O meu nome completo é Helmut Adamavicius. Eu nasci aos 29 de maio de 1939, na cidade de São Paulo. Resido no Rio de Janeiro praticamente desde pequenininho.
Eu mudei para o Rio era criancinha. Acho que com uns cinco anos por aí. Hoje eu prefiro dizer que sou carioca. Paulista é difícil, mesmo porque, não faz muito tempo eu fui a São Paulo e me perdi de carro. A cidade é muito grande, eu tive que contatar um táxi e seguir o táxi para poder sair daquele emaranhado de viadutos. Então, hoje eu sou é carioca.
Eu entrei em dezembro de 1967 através de um concurso de âmbito nacional. Eu entrei para a Petrobras para a área de manutenção, área técnica. E foi um chamamento da Refinaria Duque de Caxias. Foi por lá que eu ingressei na Petrobras.
Eu fui exercer uma função na parte de manutenção começando como contramestre. bolsista. Porque envolvia um treinamento em aula, em bancos e depois um treinamento no campo. E ali eu trabalhei durante cinco anos em serviços da área de Tubulação. E na parte de manutenção. E até de projetos de novas linhas. Isso tudo visando o refino do petróleo. Fiquei lá durante cinco anos nessa área. Em Duque de Caxias.
Antes de entrar na Petrobras, fui projetista de tubulação, de ferramentas para fábricas de utensílios domésticos. Então achei interessante abraçar uma oportunidade que me deram de projetista aqui no Edise. Porque eu já estava um pouco cansado de trabalhar no campo em áreas com muito risco.
Eu, graças a Deus, estou aqui por obra do Senhor lá de cima. Porque eu passei por muitos pedaços ruins. Só para ter uma idéia, nós entramos na refinaria em número de 25 colegas e eu perdi muitos deles em acidentes, em explosões. Teve uma explosão no Parque de GLP na qual eu tive participação e colegas que se foram.
Então, quando houve essa chance de vir para a área de projetos aqui no departamento de produção, eu me inscrevi, fiz o concurso e passei em segundo lugar. Porque era de...
Continuar leituraO meu nome completo é Helmut Adamavicius. Eu nasci aos 29 de maio de 1939, na cidade de São Paulo. Resido no Rio de Janeiro praticamente desde pequenininho.
Eu mudei para o Rio era criancinha. Acho que com uns cinco anos por aí. Hoje eu prefiro dizer que sou carioca. Paulista é difícil, mesmo porque, não faz muito tempo eu fui a São Paulo e me perdi de carro. A cidade é muito grande, eu tive que contatar um táxi e seguir o táxi para poder sair daquele emaranhado de viadutos. Então, hoje eu sou é carioca.
Eu entrei em dezembro de 1967 através de um concurso de âmbito nacional. Eu entrei para a Petrobras para a área de manutenção, área técnica. E foi um chamamento da Refinaria Duque de Caxias. Foi por lá que eu ingressei na Petrobras.
Eu fui exercer uma função na parte de manutenção começando como contramestre. bolsista. Porque envolvia um treinamento em aula, em bancos e depois um treinamento no campo. E ali eu trabalhei durante cinco anos em serviços da área de Tubulação. E na parte de manutenção. E até de projetos de novas linhas. Isso tudo visando o refino do petróleo. Fiquei lá durante cinco anos nessa área. Em Duque de Caxias.
Antes de entrar na Petrobras, fui projetista de tubulação, de ferramentas para fábricas de utensílios domésticos. Então achei interessante abraçar uma oportunidade que me deram de projetista aqui no Edise. Porque eu já estava um pouco cansado de trabalhar no campo em áreas com muito risco.
Eu, graças a Deus, estou aqui por obra do Senhor lá de cima. Porque eu passei por muitos pedaços ruins. Só para ter uma idéia, nós entramos na refinaria em número de 25 colegas e eu perdi muitos deles em acidentes, em explosões. Teve uma explosão no Parque de GLP na qual eu tive participação e colegas que se foram.
