P - Por favor, eu pediria que o senhor dissesse seu nome completo, o local e a data de seu nascimento. R - É George Brandão de Lima, Arapiraca em 2/11/1972. P - Atualmente você mora aonde? R - Moro em Maceió. P - Você mudou para Maceió quando? R - Dezembro.Dezembro agora não chega um ano. No ano passado, em dezembro. Fui transferido para lá, o Aché me transferiu para Maceió, já que eu fazia anteriormente toda a parte do interior, sertão de Alagoas. P - O Aché lá em Arapiraca? R –Lá em Arapiraca. P - Como é que foi a sua entrada no Aché? R - Olha, uma coisa interessante também, porque eu trabalhava num emprego anteriormente ao Aché, que não estava me dando retorno suficiente, retorno financeiro. Eu comecei a buscar meios de mudar para outro emprego. E um desses dias, ia passando dois colegas – um deles era meu colega, o outro eu não conhecia – que eram de Arapiraca e trabalhavam no Aché. E eu sempre achei bonito, interessante os propagandistas, todos bem vestidos, entrando num consultório médico, com aquela pasta larga de couro, inclusive cada um com seu carro. Eu sempre admirei, achei muito bonito aquele trabalho. E achei que teria condições de galgar aquele cargo, pular um pouquinho para aquele patamar a mais do que eu estava antes, e fui à procura de um deles, desse meu colega de Arapiraca, que é o Alberto, e perguntei a ele se não tinha condições de ele me indicar. Se tinha primeiro, vaga, se tinha espaço e depois se ele podia me indicar. E por coincidência estava havendo vaga naquela época. Existia essa vaga. Aliás, vagas não.Era uma vaga. Realmente era uma vaga. E ele disse que poderia indicar pra fazer a seleção. Não necessariamente iria ficar na empresa. E tudo bem. Já foi o primeiro aval.Só que todo mundo me dizia que os critérios para se entrar no Aché eram critérios bastante rigorosos. Ia desde a condição de aparência, teria que ser casado teria que...
Continuar leituraP - Por favor, eu pediria que o senhor dissesse seu nome completo, o local e a data de seu nascimento. R - É George Brandão de Lima, Arapiraca em 2/11/1972. P - Atualmente você mora aonde? R - Moro em Maceió. P - Você mudou para Maceió quando? R - Dezembro.Dezembro agora não chega um ano. No ano passado, em dezembro. Fui transferido para lá, o Aché me transferiu para Maceió, já que eu fazia anteriormente toda a parte do interior, sertão de Alagoas. P - O Aché lá em Arapiraca? R –Lá em Arapiraca. P - Como é que foi a sua entrada no Aché? R - Olha, uma coisa interessante também, porque eu trabalhava num emprego anteriormente ao Aché, que não estava me dando retorno suficiente, retorno financeiro. Eu comecei a buscar meios de mudar para outro emprego. E um desses dias, ia passando dois colegas – um deles era meu colega, o outro eu não conhecia – que eram de Arapiraca e trabalhavam no Aché. E eu sempre achei bonito, interessante os propagandistas, todos bem vestidos, entrando num consultório médico, com aquela pasta larga de couro, inclusive cada um com seu carro. Eu sempre admirei, achei muito bonito aquele trabalho. E achei que teria condições de galgar aquele cargo, pular um pouquinho para aquele patamar a mais do que eu estava antes, e fui à procura de um deles, desse meu colega de Arapiraca, que é o Alberto, e perguntei a ele se não tinha condições de ele me indicar. Se tinha primeiro, vaga, se tinha espaço e depois se ele podia me indicar. E por coincidência estava havendo vaga naquela época. Existia essa vaga. Aliás, vagas não.Era uma vaga. Realmente era uma vaga. E ele disse que poderia indicar pra fazer a seleção. Não necessariamente iria ficar na empresa. E tudo bem. Já foi o primeiro aval.Só que todo mundo me dizia que os critérios para se entrar no Aché eram critérios bastante rigorosos. Ia desde a condição de aparência, teria que ser casado teria que gostar de estudar, e teria que ter também um raciocínio rápido, uma inteligência, digamos assim, acima da média normal das pessoas e que teria que ter uma idade que fosse também, digamos assim, nessa faixa de 20, 22 anos. De 22 anos acima já seria mais difícil. E eu simplesmente tinha 36 anos. Ou seja. Eu tinha todo um perfil, menos a idade. Mas ai eu achei que esse perfil, as características minhas eram suficientes para se sobrepor á questão