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Personagem: Nelson Zeglio
Por: Museu da Pessoa, 6 de junho de 2013

Histórias do futebol

Esta história contém:

Histórias do futebol

Vídeo

Quando eu morava na Rua Platina, a gente atravessava a linha do trem e ia até a avenida andando, era tudo com matinho raso. Hoje não tem vestígio nenhum do passado, são muitas casas, sobrados, está tudo diferente. Eu jogava bola no campo de futebol do time União Tatuapé, que tinha por ali.Na época era uma bola feita com uma bexiga. Enchia-se ela e depois, por fora, passava-se um cordão. Não tinha válvula como as de hoje. Era pesada! Uma vez, num jogo na chuva, um cara meteu aquele chutão e a bola veio na minha cabeça e eu abaixei. O goleiro ficou louco, mas se a bola batesse na minha cabeça, afundava para o pescoço! . Eu quero contar pra você uma coisa que eu nunca declarei pra ninguém. Eu sempre fui centro avante. Nunca fui técnico, o meu negócio era marcar gol. Acontece que um dia eu fui bater um corn. Ninguém acredita, mas o pessoal do Tatuapé sabe. Eu dei o corn, mas com o vento a bola subiu, eu corri e fiz o gol. Ou seja, eu mesmo bati e fiz o gol! A turma me chamava de Maria Louca, porque o beque para me marcar precisava ser forte. Como eu era bom jogador, veio um senhor de São Joaquim da Barra, chamado Barqueta. Ele foi procurar um centro avante e pediu informação para o barqueiro da região, afinal, o barbeiro e jornaleiro sempre sabem de tudo. Quando perguntou, o barbeiro disse que tinha um meio topetudo, e esse Barqueta veio me buscar. Quando veio falar comigo ele tinha um caminhão Chevrolet 49, e me levou para São Joaquim da Barra. Quando eu cheguei lá, perguntei pra mim mesmo aonde eu tinha ido amarrar o meu burro! Até o pano da mesa de bilhar era vermelha! . E então eu fiquei na cidade. Fiquei nessa cidade e foi aonde eu comecei a jogar como profissional. Uma coisa interessante é que uma vez o Palmeiras foi jogar lá em São Joaquim da Barra com aquele time: Lima, Pipi, era um time fabuloso e nós éramos amadores! O goleiro desse time do Palmeiras era o Oberdan. Eu fiz um gol de virada de corpo nele e ganhamos o jogo por...

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Dados de acervo

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P/1 – Bom dia, senhor Nelson!

R – Bom dia!

P/1 – Qual é o seu nome completo, data e local de nascimento?

R – Nelson Zeglio, nascido em São Paulo, no bairro Santa Cecília em 21 de novembro de 1926.

P/1 – Qual era o nome e atividade dos seus pais?

R – O meu pai era Hilário Zeglio. Ele tinha uma açougue na rua Fortunato, na Santa Cecília. A minha mãe era Rosaria Saih Zeglio.

P/1 – O senhor é filho único ou teve mais irmãos?

R – Tenho mais duas irmãs, Ivone e Shirlei.

P/1 – Senhor Nelson, qual é a primeira lembrança que você tem da sua infância?

R – A única lembrança que eu tenho é se passa na Rua Fortunato, na Santa Cecília, onde eu morava. Nós tínhamos um porão onde eu encostei e cai! Tinha um ralo que estava solto, eu encostei lá e cai. Bati as costas no chão cheio de areia. É a única lembrança de pequeno que eu tenho.

P/1 – E você passou a infância na Santa Cecília?

R – Sim. Passei minha infância na Santa Cecília e na Vila Azevedo, no Tatuapé. Onde hoje é o metrô Tatuapé tinha um campo de futebol, a gente atravessava e aonde tinha uma valeta grande, hoje tem um supermercado e está tudo construído. Eu morava na Rua Platina.

P/1 – E como era a Vila Azevedo na década 30?

R – Não tinha ninguém! Quando eu morava na Rua Platina, a gente atravessava a linha do trem e ia até a avenida andando, era tudo com matinho raso. Hoje não tem vestígio nenhum do passado, são muitas casas, sobrados, está tudo diferente. Eu jogava bola no campo de futebol do time União Tatuapé, que tinha por ali.

P/1 – Do que as crianças brincavam naquela época?

R – De todas aquelas brincadeiras que não se faz mais hoje. Os meninos jogavam futebol e as meninas jogavam amarelinha. Hoje é tudo com internet.

P/1 – E a bola que o senhor jogava, como era?

R – Lá na Rua Platina nós tínhamos um senhor que fazia bola de capotão colorida. O time Platina Azevedo tinha a camisa vermelha e verde, listada. Mas as bolas...

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