IDENTIFICAÇÃO O meu nome é Frank de Mello, eu nasci aqui em São Paulo, em 15 de novembro de 1969. Sou coordenador de recursos humanos. TRAJETÓRIA AVON Comecei a trabalhar na Avon em 2005, participei de um processo seletivo. Vim de outras empresas, empresas multinacionais também, só que outro ramo. Para mim foi uma grande mudança: primeiro, foi legal, porque mudei de ramo, sempre fui do ramo alimentício, vim para a área de cosméticos. Não só isso, saio de um mundo onde não trabalhava tanto com operação e, aqui tem um público operacional, é um trabalho diferente, são outras preocupações, com um universo de mil e 800 funcionários, você tem que se preocupar com eles em termos de recursos humanos, isso foi um grande desafio para mim. Eu já conhecia a Avon. A Avon é algo que eu já conhecia há muitos anos, tenho parentes que trabalharam aqui, não trabalham mais. E a Zona Sul é a minha região, que é onde está a fábrica de Interlagos, eu sempre passava na frente da fábrica, e até brincava: “Um dia vou trabalhar lá.” E aconteceu, numa brincadeira, surgiu uma oportunidade e aqui estou. Eu sou o responsável de recursos humanos para Osasco, mas para atender algumas necessidades, e algumas ausências da minha gestora, eu ia para Interlagos, com isso eu ficava tanto lá quanto aqui e, com isso conheço pessoas de Interlagos e daqui, fico nesses dois mundos. O PRIMEIRO DIA DE TRABALHO O primeiro dia de trabalho foi algo interessante, porque foi nessa sala onde nós estamos agora fazendo a filmagem, na verdade era recursos humanos. Então, a minha primeira surpresa, eu já tinha vindo na entrevista, mas você ter uma sala onde não tem janela, onde você tem muita gente, muito barulho, eu ficava numa mesa que é junto dessa pilastra que tem ali, porque essa sala era um pouco menor. Imagina, você é do recursos humanos, mexe com vários assuntos, inclusive confidenciais, e toda hora tinha um...
Continuar leituraIDENTIFICAÇÃO O meu nome é Frank de Mello, eu nasci aqui em São Paulo, em 15 de novembro de 1969. Sou coordenador de recursos humanos. TRAJETÓRIA AVON Comecei a trabalhar na Avon em 2005, participei de um processo seletivo. Vim de outras empresas, empresas multinacionais também, só que outro ramo. Para mim foi uma grande mudança: primeiro, foi legal, porque mudei de ramo, sempre fui do ramo alimentício, vim para a área de cosméticos. Não só isso, saio de um mundo onde não trabalhava tanto com operação e, aqui tem um público operacional, é um trabalho diferente, são outras preocupações, com um universo de mil e 800 funcionários, você tem que se preocupar com eles em termos de recursos humanos, isso foi um grande desafio para mim. Eu já conhecia a Avon. A Avon é algo que eu já conhecia há muitos anos, tenho parentes que trabalharam aqui, não trabalham mais. E a Zona Sul é a minha região, que é onde está a fábrica de Interlagos, eu sempre passava na frente da fábrica, e até brincava: “Um dia vou trabalhar lá.” E aconteceu, numa brincadeira, surgiu uma oportunidade e aqui estou. Eu sou o responsável de recursos humanos para Osasco, mas para atender algumas necessidades, e algumas ausências da minha gestora, eu ia para Interlagos, com isso eu ficava tanto lá quanto aqui e, com isso conheço pessoas de Interlagos e daqui, fico nesses dois mundos. O PRIMEIRO DIA DE TRABALHO O primeiro dia de trabalho foi algo interessante, porque foi nessa sala onde nós estamos agora fazendo a filmagem, na verdade era recursos humanos. Então, a minha primeira surpresa, eu já tinha vindo na entrevista, mas você ter uma sala onde não tem janela, onde você tem muita gente, muito barulho, eu ficava numa mesa que é junto dessa pilastra que tem ali, porque essa sala era um pouco menor. Imagina, você é do recursos humanos, mexe com vários assuntos, inclusive confidenciais, e toda hora tinha um funcionário que aparecia na sua frente, o computador estava numa posição que todo mundo que ia para o