Projeto Memória Petrobrás
Depoimento de Francisco Espíndola
Entrevistado por Márcia de Paiva
Rio de Janeiro, 24/06/2008
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB433
Transcrição por Maria Luiza Pereira
P/1 – Boa tarde, Francisco.
R – Boa tarde, Márcia.
P/1 – Gostaria de começar a entrevista pedindo que você nos dia o seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Meu nome é Francisco José Espíndola, eu nasci em Aracaju, Sergipe. Primeiro de março de 1970.
P/1 – Qual é o mês?
R – Primeiro de março.
P/1 – Primeiro de março de 1970. Qual é a sua formação, Francisco?
R - Eu me formei em engenharia de computação. Mas agora eu estou trabalhando aqui como engenheiro de petróleo.
P – Quando você ingressou na Petrobras?
R – Em 2004.
P/1 – Você fez concurso...?
R – Isso, o concurso de 2004.
P/1 – Passou pelo curso de formação de engenheiro de petróleo, como é que foi?
R – Foi um curso muito exigente.(riso)
P/1 – Lá na Bahia?
R – Lá na Bahia, em Salvador. Dez meses de curso, provas todo sábado, o pessoal engenheiro de petróleo sabe o que eu estou falando, muito difícil.
P/1 – De lá você foi trabalhar aonde?
R – De lá eu fui direto para a P-50, trabalhar na P50 que estava sendo construída no estaleiro Mauá. Eu estava na parte de operação e depois operar a P-50 em Macaé, na base de operações de Macaé.
P/1 – E a P-50 foi para que campo?
R – A P50 foi para Albacora leste.
P/1 – Hoje qual é a sua atividade atual?
R – Eu estou como engenheiro da parte de produção de petróleo, lá da P-50, na parte de operação. Eu fico na base ajudando a gerenciar a produção da plataforma da P-50.
P/1 – A P50 que inaugurou a...
R – A auto...
P/1 – A auto-suficiência.
R – Auto-suficiência, exatamente.
P/1 – Você acompanhou, como é que foi?
R – Eu pude acompanhar a auto-suficiência, inclusive esse é um dos motivos aqui, que torna curioso a minha visita, né, porque o pessoal...
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Depoimento de Francisco Espíndola
Entrevistado por Márcia de Paiva
Rio de Janeiro, 24/06/2008
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB433
Transcrição por Maria Luiza Pereira
P/1 – Boa tarde, Francisco.
R – Boa tarde, Márcia.
P/1 – Gostaria de começar a entrevista pedindo que você nos dia o seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Meu nome é Francisco José Espíndola, eu nasci em Aracaju, Sergipe. Primeiro de março de 1970.
P/1 – Qual é o mês?
R – Primeiro de março.
P/1 – Primeiro de março de 1970. Qual é a sua formação, Francisco?
R - Eu me formei em engenharia de computação. Mas agora eu estou trabalhando aqui como engenheiro de petróleo.
P – Quando você ingressou na Petrobras?
R – Em 2004.
P/1 – Você fez concurso...?
R – Isso, o concurso de 2004.
P/1 – Passou pelo curso de formação de engenheiro de petróleo, como é que foi?
R – Foi um curso muito exigente.(riso)
P/1 – Lá na Bahia?
R – Lá na Bahia, em Salvador. Dez meses de curso, provas todo sábado, o pessoal engenheiro de petróleo sabe o que eu estou falando, muito difícil.
P/1 – De lá você foi trabalhar aonde?
R – De lá eu fui direto para a P-50, trabalhar na P50 que estava sendo construída no estaleiro Mauá. Eu estava na parte de operação e depois operar a P-50 em Macaé, na base de operações de Macaé.
P/1 – E a P-50 foi para que campo?
R – A P50 foi para Albacora leste.
P/1 – Hoje qual é a sua atividade atual?
R – Eu estou como engenheiro da parte de produção de petróleo, lá da P-50, na parte de operação. Eu fico na base ajudando a gerenciar a produção da plataforma da P-50.
P/1 – A P50 que inaugurou a...
R – A auto...
P/1 – A auto-suficiência.
R – Auto-suficiência, exatamente.
P/1 – Você acompanhou, como é que foi?
