Meu nome é Gilson Trindade dos Santos. Nasci em Salvador, em 16 de abril de 1956.
Entrei na Petrobras no ano de 1987, depois de ter prestado concurso para rádio-técnico no antigo Certel. Entrei na área de Telecomunicações, como técnico de telecomunicações, com muita experiência na área de comunicação de dados. Aqui é uma empresa muito grande e com muitas oportunidades também. Depois de trabalhar, interagir com o pessoal de processamento de dados, fui convidado para a área de processamento de dados, já que eu tinha um certo conhecimento da área de computação. Então fui trabalhar na área de CPD. Logo depois, eu fiz um concurso interno para operador de computador. Passei e continuei trabalhando como operador durante muitos anos. Essa atividade cresceu, porque eu passei a trabalhar no CPD Científico, na área de procura de petróleo. Então, comecei a interagir com a Geologia, a Geofísica, nessa área de pesquisa, em um CPD muito grande, importante, com muito trabalho. Trabalhei quase 10 anos nessa área. Uma vez fechado o CPD, por questões operacionais da própria empresa como um todo, foi feito, aqui, uma espécie de curso para reaproveitamento, realinhamento do pessoal. Fiz o curso de programador de computador e hoje trabalho como programador.
A Petrobras, historicamente aqui na Bahia, sempre participou dos jogos do Sesi. Então tem um histórico aí de 30 anos, com muita tradição, do pessoal participando, de uma maneira muito vibrante nos jogos. Por ser uma empresa grande, um potencial humano muito grande e de recursos materiais também. No final dos anos 80, como trabalhador da Petrobras, fui convidado pela assistente social, a dona Maise Sansão, em 1989, para compor a equipe da Petrobras nos jogos do Sesi. Mas tinha um detalhe: eu estava em casa, de férias, e há muitos anos que não fazia uma atividade física assim regular, de competição. Então eu ponderei com dona Maise, mas, ela me fez ver que a empresa precisava de mim...
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Meu nome é Gilson Trindade dos Santos. Nasci em Salvador, em 16 de abril de 1956.
Entrei na Petrobras no ano de 1987, depois de ter prestado concurso para rádio-técnico no antigo Certel. Entrei na área de Telecomunicações, como técnico de telecomunicações, com muita experiência na área de comunicação de dados. Aqui é uma empresa muito grande e com muitas oportunidades também. Depois de trabalhar, interagir com o pessoal de processamento de dados, fui convidado para a área de processamento de dados, já que eu tinha um certo conhecimento da área de computação. Então fui trabalhar na área de CPD. Logo depois, eu fiz um concurso interno para operador de computador. Passei e continuei trabalhando como operador durante muitos anos. Essa atividade cresceu, porque eu passei a trabalhar no CPD Científico, na área de procura de petróleo. Então, comecei a interagir com a Geologia, a Geofísica, nessa área de pesquisa, em um CPD muito grande, importante, com muito trabalho. Trabalhei quase 10 anos nessa área. Uma vez fechado o CPD, por questões operacionais da própria empresa como um todo, foi feito, aqui, uma espécie de curso para reaproveitamento, realinhamento do pessoal. Fiz o curso de programador de computador e hoje trabalho como programador.
