eventos aí: Carnaval eu sempre apresento; aniversário da cidade sempre apresento, sabe? O Integrar também, parceria com a Kinross, eu tenho que agradecer demais. Eu presto muito serviço para a Kinross hoje. Eu agradeço demais o carinho, a credibilidade, a confiança que eles têm em mim. Sabe, hoje eu faço também a entrega do jornalzinho Integrando, que é nas comunidades, sou eu que faço para eles. E esses eventos que têm rural, tanto na cidade, eles precisam de mim, eu estou sempre pronto a trabalhar e prestar um serviço de qualidade, sabe?
(34:58) P2 - E você tem notícia se você influenciou outras pessoas? Você falou que tem alguns colegas que também apresentam. Você sabe se teve alguma ‘galera’ que entrou nesse mercado que foi criado aqui, por você? Você sabe se teve mais alguém?
R1 - Então, nesse quesito, é igual eu brinquei com você no dia que você me ligou, eu falei: “Logo eu?” Nesse quesito, assim, eu não levo muito pro meu ego, muito pro coração. Mas hoje em dia, os próprios colegas falam: “Solano, se hoje eu estou no ramo, eu agradeço a você. Se hoje eu faço isso, eu te agradeço”. E eu sou o tipo de pessoa que não tem ‘olho grande’ com as coisas. Eu sou de dividir o pão. E tem muitos colegas que até hoje eu mando serviço, mando contato, falo assim: “Eu não posso fazer lá”. E como trabalha só eu e o carro, já teve uma época de ter dois carros de som. Dois ou três. Só que aí, no passar do tempo, eu vi que não estava legal. Às vezes o carro de som, o motorista de carro de som, é um ‘bico’ que ele faz. Às vezes, quando estava muito bom, ele conseguia arrumar uma coisa melhor, chegava e me agradecia e falava: “Não, vai lá, vai, eu concordo com você, você tem que ‘correr atrás’ mesmo”. Às vezes, o motorista. Mas muitos colegas na área de locução, hoje em dia me procuram muito para fazer porta de loja, locução de porta de loja. Só que, como sou eu que dirijo o carro de som, não tem como eu fazer dois, sabe? Às vezes eu até brincava: “Eu queria ser dois”. Mas até hoje eu indico muito serviço de carro de som de porta de loja, para fazer locução de porta de loja, sabe? Às vezes eu não posso. Então, a gente tem o contato das pessoas aqui e muitos que começaram e que estão até hoje e muitos que começaram na época que a gente incentivou e hoje já mexem em outro ramo, reconhecem, agradecem. Mas eu acho que eu cheguei para contribuir, né? Assim, para dividir o pão de cada dia.
(37:15) P1 - Como é que você vê isso? Você falou: “Cheguei para contribuir”. Como é que você a sua contribuição para Paracatu, além de você promover os negócios, mas pessoalmente, emocionalmente, como é que...