R – Eu pude acompanhar a auto-suficiência, inclusive esse é um dos motivos aqui, que torna curioso a minha visita, né, porque o pessoal pode dizer assim: como é que pode uma pessoa que entrou em 2004 estar participando da Memória Petrobras, né, que memória que ela tem para apresentar? Na verdade, eu tenho memória de 38 anos, que é a minha idade. Para começar eu nasci em Aracaju, porque meu pai foi transferido para Aracaju, né? O meu pai, Paulo Fernando Espíndola, também era engenheiro de petróleo e ele fez o concurso de 1967 ou 1968, se eu não me engano e foi trabalhar em Aracaju. Eu acabei nascendo lá por causa disso. Então, toda a minha vida foi em função da Petrobras, todos os lugares onde eu morei, tudo o que fiz, os lugares que viajei, que conheci, foi graças a esse trabalho, né, essa interação do meu pai com essa empresa.
P/1 – Quando você escolheu sua profissão já estava ligada à carreira do seu pai, ou como é que foi?
R – Na verdade (riso), o filho tenta procurar outros caminhos, né, às vezes, a maior parte das vezes e eu tentei ir para engenharia de computação, mas acabei caindo na engenharia de petróleo, exatamente igual ao meu pai, porque não tinha como fugir. Eu fui criado dessa forma, tudo que eu via era petróleo, era perfuração, plataforma, meu pai trabalhou os últimos anos da vida dele em várias plataformas como geplat [gerente de plataforma] e aí eu o via embarcando, passava 14 dias lá, 14 dias em casa, depois passou para 14 por 21, melhorou um pouquinho.
P/1 – O que ele te contava?
R – Ele mantinha muito (estanque?) essa parte da vida profissional e vida familiar. É isso que eu sinto um pouquinho de falta, né, porque eu venho aqui, não pude contar com a experiência de trabalho dele. Mas, pelas coisas que eu via, pelos amigos dele, tantos amigos dele que eu estou encontrando aqui, eu estou fazendo mais ou menos um quebra-cabeça, montando as peças, para ver como é que foi a carreira do meu pai, né? Porque meu pai realmente participou do nervo central da história da Petrobras nos últimos 30 anos, ele fez 30 anos na Bacia de Campos e ele faleceu com 31 anos de trabalho, quando trabalhava na P-18. E ele trabalhou a vida inteira, né, pela auto-suficiência e, é incrível, né? (sorriso)
P/1 – E como é que foi estar lá naquele momento?
R – Pois é, esse momento é um bocado emocionante, né, porque eu sei que o meu pai trabalhou a vida inteira pela auto-suficiência e ele não (pausa)
P/1 – Quer parar um minutinho?
R – Pára um minuto.
P/1 – Segura um minutinho. (pausa)
R – Pois isso é muito emocionante, né? Meu pai trabalhou a vida inteira, deu uma importância enorme ao trabalho dele, todo mundo que trabalhou com ele sabe da seriedade do trabalho dele junto a Petrobras e pela auto-suficiência. Agora, como filho, eu tive a oportunidade de estar lá presente, perto do evento do acontecimento do...
P/1 – Da festa?
R – Do acontecimento da história, da festa da Petrobras, do Brasil, por esse evento que é tão importante, né, que foi tão sonhado por tanta gente que trabalhou junto com ele, que foi a auto-suficiência de petróleo atingida pela P-50. Eu estava lá, eu estava lá junto, eu vi o primeiro óleo da P-50, eu estava lá no dia que foi publicado o anúncio da auto-suficiência e nesse dia eu me lembrei do meu pai, né, porque meu pai trabalhou a vida inteira para isso, ele não pode vir, mas eu tenho certeza que esse será (pausa) Essa é uma coisa que meu pai... Todo pai pode se orgulhar, né, do filho. De ter um filho que continuou o trabalho dele, né, que participou dos sonhos dele, das metas empresariais, da meta de carreira dele e continua, né, a segunda geração da família e isso é muito gratificante para mim.
P/1 – Francisco, você falou que tem até a sua idade, 38 anos, de memória, porque ela já agrega a memória de seu pai. Mas eu também queria explorar um pouco a sua memória.
R – Ah, sim.
P/1 – Quatro anos você já tem memória, enfim, alguma coisa também que você viveu lá. Como é que foi a tua primeira experiência de embarcado?
R – Minha história é um pouco mais complexa, né? Porque eu embarquei quando eu tinha 19 anos, porque é a segunda vez que eu entro na Petrobras. A primeira vez, eu entrei como operador, mas pedi demissão. Fiz o curso de engenharia, me formei, e agora estou entrando como engenheiro. Então a minha primeira experiência de embarcado foi como operador, aos 19 anos.
