Meu avô Nelson era um homem contador de historias. Ele marcou muito minha vida. Meu pai separou-se de minha mãe quando eu tinha 14anos. Ficamos, minha mãe Jaceyr - dona Nina, como era conhecida -, e meus irmãos Marcos Sergio, Odemir e Maria Cristina. Meu irmão Odemir saiu de casa e foi morar em Poá, na grande São Paulo.
Morávamos em Águas de Santa Bárbara Eu tive que assumir a família economicamente. Era a única fonte de renda que tínhamos. Meu avô Nelson marcou muita presença entre nós. Contava histórias, geralmente à noite Dentre as muitas que contava uma marcou muito minha imaginação.
Certa vez um homem, andando por uma estrada das antigas, de terra, passou por um senhor “aleijado” e teve muita pena dele. O vô dizia que não se pode ter pena das pessoas. Cada um tem a sua sina. Deus apareceu para este homem e, com sua voz forte, disse que lhe dava um bastão para ele caminhar de ora em diante pelas estradas. Era o castigo recebido e ele tinha que procurar ganhar a sua salvação.
Assim, ele iniciou sua vida de caminhante. Andava de dia e à noite procurava pouso. Às vezes era bem recebido e outras, não. Às vezes lhe davam comida e outras vezes, não.
Nesse seu triste caminhar, foi ficando velho e já nem tinha forças para caminhar muito. Quando Deus falou com ele e lhe deu o bastão, disse que esse bastão serviria para amparar seu caminhar e que seria o sinal de sua salvação. Quando pedisse pouso, deveria contar sua sina e dizer que seu travesseiro seria o bastão. Quando ele morresse, se o bastão brotasse, ele teria ganho a salvação.
Numa dessas noites chuvosas, o homem chegou numa casa para pedir pousada. Uma senhora, já idosa, o atendeu. Após ouvir o seu pedido de pouso, ela lhe disse que sentia muito, mas tinha um filho viciado e que era muito violento e que poderia ficar enfurecido vendo sua presença ali. Mas o homem suplicou muito e a senhora, vendo a chuva cair, teve compaixão e lhe disse que poderia, então, dormir...
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Meu avô Nelson era um homem contador de historias. Ele marcou muito minha vida. Meu pai separou-se de minha mãe quando eu tinha 14anos. Ficamos, minha mãe Jaceyr - dona Nina, como era conhecida -, e meus irmãos Marcos Sergio, Odemir e Maria Cristina. Meu irmão Odemir saiu de casa e foi morar em Poá, na grande São Paulo.
Morávamos em Águas de Santa Bárbara Eu tive que assumir a família economicamente. Era a única fonte de renda que tínhamos. Meu avô Nelson marcou muita presença entre nós. Contava histórias, geralmente à noite Dentre as muitas que contava uma marcou muito minha imaginação.
Certa vez um homem, andando por uma estrada das antigas, de terra, passou por um senhor “aleijado” e teve muita pena dele. O vô dizia que não se pode ter pena das pessoas. Cada um tem a sua sina. Deus apareceu para este homem e, com sua voz forte, disse que lhe dava um bastão para ele caminhar de ora em diante pelas estradas. Era o castigo recebido e ele tinha que procurar ganhar a sua salvação.
Assim, ele iniciou sua vida de caminhante. Andava de dia e à noite procurava pouso. Às vezes era bem recebido e outras, não. Às vezes lhe davam comida e outras vezes, não.
Nesse seu triste caminhar, foi ficando velho e já nem tinha forças para caminhar muito. Quando Deus falou com ele e lhe deu o bastão, disse que esse bastão serviria para amparar seu caminhar e que seria o sinal de sua salvação. Quando pedisse pouso, deveria contar sua sina e dizer que seu travesseiro seria o bastão. Quando ele morresse, se o bastão brotasse, ele teria ganho a salvação.
Numa dessas noites chuvosas, o homem chegou numa casa para pedir pousada. Uma senhora, já idosa, o atendeu. Após ouvir o seu pedido de pouso, ela lhe disse que sentia muito, mas tinha um filho viciado e que era muito violento e que poderia ficar enfurecido vendo sua presença ali. Mas o homem suplicou muito e a senhora, vendo a chuva cair, teve compaixão e lhe disse que poderia, então, dormir ali debaixo da escada e que estaria seguro.
O filho chegou bêbado, entrou em casa e, por conta do destino, ao passar perto da escada, tropeçou e caiu, deparando-se com o homem dormindo. Levantou-se enfurecido e chutou o homem. Mas depois o deixou e foi dormir. O homem acordou com dores, mas ficou quieto e, vendo que tudo se acalmara, na casa voltou a dormir, pensando em acordar logo para seguir seu caminho.
Quando a mulher acordou no outro dia, encontrou o homem ainda dormindo e foi acordá-lo com medo do filho. Percebeu, chocada, que o homem estava morto e mais ainda, o bastão onde sua cabeça repousava estava repleto de brotos verdes.
Assim contava meu avô.
(História enviada em 17 de julho de 2009)
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