R1 - Eu sou um ‘cara’ que até é suspeito falar de Paracatu. Eu sou um paracatuense do ‘pé rachado’, que sou apaixonado por minha terra, apaixonado por minha cidade. A terra do pão de queijo, a terra do Mané Pelado, a terra do ouro. Então, eu ‘encho a boca’ pra falar da minha cidade, sabe? Mas também não gosto que fale mal daqui, não. Tem muita gente que chega aqui, que fala mal daqui. Eu não sou de tratar as pessoas mal e tratar ruim. Mas, se eu vir falando mal daqui, na educação eu falo: “Amigão, se às vezes isso aqui não estiver bom pra você, eu acho que você deve achar outro meio de ir embora”. Porque eu não gosto que fale mal de Paracatu, eu não gosto. Eu sou um ‘cara’ que não me vejo morando em outra cidade, a não ser que seja uma ocasião, um trabalho, que eu presto alguns serviços fora também, mas eu chego em outra cidade, não falando mal de outra cidade, eu chego lá respeitando, mas eu fico ‘louco’ para terminar meu serviço, para retornar para a minha terra, sabe? Aqui o meu convívio com as pessoas é muito bom. Onde eu saio na rua, se eu andar dois passos, eu converso com um e com o outro, cumprimento. O pessoal, graças a Deus, tem muito carinho comigo. Às vezes até passa despercebido de um ou outro me cumprimentar, às vezes passando do carro e eu não saber quem é. Naquele exato momento, naquele período: “Gente, quem é, meu Deus, quem é?” E às vezes eu fico até chateado de não ter dado atenção. E fico com medo também das pessoas falarem e julgarem assim... aqui tem aquela história, aquele dizer: “Fulano de tal é metido e tal”. Tipo: “Não dá assunto mais, para a gente”. Mas eu até peço desculpa, numa hora ou outra, se a gente não vê, que não é vaidade. É porque a gente não viu, mesmo. E o meu convívio aqui é bom demais. Paracatu é maravilhoso, essa terra aqui é cheia de pessoas boas, tem o seu lado ruim, que toda a cidade tem. Mas Paracatu é um berço, o pessoal daqui é muito acolhedor, sabe? Essa terra nossa aqui, ô terrinha boa, vocês vão ter a oportunidade de comer do pão de queijo, se não estiver com medo. (risos) O melhor, a capital do pão de queijo.
(40:00) P2 - E qual é o seu sonho? Já que você ama tanta essa cidade, o que você faz, qual é o sonho do Solano?
R1 - O meu sonho? Meu sonho não é muito grande, não. Eu não tenho ambição com... eu quero ganhar milhões, eu quero ganhar isso e aquilo. O meu sonho hoje é ter uma oportunidade, que seja, de poder ajudar o próximo. O que eu digo ajudar o próximo às vezes é ter uma condição melhor, ter um requisito melhor, de poder estender a mão mais, poder ajudar mais. E o sonho que eu tenho é de Paracatu fluir, o crescer de nossa cidade nunca parar, sabe? O crescimento para cá, onde as pessoas que precisam, o que eu digo no quesito, vamos... o recurso, você não tem que ir muito longe para realizar suas necessidades, não. Paracatu poder abranger. Já está tendo esse recurso, já está tendo. Muita coisa aqui melhorou, em vista de antigamente. O meu sonho que eu penso é... eu sou muito bobo, eu penso muito nos outros. Então, o meu sonho é que eu possa ajudar mais as pessoas e que os sonhos delas também realizem. E a gente estando junto, poder ajudar as pessoas mais e mais. Às vezes, hoje em dia, o recurso da gente não é aquela coisa muito favorável, mas o recurso... tá, eu tenho o meu recurso que dá pra eu viver bem, dá pra me manter e tal. Mas, às vezes, de uma maneira geral, assim, eu ajudo muita gente. Mas o meu sonho é poder ajudar mais, poder contribuir mais e ter aquele tempo, porque hoje em dia o tempo da gente é muito escasso, né? Eu acordo cedo, tenho a propaganda, do dia a dia na propaganda, à noite as mensagens ao vivo. Tem dia de eu passar ali, comprar uma marmita e comer até no carro, mesmo. Normal, como ali e tal e vai embora. E tem dia que não tem muito aquele tempo de parar, devido ao corre-corre. Eu saio cedo, tem dia que meia-noite eu tô dentro do meu carrinho ainda, trabalhando. Mas é assim.
(42:28) P1 - Mas esse ajudar, como você imagina? É dando dinheiro? O que você pode fazer?
R1 - No ajudar, eu tenho muito aquele comigo: “Você não dá o peixe, você ensina a pescar”. Não precisa de eu dar dinheiro: “Olha só, vou ser ‘seu’ Silvio Santos”, né? Ih ih. Não precisa! Ai, ai”. (risos) Em questão financeiramente, eu não quero ser um Silvio Santos. Eu quero ter uma capacidade. Vamos dizer hoje, hoje em dia, eu consigo montar uma empresa onde eu possa empregar e de lá ela tira o sustento da família. Eu digo nesse quesito, mas não tem nada em mente, de montar. O quesito de poder ajudar seria dessa forma: não dar o peixe, ensinar a pescar.