P/1 – Imagina.
R – E já tem 15, 16 anos que aconteceu isso. E é realmente uma experiência difícil, né, (riso) principalmente para uma pessoa nova, porque a gente não está acostumado, não sabe o que esperar, porque aquilo é um confinamento. É uma situação muito complicada, você está sabendo que não pode sair do local, não pode pegar o carro, passear, está sempre lá naquele lugar, sempre com as mesmas pessoas. Então é uma coisa de (experiência?) psicológica para tornar você mais forte, mais capaz de enfrentar as adversidades.
P/1 – Era o que você imaginava pelo que sabia do trabalho do seu pai, pelo o que você também pensava, a idéia que você fazia na sua cabeça?
R – Nunca é como a gente imagina não. Na família, a gente vê o pai da gente embarcar, passa 14 dias, volta, e aí passa o tempo todo junto com a gente, é uma felicidade quando ele fica junto, a gente pensa que é sempre esse mesmo ritmo, sempre essa mesma alegria, né? Mas quando a pessoa embarca, ela tem toda uma série de responsabilidade, né, com segurança, com meio-ambiente, com tudo, é uma responsabilidade muito grande. Então, é totalmente diferente, quando a pessoa embarca, ela não é a mesma coisa que está em casa, então não era o que eu imaginava, não dá para ser.
P/1 – Você quando trabalhava como operador o seu ainda pai estava vivo...
R – É, sim, exatamente.
P/1 – Mas você não embarcou junto com ele na mesma plataforma.
R – Não, não, não era, como eu diria, conveniente que eu embarcasse junto com ele na mesma plataforma. Ele embarcava na dele e eu... porque ele era geplat e eu numa outra plataforma, Cherne 2.
P/1 – Como operador você embarcou por onde?
R – Cherne 2.
P/1 – Cherne 2.
R – Isso.
P/1 – E qual foi a diferença de voltar como engenheiro?
R – (Pausa) Eu acho que... Não sei se... Será que cabe eu comentar esse tipo de... É para Memória Petrobras, né?
P/1 – É. Só a sua sensação, você trabalhava como operador, voltou como engenheiro. O que que mudou na tua vida?
R – (pausa) Eu não sei dizer, eu acho que como engenheiro eu sempre tenho assim um campo maior assim de atividades que eu posso realizar, né? Como operador era só aquele, naquele local de trabalho, Cherne 2. Agora, como engenheiro, por exemplo, eu estou pretendendo sair agora do lugar onde estou, para ir para a área de exploração e participar dos descobrimentos que estão tendo agora. Então, acho que essa mobilidade que se tornou um pouco maior para mim, como engenheiro.
P/1 – Qual foi a maior dificuldade nesse seu tempo de Petrobras? Como operador ou como engenheiro, o que foi assim uma dificuldade que você enfrentou?
R – A maior dificuldade são os 14 dias que a gente passa embarcado e, principalmente, em turno, quando a gente trabalha de meia noite até meio dia. Chega uma hora da manhã que a gente tem que enfrentar um horário muito pesado, a gente não está se agüentando e aí tem todo um ambiente industrial que a gente tem que ter responsabilidade, uma planta industrial com todos os perigos, né, e a gente têm que estar sempre atento, é muito difícil esse trabalho embarcado, principalmente com confinamento. Confinamento é muito difícil. E esse é o problema. Mas eu acho que isso era para todo mundo, a parte do confinamento é um negócio muito complicado.
P/1 – E me diga um desafio nas suas atividades, ou um que você tome como um desafio da empresa que também que é seu, o que você destacaria?
R – O desafio que eu estou lidando agora nesse momento, realmente, é a parte dos novos campos de petróleo que estão aparecendo no horizonte para a Petrobras, né, por isso que justamente eu estou indo trabalhar na área de exploração – se acontecer minha transferência. A Petrobras vai crescer demais agora, tem a oportunidade de tornar o Brasil uma grande potência na área de petróleo e (daí?) a área econômica. Então, eu quero ir junto, o meu desafio agora de carreira é ir junto com a Petrobras no caminho das descobertas dos novos campos, das novas jazidas pré-sal submersas aí. É isso que eu gostaria de trabalhar junto com a Petrobras.
P/1 – Você tem trabalhado embarcado atualmente?
R – Não, não, por enquanto não. Como eu trabalho na operação da P50, eu trabalho na base, lá em Macaé.
