00:19
P1 - Janaína, só pra gente começar, você fala o seu nome, sua data de nascimento, fala um pouco dos seus pais? Onde nasceu?
R - Meu nome é Janaína Álvares da Silva Campos, sou natural de Paracatu. Meus pais, é Bajoso, como todo mundo o chama, né? Mas o nome dele mesmo é Orlando Álvares da Silva Campos. Minha mãe é Adelita de Paula Campos. Meu pai, ele já foi jogador de futebol profissional durante muitos anos, depois ele ficou sendo fazendeiro e secretário de esportes durante muitos anos. Minha mãe sempre foi dona de casa, administradora do lar e da família. E eu morei aqui em Paracatu durante grande parte da minha vida, morei em Uberaba durante um tempo, um pouco curto, e um tempo em Belo Horizonte.
01:19
P1 - Ótimo. Você sabe a origem da sua família, de onde vocês vieram, se foram nascidos e criados aqui? E quantos irmãos, se você tem?
R - Olha, assim, dos meus antepassados, bem longínquos, tem um livro que faz parte do acervo da minha família, que chama Joaquina do Pompeu, vocês já devem ter ouvido falar, que conta a história de muitas famílias de Minas. E a descendência da família do meu pai vem dessa galera de Joaquina do Pompeu e tal. E da minha mãe, é um pessoal de perto de Presidente Olegário, que o pessoal chama de Capelinha do Chumbo. Mas depois mudaram para Goiânia. Então, tem familiares meus espalhados por Patos de Minas, Belo Horizonte, Goiânia e Paracatu.
02:11
P1 - Você falou que seu pai jogava futebol, era no time aqui, local?
R - Não, meu pai jogou em times famosos, já jogou até com Pelé, já. Ele já jogou fora do país também. Eu esqueci o nome de todos os times. Mas o que eu ouço mais ele falar é Vila Nova de Goiás, que ele jogou muito tempo e foi campeão. Ele já foi campeão mineiro com o Siderúrgica. E os outros eu não lembro. Mas Bangu, do Rio de Janeiro, que ele morou no Rio de Janeiro muitos anos também. Mas os outros eu não lembro não.
02:50
P1 - E vocês tiveram essa...
Continuar leitura00:19
P1 - Janaína, só pra gente começar, você fala o seu nome, sua data de nascimento, fala um pouco dos seus pais? Onde nasceu?
R - Meu nome é Janaína Álvares da Silva Campos, sou natural de Paracatu. Meus pais, é Bajoso, como todo mundo o chama, né? Mas o nome dele mesmo é Orlando Álvares da Silva Campos. Minha mãe é Adelita de Paula Campos. Meu pai, ele já foi jogador de futebol profissional durante muitos anos, depois ele ficou sendo fazendeiro e secretário de esportes durante muitos anos. Minha mãe sempre foi dona de casa, administradora do lar e da família. E eu morei aqui em Paracatu durante grande parte da minha vida, morei em Uberaba durante um tempo, um pouco curto, e um tempo em Belo Horizonte.
01:19
P1 - Ótimo. Você sabe a origem da sua família, de onde vocês vieram, se foram nascidos e criados aqui? E quantos irmãos, se você tem?
R - Olha, assim, dos meus antepassados, bem longínquos, tem um livro que faz parte do acervo da minha família, que chama Joaquina do Pompeu, vocês já devem ter ouvido falar, que conta a história de muitas famílias de Minas. E a descendência da família do meu pai vem dessa galera de Joaquina do Pompeu e tal. E da minha mãe, é um pessoal de perto de Presidente Olegário, que o pessoal chama de Capelinha do Chumbo. Mas depois mudaram para Goiânia. Então, tem familiares meus espalhados por Patos de Minas, Belo Horizonte, Goiânia e Paracatu.
02:11
P1 - Você falou que seu pai jogava futebol, era no time aqui, local?
R - Não, meu pai jogou em times famosos, já jogou até com Pelé, já. Ele já jogou fora do país também. Eu esqueci o nome de todos os times. Mas o que eu ouço mais ele falar é Vila Nova de Goiás, que ele jogou muito tempo e foi campeão. Ele já foi campeão mineiro com o Siderúrgica. E os outros eu não lembro. Mas Bangu, do Rio de Janeiro, que ele morou no Rio de Janeiro muitos anos também. Mas os outros eu não lembro não.
02:50
P1 - E vocês tiveram essa relação com o esporte também durante a infância?
R - Eu tive muita relação com o esporte, fui esportista durante muitos anos. Eu fiz balé clássico muitos anos, eu joguei, eu já competi pelos jogos internos, estudantis, voleibol e natação, pelo Jimmy, né? E eu fiz capoeira também durante muitos anos. Eu já fui cordão verde e amarelo. Fiz, durante pouco tempo, muay thai. E só.
03:36
P1 - Eu não lembro se você falou dos seus irmãos. Você tem irmão?
R - Ah, eu tenho uma irmã que se chama Natasha, ela é professora de história. E eu tenho um irmão que se chama Matheus e ele toma conta da fazenda junto com meu pai.
P1 - E foi nessa fazenda que você cresceu?
