(00:21) P1 - Senhor João, vamos começar? E aí começa falando o nome do senhor.
R1 - Eu falo um pouco porque, no passado eu tive um trio. Logo quando começou, há quarenta anos, que eu vim pra cá, o Ouro era da praia, então eu tinha um trio que chamava Trio Coração de Ouro e hoje está Dupla Coração de Ouro, porque era trio em família. Eram dois irmãos, Deus levou o meu irmão, que fazia parte, ficou pai e filho, que é João do Forró e Delvanei Silva, que hoje está no momento. Eu não perguntei você, que a entrevista foi só com... está sendo só comigo, eu não pus o Delvanei Silva, que é meu filho, mas por hoje temos um trabalho, nós trabalhamos juntos hoje, pai e filho, João do Forró e Delvanei Silva, Dupla do Coração de Ouro.
(01:23) P1 - Bacana. Senhor João, e o senhor nasceu onde?
R1 - Eu nasci no município de Vazante.
(01:34) P1 - Em que ano?
R1 – Foi 1958.
(01:44) P1 – E quando que... primeiro, como é que era essa infância do senhor? Como é que era lá? Quando que vocês vieram aqui para Paracatu?
R1 - A minha infância uma muito boa, boas lembranças, boas recordações. Era uma vida sofrida, aquela vida sofrida, mas a gente era feliz, de verdade. A gente, realmente, não tinha uma cama para dormir, mas tinha a felicidade. A gente era feliz, família unida. Então, sempre sonhei em ser um músico, por onde não ganhei dinheiro na música, mas eu sou um músico, graças a Deus. Eu agradeço a Deus até hoje o que Ele já fez por mim. E eu tenho certeza que nunca é tarde para ser feliz, eu não espero mais felicidade e mais apoio de quem pode me dar apoio na área da artista, na música porque, se Deus quiser, eu ainda quero... eu tenho um sonho, por onde eu tenho um projeto, que chama Salva Vida, esse projeto foi aprovado. Através desse projeto Salva Vida, eu ajudando alguém a viver, eu também quero mais é viver e ter uma vida mais confortável, ajudar aquelas pessoas que mais precisam do que eu, mas eu, graças a...
Continuar leitura(00:21) P1 - Senhor João, vamos começar? E aí começa falando o nome do senhor.
R1 - Eu falo um pouco porque, no passado eu tive um trio. Logo quando começou, há quarenta anos, que eu vim pra cá, o Ouro era da praia, então eu tinha um trio que chamava Trio Coração de Ouro e hoje está Dupla Coração de Ouro, porque era trio em família. Eram dois irmãos, Deus levou o meu irmão, que fazia parte, ficou pai e filho, que é João do Forró e Delvanei Silva, que hoje está no momento. Eu não perguntei você, que a entrevista foi só com... está sendo só comigo, eu não pus o Delvanei Silva, que é meu filho, mas por hoje temos um trabalho, nós trabalhamos juntos hoje, pai e filho, João do Forró e Delvanei Silva, Dupla do Coração de Ouro.
(01:23) P1 - Bacana. Senhor João, e o senhor nasceu onde?
R1 - Eu nasci no município de Vazante.
(01:34) P1 - Em que ano?
R1 – Foi 1958.
(01:44) P1 – E quando que... primeiro, como é que era essa infância do senhor? Como é que era lá? Quando que vocês vieram aqui para Paracatu?
R1 - A minha infância uma muito boa, boas lembranças, boas recordações. Era uma vida sofrida, aquela vida sofrida, mas a gente era feliz, de verdade. A gente, realmente, não tinha uma cama para dormir, mas tinha a felicidade. A gente era feliz, família unida. Então, sempre sonhei em ser um músico, por onde não ganhei dinheiro na música, mas eu sou um músico, graças a Deus. Eu agradeço a Deus até hoje o que Ele já fez por mim. E eu tenho certeza que nunca é tarde para ser feliz, eu não espero mais felicidade e mais apoio de quem pode me dar apoio na área da artista, na música porque, se Deus quiser, eu ainda quero... eu tenho um sonho, por onde eu tenho um projeto, que chama Salva Vida, esse projeto foi aprovado. Através desse projeto Salva Vida, eu ajudando alguém a viver, eu também quero mais é viver e ter uma vida mais confortável, ajudar aquelas pessoas que mais precisam do que eu, mas eu, graças a Deus, sou muito feliz, essa pessoa que eu sou.
(03:15) P1 - Amém. O senhor teve muitos irmãos, foi criado com eles?
R1 - É como eu falo: a gente foi nascido na roça, na zona rural, em uma fazenda que chamava Bom Sucesso. Até o nome era muito bonito. Chamava Bom Sucesso. Então, a gente, nós somos oito irmãos e Deus levou dois, tem seis irmãos. Então, ali, porém, nesse quando eu era criança, sempre eu era uma pessoa que sempre estaria ali, do lado meu pai, o ajudando, aquilo que eu poderia fazer. Eu era muito doente, quando era mais novo. Era muito doente, inclusive, com a maleita que me pegou, aquela época quase não tinha tratamento na roça e meu pai sempre me deixava sempre mais reservado, mas sempre eu estava do lado do meu pai, levantando cedo, deitando tarde, olhando a ‘corrida’ do dia a dia, a jornada e assim Deus me ensinou a viver, que hoje, para mim, tudo que eu vou fazer, Jesus abre as minhas portas, que tudo dá certo. Deu certo e vai dar certo.
(04:39) P1 - O senhor é o mais velho dos filhos?
R1 - Não, eu não sou mais velho. Tem dois mais velhos, tem um casal. Tem dois mais velhos e os outros vêm. Por onde tinha um que é o mais novo, que o que Deus levou, que fazia parte do meu grupo de trabalho. Mas está com Deus, está muito bem.
(05:00) P1 - E os pais e os avós do senhor eram todos daquela região também? O senhor foi criado com eles?