Então, quando houve essa chance de vir para a área de projetos aqui no departamento de produção, eu me inscrevi, fiz o concurso e passei em segundo lugar. Porque era de âmbito nacional. Primeiro lugar foi um rapaz de fora, e eu fiquei em segundo lugar. Dentro da empresa eu fui o primeiro a ser chamado. E aí desenvolvi o meu trabalho aqui. Quando eu fui chamado a trabalhar, pensei que ia ser na área de tubulação, porque a prova que eu fiz foi na área de tubulação. Desenvolver planta de tubulação isométrica. Fiquei praticamente um dia inteiro, fazendo na prancheta, realizando aquela prova. E quando eu vim para iniciar efetivamente o trabalho, me chamaram dizendo que eu ia ser deslocado para uma outra área, a de Estruturas Metálicas. Porque a Petrobras estava começando a se interessar pelas estruturas off-shore. Eu digo: "Minha gente, eu preciso de um treinamento para isso. Porque a minha área é outra."A empresa me deu um treinamento para essa área. E eu simplesmente projetei a primeira plataforma brasileira que foi lançada.,Em Aracaju. Isso foi em 1973. Primeira plataforma brasileira projetada e construída no Brasil. Foi para o campo de Camorim e ela levou o nome de PCM-3. Nós fizemos três: PCM-1, PCM-2, PCM-3. Todas para a produção desse campo. E eu tive participação direta, porque eu fui o único projetista da área, e desenvolvi o projeto, e detalhei o projeto. Eu elaborei a lista de material. Houve concurso de dois engenheiros que desenvolveram alguma memória de cálculo, naquilo que se podia fazer com conhecimentos que se tinha na época. Que foi o engenheiro Francisco de Assis e o engenheiro Paulo César Gomes Gurgel. E o projetista Helmut Adamavicius. Eu tive essa grata satisfação de participar. Depois, eu passei a desenvolver outras plataformas, para a mesma área. Porque era o campo que estava sendo desenvolvido, o campo de Aracaju, do litoral de Sergipe. Mais exatamente na foz do rio Sergipe, ali perto da praia de Atalaia, mais ou menos por ali. E aí desenvolveram outros campos. Dourado, Guaricema, Caioba, Robalo. E uma plataforma na foz do rio para apoio do pessoal embarcado. Aí eu passei a ficar inteiramente mergulhado com assunto de plataforma. Então, qualquer coisa de plataforma vinha para mim. Na parte de estruturas. Nessa parte é que fiquei durante muito tempo, durante o resto da minha vida aqui na Petrobras envolvido com isso. Para você ter uma idéia, eu me aposentei em 1995 e, dado a esse meu envolvimento, vez por outra, quase que todo ano, eu venho aqui sendo chamado para participar de alguns trabalhos em plataforma. Trabalhos em firmas terceirizadas, que foram montadas por colegas nossos. Hoje, estão trabalhando ali fora. E esse pessoal lembra do meu nome, principalmente quando precisamos lidar com aquelas plataformas lá do Nordeste. Depois passamos para o Rio Grande do Norte, passamos para Fortaleza. Então é uma área bastante familiar para mim.
Agora teve momentos que marcaram muito a minha vida. São momentos indesejáveis, de acidentes.
O que mais me impressionou quando eu estava na refinaria foi a explosão do parque de gás.
Isso foi em 1972. Um ano antes de eu vir para cá. É uma das razões também que eu achei que deveria estar mais em um serviço hermético do que num serviço de campo. Embora nenhum dos dois me assuste. Eu me sinto bem nos dois. Até achava que todo técnico, todo engenheiro, deveria ter passado pelo campo para depois ficar em escritório. Porque dá alguma bagagem, uma certa solução do tipo bate-pronto. Essa passagem na refinaria me marcou bastante. Não é que eu seja religioso, mas eu tenho, me considero iluminado por alguma coisa lá. Então, teve um dia que eu estava com essa área do parque de gás no meu rol de trabalho, que é tubulação. Eu tinha por hábito ir antes ver o que deveria ser feito para montar a equipe que deveria vir. Essa equipe poderia ser de soldadores, ou montador de andaimes, ou mesmo um servente para uma limpeza. O que fosse necessário. Eu fazia isso de ir ver, depois mandar uma turma. Colocava o pessoal lá, instruía, botava o material e tirava a permissão. Tem que ter uma permissão para trabalhos a quente ou a frio. Isso é norma de segurança da empresa.