P/1 – Eu também queria te perguntar desse teu tempo de embarcado, o convívio com os colegas, quem é o trabalhador da Bacia de Campos? É de outros estados, como é o perfil desse trabalhador?
R – (pausa) (riso)
P/1 – É diferente, é um perfil variado? Como é, também, essa diversidade dela?
R – É interessante assim, na minha equipe é uma, falou em diversidade, é uma diversidade muito grande. São as pessoas...
P/1 – Você tem colegas de onde?
R – Que vem de Minas, que vem de São Paulo, vem de todo canto trabalhar em Macaé, né, então deixam suas famílias nos locais, como eu vim do Rio de Janeiro, deixei minha filha aqui no Rio e a gente fica lá em Macaé. Se junta todo mundo lá, vira uma equipe e a gente trabalha junto para, a gente esquece, a gente deixa de lá então, já que a família ficou em outro lugar, a gente se concentra no trabalho durante a semana e no fim de semana cada um vai para o seu canto.
P/1 – E esse convívio, essa integração, você pode falar um pouquinho disso? Dessa equipe que trabalha lá? Como é o convívio? É só trabalho, tem uma integração maior também, como é?
R – Ah, a nossa equipe, a gente teve a sorte de ter uma equipe muito entrosada, né, com as pessoas que saem à noite, combinam de jantar juntos, principalmente porque em Macaé é uma cidade pequena, né? Então a gente acaba se entrosando não só no trabalho como na vida pessoal. Então o pessoal fica, é muito agradável, muito divertido lá. Na P50, é realmente uma coisa que eu vou sentir falta, o pessoal de lá.
P/1 – Você cresceu em Macaé, seu pai trabalhava e morava em Macaé também?
R – (tosse) Não, não. A história do meu pai é muito diferente, junto com a minha, né, porque eu fui junto com meu pai. Meu pai foi trabalhar em Aracaju, naquela parte dos campos offshores, né, de perfuração e tudo, completação e aí ele foi pegando experiência nessa parte e ele junto com outro engenheiro colega dele, Alfeu Valença, eles eram os grandes experientes na área de offshores. Só que meu pai resolveu entrar na Braspetro e o Alfeu foi para a região sudeste para ser, eu não me lembro do cargo; foi o cargo máximo da região naquela época, eu esqueci qual era o nome. Bom...
P/1 – Não tem importância.
R – Aí ele seguiu carreira e acabou como presidente da Petrobras. Meu pai foi para o Iraque, levou a família inteira para morar, em 77. Nós moramos de 1977 a 1980 no Iraque, em Bashra. Era o desenvolvimento do campo de petróleo de Majnoon. Um campo enorme, um absurdo de quantidade de petróleo que tem lá dentro, que a Petrobras ganhou a concorrência e foi explorar lá, né, junto com o governo do Iraque e fomos todos para lá. Passamos três anos fantásticos de experiência cultural. Mesmo sendo muito novo eu pude aproveitar bastante. Eu até trouxe fotos, tem os locais onde eles perfuravam, os equipamentos que levavam. Eu imagino a aventura, o senso de aventura, a coragem, o profissionalismo que a pessoa consegue levar, ir para uma terra distante, totalmente desconhecida, como o Iraque, levando os equipamentos da Petrobras, né, com todo pessoal, juntar todo mundo lá, e conseguir fazer produzir um campo de petróleo, que era, se eu não me engano, é o maior do mundo. Ou é o segundo maior do mundo.
P/1 – E de lá, quando a Petrobras saiu do Iraque, seu pai foi para onde? Aí foi que ele veio par a Bacia?
R – Quando o meu pai saiu do Iraque ele veio para cá, para a Bacia de Campos. Ele trabalhou em várias plataformas como geplat: Cherne 2, Cherne 1, Namorado 1, Namorado 2. Em várias plataformas ele foi geplat. E depois, finalmente a P18. Aí ele foi para Singapura, junto com a família de novo. Dessa vez eu não fui. Ele participou da construção da plataforma da P18, quando voltou, voltou como geplat.
P/1 – Tá. Eu queria voltar para você também, desde a sua entrada lá como operador, o que que você viu que mudou ali na Bacia? O que você percebeu, qual foi a grande mudança?