R1 - Fui criado ali, ao lado dos meus pais, meus... lembro muito bem ainda das minhas avós, né? Minhas duas avós, cheguei, graças a Deus, a conhecê-las. Os avôs não tive oportunidade, porque Deus os chamaram, levaram, foram chamados assim, antes de eu poder conhecê-los, mas Deus está no controle.
(05:32) P1 – E, naquela época, a música já fazia parte da família, ‘seu’ João?
R1 - Aquela época, o que acontece? Meu pai era um sanfoneiro, só que eles falam sanfona ‘pé de bode’, que eles chamavam oito baixos, hoje é uma coisa cultural, eu conheço bem, inclusive tenho até uma sanfona oito baixo, uma coisa cultural que eu carrego de recordação, infância do meu pai... a minha infância, aliás. E eu lembro muito do meu pai, que o meu pai sempre tocava naquelas festinhas que tinha, à noite, por ali, época de lamparina, não tinha luz, não tinha energia. E aí veio depois que, através do meu pai, logo com seis, sete anos, eu conheci os foliões, época de folia de Santos Reis, uma coisa tradicional, por onde eu sou também um folião, carrego essa lembrança e acho que, para mim, é um dever de seguir todo filho, todos os filhos sempre, aqueles filhos que ouvem os pais e que estão seguindo a jornada dos pais, aqueles filhos sempre hoje têm um bom caminho, porque pai é pai, pai pode ser o que for na vida, mas ele não ensina ao filho as coisas erradas. Ele pode fazer uma coisa errada, mas ele não vai ensinar o filho a fazer. Então, aí por onde que eu falo que eu aprendi a bater uma caixa, né? Era muito pequeno, não dava. Depois da caixa, passei a tocar cavaquinho, que eu fui crescendo de cavaquinho, passei pra uma viola, fui pra um violão, aí logo eu comecei a dar conta de segurar uma sanfona, fui pra uma sanfona ‘pé de bode’ com oito anos. E logo já fui pegando uma sanfona maior, dos outros, que eu não tinha como comprar. E relembro as coisas, o primeiro violão que eu peguei foi assim: o meu irmão mais velho comprou um violão, como eu não podia comprar, ele comprou, mas não era pra mim, era pra ele aprender. E tinha um saco de amendoim, amarrava um saco de amendoim, pra guardar o violão, pra eu não arrebentar as cordas, mas mesmo assim eu ainda pulava lá, arrebentava o amendoim com violão e tudo e aprendi, até que ele um dia viu que eu estava perto da minha mãe e falou: “Não, você tem que deixar o Joãozinho, que você não quer e ele aprendeu”. Me chamava de Joãozinho. E aí logo esse violão foi o primeiro violão que eu tenho até hoje, que meu irmão falou: “Então deixa esse violão com ele”. Aí eu peguei esse violão, primeiramente Deus abriu as portas, aí por onde eu fui? Hoje sou músico, sem nunca ter ido numa aula e eu falo assim: “Para a minha despesa eu toco todos os instrumentos”. Aí, quando eu saí logo da roça, eu fui para Belo Horizonte e eu falei: “Não vou ficar mais aqui, eu tenho que procurar sempre...”. Eu nunca sonhei alto, sempre sonhei positivo: “Eu sou músico, eu tenho que ir embora daqui, meu pai”. E eu saí deixando a minha família e fui para Belo Horizonte, cheguei lá, não tinha dinheiro, não tinha lugar de ficar e fui de carona, pegando esses caminhões que carregavam minério aí, entrei nesses caminhões só com um violãozinho velho e uma troca de roupa, né? E fui para o Belo Horizonte e lá eu saí de lá com o CD gravado embaixo do meu braço. Fui para uma obra, cheguei nessa obra, lá, eu pensei bem, eu falei assim: “Eu tenho que trabalhar, mas como é que eu vou fazer? Eu não tenho lugar de ficar”. Cheguei numa obra, todos os dias todo mundo ia embora e eu ficava sentado lá, na porta da obra. “Mas pra onde o senhor vai? O senhor não quer uma carona, não?” O moço descobriu, o encarregado da empresa, que eu estava dormindo, eu ficava dormindo lá na porta de fora, esperando dar para o outro dia, para eu entrar para trabalhar. Eu falei: “Não, é que é o seguinte: eu não tenho lugar de ficar. O dinheiro que eu ganho é para eu comer, mesmo. Eu tenho que ficar”. Ele falou: “Não, então espera aí, o senhor podia ter falado. Eu vou arrumar para senhor aqui ficar como guarda. De noite, o senhor vai ficar aqui cuidando e dia senhor vai dormir”. Me levou, na época eu fiz conhecimento. “Não, o senhor toca bem, canta bem”. Me levou na rádio, que chamava, a primeira rádio que eu fui, Rádio Guarani e depois lá Deus me abençoou; da Rádio Guarani eu fui para Rádio Aurilândia, de Nova Lima; depois fui para Inconfidência, Rádio Inconfidência, bem conhecida, deu uma área ao espetáculo, deu oportunidade, tinha um circo. Aí a minha vida começou. Aí eu já estava fazendo show, começando a viajar, gravei um CD e por onde levei meu irmão, levei um outro rapaz comigo, ajudei um outro moço, que levei daqui pra lá. Tanto que eu lutei, era pra sair eu, meu irmão e ele. Era Trio Coração de Ouro. Na capa do CD, ele falou assim: “Não deu pra pôr três pessoas”. Só pôs ele e meu irmão e eu fiquei de fora. E mesmo assim, falei: “Não, está tudo bem, deixa que a vida vai continuar” e depois eu fiz o meu trabalho, do jeito que eu fiz. Mas aí eu vim embora, foi na época que Deus levou meu pai, a minha mãe precisou de mim, fiquei lá por uns três anos, sai de lá como artista sem dinheiro, mas conhecido pode dizer, no Brasil, que era o nosso nome daquela época, o meu nome de músico era Delvanito e Valdeir e Valmir Soares. Esse Valmir Soares teve o capricho de fazer isso comigo, mas depois eu cheguei e conversei bem com ele, falei: “Pô, uma covardia que você fez comigo, mas eu não vou te perdoar, mas Jesus te perdoou, então também te perdoo e perdoei e o pus, depois ele foi trabalhar pra mim.