R - Foi nessa fazenda que eu praticamente nasci. Eu nasci aqui, mas voltei pra lá, né? Então, eu fiquei morando nessa fazenda até os seis anos de idade, depois eu vim pra Paracatu, e eu fiquei aqui vivendo minha infância, adolescência e tudo mais, depois eu fui pra Belo Horizonte, quando eu tinha 17 anos, depois voltei pra cá de novo, depois fui pra Uberaba, depois voltei de novo. Aí eu me casei, fui morar em fazenda de novo, fiquei mais ou menos 10 anos morando em fazenda. Então, no mínimo, 16 anos morando em fazenda, que eu fiquei. E depois que eu voltei de Uberaba, na verdade, eu comecei a trabalhar com artes plásticas quando eu estava morando em Uberaba. E depois vim pra cá e dei continuidade.
04:35
P1 - E como era a vida sua na fazenda? Como eram os costumes? Como era o dia-a-dia?
R - Na primeira fase que eu morei na fazenda, que foi de um ano de idade até os seis, era aquela fase ainda que não tinha luz elétrica nas fazendas, então era lamparina. Tinha um carneiro na mina d'água, que ele pulsava a água pra casa. Tinha umas engenhocas, mas nada elétrico. Mas era muito legal, a comida era maravilhosa, carne de lata, leite ao pé da vaca, requeijão, doce de tacho, era tudo maravilhoso. E morava muita gente em volta, os meus avós moravam, meus tios também. Então, assim, foi uma vida maravilhosa, incrível, porque quando a gente é criança, tudo é muito incrível, né? E quando é na fazenda, é mais incrível ainda. Então, assim, meu mundo infantil foi fantástico.
05:47
P2 - E era uma fazenda de produção de alguma…
R - Era uma fazenda de produção só de gado mesmo, leite… Mas eu acho que a cultura, antes, tinha muito da produção de subsistência também, você tinha a horta, você tinha um pomar, mas você plantava também mandioca, plantava milho. Tinha coisas que você plantava. Era uma fazenda a 50 quilômetros da cidade e pouco se vinha à cidade, então, o que a gente comia no dia-a-dia, tinha por ali plantado. Tinha até escolinha assim, eu lembro.
P2 - É, então, eu queria saber onde foi a sua primeira escola?
R - Uma das coisas mais legais assim, da fazenda, é que as crianças tinham uma escolinha. Então, chegava, por exemplo, 11 horas da manhã, a gente já tinha almoçado, a gente tinha uma capanguinha de calça jeans velha, porque aí a calça jeans não tinha mais uso, o que ela virava? Capanga. E aí, dentro da capanga ia o que? Um caderno, um lápis, uma borracha, um vidrinho, reutilizado, vidrinho de pimenta, de alguma coisa que você colocava ali leite com café, leite com alguma coisa misturada, e uns biscoitos maravilhosos, que eram assados lá no forno de barro e tudo. E aí, pegava, cada um tinha um cavalo, cada um montava no seu cavalinho e as crianças iam pra fazenda vizinha pra escolinha. E ainda era na época que as crianças apanhavam na escola, inclusive.
07:42
P2 - E você era uma das menores?
R - Eu não apanhava não, né? Porque eu era pequena.
P1 - E nesse período da escola, como é que era esse convívio na escola? Você teve algum professor, alguma professora que marcou? Como que era isso?
R - Tive. Olha, a minha história na escola é uma coisa, que ao mesmo tempo que foi muito, muito legal, assim, a experiência no geral, eu tive intempéries. Por exemplo, eu sofri muito bullying, mas ao mesmo tempo, não sei se por causa disso ou se foi pela minha natureza mesmo, eu era uma criança meio agressiva assim, sabe? Então, as pessoas que fizeram bullying comigo não foram muito felizes, entendeu? E eu aprontava muito na escola, eu não era uma pessoa que tinha facilidade para seguir regras, sabe? Então, assim, dei muito trabalho. Mas, eu tive algumas professoras, eu acho que eu era uma criança muito diferente, sabe? Das outras crianças. Porque eu tinha outros focos. Na verdade, agora adulta, que eu fui diagnosticada com TDAH. Entendeu? Então, tudo isso explicou muitas dificuldades que eu tinha, sabe, na escola. Muita coisa. Já fui expulsa de algumas escolas e tudo. Mas eu tinha uma professora que ela me entendia e ela interferia quando a escola queria me punir. Ela falava assim: não, Janaína é artista. Eu lembro dela falando até hoje. Deixa ela, ela é artista, cabeça dela é pra outro lugar e tal. E aí, eu estudava em escola de freiras, as freiras entenderam que eu realmente produzia mais em outro campo. E aí, elas começaram a me chamar pra algumas atividades pra eu gastar minha energia e eu também entender mais sobre as relações sociais e tudo mais, então elas me colocavam pra ser monitora de crianças muito mais pintas do que eu na parte da tarde, entendeu?
P2 - Muito mais do que?
R - Pintas! Do que eu na parte da tarde. E a gente ia também em algumas fazendas, inclusive do meu pai, pra poder pegar esterco e ensacar pra colocar na horta, entendeu? Mas eu ia, não achava que isso era tipo castigo. Pra mim era super divertido, era muito legal, entendeu?