R – Houve uma mudança enorme, enorme mesmo, assim incrível, na área de segurança. Eu me lembro como era o trabalho na plataforma Cherne 2, como se trabalhava era muito complicado. Muitos equipamentos de segurança a gente tinha que fazer um bypass (tosse) por problemas de equipamento, problemas de monitoração, tudo, era completamente diferente a parte de segurança daquela época para hoje. E a parte de informática também mudou muito, a sala de controle agora são sonhos para quem trabalhou naquela época. Todos os controles de válvulas, equipamentos feitos na sala de controle, não no local, na área e antigamente não, a gente tinha que correr quando estava acontecendo alguma coisa errada, correr lá para a área para modificar um parâmetro de alguma válvula. E agora é tudo muito mais tranqüilo, o monitoramento das coisas é tudo feito na sala de controle. Naquela época a gente pegava uma prancheta, ia de equipamento em equipamento anotando os valores, era uma coisa muito diferente do que é agora, muito interessante essa mudança.
P/1 – Queria que você me contasse uma história sua, que tenha te marcado, que você lembre, pode ser uma história engraçada, uma história curiosa...
R – Ãh?
P/1 – Que você tenha vivido nesse seu tempo de trabalho, como operador ou como engenheiro, o que você escolher.
R – Bom, tem a história do que me fez vir para cá, para a Petrobras fazer o concurso, né? A plataforma P-18 fez dez anos de produção, meu pai já era falecido há oito anos, e aí eles fizeram uma festa para comemorar esses 10 anos e convidaram a nossa família, né? Mas a gente não sabia que o principal homenageado da noite era meu pai, que tinha falecido já há oito anos. Aí foi muito emocionante pra gente, porque teve essa surpresa lá no local e eu não trabalhava na Petrobras ainda não. Como engenheiro de computação, eu trabalhava em várias empresas de informática. Aí eu comecei a pensar: essa característica da Petrobras da pessoa ser lembrada depois de oito anos de falecimento, eu acho que é uma coisa difícil de encontrar em outras empresas. Geralmente _______ os trabalhos, ________ os trabalhos que vão e vem e principalmente num ambiente ultra-competitivo e tal, mas na Petrobras existe uma coisa a mais assim, existe um trabalho com mais amor, que você coloca o seu; dá tudo de si para fazer esse trabalho, com todo amor. E junto com isso vem o companheirismo, né, as pessoas que trabalham com a gente, que se tornam nossos amigos de verdade, para toda a vida, inclusive muito tempo depois de você ter partido. E isso me deixou muito, muito emocionado e por isso eu resolvi fazer o concurso da Petrobras e acabei passando e por sorte eu estou aqui. (riso)
P/1 – E da experiência vivida, tem alguma outra história ali do dia-a-dia, do cotidiano?
R – (tosse)
P/1 – Como é o teu cotidiano de trabalho?
R – Bom, o meu cotidiano de trabalho é no escritório. Eu acompanho a produção de petróleo, tentamos melhorar o máximo possível à produção, diminuir as perdas o máximo que dá, mas eu não tenho muita experiência assim para contar da minha parte, eu posso contar até uns casos interessantes do meu pai, mas (riso), caso engraçado, né?
P/1 – Eu queria que você me contasse também então... Mas você tem assim, uma expectativa futura para a Bacia, né, porque a gente está trabalhando nesse foco da Bacia e você está na P50, está trabalhando.
R – Mas é da Bacia de Campos, né?
P/1 – De Campos.
R – Hum.
P/1 – Mas eu queria ter um pouco assim, dentro desse foco.
R – É, na verdade agora a gente vai...
P/1 – Como é que você vê a Bacia no futuro, Bacia de Campos no futuro?
R – Tudo depende das descobertas novas, né, se houver o mesmo tipo de descoberta lá na Bacia de Campos que está tendo na Bacia de Santos eu acho que tem tudo para continuar sendo o grande foco de importância da Petrobras. E, fora isso, tem as técnicas novas de recuperação para campos já _______, né, que a gente pode se dedicar a produzir mais, com mais tecnologia para _______ mais, melhor esses campos, né, que já produziram durante vários e vários anos. Eu acho que a gente tem que concentrar mais tecnologia nessa, vai ter que concentrar mais tecnologia na Bacia de Campos mais do que nunca. Mas isso aí, acho que todo mundo, é uma opinião comum, sabe, de todo mundo.
P/1 – Você tem uma história do seu pai ligada à Bacia de Campos?
R – (tosse) Ligado a Bacia de Campos, não é, de... Da Produção?
P/1 – É, enfim, desse trabalho como geplat, né, ele foi de várias plataformas como você falou.