armário olhava o computador, eu falei: “Que coisa estranha.” Você não tinha concentração, o primeiro dia foi extremo, porque não tinha uma concentração para trabalhar, e depois foi uma conquista da gente mudar a sala, ter uma estrutura maior, melhor para poder atender, mas o primeiro dia foi um dia, vamos dizer assim, de reconhecimento: “Deixa eu revonhecer aonde estou.” E logo no começo eu participei, entrei em dezembro, já era época de Natal, logo teve uma apresentação, já me chamaram, foram me apresentar, eu já fui entrando, as pessoas foram me conhecendo, foi divertido, porque ao mesmo tempo fui conhecendo a empresa, e conheci muito rápido as pessoas, por causa dessas reuniões que nós tivemos. DIA-A-DIA NO TRABALHO Eu entrei nesse cargo, já como coordenador, porque eu já era coordenador de recursos humanos, e vim para cá também como coordenador de recursos humanos. As atividades são todas as atividades de recursos humanos, vamos pensar assim: primeiramente, tenho que me preocupar com ônibus fretado, por exemplo, então, tem a parte de transporte dos funcionários, alimentação dos funcionários, a questão da segurança interna, tudo isso passa por mim. Tem outra parte, que a gente chama de administração de RH, que é admissão, demissão, toda parte burocrática, de documentação também. Uma parte de consultoria interna, sou o responsável também. Tenho que fazer recrutamento e seleção? Passa pela área de consultoria interna. Treinamento e desenvolvimento Treinar as pessoas. Desde treinamento das equipes, pequenas equipes, o grupo da operação, como do nível gerencial também, os supervisores, coordenadores e supervisão. Tem o treinamento e o desenvolvimento dessas equipes. Todo esse trabalho com eles, mais a avaliação de desempenho, pesquisa de clima, que aqui mudou o nome, ficou pesquisa de engajamento. Para entender, as pessoas estão engajadas? As pessoas gostam de trabalhar? Sabe aquele brilho nos olhos, e quanto é esse brilho? Porque, na verdade, o que é importante para nós é que você tem que ter as pessoas se sentindo a vontade, felizes em trabalhar aqui. Nem todos os dias são fáceis, acontece, a gente acorda de mau humor, acorda de bom humor, você consegue entender um pouco das pessoas. Como felicidade é um conceito muito abrangente, é difícil de descrever. Felicidade para mim é uma coisa, para você é outra. Então, a gente tenta, pelo menos, mapear um pouco, entender um pouco dos funcionários, o que deixam eles motivados para falar: “Eu levanto de manhã e vou trabalhar feliz, motivado, eu quero ir pra Avon.” Isso é importante. Tem toda essa parte também. E tem uma parte social, dar o suporte para os funcionários, tem programas de dependência química, a gente tem berçário aqui, junto com o berçário tentar atender às mães, orientar as mães, todo esse trabalho que a área social faz, e também para entender um pouco dos funcionários, como eu falei, às vezes, a gente não acorda bem, mas a gente tem problemas fora daqui, e quando esses problemas começam a interferir no trabalho. A empresa, não está preocupada no sentido de: “Ah, eu não estou interessado em saber dos seus problemas.” A pessoa tem que conseguir separar um pouco, mas, às vezes, a gente não consegue separar e: “Por que não ter alguém com quem eu possa conversar se eu tenho um problema financeiro, se eu tenho um problema pessoal? Eu precisava desabafar com alguém e pedir uma luz, um caminho.” “Olha, o caminho seria melhor você procurar um especialista, ou você fazer isso.” Ajudar a orientar as pessoas, acho que isso faz parte de recursos humanos também. De maneira geral, esse é o meu papel aqui, falando do CD, é estar junto dos funcionários, em toda parte de desenvolvimento deles, acompanhamento, e buscando novos funcionários para atender a demanda e, também trabalhando com aqueles que, por um motivo ou outro, saem da companhia. Eu tenho uma equipe, ao todo são 13 pessoas, dividindo