da idade. Mas o próprio Alberto e o Nelson – foram os dois que fizeram a primeira entrevista comigo, disseram: “Olha, você até que tem o perfil, porem a idade é a coisa mais crucial que existe. Então possivelmente você vai estar fora, tuas chances são pequenas em relação a... As aspirações são grandes, porem, digamos assim, efetivamente você tem poucas chances em função da idade. E eu fui fazer a minha entrevista em Maceió, na presença de gerentes e de supervisores na época. Só que antes de fazer a entrevista eu fiz uma promessa, digamos assim, de passar um mês rezando o terço todos os dias, à noite. Aliás, independente de ser á noite. E eu comecei a rezar o terço. Isso antes de fazer a primeira entrevista. A entrevista em Maceió. Inclusive á noite, com uma sonolência incrível, sentava na cama, começava a rezar e de repente batia com o rosto na cama porque não agüentava de tanto sono, mas mesmo assim não deixava de rezar. Então, passei 30 dias rezando o terço, pedindo para que desse tudo certo. Aí fui fazer a entrevista. E quando chegou na entrevista, eles começaram a me perguntar de um tudo. Desde a minha origem, origem financeira, só para ter uma idéia de onde eu surgi e como eu surgi. Situação familiar, com quantos anos eu me casei. Referencias com relação inclusive se eu sou uma pessoa mais econômica, menos econômica,. Aí eu expus que eu era realmente uma pessoa bastante econômica, chegando até a ponto de ser chamado de mão de vaca, que é uma expressão da pessoa segura, que não desprende dinheiro em vão. Investe bem nas coisas. Aí expliquei que já tinha uma casa residencial, uma propriedade que era uma casa e não devia nada, tinha uma casa e não devia nada dela e que tinha um apartamento em Maceió, que eu realmente tenho. E esse apartamento em Maceió estava também em vias de terminar de pagar.Então, eles ficaram até admirados porque eu consegui realmente formar um patrimônio ainda que sem se vangloriar disso, mas que digamos assim deu a entender pra empresa que eu realmente era uma, pessoa que tinha um perfil, que era uma pessoa que não andava estragando, gastando dinheiro em vão. E o perfil da empresa engloba esse indivíduo. Comecei a explicar da minha harmonia familiar também, com a minha esposa e filha, o meu esforço de ter chegado ali também, de ter saído de uma família humilde e simples.Tive que estudar, fazer o curso de Agronomia em Maceió, custeado por dois irmãos que tinham condição de custear.E eu fiz um propósito para mim mesmo que iria entrar e sair da faculdade sem perder uma cadeira, uma disciplina. E assim o fiz.De 40 colegas que entraram comigo no vestibular, só dois – eu e um outro colega – conseguiram entrar e sair sem perder nenhuma disciplina. Então, eu quis provar pra mim mesmo que eu tinha condições, ainda sem ter talvez a inteligência para Matemática, Física e Cálculo. Mas eu no fim consegui desafiar eu fiz a mim mesmo e consegui superar esse desafio e realmente sai sem perder nenhuma disciplina. Então eu contei tudo isso, relatei tudo isso, e o que era praticamente impossível – aliás, naquela hora era impossível já se ter uma decisão, e diminuir a impossibilidade melhorava quando eu saísse, porque eles iam testar outros. E poderia até voltar pra mim. Mas coincidentemente ou por conta das histórias que eu contei da minha vida, bastante verdadeiras, simplesmente o gerente chegou para o supervisor, naquela mesma hora – e olhe que tinha várias outras pessoas fazendo seleção. Tinha pessoas lá na anti sala esperando e já tiveram pessoas que fizeram a entrevista. Aí naquele mesmo momento, o gerente chegou pro supervisor e disse: “Olha, quero toda a documentação do George, inclusive foto 3x4, e pegue xerox de toda a documentação dele, que eu já quero todo o material comigo.” Então ali eu selei, naquele mesmo momento, a minha entrada no Aché. O que era praticamente impossível por conta da idade, se tornou uma coisa mais viável e mais efetiva do que qualquer um outro, jovem que tivesse o perfil e tudo o mais. P - Você começou trabalhando no interior de Alagoas? R - No interior de Alagoas. P - Você lembra como é que foi o seu primeiro dia de trabalho? Como é que foi criar essa nova rotina? R - Não foi fácil porque eu tenho de certa forma, um problema de...Eu