10:24
P2 - Mas essa escola de freira era da fazenda?
R - Era daqui, do Eliseu.
P2 - Ah, daqui, de Paracatu. Mas lá na fazenda você foi a escola também?
R - Lá na fazenda, quando eu tinha 3 a 6 anos, eu ia. Eu nunca tirei nota ruim, sempre passei de ano de boa, era inteligente e tudo, mas eu tinha dificuldades com regras, com horários. Eu sempre chegava atrasada na escola, eu morava a 50 passos da escola, e eu chegava atrasada todos os dias. Aí, tinha esses probleminhas assim. Mas hoje em dia a gente já sabe o que é.
11:06
P2 - Mas depois do primário, sei lá, os primeiros anos, e depois também você continuou assim?
R - Foi, sempre foi, foi difícil. Principalmente para a escola, né? Aí depois eu passei no vestibular, eu cursei. Na verdade, foi uma bagunça essa parte da faculdade, porque eu não sabia exatamente o que eu queria fazer, ao mesmo tempo que eu queria mudar daqui, ao mesmo tempo eu tinha medo, porque assim, naquela época, gente, as pessoas não tinham dinheiro pra ficar gastando assim não, sabe? Tipo, se eu fosse morar lá em Belo Horizonte, eu ia morar na casa de uma tia minha, ia andar de ônibus, e ia fazer só isso. Não tinha dinheiro pra ir em shopping, não sei o que, essas coisas. Eu falei, gente, essa vida vai ser muito ruim, eu não vou querer isso não. Sabe? Eu vou ficar por aqui mesmo que é mais fácil.
Aí eu fui, fiz UFMG, Belas Artes, passei. Mas aí eu não quis ir. Porque eu fiquei insegura, entendeu? De ter uma vida muito difícil. Tipo assim, de ficar só em ônibus, sabe? Sei lá. Eu não consegui querer. Depois eu passei na UFA, para Educação Física. Que eu também, fazia muito esportes e tal. Mas eu falei, gente, mas não é isso que eu gosto. Aí, acabou que eu fiz uma coisa que nem era o que eu queria e nem era o que eu gostava, que foi o curso de história, mas que foi muito legal. E aí, com o passar do tempo também, aí eu comecei a trabalhar aqui em Paracatu também. E aí, depois me casei, tive uma filha, hoje ela tem 25 anos. Aí, eu queria fazer arquitetura, mas aqui não tinha e não tinha como eu ir mais, porque eu já estava casada, já tinha filho. Aí, eu comecei a cursar engenharia civil, porque aí eu poderia fazer pós-graduação em arquitetura. E aí, eu também não terminei o curso. Porque aí eu comecei a trabalhar com artes, e falei, gente, eu não vou ser engenheira não, vou fazer isso mesmo. Pronto, acabou. Já descobri meu lugar e pronto, é isso aí que eu vou seguir. E assim foi.
13:35
P2 - Mas o seu primeiro trabalho foi com o quê?
R - Meu primeiro trabalho foi vendedora de loja. Uma loja de grife que tinha aqui em Paracatu. Que eu também sempre gostei muito de moda. Inclusive, quando eu morei em Belo Horizonte, eu trabalhei também como modelo uma época lá. Mas não durou muito tempo também, não, porque eles estavam querendo que eu emagrecesse mais, que eu cortasse os cabelos. Eu falei: Deus me livre, não vou pegar ninguém se eu ficar mais seca do que eu era. Que eu já era muito magra. Eu falei: não, não vou me mexer com isso, não. Aí, eu peguei e saí também da agência. Aí, também não foi pra frente.
14:17
P1 - E nesse meio período também você já fazia algum trabalho artístico para ajudar, complementar a renda? Como que era isso?
R - Não, nessa época eu tinha 17 anos, ainda não pensava em… Lá em Belo Horizonte, em trabalhar não, pensava só em estudar mesmo. Aqui eu tinha trabalhado em loja, recebia tipo um salário comercial, mais comissão, uma coisa assim e tal. Eu trabalhei em três lojas, na Benetton, que agora eu acho que nem tem no Brasil mais, mas era uma marca muito legal, que tinha umas campanhas lindas. E em uma outra loja lá também, parecida. Depois eu trabalhei num escritório de advocacia, quando eu estava fazendo curso de história, eu trabalhei nesse escritório de advocacia. Depois eu fui pra Uberaba e trabalhei numa empresa com advogados também. Coisas muito aleatórias, né?
15:16
P2 - E aqui você se divertia como? O que tinha aqui que te atraía?
R - Aqui em Paracatu? Aqui em Paracatu sempre teve muitas festas. Eu sou uma pessoa muito festeira, gosto muito de festa. E hoje em dia a gente faz muita festa em casa também. Mas aqui continua tendo muitas festas, bares, pubs. E eu sempre tive muitos amigos, então eu me divertia com os meus amigos. Ia pra cachoeira, fazia festas em casa ou em fazendas ou em chácaras. Tinha as festas da cidade também, as tradicionais, os eventos tradicionais, tipo carnaval. Que eu amo carnaval, eu amo me fantasiar. Todas as festas, gente. Todas as festas eu amo.