justamente nesses blocos que eu falei, tem a administração de recursos humanos, a consultoria interna de recursos humanos, a área que tem toda parte social e, também, tem uma parte que é o Espaço Avon, que é outro programa que nós temos aqui, basicamente é você oferecer para os funcionários um espaço onde eles possam ter acesso à leitura, literatura, livros de vários tipos, vai desde: “Eu quero um livro de administração. Eu quero um romance.” Leituras diversas, acesso à jornais, revistas, internet, é um espaço, um momento para isso. Tenho esse espaço, atende inclusive o terceiro turno. Fora isso, tenho o programa Avon Aprender, que é um programa de educação, é um ensino supletivo, para maior idade. Eu falo maior idade, mas na verdade é para os funcionários, é para os funcionários que não têm segundo grau, ou até o segundo grau. Porque a companhia já vem contratando pessoas somente com o segundo grau. Mas e quem estava aqui dentro? Então, criou-se um programa, que ele se encerra ano que vem, no final de abril se encerra o programa, onde todo mundo que quis, foi dada a oportunidade de fazer tanto o fundamental quanto o ensino médio. Isso é um pouquinho do que eu faço (risos). BERÇARIO Há 13 anos, quando esse prédio foi alugado e começado a utilizar, também se estruturou um berçário aqui, porque já se oferecia o berçário lá em Interlagos, eles são muito parecidos, só que o berçário lá teve uma reforma, ele está diferente, mais moderno. Aqui em função de espaço a gente não conseguiu fazer a mesma reforma que lá, mas conseguimos algumas adaptações. Um espaço onde as crianças possam aprender, possam também ter a parte de alimentação, as crianças maiorzinhas já sentam em mesinhas, ou mesmo para quem está servindo a comida, tem uma posição, está em pé podendo servir, não precisa estar agachada, tudo isso auxilia no processo do dia-a-dia. E é fundamental o berçário, para deixar as mães mais tranquilas, para garantir a amamentação, porque um dos motivos principais do berçário é esse: garantir a amamentação das crianças. Até os dois anos elas podem ficar. É claro, se tem uma criança que está há um ano e oito meses, e acabou de nascer uma, essa tem preferência, a mais nova, mas por quê? Porque você quer garantir, pelo menos os seis meses de amamentação, esse é o objetivo. DESAFIOS O maior desafio aqui foi no começo, com a questão da cultura da Avon, que é uma cultura diferente de outras empresas. As relações, você tem que ter relações com vários níveis, várias pessoas e as decisões são tomadas muito mais através dessas relações, assim: “Eu vou sentar com você e a gente toma uma decisão.” Ok, a gente pode até tomar uma decisão, mas antes vamos consultar outras pessoas. A gente consulta pessoas chaves para depois sentar e conversar. O desafio foi um pouco esse, e o desafio de mudar uma cultura, porque quando entrei, tinha uma cultura muito paternalista, eu cheguei, vim de uma cultura que não era paternalista, era mais profissional. “Eu quero”, não existe, o que existe é o: “O que podemos fazer.” Vamos ver o que é bom para o funcionário, e o que é bom para a empresa. E eu acho que o impacto foi começar a mudar essa cultura. As pessoas foram percebendo que: “Espera aí, mas não é tão ruim.” Eu não falo não para tudo, o que tenho que fazer? É ouvir o que o funcionário precisa, e vou ter que responder para ele: “Isso eu posso te ajudar, né? Vamos por aqui. O que você precisa? Eu te dou apoio, ou, isso eu não posso te ajudar.” E deixar claro para ele, acho que isso as pessoas começaram a entender. Teve a questão do respeito, hoje eu encontro o funcionário e ele pede: “Poxa, você tem que visitar mais a gente, vem aqui na linha.” Isso é uma coisa engraçada, porque tem empresa que é tudo muito formal, e aqui não é tão formal assim, apesar do respeito dos níveis. Eu ando na linha e recebo abraço, beijinho Aquela coisa humana, isso é bonito, isso não se perdeu, mas