fico assim super preocupado com o que pode acontecer naqueles primeiros momentos e tudo o mais. Então, eu sou um tanto tímido e realmente dificultou um pouco, dentro do consultório médico, no começo. Até porque eu estava sendo acompanhado por outra pessoa.E outra coisa, um outro fato interessante – você está puxando de mim e eu vou terminar lembrando – é que a única viagem, aliás, a viagem mais longa que eu fiz antes de entrar no Aché, foram 133 quilômetros que é a distancia de Arapiraca para Maceió. Eu nunca tinha entrado numa pista para andar continuamente mais do que 133 quilômetros.E quando eu entrei no Aché, simplesmente eu teria que andar quatro mil quilômetros/mês. quatro mil quilômetros era, vamos dizer assim, o que a gente teria que andar para conhecer, conhecer não, para visitar todas as cidades. Quatro mil quilômetros. P - Como era? R - Eu fazia alem de Arapiraca que é uma cidade com 170 mil habitantes, fazia todas as cidades circunvizinhas de Arapiraca, fazia todo o sertão de Alagoas, indo até Paulo Afonso, na Bahia. Ia também Garanhuns, que é uma parte de Pernambuco. P - Você encontrou uma realidade de médico, de consultório médico que mostra a diversidade que a gente tem no Brasil.? Como é o consultório médico e ser propagandista do sertão de Alagoas. R - É, não foi fácil, até porque eu antes de entrar no Aché, um individuo comum, sempre tem a idéia de que o médico é aquele individuo quase intocável, quase que você não consegue um diálogo com ele, porque ele está sempre acima da gente, dos outros, dos demais. Essa eu acho que é a visão que muita gente tem e eu também tinha. Então, ficou um pouquinho difícil porque eu achava, em que pese eu ter feito um curso superior, e estar ali de igual para igual, mas a gente sempre tem essa visão e eu pensava sempre que – digamos assim – que ia ser um pouco difícil dialogar com o médico. E a realidade era que não, até porque eu não conhecia a realidade da capital, do médico da capital. Eu conheci, vim a conhecer do interior. Aí comecei a perceber que o médico do interior é um cidadão como qualquer outro, um indivíduo receptivo, um indivíduo que inclusive pedia até pra gente sentar, pra fazer a propaganda conversando com ele, sentado. Uma pessoa que tem também, assim como nós, problemas familiares, stress do dia a dia que nos passa e a gente termina também sendo conselheiro, termina aconselhando a eles. Então, digamos assim, não foi nada do que eu achava que deveria ser ou que poderia ser. Ou seja, aquela coisa de distanciamento, de patamar, de hierarquia na sociedade. Passei a perceber que era uma pessoa comum como a gente e as amizades foram surgindo, a ponto até de em aniversário de determinados médicos chamar a gente, os colegas que estavam naquela cidade. E a gente ia tranqüila, inclusive pernoitar na casa dele. Uma coisa assim, digamos um relacionamento bastante estreito, ficando cada vez mais estreito. Então, a ponto de a gente nem fazer a propaganda como deveria fazer, com literatura, fazendo na íntegra. Já era mais de dizer assim: “Olha, não esqueça de mim não. Sabe que nós não somos estranhos. Não esquece de mim não na hora de prescrever.” Então, essa intimidade, esse relacionamento foi uma coisa assim, surpreendente. P - Tem uma história tua que é bastante conhecida pelos seus colegas, sobre o Dr. Ipiranga.Quem é o Dr. Ipiranga, e que história é essa? R - Dr. Ipiranga é um posto de gasolina, por incrível que pareça. Existem as redes de postos de gasolina e existe também, lógico, a rede Ipiranga. Então quando eu entrei em 1997, em junho, nós estávamos fazendo o curso de Novos. Era uma semana. Era no Parque Othon Hotel, na Boa Viagem. Nós estávamos lá no oitavo andar e estudando, porque a gente tinha que decorar mesmo. Não tinha que só ler e entender. Tinha que decorar a propaganda médica. Então, a propaganda tem a capa, o miolo e a contra capa. E a gente tinha que dizer na íntegra o que era que tinha na capa, escrito, no miolo e na contracapa. Então, não tinha outra palavra. Era decorar mesmo.Então, cada um fazia essa forma de decorar da maneira própria de cada um. Então, tinha um colega que ficava sentado na cama, outro colega preferia, ficar em pé fazendo a propaganda, simulando e eu costumava fazer