(43:33) P1 - Você tem consciência que você é um personagem de Paracatu.
R1 – Sim.
(43:41) P1 - Como é que é isso? Como é que é, para o Solano, ter se tornado um personagem de uma cidade como Paracatu?
R1 - Então, eu tenho comigo a minha humildade, chega e para, eu não tenho vaidade com muita coisa, não sou de muita coisa, tipo: subiu para a minha cabeça. Aqui tem muito isso: “Fulano de tal começou ali e ‘subiu para a cabeça’”. Hoje eu vou na casa de um pobre, eu vou na casa de um rico, com as mensagens, eu entro na cozinha de cada um, tomo um café e às vezes eu vejo comentário: “Nossa, Solano Teixeira esteve aqui em casa”. Às vezes a gente está passando com carro de som: “Ó, lá, Solano Teixeira’. Eu levo com muita naturalidade, porque eu sou muito simples de tudo. Assim, questão de... eu gosto de estar no meio das pessoas, de estar junto. Eu levo comigo com muita naturalidade. E sou muito grato também pelo carinho das pessoas. As pessoas têm muito carinho comigo, graças a Deus. É uma coisa que eu vou carregar para o resto da vida. Tanto na brincadeira, sabe? É difícil uma hora que a gente não está rodas de amigos, de pessoas, que a gente não dá uma gargalhada, não dá uma brincadeira. É uma conversa gostosa, espontânea. Não é uma conversa cansativa, sabe? E tem hora que às vezes dá até vontade de mais de estar junto das pessoas, mas às vezes é o corre-corre pra lá e pra cá. Eu sou o tempo todo na rua, passando com o carro de som. Às vezes o carro está desligado. Como a gente trabalha ao vivo, com o microfone: “Manda um alô pra fulano, manda um alô pra ciclano”. Às vezes nem não é aniversário de fulano. Ou hoje é aniversário dele. Só pra eles verem a gente gritar no microfone: “Um abraço, Zé. Um abraço, Chico”, sabe? Aquela brincadeira que é no dia a dia. Então, às vezes, querendo ou não, às vezes naquele certo momento, ali, a gente leva alegria para as pessoas, sem eu ser comediante, sabe? Aquela alegria, aquele papo gostoso, aquele papo bacana. Então, eu carrego comigo assim, sabe? Eu sou muito humilde, sou muito simples, eu não tenho vaidade de dizer: “Ah, eu sou isso, eu sou aquilo”, né? Igual muita gente vai se apresentar para você: “Ah, eu sou fulano. Eu sou assim, eu sou ‘assado’”. Eu sou mais no anonimato, eu sou mais da amizade, do carinho. E, se eu sair com você, se a gente descer ali, no Paracatuzinho, tem uma pessoa que me conhece, vai me cumprimentar e chamar pelo nome. Às vezes passa até despercebido, de eu não saber o nome da pessoa. Se eu for no centro da cidade, ali, vão ter pessoas que vão me cumprimentar, sabe? Assim, a minha popularidade, graças a Deus, hoje, não foi uma popularidade forçada. Eu nunca forcei nada. Eu nunca ‘puxei saco’ de uma pessoa ali que tem dinheiro, para entrar na casa dele. Às vezes tem coisas que a gente está fazendo uma mensagem, as pessoas chamam a gente para entrar, para ir lá na cozinha. Às vezes, quando dá tempo, a gente vai, quando não dá é porque de uma mensagem eu pulo para uma, pulo para outra. E assim vai, sabe? E eu não tenho aquela de forçar aquela amizade: “Opa, eu vou forçar ser amigo de fulano ali, porque ele tem uma moto boa, um jet ski, um rancho de pesca, para eu ir lá”. Não. Eu sou natural, o que é de gente que me chama: “Oh, vai lá em casa, vai lá, oh, tem um frango caipira lá, para você”. Mas é pela amizade, pelo carinho. As pessoas, graças a Deus, têm muito carinho comigo, mas acho que é mais o jeito que eu sou, simples assim, de ser, sem forçar, sem nada, mas pela minha simplicidade e pela educação que recebi dos meus pais.