16:13
P2 - E você casou com uma pessoa daqui?
R - Eu casei. Na verdade eu estou no meu terceiro casamento. O primeiro marido, que é o pai da minha filha, Sara, ela está com 25 anos. Hoje ela mora em Uberlândia e ela faz medicina na UFO. Ele é daqui de Paracatu. O segundo é de Cristalina, não tivemos filhos. E o meu atual marido, ele é farmacêutico, chama Renato, mora aqui em Paracatu, e a gente tem um filho de oito anos, fez nove agora, que se chama Pedro. Já já ele tá batendo aí.
16:54
P1 - No meio de todo esse percurso que você fez, estudando, trabalhando e tal. Que horas que a arte começou a fazer sentido, que você fala, quero agora trabalhar exclusivamente com isso?
R - Olha, eu acho que foi uma coisa que foi progredindo, sabe? Porque assim, quando eu era criança, a arte sempre esteve presente na minha vida, muito fortemente, sempre, sempre. Então, por exemplo, ia fazer… Eu lembro que uma vez ia ter uma festa de uma vizinha minha, das filhas dela, e aí eu queria ir na festa, só que eu já não era mais da idade das criancinhas.
Aí, eu perguntei pra ela, falei assim: posso vestir de palhaço pra animar a sua festa aqui? Que eu ia pra festa, ia me divertir e ainda ir ganhar um dinheirinho, né? Aí, fui vestida de palhaço. Muitas crianças amaram e outras ficaram chorando. Aí, eu descobri que as crianças têm medo de palhaço, né? Aí, eu falei: meu Deus do céu, eu acho que ser palhaço não é uma coisa muito próspera, não, pra festa de criança. Por exemplo, ia ter gincana. Outro dia encontrei com uma professora minha que me lembrou que eu ganhei uma gincana no Dom Eliseu, sozinha. Por quê? Era uma escola, assim, de gente que tinha mais grana, né? Então, aquela galerinha, as patricinhas, não sei o quê, sempre tinha umas turmas maiores, que todo mundo queria fazer parte, né? E eu sempre fiz o caminho inverso de tudo sempre na vida, não sei porquê. Aí, eu falei: quer saber de uma coisa, eu não vou fazer parte dessa turma, desse povo manoteiro. Manoteiro é um gírio de Paracatu. Eu vou fazer o meu próprio grupo.
E arrumei cinco gatinhos pingados pra minha turma, pra participar. E aí, chegou lá no dia, esses cinco gatinhos pingados me abandonaram e eu fiquei no grupo sozinha. Só que eu já tinha conseguido um monte de caminhão de abóbora, que uma das tarefas era doação de alimentos, né? E ganhava o peso. E abóbora é muito pesada, né? E eu ganhei o caminhão de abóbora, então, só aí eu já ganhei muitos pontos. E eu morava do lado da escola e não tinha vergonha de nada. Então, falava assim: agora a gente precisa de uma pessoa pra imitar Gretchen. Eu ia lá em casa, arrumava uma roupa, chegava lá e imitava a Gretchen. “Precisamos de um pessoal para imitar Sidney Magal.” Eu ia lá, subia no palco, imitava Sidney Magal. “Precisamos de uma chupeta.” Eu ia lá na vizinha, “Me dá ums chupeta.” Corria lá, dava a chupeta. Ganhei a gincana sozinha. Precisava fazer uma blusa pra alguma campanha na escola. Aí, tinha concurso de desenho. Aí, eu ganhava o concurso de desenho. Aí, eu estava sempre participando, assim. Ajudava. Tinha alguém que estava fazendo a decoração de uma festa. Aí, eu ia, curiosa e falava: posso te ajudar? Ao mesmo tempo que eu estava ajudando a pessoa, eu estava aprendendo também, né? Então, me interessava por essas coisas e eu estava sempre envolvida de alguma forma. E aí, depois, quando eu fui para Uberaba, eu estava numa fase que eu estava fazendo aquarela. E eu trabalhava numa empresa de advogados. Só que dava tipo 5 horas da tarde, não tinha mais nada pra fazer e eles me liberavam pra eu ficar fazendo minhas aquarelas lá na minha mesa. Aí, num dia desses, um cliente deles chegou e viu eu fazendo as aquarelas e falou assim: olha, eu tenho uma empresa que eu alugo apartamentos decorados, e eu gostei muito das suas aquarelas, tem interesse de vender? Eu falei: uaí, claro! Aí, eu peguei, vendi, sei lá, quatro papelzinhos, que pra mim era muito fácil pintar, pelo preço que eu ganhava no mês inteiro. E ele ainda achou barato. Eu falei assim, é isso que eu quero fazer pra minha vida. Eu quero vender quadros, vender aquarelas. E aí, eu comecei a pintar e vender as coisas e nunca mais parei. Depois vim pra cá, continuei e vivo de arte até hoje.
21:15
P2 - E você é autodidata, você se inspira em alguém, você...