(12:04) P2 - Mas vamos voltar um pouquinho, para eu entender. Quando o senhor foi para Belo Horizonte, o senhor tinha quantos anos?
R1 - Quantos anos? Quando eu fui Belo Horizonte eu tinha 19 anos.
(12:15) P2 - Mas o senhor já tinha saído de Vazante e vindo para cá, para Paracatu?
R1 - Eu morava em Vazante naquela época, eu saí da roça. Aí, depois de Vazante... depois de Belo Horizonte eu voltei para a roça, meu pai morreu, aí que eu vim para cá, pra Paracatu. Aí começou tudo aqui. Tampouco ficou para lá.
(12:34) P2 - Então, onde que o senhor estudou? Onde o senhor tinha...
R1 - Estudei lá, foi tudo na roça. Fazenda Gameleira.
(12:43) P2 - E o senhor tem que lembrança da escola, lá?
R1 - Tem muita boa lembrança. Lembrança lá, minha primeira professora chamava Gabriela. E por onde eu dava muito trabalho, lá, mas me passavam. Sei lá como eles me passavam, porque eu não era tão bom na caneta, mas eu tinha uma boa mente, um talento muito bom, de mente e sempre eu fui esforçado, porque quando eles precisavam de mim, eu sempre ‘dava conta do recado’. Então, a Fazenda Gameleira, para mim... eu morava na Fazenda Bom Sucesso e a nossa aula a gente caminhava a distância de uns 25 quilômetros de pé, para estudar.
(13:32) P2 – Ida e volta?
R1 – Ida e volta. A gente andava 15, 16 quilômetros para ir, para voltar dava mais, trinta quilômetros. E a gente ia todo... saía de manhã, nós trabalhámos pra ir, tinha uma tarefa de fazer ainda, para poder ir para a aula. Saía 11 horas para chegar na aula uma hora da tarde e saía de lá cinco horas, chegava quase sete horas da noite em casa.
(14:00) P2 - E o senhor lembra quem eram os seus colegas? O que vocês brincavam? O que vocês faziam?
R1 - Ah, eu lembro dos meus colegas, a gente jogava bola junto ainda. Meus colegas, ali eu tinha o meu amigo Osvaldo, que Deus já levou; tinha o Hélio; tinha o Vilmondes; tinha o Onofre, que eles falavam Onofrí. Tinha... aí vinha as meninas que eu conhecia: Maria... mulher a gente não pode esquecer, lembra mais o nome. Vinha a Maria Tereza, Maria Aparecida, vinha Maria de Fátima, Silva, vinha a Maria Antônia, que era minha irmã, que brigava muito comigo, mas sempre me levava, nem que fosse na marra, pra aula, eu gostava de emburrar na estrada, ela arranjava... pegava a lombeira daquelas, que eu era corredor: “Não, pra trás você não volta”. Eu tinha que ir pro lado da aula. Agradeço que é minha irmã, que é uma irmã que foi a mais velha que eu, que foi uma segunda mãe na vida dos outros irmãos. Sempre, nós trabalhávamos de boia-fria, ela sempre trabalhou para ajudar meu pai cuidar da gente. A minha irmã foi uma segunda mãe para mim e é até hoje. Inclusive, ela preocupa muito comigo, com a minha saúde. Ela preocupa muito com a minha saúde. Então, a vida é muito boa, a gente tem muita recordação. Boa, mas tem muita recordação. Para mim, não tem sofrimento. Sempre falo: “Mesmo sofrendo, eu prefiro a vida”. Pra mim, acho que foi... tudo, pra mim, foi uma aula pra eu aprender a viver, porque hoje nada me embaraça. Hoje eu sou um pobre rico. Minha mãe sempre falava: “Meu filho, você é um dos filhos, que você pode ir pra onde você for, pode ir sem medo, pode ir sem nem um centavo no bolso, você não passa fome, você não vai passar... porque você...” - sempre eu aprendi isso com a minha mãe falar – “... onde você chega, se você bater numa porta, você não entra não, espera se dá pra você entrar”. Sempre eu sou uma pessoa humilde, como eu sou. Eu me chamo João, mas eu não sou Mané. Mané é aquele muito bobo, sou o João sempre é levado, eu sempre tô olhando de lado. Onde a gente pode entrar, a gente pode sair, você não pode avançar em nada. Então, assim eu aprendi a viver e me dou bem, que eu sou amigo, eu sou muito amigo, sempre na minha vida, daquelas pessoas que o povo pensa que são os menores. Eu começo com aquelas pessoas que o povo pensa que eles são os menores, pra mim eles são os maiores. E depois eu sou amigo dos grandes, que os grandes é quem tem muito dinheiro, mas o dinheiro infelizmente nos ajuda, mas o dinheiro não salva vida. A nossa vida está na mão de Jesus. Talvez uma pessoa que fosse dar a ele um golo de café e não tem um pão para dar, ele te agradece muito mais do que você ajudar uma pessoa que não precisa. Você tem que ajudar sempre quem precisa. E quem não precisa, ele não precisa de você, tudo que você vai fazer para ele é pouco. E quem precisa, um pão velho, dormido, ele enche a barriga, ele nunca lhe esquece. Então, eu sou muito amigo dessas pessoas e amo os bichos, cachorro e gato. Na minha casa, eu vivo na rua, por isso que eu fiz um projeto, Salva Vida. Hoje, se eu pudesse, até um tipo de brincadeira, fazer uma creche para criança, eu fazia, arranjava um lote para eu matar a fome dos cachorros e dos gatos que vivem morrendo por aí, de fome e sede. E na minha casa, lá na porta, sempre eu estou, tem água, tem um comezinho que eu peço, eu vou nos açougues, todo mundo já me conhece: “Você não devia chamar o João do Forró, devia chamar o João da Mochila”, muitos amigos brincam comigo. Eu venho procurando, para cuidar deles. A minha felicidade é vê-los com a barriga cheia. Então, na minha casa: “O que é esse tanto de bicho que você tem na porta?” Não é meu. Na minha casa eu tenho um gato, uma gatinha e um papagaio. Esses que eu cuido, ainda fico brigando com a esposa, que ela que pegou e ainda sobra para eu cuidar, que ela não tem paciência com eles e eu tenho. Para mim, quando você pega um bicho para cuidar, um animal, você tem que cuidar com muito amor e carinho, porque Deus mandou você cuidar, porque Deus sabe que você tem competência para cuidar. Nem todas as pessoas têm um coração bom com os animais. E os animais fazem parte da nossa vida. Eu falo assim porque sempre eu gostei dos bichos e, quando eu saio, às vezes eu não tenho um centavo no bolso: “Hoje eu não tenho dinheiro pra comprar nada pra vocês. Tô saindo, pede Deus pra abrir as portas pra nós” e Deus abre mesmo. Aparece dinheiro que sobra até pra mim. Sem eu pedir, Deus que manda pra mim, dá tudo certo.