(47:51) P2 - Solano, nesse seu percurso você ouviu muitas histórias, conheceu muitas pessoas, vivenciou muita coisa. E como é que foi e está sendo para você contar sua história para a gente?
R1 - Então, eu, nessas andanças, desde menino, já ouvi muita história das pessoas. E eu te confesso que, pela minha simplicidade, quando vocês entraram em contato comigo, eu até fiquei surpreso, falei assim: “Logo eu?” e tal. Mas eu vejo que é o carinho das pessoas, porque eu não venho aqui contar a minha história, sem ter uma história para contar. Eu acho que, se eu fosse uma pessoa ruim, malvada, uma pessoa que já tivesse prejudicado alguém, eu não estaria aqui, contando a minha história. Eu acho que ainda tenho muita ‘lenha para queimar’. Então, até fiquei surpreso de eu vir aqui contar a minha história por que, inclusive, até entrevistei alguém, as pessoas, para contar a história deles. E, às vezes, quando a gente reveste esse papel de contar a história da gente, às vezes é pego até meio de surpresa. Amanhã eu vou lembrar de alguma história e falar: “Nossa, eu poderia ter contado essa história aqui”, mas para mim é muito gratificante poder estar aqui, contando a minha história. Ainda tem muita história que às vezes fica para trás e vai ter muito mais história muito mais história para contar para as pessoas e eu fico feliz de poder registrar esse momento na minha vida. Eu já estou chegando quase meio século. Então, para mim é muito gratificante poder compartilhar, contribuir. E lá mais na frente meus netos, bisnetos, terem acesso a essa história, um pouquinho da história que, às vezes, amanhã ou depois, a única certeza que eu tenho é que um dia não estarei mais aqui, mas vai demorar muito, eu fiquei sabendo, vai demorar demais. (risos) Eu vou ficar muito tempo aqui e vai ficar registrado esse momento aqui. É só gratidão, mesmo, de saber que a gente pode contribuir com alguma coisa e saber que as pessoas vão lembrar de mim, vão lembrar desse momento aqui e agradecer a indicação. Só tem que agradecer.
(50:42) P1 - Então, nós que queremos agradecer para você.
R1 - Ô, minha querida, gratidão sempre.
(50:46) P1 – Ter dado presente para o Museu e para o mundo, porque todo mundo agora vai poder te conhecer.
R1 - Vai poder saber da história desse paracatuense aqui, do ‘pé rachado’, que é apaixonado pela cidade. (risos)
(51:00) P2 - Muito bom, realmente. Obrigado mesmo por você ter gastado um pouquinho do seu tempo aí, com a gente. A sua história é maravilhosa, a gente estava muito curioso para saber. E parabéns também. Parabéns pelo que você fez, pelo que você faz e pelo que você ainda vai fazer, pela cidade.
R1 - Ô, meu querido, eu que agradeço você. Você também, obrigado pelo carinho. E a gente está sempre aqui, está para somar. Eu sei que o retorno de vocês não vai ser só essa vez, vai vir sempre aqui. É um trabalho brilhante que vocês fazem, de entrevistar, de levar esse conhecimento. Eu sei que depois vai ter a parte de edição, a parte disso e daquilo, mas são os ‘feras’ da edição, os meninos são bons, viu? Esses meninos aí são diferenciados, um trabalho incrível, são parceiros também no trabalho. São meninos que estão dia a dia ali, ‘correndo atrás’ dos sonhos também. E só agradecer a vocês aí, na nossa cidade e que voltem sempre, né? Isso!
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