R - Eu acho que eu me inspiro em tudo, sabe? Porque eu até hoje… Porque eu sempre ouvi falar que um artista tinha que ter um estilo próprio, né? Eu nunca consegui ter esse estilo próprio, que eu gosto de fazer tudo, sabe? Pode ser até que tenha, mas eu nem sei se tem mesmo, entendeu? Mas eu gosto de fazer tudo. Eu gosto de pintar desse jeito, mas eu gosto de pintar, sei lá, daquele jeito ali também. Eu gosto de fazer escultura também, sabe? Gosto de pintar muro, gosto de pintar quarto de bebê. Gosto de fazer cenário. Então… Eu acho que quando tem algum artista que me chama muita atenção, eu vou conhecer o trabalho dele, a partir daquele momento ele já me transmitiu alguma coisa, já me inspirou de alguma forma.
E aí, ele foi lá pra gaveta de inspirações, de pessoas inspiradoras, e já misturou com todo mundo lá, e ficou ali, fez aquela sinapse na minha cabeça já.
22:23
P2 - Mas você recebe pedidos para fazer alguma coisa diferente ou uma coisa definida?
R - Recebo, recebo pedidos de fazer coisas definidas também. Mas antigamente, sabe, eu mesmo quando achava coisa bem estranha, eu fazia pelo dinheiro, né? Mas hoje em dia eu ou não faço, quando realmente eu não consigo contornar a situação, ou então dou outras ideias, que eu acho que ficaria legal e tal, e a gente acaba entrando em um comum acordo.
23:01
P1 - E hoje a gente viu o seu trabalho aqui, durante o Festival Cultural. E como é que você vê o impacto do seu trabalho na cultura local e até nacional?
R - Uai, eu fico super feliz, porque você olha pra trás… Na verdade, eu não senti essa coisa acontecendo, né? Eu acho que desde o início foi muito legal, sabe? As pessoas viviam falando assim: ah, você tem que mudar daqui, você tem que ir para um lugar que as pessoas te valorizam. Eu falei: mas quem falou que as pessoas daqui não me valorizam, sabe? Eu sou super valorizada aqui, eu sempre me senti valorizada, sabe? Então, eu não sei que papo que é esse que o povo tira que as pessoas têm que mudar daqui pra ser valorizadas, entendeu? Então, assim, eu sempre me senti super valorizada, desde o início, sabe? Sempre procurei fazer o melhor, lógico, né? Já fiz coisa feia? Já. Tenho vontade de entrar de noite na casa das pessoas, roubar o quadro e por outro no lugar. Mas faz parte do processo, né? E hoje em dia, assim, eu fico muito feliz de ter podido fazer projetos maiores, né? Que têm reconhecimento da cidade toda, até repercussão internacional. Hoje envio os quadros para outros países também, às vezes. E eu fico muito feliz. Eu acho que valeu a pena todo o processo. Tem muita coisa que eu posso ainda ir melhorando. Eu gosto muito de inovar também, sabe? Por exemplo, a exposição que eu fiz no festival do ano passado, os quadros eram mais preto e branco e tal. E esse ano eu resolvi fazer essa pegada aqui, desses quadros assim mais coloridos. E aí, eu percebo que eu procuro experimentar e ao mesmo tempo já estou fazendo, entendeu? Isso é muito legal! Porque a experiência vai dando certo.
25:10
P1 - E você tem notícia, assim, se o seu trabalho já inspirou algumas pessoas a seguir pelo caminho artístico também?
R - Já. Inclusive, eu gosto muito de trabalhar com crianças e com as pessoas também que já trabalharam junto comigo, muitas também já, tipo, expandiram para algum tipo de arte ou desenvolveram suas habilidades também. Principalmente, a questão de autoconfiança. Porque muitas pessoas não vão porque, às vezes, não confiam no processo, né. Já acha que tem que estar pronto e não é bem assim. As coisas vão aparecendo, você vai construindo. Igual eu falei com a minha sobrinha uma vez e ela falou que pegou isso pra vida dela. Eu falei assim: quando alguém te perguntar se você sabe e você quer aquela oportunidade, mente que você sabe, e depois você vai lá e aprende, faz, entendeu? Porque às vezes a pessoa quer que você mostre uma coisa muito grandiosa pra poder confiar em você, mas se você souber que você é capaz, fala, não, eu sei fazer, vamos lá.
26:24
P1 - E no início, quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou para seguir nesse caminho artístico?
R - No início... Gente, eu acho que não teve dificuldade, não. É, porque assim, as dificuldades que eu tive foram dificuldades, tipo assim, normais da vida que eu tinha. Por exemplo, quando eu vim para Paracatu e comecei a trabalhar vendendo telas, eu morava na fazenda e eu não tinha carro ainda e nem tinha carteira, mas já tinha uma bebê. Então, o que que eu fiz? Na época, também não tinha celular, internet, essas coisas. Eu comprava uma revista que ensinava pintura e tinha vários modelos de quadros. Eu destacava todas as folhas, colocava em pastas e fiz tipo um catálogo. Então, eu chegava na casa da dona de casa com os catálogos, aí tinha um catálogo que era só de flores, paisagens, natureza morta, o outro que era de geométricos, abstratos e nesse estilo. Aí, a pessoa escolhia o quadro que ela queria, o tamanho que ela queria, fazia a encomenda. E eu botava esses catálogos embaixo do carrinho do bebê, já colocava as mamadeiras, os trem tudo, e ia. Levava essa bebê pra tudo quanto é lado. Ia pintar a parede? Punha, uma piscininha com os brinquedinhos, ia pintar a parede. Fazia tudo com ela do lado ali. Mas pra mim não foi dificuldade isso. Foi legal, entendeu?
