Uma história construída em algumas periferias do Brasil, onde nasci, cresci e busquei novos espaços acreditando que a educação transformaria minha vida.
Ainda criança lia muitos livros, porque me faziam esquecer das privações de liberdade, por conta das responsabilidades de uma adulta precoce.
Após anos de uma jornada, passei por discriminações por conta do meu cabelo, minha origem, minha classe social. Eu era lida no meio social como uma menina negra, a mim eram atribuídos vários apelidos, piadas e palavras perojativas. Nomear essas experiências foi um processo que culminou depois de ser mãe de três jovens negros, aos 37 anos. Até que um dia, uma pessoa no trabalho pediu para checar com quais roupas eu iria para o cliente, em uma viagem. Nessa época, eu já tinha mais de vinte anos de carreira profissional, havia viajado representando empresas, uma formação acadêmica e experiências significativas, mas esse reportório, era conhecido pela liderança daquela empresa, não era suficiente.
Neste momento, com a ajuda de colegas que trabalhavam comigo, letradas racialmente e em diversidade e inclusão, me ajudaram a nomear aquela triste situação.
Essa descoberta me fez ter contato com a primeira autora negra que havia lido conscientemente, Djamila Ribeiro, com seu livro, Lugar de Fala.
A partir daí, continuar naquela empresa não fazia mais sentido e eu mergulhei em outras histórias de mulheres negras e me reconheci em todas elas.
Com isso, encontrei a mola propulsora para mais uma mudança profissional e passei a atuar exclusivamente com diversidade, equidade e inclusão.
Hoje entendo que, ao longo da vida, fui moldada para receber uma missão: lutar por um mundo mais justo, inclusivo e menos desigual.