ficou mais profissional, se preocupando que no final do dia tem que entregar o objetivo, isso é o principal. ALEGRIAS A maior alegria foi no momento da implementação do Projeto IPPE. Quando o Projeto IPPE começou a funcionar, ele já vinha sendo trabalhado quando eu cheguei, mas quando a gente foi para as vias de fato, eu peguei este momento, isso foi muito gostoso. E o que é este IPPE? O IPPE é a Integração de Pessoas e Processos para a Excelência. É fazer o quê? Primeiro, tenho que rever os processos, assim: “Será que o que eu estou fazendo faz sentido? Será que não tem retrabalho.” Segundo: “As pessoas entendem o que elas fazem?” Porque, se você pensar numa linha que nem aqui, numa linha de separação, é assim: “Legal, eu estou aqui na linha de separação, vou pegar os produtos das estantes e colocar na caixa conforme o pedido da revendedora.” Fantástico A pessoa fala: “Ah, faltou produto. Poxa vida, eu não consigo trabalhar direito, porque faltou produto”. Mas ela não entende por que falta, ou ela não entende porquê está chegando mais pedido hoje do que normalmente, ela não entende o processo como um todo, ou a importância: “Olha, se eu não for rápido aqui, e colocar produtos na velocidade correta, vai ter um impacto lá no final, o caminhão não sai.” Só que ela não tem essa visão, e a gente começou a perceber o quê? Se a pessoa não tem a visão do todo, como é que você pode exigir dela: “Olha, você tem que fazer melhor o seu trabalho, porque está impactando o do outro.” Se ela não sabe qual é o trabalho do outro, ela só conhece o dela. Esse projeto, foi assim, vamos entender o começo, o meio e fim, não importa em que parte da cadeia eu estou, tem que entender o processo como um todo, no momento que entendo o processo como um todo, começo a entender o meu papel, o seu papel, o papel do outro colega do lado, de outra área, e começo a poder colaborar mais, entender mais a companhia. Vieram também os indicadores, quando você mostra os indicadores: “A empresa está indo bem. Não está indo bem, a nossa produtividade foi de tanto.” Se a pessoa não entende o indicador como é que ela pode ser avaliada? “Ah, esse indicador é bom ou ruim?” Se você sabe para que serve e como é medido, então, se você tem como uma informação: “Ah, entendi, já sei como que é.” Esse processo foi muito bom, porque as pessoas entenderam mais o que acontece no CD, o que acontece na empresa e, a partir daí, elas puderam colaborar mais. A gente teve um ganho, de produtividade, de qualidade. E continuar crescendo, porque a idéia do IPPE, quando você fala integrar pessoas e processos para a excelência, como é para a excelência, isso é um processo contínuo, nunca termina. Porque hoje está bom, mas será que não tem nada que a gente pode melhorar um pouco, não tem onde consegue economia, onde a pessoa consegue uma posição melhor para trabalhar, ou melhorar o ambiente de trabalho, o que a gente pode fazer? Esse foi o maior projeto que eu participei aqui na Avon, e acho que é o que mais trouxe para mim, é orgulho mesmo, orgulho de você falar: “Eu estou na Avon no momento certo, no momento de crescimento e mudança”. TRABALHAR NA AVON Representa olhar o mundo feminino com outros olhos, você imagina, sou casado, a minha esposa vai lá e compra um batom, falei: “Mas você já tem três, vai comprar mais um pra quê?” Eu não tinha essa compreensão, essa visão. E é engraçado, que do momento que entrei aqui até hoje, pode perguntar para ela, ela tem mais de 60 batons, e fui eu que colaborei com a maioria deles. Eu comecei a entender que é assim: “Ah, tem um pra cada cor de roupa, pra cada momento, pra cada...” Começar a ver que esse mundo feminino tem nuanças, e que a gente acaba não percebendo. Eu, do mundo masculino, não consigo perceber essas nuanças, e estando dentro da Avon, começo a entender as nuanças, a necessidade feminina. Normalmente a mulher adora bolsa, adora sapato, porque tem essas