(19:39) P2 - Quantos filhos mesmo o senhor tem?
R1 – Seis filhos. Poderia ser mais. Fui muito namorador, mas fui muito sempre assim, de ter muito cuidado. Acho que pai que põe um filho no mundo, tem que cuidar. Sempre eu evitava muito as namoradas: “Não, espera aí, vamos dar um tempo”. Naquela época tudo era muito fácil fazer filho, porque não tinha nada de... para evitar, né? E as namoradas... eu era muito namorador, sempre fui muito querido. Eu falo: “Hoje eu posso dormir sossegado. O que eu tinha de namorar, eu namorei. Hoje é só olhar e pronto”. (risos)
(20:16) P2 – O senhor casou, alguma vez?
R1 - Não. Tive um primeiro casamento, que eu tenho três filhos. Meus três filhos: a Poliana, a Legiane e o Delvanei Silva, que hoje faz parte da música comigo. E tenho mais dois, que um está em Montes Claros, tem uma namorada e o outro está em Goiânia. E tem um especial, que Deus me deu com um novo casamento, que eu estou namorando um namoradíssimo, que falam um namoro novo, que tem 33 anos. Agora eu vou ver se ela conquista, para ver se vai dar casamento, que até hoje ela não conquistou. (risos) É uma boa esposa. Sou amigo da minha da minha ex, não sei se ela é minha amiga, mas eu peço a bem o Deus por ela. A minha felicidade é vê-la feliz. Eu tenho até uma música que fala assim: “A minha felicidade é vê-la feliz”. E não só ela, ver todos nós felizes. A gente tem que querer o bem para alguém, porque você pede o bem para alguém, alguém pede o bem para você. E esse alguém que quer o bem nosso tem só uma pessoa que se chama, sim, Jesus.
(21:49) P2 – O senhor teve algum trabalho assim, de carteira assinada, de uma coisa mais constante?
R1 - É, eu tive a minha carteira assinada, por onde eu trabalhei, numa empresa que se chama Mineira, Cia Mineira Reflorestamento, por onde foi minha primeira... que Deus abriu as portas para mim. Sempre eu falo: “Eu não tive estudo e sempre fui aprendendo a lição”. Eu entrei lá como serviço braçal e saí de lá como apontador da empresa, como encarregado, sem saber ler, sem saber escrever, pela minha sabedoria, que Deus me ensinou a ter e tratar as pessoas bem. E olhar e fazer o bem sempre foi o meu dever. Eu penso assim: dever meu, não, de todos nós, fazer o bem, que Deus faz o bem para nós. E fui para Belo Horizonte, na época, também entrei numa empresa, entrei lá de servente, Deus abriu as portas, eu saí de lá com um CD gravado debaixo dos braços, saí como um artista, nem lembro mais o nome dessa empresa. Eu sei onde era ela, sei qual o bairro. Capaz que eu sei até o prédio, eu ainda tenho muita vontade de ir até em Belo Horizonte, para conhecer duas coisas que eu era apaixonado. Eu sempre mexia com a música e eu sempre entrava numa casa, numa igreja, porque eu via muito grandão, aquele tanto de gente e eu sempre querendo ficar no meio do povo, ia lá querendo tocar no meio deles e eles: “Não, mas o senhor não está aqui, o senhor tem que vir como visitante primeiro, o senhor é um bom músico, mas nós não podemos deixar o senhor até...”. Eles deram até oportunidade pra eu subir lá, com muita insistência e tocar junto com eles, foi a minha maior felicidade. Se eu chegar em Belo Horizonte, na Avenida Contorno, eu sei onde é essa igreja. Igreja muito grande, de mil pessoas. Eu tenho certeza que, se Deus quiser, meu sonho ainda vai ser realizado, que eu quero voltar nessa igreja. E, você vê, não tem tantas... o que passou de farra, de ventos por lá, eu não tenho muita saudade, porque por aqui eu vivo no meu trabalho, eu vivo nas noitadas, trabalhando o dia a dia, mas aquela igreja foi por onde que Deus falou pra eu aprender a gostar, Deus mostrou duas estradas pra mim: sempre você vai ser um músico, mas sempre... você nunca deixa a presença de Deus. Nunca nós podemos deixar a presença de Deus. Deus é tudo na nossa vida. Ele é o nosso Pai, Ele que dá força para nós.
(24:44) P2 - E hoje o senhor vive do trabalho de músico, do seu trabalho de músico?