Eu quero registrar aqui que a empresa, vamos dizer, foi bastante lícita na segurança. Só que acidentes, às vezes, são imprevisíveis. Então fui lá na área e teve uma hora que eu fui andando e deixei a minha caminhonete distante e fui andando para aqueles lados para ver como é que era. Eu senti que eu estava respirando um gás estranho. E me faltavam as pernas. Eu digo: "Meu Deus, essa área está inundada de gás." E fui querer correr e já não sentia as pernas. Parece que estava voando. E como você deve conhecer, os tanques, os jobs de refino, são circundados por valetas. Justamente se houver um escoamento de petróleo para ficar circundado naquela área, para não, vamos dizer, atingir outros vasos. E eu caí dentro dessa valeta. E fui acordar, não sei precisar, mas seguramente uma hora depois. E acordei graças a Deus, porque dentro da valeta não tinha o gás. Estava todo rasgado com escoriações. E fui para a oficina de manutenção, era hora de almoço, cheguei com a caminhonete todo ensangüentado, rasgado. E meu chefe quando me viu: "Mas o que é que é isso, Helmut? O que foi? Bateu com o carro?" Eu digo: "Não, o carro está aqui. Aconteceu isso assim." Na mesma hora me botou no carro, levou para o posto médico. Fizeram uma lavagem no meu pulmão tirando todo o gás ainda residual para restabelecer vamos dizer, o oxigênio. E nesse dia, eu fui dispensado, é evidente, do restante da minha jornada. E me levaram para a casa depois do expediente, porque eu fiquei em repouso no serviço médico. E nessa época eu morava também na Ilha do Governador, como moro hoje, mas em uma localidade que fica mais próxima à refinaria. Quando eu fui, quando eu deitei e fiquei lá de repouso veio um inspetor de segurança, me lembro como hoje, o Jorginho. Ele chegou: "Helmut, o que é que houve?" Eu expliquei: "Isso assim. Ô Jorge, está cheio de gás ali." "Vou interditar a área agora." E interditou. Aquele serviço nosso não aconteceu porque eu me ausentei e a área ficou interditada. Quando foi de noite, eu estava na minha casa, que eu moro na Ilha do Governador, e de longe eu estava ouvindo umas explosões. Eu digo: "Puxa, que coisa estranha. Será que é do Parque Bélico?" Porque nós temos proximidade com a Aeronáutica, com o Corpo dos Fuzileiros, e liguei a rádio. Quando eu fui saber, o Parque de GLP tinha explodido. E o pessoal da manutenção, que foi à noite ver o porquê do vazamento, para cessar o vazamento, quando eles chegaram explodiu com eles lá. Foi uma perda, eu fiquei, até hoje fico um pouco arrepiado. A esfera construída com chapa de aço de duas polegadas, são aproximadamente cinco centímetros de espessura, estava dobrada igual a um papel. Uma máquina de solda que eu deixei na base da esfera para o serviço, ela ficou achatada como se fosse um caderno achatado. Colegas que foram levados na caminhonete todos queimados, com 90 por cento de queimadura, diziam: "Meu pai é médico eu já vou morrer. Não adianta. Me dá uma injeção para eu não morrer logo, para não sofrer." Então, eu fui no enterro de um colega, um rapaz moreno alto. Devia ter 1,80 m. Ele não tinha mais do que esse tamanho dentro do caixão. Então, isso é uma lembrança, conforme você perguntou uma passagem que não foi legal.
Eu sou sindicalizado há muitos anos. Teve um período que eu não fui sindicalizado. Talvez até por um desleixo, mas depois achei que não deveria. Já que estou envolvido com uma empresa desse porte e eu sou um empregado dessa empresa, quem cuida do empregado também é o sindicato. Então eu passei a ser sindicalizado. Eu estou sindicalizado há mais de 13 anos.
Com o sindicato não tenho atividades mais fixas, mas eu sou pronto a qualquer chamamento.
A relação do sindicato com a Petrobras eu vejo uma relação bastante correta. Eu diria que seria uma relação até profissional. Não é uma coisa, vamos dizer, impensada. A gente vê que é uma luta em prol de melhores dias para o pessoal petroleiro. Dias em que se refere, vamos dizer, não só ao ganho monetário, mas atrás disso tem outras coisas. Tem uma parte assistencial. Hoje, por exemplo, eu estou aposentado. Eu vejo a manutenção da nossa Petros, o sindicato está defendendo isso. E vi como foi em boa hora que eu entrei para o sindicato. Ainda muito tempo antes, quando eu estava na ativa. Então, acho que o sindicato é parte integrante. Porque tudo na vida tem objetivo. Se instala uma empresa desse porte, o objetivo dela qual é extrair petróleo para criar a auto-suficiência do petróleo. A oferta do petróleo para a demanda brasileira. Então, o objetivo dela é um. Agora o objetivo do empregado, de repente, está dentro do sindicato, que é um reconhecimento, é você ter lá de repente um salário que acompanha a nossa economia, que sempre foi inflacionária. Então, eu acho que o sindicato tem que existir.
Eu tenho uns projetos que eu fiz, também pioneiros, para instalação de plataformas. Uns templates modulados, que permitiram a instalação da plataforma junto com a perfuração dos poços. Porque até então, você teria que primeiro instalar a plataforma, no caso a jaqueta e através da jaqueta perfurar os poços. E esse template permitiu que você construísse a jaqueta em um canteiro e perfurasse os poços na posição projetada. E depois, através de um sistema que nós chamamos docagem, essa jaqueta era instalada lá e completava a interligação entre os poços perfurados e a linha de produção. Eu fiz umas coisas que não implantaram, eu estou com um material todo lá, é o desembarque em plataformas desabitadas. Hoje, para você desembarcar em uma plataforma desabitada, você tem que ir com um guindasteiro para poder acionar o guindaste e ele acionar a cestinha e te apanhar lá embaixo. Meu sistema não, era aproximar, acionar um comando elétrico, a cestinha descia e o camarada subia sem necessidade de usar aquele cabo de balanceio igual a um Tarzan.
Isso está comigo, não foi implantado. Aquela coisa talvez foi inoportuna, deixa para depois e tal. Contenção de despesa. Sei lá. Então, tem outras coisas.
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