coisas, o homem não tem isso, o homem é mais prático, é marrom, é preto, essa é a diferença dos mundos, mas acho que estando na Avon eu consegui ver isso diferente. E hoje, vejo a Avon também, que vai além do universo feminino, no sentido de beleza, maquiagem. Hoje nós tivemos inclusive um evento, foi um evento de reconhecimento das pessoas que contribuíram com a campanha do “Fale sem Medo”, que é a compra daquela pulseira. Reuniram os funcionários que mais compraram essa pulseira. Você percebe que a Avon tem um objetivo, que é obviamente dar lucro, como toda empresa, porque senão ela não se sustenta, mas com coisas bonitas, que são campanhas como essa. A própria possibilidade de a mulher poder trabalhar, a mulher sair de casa, ter a sua independência, unir histórias bonitas, histórias tristes, mas no final, são todas histórias muito bonitas, e de pessoas batalhadoras, tanto homens como mulheres, eu digo homens, porque tem muito revendedor que faz um trabalho muito bonito aí fora também. Isso é que mudou para mim, olhar o universo feminino de outro jeito. LOGÍSTICA Isso é impressionante. No processo de integrar as pessoas na companhia, a gente passa um filminho, um desenho bem simples, que mostra a quantidade de caixas produzidas num CD, e se eu colocar uma caixa atrás da outra, o que acontece. Por exemplo, Osasco, esta unidade, se eu pegar uma caixa e colocar uma caixa atrás da outra, o que é produzido aqui no CD em um ano, eu ligo São Paulo a Nova York. Você imagina, São Paulo a Nova York é muita caixa Você vê que chegar no Brasil inteiro não é tão fácil. E quando alguém falava o slogan: a Avon entrega onde nem o correio entrega, isso é verdade, e é impressionante. Saiu, há um tempo, uma matéria que as pessoas recebem de barco, lá no meio da Amazônia, e é assim que eles compram shampoo, sabonete, cosméticos. É da Avon, porque não tem loja lá, eles estão no meio do nada, ou melhor, no meio da floresta. Isso é impressionante, a capacidade que a Avon tem, e a força que ela tem, porque a gente fala um milhão e 200 mil revendedoras, é muita gente, e está espalhado pelo Brail inteiro. Uma ação que a Avon faz, é que nem falar se cada um ajuda em um real, um real, um milhão e 200 mil revendedoras, são um milhão e 200 mil reais. É difícil até de explicar ou de expressar, os exemplos são todos grandes, são todos magnânimos, porque é tudo em grande quantidade. Você vai para qualquer empresa, em qualquer lugar, quando você fala de Avon, você não consegue falar em volume, se comparando com outras empresas, porque aqui é tudo muito grande. Isso que é impressionante, porque você pode ir em qualquer lugar do Brasil, e você pode falar: “Eu trabalho na empresa x.” As pessoas falam: “Ah, que empresa é essa?” Nem todo mundo conhece. Você fala de Avon, vai para qualquer lugar: “Avon”, todo mundo conhece a Avon, ou foi revendedor, ou conheceu alguém da família que foi, ou amigo, ou algum conhecido que era revendedor ou revendedora da Avon, a Avon está em todo lugar. CD OSASCO Vou tentar fazer um resumo, basicamente é assim: recebemos os produtos, aqui nesse CD de Osasco, esses produtos vêm de onde? Vêm da fábrica em Interlagos, normalmente os cosméticos vêm de lá para cá, é às vezes, têm algumas coisas que são produzidas em terceiros. Os não cosméticos, que a gente fala que são todos os outros produtos, vêm de outros fornecedores, também para esse centro de distribuição. Por exemplo, um calçado, uma bijouteria, um produto de cozinha, tudo isso vem para cá. Tudo é armazenado aqui. E daqui é redirecionado para os outros dois centros de distribuição. Recebemos e armazenamos os produtos, o que acontece? Tem uma coleta de pedidos, que é feita das revendedoras, vai para uma central, se coleta todos os pedidos, e esses pedidos viram uma lista, que é chamada pick list. Essa lista vai para uma caixa, que vai rodando em esteiras dentro do centro de distribuição num sistema