R1 – É. Eu agradeço muito a Deus, por onde... o que aconteceu? Aí eu vim, de quando eu vim, de Belo Horizonte, eu voltei para a roça, de novo, por causa da minha mãe, que Deus tinha levado meu pai. Aí, conheci uma empresa aqui, na nossa cidade, muito grande, que essa empresa é uma loja de móveis, que chama Jovem Lar. Ela tem 14 lojas em toda a região paracatuense, cidade pequena. Aí, o dono da loja me contratou, assim, pra eu vir trabalhar aqui, mas nem tanto porque ele queria que eu trabalhasse, porque eu tocava. Aí eu vim, por onde eu vim? Paracatu. Aí eu vim para Paracatu, aí nessa loja, logo aí eu peguei e falei pra ele: “Tem um irmão lá na roça também, que toca e canta, vamos trazê-lo, ele canta comigo”. Sempre eu não perdia oportunidade, deu uma brechinha, (25:57). E por onde ele pegou e falou: “Não, vamos buscar o seu irmão”. Trouxe o meu irmão, naquela época e meu irmão tinha 14 anos. Meu irmão começou a trabalhar na loja e eu trabalhando e nós fazendo as nossas apresentações, chamava Trio Jovem Lar, o dono da loja Deus já levou, chamava-se ‘seu’ Agostinho, uma excelente pessoa, bem conhecido na nossa cidade. Pessoa que começou vendendo relógio e hoje ele tem... morreu como um grande empresário, homem bom, uma pessoa caridosa, ‘seu’ Agostinho. E então, com 15, 16 anos, meu irmão tirou a carteira de habilitação, por onde ele tirou essa carteira de habilitação. Meu irmão trabalhou nessa loja 23 anos e eu cheguei trabalhar nela, ainda fiquei muito tempo, os aguentei 12 anos, porque pro resto ninguém mandava em mim, não, mas eu os aguentei. Eu sempre gosto de trabalhar para mim, não gosto muito de trabalhar para os outros, não. Sempre aprendi, sempre. Eu ia no meu trabalho: “Fala o que eu vou fazer”. Não gosto de ninguém ficar me olhando. Aí, por onde veio, aqui em Paracatu, eu tive uma oportunidade com o Ranulfo Neiva, um grande radialista. Tinha só a rádio AM, que chamava Rádio Juriti na nossa cidade, mudou o nome, eu não sei, hoje ela é FM, a rádio que eles falam que é dos padres, é católica. Então, eu fui com o Ranulfo, logo tem um bequinho aqui, cheio de pedra, essa rádio era aqui, em um predinho, ao lado aqui, da Casa de Cultura. Aí eu fui, eu mais meu irmão apresentamos nessa rádio. Depois teve um festival aqui, na porta da Igreja do Rosário. Eu era tão talentoso, sempre. Deus me deu essa possibilidade de eu ser um talentoso de tudo que eu ia fazer. Eu não tinha costume com luz. Fui no festival e aquele tanto de luz por cima de mim, aquele tanto de luzinha piscando, aquele trem tudo e nós em cima de uns caminhões velhos lá e aí, na hora do festival, vinte e tantas pessoas no festival. Eu lembro que logo que chamou Duplo Coração de Ouro, Delvanito falou daí, eu cheguei e dei um tamanho de um bom dia, nove horas da noite, eu falei: “Bom dia, meu público”. Aí todo mundo começou a bater palma, outros vaiarem, aí meu irmão falou: “Fala boa noite, fala boa noite”. E meu irmão falou: “Boa noite”. Falei: “Não. Eu mais o meu irmão, em cima da hora, no momento, agora é Jacó e Jacozinho, a dupla Jacó e Jacozinho, eu estou dando bom dia e ele está dando boa noite. Então, para acabar de completar, boa noite, agora que eu vou falar a verdade. Boa noite para todos vocês. Que Deus, Nossa Senhora Aparecida...”. Aí, quando foi no festival, nós ganhamos o tal do festival e foram outros músicos: “Mas como é que o caboclo chega e dá bom dia, boa noite e vocês ainda o classificam como primeiro lugar?” “Não. Nós olhamos a música que ele cantou”. Eu lembro que nós ainda cantávamos essa música. Eu já fui ganhador desse festival com essa música várias vezes. Graças a Deus que a música fala do carro e a faculdade. Eu tenho no meu escritório, em cima da minha mesa, a miniatura de um carro, que sempre me traz a surpresa. Por isso que eu guardo esse carro com muito amor e com muito carinho. A lembrança de um doutor, de um carro, a música fala que me fez um doutor. Lembrança de um sofredor que, de um carro, me fez um doutor. Essa letra, sempre eu a tenho comigo, dentro de mim, chama O Carro e a Faculdade. Aí foi por onde eu fui ficando conhecido na cidade, abri uma casa de festa que chamava Coqueiros, no alto do córrego. Essa casa de festa abriu, eu fui pra lá, foi a mesma coisa. “Tem uma oportunidade aqui pra uma pessoa tocar violão. Você toca violão?” “Toco violão” “Então, vamos pra lá”. E eu fui pra essa casa de festa, logo precisou de um tecladista. Não, se for pra acompanhar, eu acompanho também. Aí logo precisou de um contrabaixista, eu falei: “Vou no contrabaixo, mas eu tenho um irmão que é muito bom de contrabaixo, mas pra meu irmão vir aqui pro contrabaixo, precisa ter um sanfoneiro, vocês deviam dar uma chance pra eu apresentar o meu trabalho de sanfona. Eu só trago meu irmão pra cá, se vocês derem essa chance pra mim”. Nós fazíamos uma seleção. Já tem um bom sanfoneiro, chamava Senhor Joaquim, chamava Joaquim Cabaceiro, um moço que tinha muito dinheiro: “O senhor não importa?” “Não, João, eu não vou importar nunca em dar essa oportunidade de você apresentar o seu trabalho de sanfona”, porque ele era o sanfoneiro famoso que tinha aqui. E aí eu peguei essa sanfona, nunca mais deixei da sanfona. Aí nunca mais essa sanfona pra mim, esse Joaquim Cabaceiro, através dessa sanfona, que eu pedi pra eu tocar, que eu já tinha um ano que já estava lá, eu passei a ser empregado dele. Ele: “João, você não importa, não? Eu trabalho com caminhão, eu busco tijolo nas olarias e preciso de uma pessoa igual você, pra conversar junto comigo, você é muito bom. Você não quer ir, não? Você não pode ajudar a encher o caminhão de tijolo, não? Você ajuda, vai junto, você pode?” Falei: “Vou, senhor Joaquim, na hora”. Ele falou: “Inclusive”... eu doido pra ele deixar a vaga do instrumento pra mim, ele falou com