P1 - Fez parte do processo?
R - É. Aí, depois desses primeiros anos fazendo isso, aí inventei de fazer uma exposição. Eu já tinha feito algumas exposições aqui na Casa da Cultura, inventei de fazer uma exposição lá em Belo Horizonte, num lugar lá no Mangabeiras, que eu esqueci exatamente. E aí, nessa exposição, eu vendi muitos quadros, e quadros grandes, e aí deu uma grana que eu consegui comprar o meu primeiro carro. Um carro usado, mas já maravilhoso. E era um carro que tinha muito espaço interno e em cima. Aí, acabou, minha filha, eu lotava esse carro de quadro, e era exposição em Unaí, era exposição em Brasília, era em Belo Horizonte. E ia, que eu estava nova, aventureira, e punha menina, e punha periquito, papagaio, e ó, fazia exposição.
29:00
P2 - Você é agente de você mesmo.
R - É, exatamente.
P2 - E tem outros artistas visuais aqui em Paracatu?
R - Tem, tem muita gente aqui. Tem muita gente que tá muito... Uns artistas muito cansados, sabe? Que não está produzindo muita coisa, não. Eu estou achando que os artistas daqui estão precisando botar a cara no sol. Falo isso direto. Os veteranos, precisando colocar a cara no sol. E os mais novos precisando produzir, sair da internet, começar a produzir, pôr na rua a arte. Porque parece que a galera da arte, sabe? Eu não sei, eu posso estar enganada, mas parece que eles ficam esperando serem descobertos, entendeu? E eu acho que o processo inverso de você mostrar primeiro, funciona mais rápido, eu acho. Porque senão a pessoa fica tanto tempo esperando e não é, e ela desiste. Tem muita gente boa, muita gente criativa, muita gente com potencial, só precisa desenvolver mais.
30:12
P1 - E o que você acha que a arte representa na sua vida hoje, hoje e sempre?
R - Quando eu estou fazendo arte, é o momento que eu me sinto mais feliz, mais em paz, sem ruído nenhum, sabe? E eu sinto uma potência, porque parece que a minha cabeça ela foi feita pra criar. E quando eu embarco nesse canal da criação, eu sinto uma coisa muito boa, não sei te explicar, mas é muito bom. Eu venho pra cá, eu gosto muito de trabalhar à noite, eu coloco uma música, e aí eu começo a fazer uma coisa e eu nem percebo, mas minha cabeça tá ali trabalhando em outra coisa. E eu falo: nossa, é isso. Aí, eu já largo aquilo ali, já vou inventar moda. É muito bom, eu amo.
31:04
P1 - E como é que estão os seus sonhos? Você tem ainda sonhos?
R - Muitos sonhos. Muitos sonhos. Não são sonhos assim, mirabolantes não, sabe? Hoje eu tenho um, daqui a pouco eu já tenho outro. São sonhos fáceis de realizar, sabe? Então, ultimamente, se você me perguntar, qual os seus planos? Na verdade, são mais planos do que sonhos. Porque quando você pega os seus sonhos e já começa a projetar, ele já sai do sonho e já começa a ser projeto, né? Então, eu tenho vontade de fazer um projeto de restaurar aquele muro lá do Jóquei, eu tenho vontade de fazer outros murais, inclusive eu gostaria muito de fazer um mural que passasse uma mensagem de maneira de forma muito artística, sobre a questão da saúde mental no geral, sabe? Dos processos todos que estão acontecendo hoje. É uma coisa assim que eu penso muito sobre, sabe? E tá tudo muito perto, assim. E eu fico pensando por que que tá acontecendo tudo isso. E a arte pode fazer com que todo mundo também pense sobre isso, reflita e de alguma forma também passe informações importantes, porque… Antigamente, eu lembro que tinha alguns muros, assim, não tinha muita arte em muro, mas tinha umas pichações com frases, entendeu? E eu sei que aquelas coisas que estavam ali em frase ou alguma coisa, você via e captava. Então, a mensagem visual parece que ela fixa muito na cabeça da gente, principalmente quando você passa muitas vezes naquele mesmo lugar. Então, a mensagem visual na rua é muito poderosa. Então, eu tenho vontade de fazer mais murais.
33:18
P2 - Eu fiquei pensando aqui, você falou que sai e vende, tudo. Tem alguém que te ajuda, tem alguém que está com você?