inteligente, que é um software que lê por código de barras e sabe aonde aquela caixa tem que passar, a caixa pára na estação. Parou ali, a pessoa que está ali sabe que esta caixa está precisando de produto, pega a lista, separa os produtos e manda adiante, cada estação que pára recebe os seus produtos, até chegar ao final. Tem uma balança que confere o peso da caixa antes de fechar, porque se você colocou lá, tinha que entrar um shampoo, um Renew, um batom, você por um acaso, se engana e coloca três shampoos no lugar, chega lá no peso, o computador vai ler para esta pick list, o peso médio deveria ser de tanto, qual é o peso, está na média? Ok. Segue adiante. Não está na média Opa, desvia a caixa, que pode estar acima ou abaixo, nesse momento vai ter uma pessoa que vai pegar e vai conferir, e vai descobrir: “Ah, teve um erro aqui, tal produto está errado.” Corrige e manda adiante. E ao mesmo tempo, esta informação vai para o funcionário que errou, para ele poder ser orientado e corrigir, para evitar que ele cometa o mesmo erro, porque ele pode estar se enganando na hora de ler um código, fazer alguma coisa assim. Depois a caixa é lacrada. Nesse processo têm algumas que são desviadas para uma conferência aleatória, eles pegam cento e poucas caixas no dia e: “Vamos conferir.” Abre a caixa e vê, porque se eu tinha que separar um shampoo, só que eu não pus um shampoo, eu pus um condicionador, os dois têm o mesmo peso, o primeiro processo não pega, mas esse segundo pega e corrige. Vai para o caminhão, entra no caminhão, do momento que entrou no caminhão, a responsabilidade é da transportadora, a transportadora leva, vai para o pátio dela, chegou no pátio dela, eles tiram tudo do caminhão, que é uma carreta enorme, e colocam em veículos menores, e aí sim que vai ser entregue para a revendedora. VENDA DIRETA É um sistema muito antigo, se você puxa da história da Avon, quando começou com o McConnell, quando ele criou isso, ele vendia livros. Uma pessoa que vende livros, oferece perfume, e começa a perceber, normalmente são donas de casa que estão em casa, então: “Eu vou oferecer uma amostra de perfume pra ela comprar o livro.” De repente, ela se interessa mais pelo perfume do que pelo livro. Ele começa essa venda de cosméticos. A venda porta-a-porta é um processo que não foi o McConnell quem inventou, isso vem de muitos anos, é um processo muito antigo, mas ainda sobrevive. Porque a nossa sociedade ainda tem muito que evoluir, que mudar, e eu acho que é um sistema que é muito interessante, porque você consegue chegar no Brasil inteiro. O que adianta a venda por internet, shopping? Nossa, shopping center é fantástico É fantástico, tem ar condicionado, é gostoso, mas como é que eu chego na casa de um caboclo que fica lá no meio de Goiânia, uma pessoa que está no sul do país, que está lá nos pampas, ele não tem acesso à internet, não tem shopping para ir comprar. A venda direta funciona muito por causa disso, você tem um alcance ainda muito grande, muitas pessoas, você tem o lado humano, você tem o contato com pessoas. Porque pela internet, é fácil comprar, você vai lá, quero um livro, quero um CD, entro na internet, busco, faço o pedido, pago com o cartão. Não falei com ninguém, não pedi informação, mas não tive a oportunidade de pegar, não tive a oportunidade de ver, e não tive contato com ninguém. A venda direta ainda traz isso, traz esse contato, essa conversa, porque, normalmente, o revendedor, a revendedora, para algumas pessoas, não é 100% do caso, mas para muitas tem uma conversa, tem uma troca. Isso é muito importante, e é por isso que eu acho que isso ainda funciona no Brasil, e é por isso que muitas empresas estão querendo entrar nesse mercado, que é um mercado que tem muito a ser explorado ainda. APRENDIZADOS Eu acho que a Avon contribui para você lidar com a questão da humildade. Eu me considero uma pessoa humilde, mas ao mesmo