pessoal: “Entrega essa vaga de sanfona pro João do Forró”, por onde eu fiquei 16 anos, numa casa de festa. Eu tenho um currículo muito bom. E depois dessa época veio artista de Brasília, outros, Chico Rei Paraná, cheguei a ficar conhecendo, Zé Mulato e Cassiano, outros musos de forró queriam me levar para ir embora: “Não, mas nós temos vaga só para você, não tem para seu irmão”. Eu falei: “Não, então eu vou ficando por aqui mesmo. Não vou deixar meu irmão, não” “Mas se você quiser, você já vai contratado”. Eu falei: “Não” “Não, porque você é um artista, nós precisamos de uma pessoa como você. Você é um ‘cara’ que todo instrumento que chegar na sua frente, você toca”. Falei: “Não toco. Para a minha despesa, eu te garanto que eu não vou te atrapalhar, eu sei, eu preciso trabalhar, mas se não dá pra levar meu irmão, não deu pra eu ir”. Eu poderia ter ido, depois acabo de levar meu irmão. Mas não tem arrependimento, não, que a vida segue. E então, como você falou se eu vivo de música, hoje (33:27) o meu filho. Eu vivo brigando com ele, pra ele... o que acontece? Chegar mais na área da música, dar mais valor, porque ele não dá valor na música, fazer com a pessoa igual eu. Hoje, se eu não tivesse dado valor na música, estava subindo ainda como era, em um caminhão, ou entrando em um ônibus, de boia fria, para eu sobreviver. E foi quando, através da cidade aqui, precisou, aí veio indo, rodando, o rádio logo me chamou e eu fui 15 anos maestro de um rádio, aqui, do Sino de Santo Antônio, né? É que eu falo realmente como eu sou. Eu falo que eu sou cultura e eu sou até um pouco esquecido da nossa cultura em Paracatu. Porque eu tô começando a cobrar deles. Tem bicho que começando a pegar pra eles, porque eu tô começando chegar neles: “Pô, eu, o João do Forró, vocês nunca lembram de mim?” E toda vez que quer coisa cultural, que é um evento que tem aí em praça, eu vou na APAE, onde eu tenho um filho especial, que Deus mandou. Não o mandou para mudar a minha vida, porque a minha vida já estava mudada, mas para me acabar de preparar mais. E Deus me preparou. Eu vou no Asilo de São Vicente, porque todas as vezes que eles precisam de uma pessoa assim, é o João do Forró. “Então, vocês também lembram de mim, eu preciso ter mais um certo conhecimento e um certo valor na coisa cultural e eu... e aí vem, já tem alguma entrevista, alguma marca que eles estão querendo marcar comigo, para conversar comigo. Mas eu sou assim: tudo que eu faço, tudo, acho tem a hora certa. Aí vem de quando eu... a Casa de Cultura, aqui da nossa cidade, reabriu e precisou de um professor de dar aula de sanfona. Aí tem um rapaz aqui, que para mim é um maestro, que eu já tinha dado a mão para ele, por isso que a gente tem que dar as mãos às pessoas. Ele tinha, na época... chama Jonatas, hoje ele é professor de teclado e de piano da casa. Aí, quando ele queria aprender a primeira nota do teclado eu tocava numa festa, chamava Ranchão Beirando a Praia e ele morava beirando a praia, bem pequititinho e ouvia e ficava inspirado no João do Forró. Falou com a mãe dele: “Me leva, mãe, me leva”. Filho único, a mãe solteira, ele não tinha pai. Mãe solteira, no modo que quero dizer, que não tinha pai. Aí a mãe dele o levou, falei com ele, ele falou que nunca esqueceu daquela palavra. Eu falei com ele: “Meu filho, eu vou ensinar você todas as notas que você quiser aprender. Mas não seja um músico igual eu, não. Dá valor, porque eu não dei valor, não soube dar valor, aprende a ser”. E assim ele fez. Ele ficou... ensinei para ele as primeiras notas, falei com ele, ensinei um professor da cidade, ele foi para esse professor e ele foi para lá e virou um craque, ele hoje é um maestro, ele não é só um professor, ele é um maestro, foi para Brasília, ele estudou, voltou e aí, com dois anos de prazo, ele estava aqui na casa. Foi quando eles precisaram de um sanfoneiro. Aí, quando ele falou: “Eu conheço um amigo, vamos dar oportunidade pra ele”. Ele pode ser meu neto, esse rapaz. Era criança, onde hoje ele deve estar com 35 anos. Ele está aqui na aula e veio pra cá primeiro, quando fundou, foi a fundação da casa. Aí ele falou: “Vamos procurar o João do Forró”. Eu estava em casa. Quando ele chegou lá: “João do Forró, vem cá, quero conversar com você”. A tia Lana mora logo aqui, ao lado, era a diretora da casa, devo a ela muita obrigação, que Deus abençoe a senhora, tia Lana, falou: “(37:44), não. Como é que é o currículo do João do Forró?” Passou saber. João do Forró, todo mundo passou saber na cidade. Não, o João do Forró é um amigo de todo mundo, pessoa que ele é um músico, ele é profissional no trabalho dele. Eu vim pra cá, eu fiz o teste e onde falou comigo, porque eu sempre fui aquele caipira que toquei muito não no papel, de ouvido. E ele falou: “De papel deixa o João do Forró comigo. Pode deixar”. Ele mesmo fez o teste em mim. Tinha alguém, um outro junto com ele, que quis impor um pouquinho. Falou: “Não, você quer ver? João do Forró, hoje você tem três dias para você ter uma prática, para você explicar essas notas para nós em maior, em papel. E eu falei: “Não, amanhã mesmo você pode me chamar aqui”. E no outro dia eu vim e falei o que é sol, o que é essa nota, porque eu nunca pensava nisso, tocava... eu olhava e a pessoa fazia a nota, eu não sabia o nome das notas, da cifra, a música. Então, aí que eu vim para cá, por onde tem 22 anos, graças a Deus, que eu agradeço muito o pessoal aqui da casa, que me trata com muito amor e carinho, me conhece o João do Forró, como eu sou. Eu sou uma pessoa que quero agradecer hoje a direção aqui da Fundação da Casa de Cultura, que Deus abriu as portas para mim e outras pessoas que também me tratam com muito respeito, amor e carinho. Eu sou um professor, sou um caipira do sertão, mas sou amigo de todos.