R - Não, assim, eu tenho ajudantes, mas para a parte de cenografia. Mas dentro da cenografia entra muita arte. Então, eu tenho ajudantes, mas que não são fixos. Tem uma ajudante minha que ela até que tava fixa, mas ela tá doente. Então, tô esperando ela melhorar pra voltar. Mas, geralmente, sou eu sozinha mesmo. Ou assim, quando tem um projeto maior, aí eu contrato uns freelancers para poder me ajudar, mas na criação não tem como. Na hora da pintura também, tem como eles me ajudarem num preenchimento de fundo, alguma coisa assim, mas nos detalhes não tem como. Aí, por enquanto, eu não tenho essa equipe para me ajudar nisso. Mas na cenografia tem.
34:34
P2 - E essas pessoas que estão junto com você, que te ajudam, você tem uma intenção de...
não sei se de ensinar, mas enfim, passar, de você...
R - Eles aprendem tudo comigo. Tudo, tudo, tudo, tudo. Agora, essa questão de você, por exemplo, perspectiva, as técnicas, as minhas técnicas são muito empíricas, pessoais, né?
Então, assim, eles veem eu fazendo, entendeu? Mas, se eles forem fazer sozinhos, eles não dão conta de fazer o que eu faço. Pode ser que eles aproveitem o que eles aprenderam comigo pra fazer do jeito deles outra coisa, entendeu? Mas as meninas que me ajudam são artistas, elas costuram, elas bordam. Elas têm esse trabalho também, fora, quando estão me ajudando. Mas elas vão aprendendo. Não tem como você não aprender fazendo. Aprende muita coisa.
35:43
P2 - E você acha que Paracatu é um lugar de boa produção de cultura, produção de arte?
R - Eu acho que Paracatu, na questão de produção de cultura, repercussão também, porque, propagação, porque é uma cultura muito rica, uma história muito rica, vai fazer 227 anos. Só que, historicamente, o Brasil, que é Paracatu também, inclui, veio a valorizar a história tem pouco tempo, né? Que a gente renegava muito isso, né? Então, tem pouco tempo que a gente veio realmente a ter orgulho da nossa história, né? Ah, essa coisa brasileira, ter orgulho. Antes a gente parecia que tinha vergonha, né? Falava mal da nossa própria cidade. Ah, cidade ruim, de interior, não tem nada aqui não. Eu nunca fui essa pessoa. Inclusive, eu tenho ranço de quem é assim, sabe? De quem menospreza o seu próprio lugar, entendeu?
Então, eu amo Paracatu, acho aqui muito legal, tem coisas incríveis aqui e, dê um tempo pra cá, as pessoas vêm valorizando mais porque tem várias vertentes, vários movimentos acontecendo, várias frentes. Então, tem os meninos ali, inclusive essa galera que fotografa, que filma, entendeu? Mostra a cidade. Nossa, você vê uma filmagem drone na cidade, você fala, nossa, que cidade linda, minha cidade, não é? É uma sensação maravilhosa. Aí, uma pessoa vai, pinta um mural falando sobre o Paracatu. Aí. tem a Fli Paracatu, que vem pra cá, traz um monte de escritores, abre espaço para os escritores daqui. Então, às vezes, o escritor que estava ali adormecidinho já fica mais animado. Tem o Festival Cultural, que deu aquela efervescência na parte da culinária e gastronomia da cidade. Agora, a caretada também está com tudo. Porque antigamente era pouquinho, era um aqui, outro ali. Agora parece que eles estão tendo mais incentivo também. Então, você tá vendo essa galera bem unida. E tem muita mais coisa pra explorar. A tapuiada, por exemplo, eu imagino que em breve alguém deve fazer um movimento pra trazer essa tapuiada também, porque é uma coisa linda. Meu pai fez parte da tapuiada. É a coisa mais linda do mundo. Acho que poderia também, sabe? Tem muita coisa pra fazer. Mas eu acho que as pessoas já começaram a sentir orgulho, sabe?
E isso é um passo muito grande.
38:40
P2 - E por que você acha que aconteceu isso, essa virada assim?
R - Eu acho que é por causa disso, que foram várias frentes que as pessoas começaram a atinar para valorizar. Ao invés de fazer a exposição trazendo artistas de fora, não, vamos fazer aqui de Paracatu mesmo, entendeu? Vamos mostrar mais sobre Paracatu, vamos fazer uma campanha, vamos usar a identidade visual com as coisas de Paracatu. Então, tudo isso somado fez com que esse movimento fique mais forte, de fortalecimento da história e da cultura da cidade. Eu mesmo faço, eu promovo o desfile do aniversário da cidade, tem mais de 20 anos. E é muito legal. E todo ano, embora tenha alguma temática específica, acaba abrangendo. São 63 escolas, e aí é um desfile que não é só aquele cívico de uniforme, é tipo uma escola de samba, que tem carros alegóricos, que tem fantasias, alegorias, e são mais de 3 mil pessoas desfilando. E aí, vem contando a história toda, também artes visuais. Você tá ali na avenida vendo o povo passar e passa uma pessoa ali da ala, por exemplo, do Patrimônio Imaterial. Aí, passa uma ala toda contando um pouco do Patrimônio Imaterial. Passa uma do Cerrado. Passa um… Então, vem, sabe? É muito bonito. Muito bonito. Vale a pena, se um dia vocês puderem assistir. Vocês já assistiram, né meninos? É muito legal.