andando, segurava a literatura, ia lendo, falando sobre o que estava lá, o que eu tinha decorado e andando de cima pra baixo, de lá pra cá. Mas é também comum entre gente, quando está começando a decorar e tudo o mais, a gente fala pra outro colega, a propaganda. É como se ele fosse o médico, como se ele fosse o nosso interlocutor. A gente precisa de alguém pra ver se realmente está treinado. Era preciso que fosse para alguém. Aí, lá pelas 11 horas, 11 e meia, quase meia noite – porque a gente ia dormir uma, duas horas da manhã decorando, pra poder seis e meia, sete horas estar lá na empresa – numa dessas noites que eu estava decorando a propaganda, eu virei pra um lado para ver se encontrava alguém pra fazer a propaganda para ele – eram três colegas comigo no quarto, o Maciel e o Neto. Aí olhei pro Neto. O Neto já estava dormindo.Eu disse: “Poxa, fiquei sem alguém pra fazer a propaganda. Olhei pro Maciel, Maciel estava em pé, decorando a propaganda dele. Disse:” E agora? Ninguém vai me ouvir.” Aí, quando eu virei, no oitavo andar, olhei pra baixo e tinha um posto Ipiranga, com as luzes acesas, o escritório lá, com as luzes acesas. Aí eu me virei pro posto e disse; “ Pronto, já encontrei a pessoa. Dr. Ipiranga.” E aí olhei pro posto: “Dr. Ipiranga, eu lhe apresento Brondilat. È um bronco dilatador expectorante mucolítico, as três ações num só produto. Tripla ação num só produto. A posologia é duas tomadas diárias...”E fazendo a propaganda para o Dr. Ipiranga, que eu quis intitular, que era o posto. Aí, eu olhei para a literatura e quando menos espero que olhei pro posto, no escritório que estava olhando, que era o médico que estava lá dentro, o Dr. Ipiranga, de repente, a luz se apaga. Aí eu olhei assim: “ Mas Dr. Ipiranga, que falta de respeito. Eu estou aqui fazendo um curso, decorando a propaganda, passando a propaganda para o senhor, e de repente o senhor desliga as lâmpadas, as luzes, fecha o escritório, fecha o consultório e vai embora?” E então aí ficou exatamente essa idéia de que eu fiz uma propaganda para o Dr. Ipiranga, porque não tinha pra quem fazer. Aí fiz pro posto, que representou digamos assim, o Dr. Ipiranga. P - Que te abandonou no meio da propaganda? R - Que me abandonou no meio da propaganda. Exatamente. P - A gente já está finalizando e eu queria te perguntar: O que você acha desse projeto da empresa de contar a sua história? R - Eu acho super interessante porque nós somos a nossa história. Se o homem não tem história, ele não viveu. Então, essa história tem que ser viva, tem que ser contada. Então, a forma de registrar que vocês encontraram é excelente. Através do Museu, através de um site na Internet e sei lá, possivelmente um livro é fantástica. Deveria ser de qualquer maneira.Só não deveria não ter essa história contada. Porque o que fica registrado é aquilo que vai servir tanto para a geração atual, quanto para as futuras gerações. Mas tem que ter história. E o Aché, são 35 anos de história. Não pode ficar no anonimato, não pode ficar, digamos assim, apenas na cabeça de um ou de outro. Tem que ficar registrado, para que todos tenham, democraticamente a oportunidade de poder ler e entender como foi a história do Aché. Então, fantástico. P - E qual a característica da empresa que mais te agrada? R - Sem dúvida nenhuma, a questão da auto estima, que a empresa sempre repassa pra gente. Porque para o Aché, não existe distinção entre uma pessoa inteligente e uma pessoa com auto estima motivada. Tanto faz você ser inteligente como ser uma pessoa motivada. Melhor dizendo: você sendo motivada, você alcança o que o individuo inteligente alcança. Ou seja, é preciso estar motivado. Não adianta ser inteligente sem ser motivado. Lógico que a motivação também sem a inteligência não funciona. Mas é super importante o que o Aché faz com a gente, ou seja, estimula a gente todo o dia, a saber, do nosso potencial. Então, nas reuniões passaram isso pra gente. A importância nossa, o nosso potencial, procurando nos estimular nas campanhas, nas estratégias. Sempre colocando a gente como sendo o individuo com potencial pra ser o melhor propagandista que existe no ramo. Então isso é fantástico. P - Muito obrigado. R - Por nada.
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