(39:25) P2 – E o senhor compõe também?
R1 – Componho também. Eu tenho várias letras, né? Eu tenho...
(39:36) P2 – Vamos pedir pro senhor cantar.
R1 – Instrumento tem que ser afinado. Essa letra é uma música que eu fiz e está gravada. Eu peço ao pessoal, se ouvir e gostar, já tem bem uns cinco anos que eu gravei essa letra e ela ainda está uma demanda danada, porque ela tem alguma parte que eu falo que agrada, eu vou dizer 50%, mas tem 50% que ela, às vezes, não agrada, porque a música é a verdade. Essa letra fala a verdade. E tudo que fala a verdade, tem muita gente que não fala assim. Nem Deus dá conta de agradar a todos. Essa letra eu fiz com muito amor e carinho, que eu me lembro um pouco até lá, da zona rural. Aliás, melhor falar lá da roça, onde eu fui nascido. Ela fala caipira do sertão. Vou cantar umas duas estrofes da letra:
Eu nasci na roça
Eu criei no sertão
Eu não tive estudo
Aprendi a lição
Minha caneta foi o cabo da enxada
Meu professor foi o meu violão
Eu acho bom, minha gente
Eu acho bom quando me chamam de caipira
Caipira eu sou, do nosso sertão
Eu me acho bom quando me chamam de caipira
Com muito orgulho caipira eu sou, do nosso sertão
Vamos lembrar um pouco lá da roça, onde eu nasci
Eu trago comigo as minhas mãos calejadas
Do cabo da enxada, eu posso mostrar
Eu amo sertão e de lá eu não mudo
Lá eu tenho de tudo, dentro do meu lar
Venha ver, seu moço, meu lindo roçado
Que está plantado de milho e feijão
Lá no pé da serra, minhas vacas leiteiras
E lá na cocheira o meu alazão
Eu acho bom quando me chama de caipira
Caipira eu sou, do nosso sertão
Eu me acho bom quando me chama de caipira
Como em torno do caipira eu sou, do nosso sertão
R1 - Eu sou caipira do sertão. Pois é.
(43:13) P2 - Pode tocar uma na sanfona, agora?
R1 – Pode. Tem uma letra minha, a canto? Essa letra, uma música que eu a fiz nessa época de São João, pessoal, época de festa arrojada, sempre eu falo: muita pipoca, muito quentão, muita mulher bonita no salão, né? Então, eu fiz essa música e ela começou a pegar, a ficar por aí, por onde essa letra agora chama, com o João do Forró, Tira o Pé do Chão. Essa letra é um forró que, se Deus quiser, eu espero que por esses sessenta dias esse trabalho meu está por aí, na praça, espero que vai ser sucesso, que Deus me abençoa, que Deus abra as portas, que não seja só na nossa cidade, que seja bem reconhecida pelo pessoal que entende de música, que eu sou caipira do sertão, eu sei que tem muitas palavras que eu falo, que eu devo corrigir, eu vou corrigir, eu gosto de ouvir, eu gosto de dar conselho, mas eu gosto de ouvir conselho e assim vamos. Essa letra então, escrevi, ela chama Tira o Pé do Chão, do João do Forró, dançar forró do João, dançar agarradinho, tem que ser com o João do Forró.
Tira o pé do chão
Tira o pé do chão
Tira o pé do chão
Pra dançar o forró do João (bis)
Já virou fofoca
Está na boca do povão
Vai dançar agarradinho
Todo mundo
Tem que ser forró do João
Já virou fofoca
Está na boca do povão
Vai dançar agarradinho
O forró do João
Tira o pé do chão
Tira o pé do chão
Tira o pé do chão
Vai dançar o forró do João (bis)
Pode ser na cidade
Ou na zona rural
Pode ser na cidade
Ou na capital
Pode ser na capital
Ou na zona rural
Pode ser na cidade
Também na zona rural
Tira o pé do chão
Tira o pé do chão
Tira o pé do chão
Vai dançar forró do João (bis)
Já virou fofoca
E está na boca do povão
Pra dançar agarradinho
Tem que ser forró do João
R1 – É o forró do João.
(47:47) P1 – Maravilhoso, ‘seu’ João. Primeiro, queria agradecer o senhor por ter estendido um pouco do seu tempo aqui, com a gente. É muito emocionante conhecer a história do senhor, da família do senhor, a relação do senhor com a música, a relação do senhor com a sua família. Consegue, arruma um emprego, mas desde que leve o irmão junto. E qual que é a mensagem que o senhor deixa aqui para esse povo de Paracatu, para essa terra onde o senhor tem feito a sua obra?