40:29
P1 - E isso ocorre aqui em que época do ano?
R - 20 de outubro.
P1 - E é um movimento espontâneo?
R - Não, a prefeitura, ela me contrata não, porque é licitação, mas ela contrata uma empresa, para que essa empresa desenvolva um projeto dentro de uma temática com subtemas, com carros alegóricos e tudo mais, fanfarras, balizas, tudo. E põe essa galera toda organizada na rua. E sai às 8 horas da manhã, dia 20 de outubro, bem bonitinho, todo mundo arrumadinho, pra poder contar essa história. Aí, tem um bolo gigante, com as velhinhas lá em cima, com a idade de Paracatu. E vai muita gente assistir, muita gente, é muito bonito.
41:28
P2 - Você gostaria de falar mais alguma coisa?
R - Não sei, a gente deixou de falar alguma coisa?
P2 - Quem é que financia tudo isso? De onde vem?
R - Você fala do desfile?
P2 - É, desfile. Tudo o que acontece na cidade. São as pessoas que fazem voluntariamente?
R - Não, não. Acho que não tem nada voluntário aqui não, gente, ninguém acho que tá com tempo pra fazer trem de graça não, até porque eu acho que tudo que a pessoa se dispõe a fazer, ela tem que ser bem remunerada, entendeu? Então, tem empresas aqui que são apoiadoras, que são parceiras também da prefeitura, igual a Kinross, Prativa, Sicobi, então eles são parceiros. E a prefeitura. Tem alguns editais também, igual a Lei Aldir Blanc, que agora teve, alguns editais também. E as pessoas aqui em Paracatu também estão começando a entender também como que participa de edital e tal, que a Prefeitura, a Kinross, a Casa Paracatu, dão essas informações, né? Esse incentivo para que as pessoas participem também. Mas tem fundos, né? E a prefeitura tem aberto várias frentes também para esses eventos acontecerem. São os eventos tradicionais da cidade.
43:12
P1 - Janaina, fala para a gente como é que foi contar a sua história que agora vai fazer parte do Museu da Pessoa?
R - Gente, foi muito legal. Na verdade, eu até esqueci que eu estava contando a história. Eu tava aqui matracando, contando um monte de coisa. E agora eu estou em dúvida se o que realmente importava, se eu não esqueci de alguma coisa.
43:37
P1 - Pra gente foi sensacional.
R - Mas é isso, assim. Sobre a minha trajetória como artista plástica, o que eu posso dizer é que comecei vendendo telas para as donas de casa através de catálogos, depois comecei a fazer exposições, daí abri mais um leque que foi para decoração, decoração de eventos, cenografia, que eu já venho atuando nos principais eventos da cidade há mais de 20 anos, que eu estou aqui sempre criando e tudo para algumas empresas também. E agora, esse ano, que eu tô realizando um sonho que virou projeto e se tornou realidade, que é de ter o meu ateliê, que eu ainda não inaugurei, inaugurarei agora em agosto, se Deus quiser. Era pra ser essa semana agora, só que aí eu recebi uma proposta de fazer uns murais lá em Passos. E aí, como é uma proposta legal, eu irei, quando eu voltar, eu vou fazer a inauguração do ateliê.
44:47
P2 - Onde você estava antes daqui? Onde você produzia?
R - Eu pintava em casa, aqui na minha casa, que é a dez passos daqui. E eu pinto muito ao vivo também, né? Então, tem vários eventos aqui na cidade, quando tem show, que enquanto tá acontecendo o evento, eu tô pintando ao vivo também, que é uma intervenção muito legal também. Você perguntou naquela hora se algumas pessoas já me falaram sobre ser inspiração e tudo. Essa parte de fazer arte na rua é muito legal porque as pessoas vêm muito te dar um feedback sobre o trabalho que já viu, crianças principalmente. Aí, vem a mãe e fala assim: ah, minha filha quer tirar foto com você que ela ama seu trabalho e tudo mais. E aí, eu vejo o tanto que é legal, né? Porque a criança acha que você é uma coisa assim muito uau, né? Só por você ser artista e tudo. E eu amo fazer trabalho com criança também.
45:55
P1 - E você está fazendo algum trabalho com criança agora?
R - Eu sempre faço, pintura infantil eu sempre faço. Em escola, em quarto de criança. Então, eu estou pintando o quartinho dela, ela está ali comigo o tempo inteiro, participando do processo.
P2 - Obrigada!
R - Eu que agradeço.
P2 - Por seu tempo, por essa história tão bonita.
R - Eu que agradeço.
P2 - E ela vai lá para o museu, vai fazer parte do acervo. Nós temos cerca de 20 mil histórias, a sua vai ser 20 mil e duas.
R - Que legal, gente.
P2 - A gente já passou lá pela Mariângela. Mas assim que tiver lá, que a gente colocar lá, a gente manda pra você.
R - Tá bom. Nossa, eu vou ficar muito, muito feliz, porque eu já visitei o Museu da Pessoa pra fazer pesquisa e tem muita gente boa ali. Muita gente, muita gente legal ali.
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