tempo, aqui eu estou mais próximo de um público que não tinha tanto contato nas outras empresas. Nas outras empresas eu tinha contato com a operação, a parte de fabricação, mas era um contato mais distante e, aqui eu tive um contato com pessoas, e começa a haver uma realidade diferente, têm pessoas aqui que hoje, ainda a melhor refeição que eles têm é o almoço ou a ceia que eles têm na Avon, ainda tem isso. O que é importante, que eu aprendi, são as relações. As relações que você forma são as coisas mais importante, e quando eu falo em relações, são relações profissionais em todos os níveis, é você chegar perto das pessoas, e trocar com elas o conhecimento do dia-a-dia, é um oi, um olhar, uma coisa simples, o quanto isso deixa, pelo menos me deixa mais feliz para continuar o meu dia e, também percebo que é só isso que, às vezes, as pessoas precisam, pensando um pouco como RH, recursos humanos, quantas pessoas sentam na minha sala com problemas, e eu consigo ajudar, e fico feliz com isso, e quantas sentam, falam comigo, saem, e o que eu fiz para ela? Nada Eu só ouvi, só dei o apoio, não mudei a vida dela, ela não resolveu o problema dela, mas ela conseguiu o que ela queria, ser escutada, saiu mais tranquila, mais feliz, mais tranquila para poder repensar: “Espera aí, o que eu tenho que fazer para resolver os meus problemas?” Isso é o que eu aprendi muito aqui na Avon, essa questão do relacionamento. PROJETO MEMÓRIA AVON Eu acho que isso é fantástico, porque o mundo dá muitas voltas, as pessoas entram e saem da companhia, as pessoas ficam muitos anos, as pessoas ficam poucos anos, mas todo mundo contribui de alguma forma. E todo mundo vivenciou momentos diferentes da Avon. Vocês estão conversando com pessoas com muito tempo de casa, com pouco tempo de casa, cada um tem uma parte da história para contar, e isso é uma coisa muito bonita, porque se você não registra isso, se você não consegue guardar essa informação, isso se perde, porque quem lembra conta. É que nem a história dos contos, os causos, antigamente não era assim? Era de boca em boca, cada um ia contando essa história, mas, às vezes a gente perde, ou as histórias mudam, porque você fala: “Espera aí, a original, há dez anos essa história não era contada assim.” Porque cada um vai acrescentando, vai pondo o seu jeito, a sua pitada lá dentro. Esse é o lado bonito, eu acho que é um projeto que é muito bonito, e é uma coisa que vai contribuir para a história da Avon, para a gente saber um pouco o que aconteceu na Avon, o que cada um passou, a visão de cada um. Na empresa existe visão, existe missão, que são muito importantes, são bonitas, mas o quanto as pessoas estão vivendo isso, e de que forma elas estão vivenciando? Hoje estou tendo uma oportunidade de te conhecer, e de você me conhecer, por mais que seja um momento breve, mas é um momento, e se a gente não registra esse momento, esse momento se foi. É o registro, é ter história, e continuar contando a história, porque 50 anos da Avon no Brasil, são mais não sei quantos anos pela frente, que a gente espera, e continuamos todos aqui na Avon, trabalhando para que ela continue existindo. Eu achei muito gostoso No começo é meio estranho, você não sabe direito para onde vai, de que forma vai caminhar, mas no final é esse sentimento que estou tendo agora, que estou deixando uma marca, estou podendo contribuir de alguma forma nesse processo como um todo. Não tenho o sentimento de: “Ah, você é só mais um.” “Não, não é só mais um, você faz parte desta família.” Porque é o que nós falamos aqui, e eu falo isso, é uma família, passo a maior parte do meu tempo fora da família, minha família, em casa, o meu bebê, hoje tem oito meses, e fico aqui na Avon. Então, tenho que considerar uma família, se não for esse o sentimento que tem, fica muito difícil para trabalhar, e é esse sentimento que eu tenho.
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