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Personagem: Débora Caliman

Histórias que se misturam...

Esta história contém:

Minha história, agora posso dizer, já é balzaquiana. Acabei de fazer trinta anos, dia 4 de dezembro.

Acho que na barriga da minha mãe já escrevia com o cordão umbilical. Esta é uma paixão muito antiga; mas não é só de amores antigos que eu vivo. Tenho um amor recente: minha filha Melissa. Ela só tem nove meses.

Escrever é uma paixão antiga como disse. Mas amor, amor antigo, são poucas pessoas que com 30 anos como eu têm... há 25 anos. Meu companheiro, Marcelo, meu amigo, meu amor. Não tem como escrever a minha história sem cruzar os dados com a dele.

As feministas de plantão que me perdoem: eu fui atrás da minha independência, da minha carreira, de mim, de tudo que todo mundo (principalmente os sonhadores como eu) vão, mas Deus foi muito bom comigo e colocou esta grande pessoa pra ser meu vizinho...

Nos conhecemos desde o jardim da infância. Os dentes caíram juntos, fomos pra escola sem cadeiras no primeiro dia de aula, passamos perto da fome, tivemos dois irmãos cada, as duas mães eram faxineiras, sofremos. Fomos amigos-irmãos até os 19 anos. E bateu uma paixão de milésima vista.

Construímos nossos sonhos, nos formamos, vencemos, chegamos numa posição que, pra quem veio do sofrimento que a gente passou, é uma grande coisa, e ele agora é MESTRE. E eu estou tentando ser também.

Somos casados faz seis anos quase, estamos juntos a quase onze... Mas quando olho pra trás, penso que eu o amei desde a maternidade. Aquele amor de respeito, de admiração. Sou fã dele. Sei que ele é meu também.

A gente briga, às vezes, porque ele me chama de cabeça dura. Mas eu sei que isto também é minha maior qualidade – sonhar. Se tivesse que me definir em uma só palavra, me definiria assim: sonhadora. Uma sonhadora que sonha que todo mundo pode ser feliz ao mesmo tempo, agora. Que jogou pela janela uma carreira de comércio exterior pra ir se aventurar num negócio, pra ir pra maternidade tendo que vencer a endometriose, e agora...

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