Meu nome é Gilberto Ribeiro da Fonseca, mais conhecido na refinaria como Mazzaropi, ou Mazza. Eu nasci dia 22 de setembro de 1953, em Antonina, estado do Paraná.
O apelido Mazzaropi foi em 1975, quando eu vim trabalhar na obra. Conheci uns colegas, não sei se do Rio ou de São Paulo, que me viram muito andar com a calça arregaçada, tipo o Mazzaropi. Às vezes eu imitava e eles me chamaram, e ficou até hoje. Daí, eu vim trabalhar na refinaria na secretaria-geral e, por azar, um rapaz veio trazer um documento - nós trabalhávamos juntos na Asad -, e ele me viu lá e me chamou: "Ô Mazzaropi." E eu, sem querer, dei uma olhada e atendi o rapaz, aí ficou. E o pessoal da Petrobras que trabalhava comigo no setor da secretaria-geral começou a me chamar assim. E o pessoal, a maioria, me conhece por Mazza. O meu crachá está Gilberto, mas ainda perguntam: "Por que não é Mazzaropi? Por que Gilberto?" Porque Gilberto é meu nome.
Eu entrei aqui em 1975 na obra, na empreiteira. Depois me indicaram para fazer um concurso na Petrobras. Eu aproveitei o embalo. Entrei na Petrobras no dia primeiro de setembro de 1976. O concurso naquela época era fácil. Agora é mais difícil. Era tipo prova de primário. Naquela época, a gente estava no primário, deu para fazer a provinha fácil. Se for fazer hoje, eu tenho que voltar a estudar.
Aqui estava em construção, tudo em tubulação, montagem. Quando é uma obra assim, tem aquele pessoal trabalhando: montagem, terraplanagem. E começa a montagem da tubulação. Os tanques foram o início da obra.
Eu estava vindo para a refinaria e peguei uma neve de 1975. Eu estava saindo de casa e até pensei que era chuva. Daí, 6 h da manhã, saí correndo, quando vi, era a neve caindo. Nós chegamos na obra e não deu para ninguém trabalhar por causa da neve, também por causa do frio. E fomos dispensados.
Eu passei para a refinaria em 1976. Trabalhei de bondinho na época. Bondinho é office-boy, eu era tipo estafeta....
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Meu nome é Gilberto Ribeiro da Fonseca, mais conhecido na refinaria como Mazzaropi, ou Mazza. Eu nasci dia 22 de setembro de 1953, em Antonina, estado do Paraná.
O apelido Mazzaropi foi em 1975, quando eu vim trabalhar na obra. Conheci uns colegas, não sei se do Rio ou de São Paulo, que me viram muito andar com a calça arregaçada, tipo o Mazzaropi. Às vezes eu imitava e eles me chamaram, e ficou até hoje. Daí, eu vim trabalhar na refinaria na secretaria-geral e, por azar, um rapaz veio trazer um documento - nós trabalhávamos juntos na Asad -, e ele me viu lá e me chamou: "Ô Mazzaropi." E eu, sem querer, dei uma olhada e atendi o rapaz, aí ficou. E o pessoal da Petrobras que trabalhava comigo no setor da secretaria-geral começou a me chamar assim. E o pessoal, a maioria, me conhece por Mazza. O meu crachá está Gilberto, mas ainda perguntam: "Por que não é Mazzaropi? Por que Gilberto?" Porque Gilberto é meu nome.
Eu entrei aqui em 1975 na obra, na empreiteira. Depois me indicaram para fazer um concurso na Petrobras. Eu aproveitei o embalo. Entrei na Petrobras no dia primeiro de setembro de 1976. O concurso naquela época era fácil. Agora é mais difícil. Era tipo prova de primário. Naquela época, a gente estava no primário, deu para fazer a provinha fácil. Se for fazer hoje, eu tenho que voltar a estudar.
Aqui estava em construção, tudo em tubulação, montagem. Quando é uma obra assim, tem aquele pessoal trabalhando: montagem, terraplanagem. E começa a montagem da tubulação. Os tanques foram o início da obra.