R1 - O que eu deixo, eu tenho assim: primeiramente agradeço a Deus, por eu estar aqui hoje, ao lado de vocês e Deus mandou pessoas mais gente como vocês, pessoas do bem, pessoas que conhecem a área da música, vivem trabalhando nesse trabalho. Que Deus abençoe a vida de vocês também, que cada dia vocês... mais sucesso na vida de vocês, no trabalho, na família de vocês, né? E que vocês... fiquei gostando muito de vocês, pessoas simples, igual eu mesmo, né? Primeiramente eu agradeço a Deus, por Deus dar essa oportunidade, Deus estar aqui com vocês e de vocês estarem aqui comigo, né? Que Deus confirma bênçãos nas nossas vidas, que eu espero que alguém, né, veja essa entrevista do João do Forró e não esqueça de mim. Eu sou o João do Forró, eu sou essa pessoa, pra mim sempre eu falo: eu tenho 66, é a minha idade, mas eu me sinto um jovem de trinta anos. Eu tenho muita força de fazer aquilo que eu gosto. Eu gosto de tocar, eu gosto de cantar. Para mim é um trabalho, eu levo como um trabalho e é um trabalho. Sempre, eu tenho meus alunos aqui da casa, eu falo para eles que isso é uma profissão, porque Deus abriu as suas portas para mim e eu abracei. E eu espero que... sempre eu falo que nunca é tarde pra gente ser feliz. Eu tenho certeza que, com a minha simplicidade, meu pequeno talento, que eu sei que pra Deus é um talento muito grande e que alguém me enxergue e possa me dar as mãos. Se a pessoa me der as mãos, nunca vou esquecer e eu preciso muito que alguém enxergue, assim, de verdade, o meu talento. Eu sei que eu tenho um talento. Eu nasci com esse talento. Eu nasci, Deus foi dentro de mim. Foi a luz e Deus iluminou para mim. E esse talento, por onde eu tenho o meu projeto, chama Salva Vida, junto com João do Forró, um projeto muito bonito que eu criei e foi aprovado. Através desse projeto, eu quero viver e ajudar a salvar muitas vidas ainda. O que é o meu sonho? De cada evento que eu fizer, cada um dos meus eventos, eu já estou fazendo, eu tiro 50% para aquela pessoa que está fazendo um tratamento, aquela pessoa que está doente, está em cima de uma cama, está precisando de verdade, está precisando de tomar um medicamento e que por acaso não tem como comprar e que está provado no papel, tem que verdade, eu quero coisa verdadeira. Até hoje, sempre eu falo: “Sempre Deus abre as portas para mim”. Aquelas pessoas deficientes, que estão numa cadeira de rodas, como eu tenho um filho, que é um especial, numa cadeira de roda, que Deus o mandou na minha vida, não foi para mudar a minha vida, porque a minha vida Jesus já tinha mudado, mas foi para acabar de completar. Quando a gente vê essas pessoas - um recadinho pro pessoal, um recado pro Brasil inteiro, pro mundo - numa cadeira de rodas, vê uma pessoa especial, essas pessoas, vamos ajudá-los, que eles precisam, eles têm vontade de caminhar, não caminham, né? Às vezes, por onde eu ainda falo assim: eu não tenho um carro pra eu andar, não tô cobrando um carro, não quero ganhar um carro, mas eu vejo as pessoas, às vezes, passam por mim e eu fico torcendo que eles falam: ‘Quer uma carona, João do Forró?’ Eu estou com aquele filho meu e eles amam andar de carro, eles não têm, eles ficam só dentro de casa. Então, um carro para eles, mas se Deus quiser, hoje me deu até a condição de eu comprar um carro. Eu vou, se Deus quiser. Eu não quero comprar um carro para me carregar, só o meu filhão carregar todas aquelas pessoas, sempre eu quero estar andando com eles, porque o projeto Salva Vida, esse projeto meu, alguém tem de ouvi-lo, porque eu preciso, pra eu ajudar as outras pessoas a caminhar. Eles não podem caminhar com as pernas deles, mas a gente pode ajudá-los, eles terem uma alegria maior, eu começo por mim e essas pessoas, pra mim, são as pessoas mais que precisam da nossa atenção, cada vez mais, não só na minha cidade, no nosso Brasil, no mundo inteiro. E como você diz aqui da nossa cidade, o que eu posso dizer, o que eu posso deixar, eu deixo um abraço. Vou deixar um abraço a todos, primeiramente deixando um abraço aqui, no meu local de trabalho, por onde eu estou aqui, na Fundação Municipal Casa de Cultura, em nome de minha diretora, a Vera Lemos e todos os funcionários da casa, que Deus abençoe a vida de cada um de todos nós. Todos os funcionários, homens, mulheres, todos são meus amigos, todos os professores, todos os meus alunos. E que Deus abençoe o nosso prefeito, o Igor, que Deus também abençoe a você. Todas as autoridades da nossa cidade, são os maiores, mas maior é Deus, que Deus toca no coração de todos vocês que olham por nossa cidade e vem fazer sempre o bem. E não esqueça de mim, que sou o João da Silva Costa, apelido o João do Forró, o João da Sanfona, o João de Deus. Sempre eu falo: teve um João de Deus por aí, que deu tantos problemas, mas eu sou um João de Deus verdadeiro. Eu sou um João da Sanfona, um João de Jesus, que Deus mandou, assim, que nem todas pessoas têm um nome e ele não cumpre aquilo que Deus... eu sou um João da Sanfona, um João de Deus, um João de Jesus verdadeiro. E eu sou muito feliz e tenho uma grande honra de ser a pessoa que eu sou. A minha família. Primeiro eu falo Jesus em primeiro lugar, depois a minha vida e depois a minha família e depois meus amigos. Para nós termos amigos, a gente tem de querer ser amigo. Para ser amigo, você também tem que ser amigo. Um abraço, fica para todos meus conterrâneos paracatuenses, meus amigos, minhas amigas. E que Deus abençoe a vida de todos nós e que João do Forró, eu vou continuar sendo essa pessoa, como eu sou. Eu sei que nem Deus não agrada a todos, eu também não agrado a todos, mas quem ama Jesus, eu tenho certeza que vai passar... não vou falar me amar, me respeitar na minha área da música, porque eu sou, eu sou o João do Forró, eu sou o caipira do sertão. Um bom dia para todos nós. E Jesus abençoa a nossa vida, abençoa a minha vida, a vida de vocês que fizeram esta entrevista comigo, que Deus vai abrir as portas para vocês também. E essa empresa, eu não sei, vou falar assim: esse grupo de trabalho de vocês, esse grupo que Deus vai abençoar, que vai abrir as portas muito para vocês, como vai abrir a porta pra mim e pra vocês, que vocês vão dar muitos anos de vida, nós vamos encontrar aí mais, até os cem anos juntos, se Deus quiser.
Recolher