A Petrobras, historicamente aqui na Bahia, sempre participou dos jogos do Sesi. Então tem um histórico aí de 30 anos, com muita tradição, do pessoal participando, de uma maneira muito vibrante nos jogos. Por ser uma empresa grande, um potencial humano muito grande e de recursos materiais também. No final dos anos 80, como trabalhador da Petrobras, fui convidado pela assistente social, a dona Maise Sansão, em 1989, para compor a equipe da Petrobras nos jogos do Sesi. Mas tinha um detalhe: eu estava em casa, de férias, e há muitos anos que não fazia uma atividade física assim regular, de competição. Então eu ponderei com dona Maise, mas, ela me fez ver que a empresa precisava de mim naquele momento. Eu me dispus estando de férias com a minha família, estando longe do esporte, a participar daqueles jogos do Sesi. Então a empresa comprou um tênis para mim, um sapato de corrida. Eu entrei na pista e venci as duas provas. Daí eu comecei uma carreira esportiva, que é como se fosse um sonho de criança para mim. A partir daí, comecei a participar dos jogos do Sesi todos os anos e vencer todos os anos as provas de 100 e 200 metros, tornando a Petrobras campeã aqui na Bahia, campeã baiana dos jogos do Sesi. Depois, fui para os Jogos Regionais do Sesi. Venci também a fase regional com os estados de Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Maranhão. Fui também para a fase nacional, me tornei vice-campeão na fase nacional. No ano de 1998, eu fiz o melhor tempo dos 200 metros do Sesi em todo o Brasil. Já não tendo mais idade, hoje tenho 47 anos, mas ainda na casa dos 40 fiz o melhor tempo como atleta e fui escolhido para representar o Brasil em uma competição mundial de trabalhadores, em Coimbra, Portugal. Trouxe a medalha de bronze. As competições do Sesi e o esporte na Petrobras me despertaram para participar de outros campeonatos. Fui convidado, aí por força da idade, a participar do campeonato brasileiro de Máster. Então, fui campeão brasileiro de Máster em 94, 95. Já sou campeão brasileiro de nove edições, sou recordista brasileiro dos 100 e 200 metros. Em 1998, tive a oportunidade de participar do campeonato mundial Máster, na cidade de Eugene, no Oregon, EUA, a 3 horas da capital. Ali me tornei campeão mundial Máster nos 200 metros, campeão mundial nos 400 metros e trouxe uma medalha de prata nos 100 metros. Foi o máximo da minha carreira esportiva na Petrobras. Sou campeão brasileiro máster nove vezes, e campeão do Sesi, aqui na Bahia, durante 11 anos seguidos. O Sesi, no ano passado, fez uma homenagem para mim. Eu sou o atleta que venceu mais edições seguidas do Sesi aqui na Bahia. Eu despertei também para estudar, conhecer mais a área esportiva, já que é um gosto meu, um gosto particular, e me tornei técnico de atletismo. Fiz uma pós-graduação, em treinamento esportivo na Universidade Federal, e sou técnico de atletismo. Organizo as equipes que participam dos jogos do Sesi, as equipes de futebol, voleibol, atletismo, natação. Treino a equipe de atletismo da Bahia, que participa dos jogos do Sesi, especificamente a equipe da Petrobras. Quando o Sesi sai, dou suporte para a equipe da Bahia como um todo. Então, a equipe da Petrobras é campeã baiana, já há muito tempo, e é campeã regional por três vezes seguidas. Dou, também, suporte ao Sesi em nível nacional, como já dei também em nível internacional. Temos um projeto agora, junto à empresa, para fazer um trabalho grande nessa área. Faço um trabalho, também, uma espécie de ajuda aos companheiros que estão fora do esporte e querem melhorar a saúde, a qualidade de vida. O nosso grupo, não é um grupo novo, quer dizer, tem pessoas já acima dos 40 anos e essa atividade vem melhorar e muito, contribuir e muito não só para o bem estar físico, como para o bem estar psicológico dessas pessoas. A empresa nunca me patrocinou. O que a empresa faz, hoje, é custear algumas competições em nível de Brasil. Mas eu me tornei um atleta de nível internacional. Então, todas as vezes que viajei para fora do Brasil, fui com o apoio material e financeiro dos colegas. Cada competição se tornou uma história. Em cada competição, eu pedi um real a cada colega. Cada colega custeou a minha viagem com um real. Eu fui para a África do Sul, a custa de venda de camisa e sorteio de televisão, bicicleta e outros brindes. No campeonato mundial nos Estados Unidos, a mesma forma. Então cada competição foi uma história, uma