Eu estava vindo para a refinaria e peguei uma neve de 1975. Eu estava saindo de casa e até pensei que era chuva. Daí, 6 h da manhã, saí correndo, quando vi, era a neve caindo. Nós chegamos na obra e não deu para ninguém trabalhar por causa da neve, também por causa do frio. E fomos dispensados.
Eu passei para a refinaria em 1976. Trabalhei de bondinho na época. Bondinho é office-boy, eu era tipo estafeta. Andava de magrela para cima e para baixo na área toda, entregando a documentação. Em todos os escritórios. Nas unidades todinhas. Auxiliar de portaria, era como eles chamavam. O concurso foi como auxiliar de portaria, mas de portaria não tinha nada, nós trabalhávamos só na parte de entregar a documentação. Portaria, é pessoal que fica de segurança; nós éramos parte de escritório.
Depois a gente foi passando para outros setores e foi se reclassificando. Fui para operador de máquina duplicadora tipo xerox. Trabalhei uns cinco anos, fazia encadernação, tirava várias xerox para concurso. Nós que rodávamos no tempo de off-set. As provas vinham, nós montávamos as provas para os concursos, tinha externa, interna.
Depois, eu passei para o Ceser. No armazém. Tipo almoxarifado.
Entregava material para o pessoal. Entregava uniforme. Ali fiquei um ou dois anos. E depois, passei para a Segurança Patrimonial, que agora é o Agim. Eu dou apoio na portaria, faço ronda. Trabalho também na central da comunicação. Por enquanto, eu estou na área administrativa, mas eu pretendo voltar para o turno de novo.
Tanta coisa se passou nesses 28 anos. Eu participava de tudo que tinha. Eu já fui ator na área. Eu trabalhei em teatro; nós fazíamos a parte da Cipa. A gente viajava para tudo que é lugar, representando. O mais longe, foi para o Rio de Janeiro, lá na sede principal, para representar a peça de teatro sobre a Cipa. A nossa peça foi "Aí que mora o perigo". Nós fazíamos a parte sobre o alcoolismo, eu fazia como o João Canabrava. Tinha um trechinho que eu chegava e daí a esposa mandava lavar a louça. E eu não lavava a louça. Se não tivesse água quente e o Limpol, eu não lavaria louça. Daí ela brigava. Tem mais coisa, agora não lembro. Fazem uns cinco, seis anos que acabou a nossa peça de teatro. Nós fazíamos sobre o stress também, fazíamos na área. Todo tipo.
Várias coisas também. Futebol também eu era representante da associação aqui. Viajava com o time de futebol pelo Paraná todo, fomos campeões várias vezes. Já estivemos até no Rio Grande do Sul. Eu era jogador, era massagista, era roupeiro. Onde o time ia, eu ia só para pegar uma boquinha. Eu era aquele que não jogava, mas arrumava um jeito de me encaixar.
Sou sindicalizado desde que eu entrei na Petrobras. De vez em quando eu vou lá. Durante um tempo eu ia direto, agora é bem pouco.
Eu lembro de greve e eu participei. Quando eu não era da segurança eu fiquei um mês, só que eu não ficava por aqui. Eu descia prá minha cidade, esperando a hora que terminasse ou ficava um pouco, dava apoio. Uma eu fiquei 25 dias de greve, outra fiquei 30 dias. Quando tinha aquelas greves, agora não, faz tempo que não tem mais.
Eu não me envolvo na relação de empresa e sindicato. É diferente um do outro Então, eu gosto de ficar de fora, só assistindo de longe.
Eu acho uma boa a Petrobras resgatar a história dos trabalhadores. Vai resgatar tudo aquilo que o pessoal passou nesses 50 anos. Eu não sei por quê, não se tem isso a mais tempo. Quanta gente já se aposentou. Muita gente aproveitaria prá dar o depoimento.
Tudo que eu adquiri foi através da Petrobras. Eu não sei se falei rápido demais. A gente que é do litoral, moro a 75 quilômetros. Eu tenho o costume de falar rápido. A turma às vezes nem entende o que eu estou falando. Não sei se vocês entenderam, espero que tenha saído alguma coisa. Que faça algum proveito o que eu falei.
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