história muito grande. A competição maior foi chegar na competição. A competição começa sempre antes da competição, para ter que chegar no local de competição. São os custos de competição, sem falar nos custos de treinamento. Eu treino fora do horário de trabalho. Então tenho que ter uma organização de vida para treinar. Preciso ter tempo para treinar e tempo para descansar. Ser um atleta em nível de competição, um atleta vencedor, demanda tempo de treinamento, de recuperação, recurso para ter uma alimentação especial, para refazer as forças e vir trabalhar. Tempo para custear todo o material, que é tênis, camisa, calção, equipamento, sapato de corrida, meia. O custo de treinamento é maior do que o custo de competição - passagem, hospedagem, o translado. Realmente é uma luta muito grande e eu tenho contado com a ajuda dos meus companheiros. E é isso que me deixa muito alegre. Eu não faço a competição para me tornar um vencedor. Tenho a oportunidade, também, de tornar conhecida a Petrobras, que é uma grande empresa, que deu oportunidade a mim e a muitos aqui na Bahia. E também ,hoje, dá uma espécie de apoio aos meus colegas nessa área de atividade física. Estou escrevendo um livro e tem uma história que me chama a atenção. Quando cheguei no Chile, cheguei perdido. Quando cheguei na cidade de Concepción, fui encontrado por um atleta, que me convidou para almoçar na casa dele. Achei aquele convite estranho, ele não me conhecia, um brasileiro ali, praticamente perdido no Chile, sozinho. Ele perguntou e eu disse que não queria. Recusei o convite. “Eu como muito, não vou para a sua casa”. Ele perguntou para mim, “Você está só? Solo?” Eu disse: “Sim”. E ele: “Então vamos”. Aceitei o convite e fui para a casa dele. A família dele era uma família simples. Ele é descendente de uma raça de índio, araucano, no Chile. Então, ele contou para mim sobre a questão do convidar uma pessoa, dar hospitalidade. A cada competição, ele convidava uma pessoa para participar, ir à casa dele almoçar, porque essa tradição de hospedar pessoas, a tradição de hospitalidade vem da tribo dele há muitos anos. Quando os espanhóis chegaram no Chile, foram bem recebidos com muita hospitalidade. E os espanhóis mataram e roubaram os ascendentes dele. Nem por isso, nem pelo fato de ter ascendentes mortos, roubados, eles deixaram de ser hospitaleiros. Naquela oportunidade eu tinha sido escolhido para estar com ele e eu pude entender isso. E, não falando espanhol, ele passou a ser a minha voz e os meus ouvidos, me deu um apoio muito grande. Um outro detalhe é que a empresa, que ele trabalhava, o levou e o apoiava como atleta. Até a casa dele: “Moro nessa casa de madeira, mas já estou comprando outra casa. Cheguei na empresa, que eu trabalho hoje, uma empresa de celulose aqui no Chile, como atleta. Eles me reconheceram como atleta”. Voltei a mim e vi que eu não tinha o apoio, que ele tinha lá no Chile. Então isso foi uma coisa que me tocou bastante: a hospitalidade, a história que ele contou para mim. Esse paralelo da situação dele, como atleta, e a minha, sem apoio, estando ali. Ele sendo chileno, não venceu a competição. E eu ali, passageiro, sozinho, perdido, mais uma vez venci a competição. Foi uma coisa que me tocou bastante dentre outras histórias que tenho. Na África do Sul, por exemplo, vi muita riqueza, muito ouro e muita miséria, mais miséria do que aqui. Vi populações distantes do centro, sem acesso, sem transporte para se locomover até os centros e, também, sem oportunidade de participar daquelas competições, que eu estava participando na África do Sul e em outros lugares. Então eu já vi muita coisa. Já vi de tudo na vida.
Eu me sinto alegre e satisfeito. Sei que aqui na Bahia, nós os baianos, temos uma contribuição muito grande, porque a Petrobras começou aqui na Bahia. Então cada trabalhador, principalmente os mais antigos, são por si só uma história viva. Eles têm histórias e as mais diversas. Coube a mim, no esporte, trazer à história uma coisa mais arraigada, de luta, muito na própria linha do que é a Petrobras, como ela começou e toda a sua história. Então a minha história no esporte, de certo modo, se assemelha com a história da própria empresa. E eu fico satisfeito e alegre por ter tido a oportunidade de participar e parabenizar a empresa e a vocês por estarem fazendo esse trabalho muito positivo, muito edificador.
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