R – Tem sim, várias histórias.(riso)
P/1 – Então me conta uma.
R – Algumas engraçadas. Que...
P/1 – Me conta uma engraçada.
R – Ham? (riso)
P/1 – Me conta uma engraçada.
R – Eu tenho medo de como é que vai pegar essa história, se vai pegar mal. (riso) Mas ele já é falecido então eu posso contar, não tem problema não, sabe? (riso) Ele era o gepat, o chefe da plataforma, né, então ele tinha que manter a plataforma funcionando, né? Tinha que manter a plataforma funcionando, produzindo o máximo possível. Então, se eu não me engano, me contaram, né, essa história é recontada, tinham dois canhões de água no heliponto, um de um lado e outro do outro. Esses dois canhões tinham que estar funcionando ao mesmo tempo para caso de acontecer um incêndio, né? Só que, infelizmente, naquele dia que ia ter a vistoria da empresa certificadora, eu acho que, se eu não me engano, era a Marinha que ia dizer: “Ó, se isso não estiver funcionando você vai tomar uma multa”. Infelizmente naquele dias só tinha uma bomba funcionando. Então, pelo que me contaram, meu pai chegou lá, levou as pessoas da Marinha (riso) para a bomba que estava funcionando, né, para o canhão, testaram o canhão d’água, ela: xiii, jogou água e tudo direitinho. Faltava ver o que não estava funcionando, aí meu pai: “Vamos lá, vamos...” Aí desceram pelo meio da plataforma, passaram por vários caminhos, voltaram ao mesmo local. Aí ele disse: “Pronto, pode testar a segunda bomba”. Aí testaram a mesma bomba e conseguiram. No dia seguinte a bomba estava funcionando direitinho(riso), não teve mais problema em relação a isso não.
P/1 – Os certificadores se perderam no labirinto e não entenderam que voltaram para o mesmo lugar.
R – É se perderam no labirinto e acabaram testando duas vezes a mesma bomba.(riso)
P/1 – (riso)
R – E são esses casos assim no dia-a-dia da pessoa que trabalha lá em Campos, sabe que eles têm esses probleminhas para que resolver, e ninguém fica sabendo, faz parte do nosso trabalho, não é, faz parte do nosso comprometimento com a produção, com a Petrobras, é isso que é interessante.
P/1 – Francisco, você se acha um petroleiro?
R – Ah, eu acho que eu sou muito petroleiro.(riso)
P/1 – Me diz o que é a alma do petroleiro.
R – É isso que estou lhe dizendo, é assim você está vivendo a companhia, você está integrado (tosse), às vezes falta a palavra, é você trabalhar junto com a companhia, você viver, né, você vibrar com as metas atingidas de produção, quando encontram um campo novo de petróleo, quando sobem as ações da Petrobras na bolsa, são essas coisas, né, a gente vestir a camisa mesmo. Eu acho que isso é ser petroleiro. E enfrentar os desafios, né, que são muitos desafios de todo tipo, de segurança, de... É muito interessante esse trabalho.
P/1 – Francisco, a gente está terminando a nossa entrevista, eu queria perguntar se você queria deixar algo mais registrado.
R – Bom, eu não tenho como não deixar registrado assim o meu profundo agradecimento a todo mundo que eu encontro que lembra do meu pai, que trabalhou com meu pai, que tem uma coisa boa a dizer, uma lembrança boa a falar sobre o tempo em que ele trabalhou junto, ele foi muito querido. Eu tenho os benefícios disso, se eu chegasse numa empresa em que meu pai foi um carrasco, alguma coisa assim, desleal, anti-ético, alguma coisa, eu ia sofrer muito, mas felizmente eu tenho essa satisfação de dizer que meu pai foi uma boa pessoa, foi uma boa pessoa, um bom trabalhador, uma pessoa competente, séria, digna, ética e deixou esse legado aí para mim, né, que são tantos mil conhecidos. Inclusive, esteve agora aqui o José Maurício, acho que foi gerente na época que meu pai trabalhava na P18, é muito interessante isso. Agradeço profundamente a todos aí as lembranças e a amizade.
P/1 – Francisco, para terminar eu queria perguntar o que você achou de ter participado do Projeto Memória.
R – Ah!(riso) Gostei muito disso porque eu acho isso é muito importante justamente naquele negócio mesmo que eu estava falando, naquele caso mesmo que eu estava contando por que eu entrei na Petrobras, né? Eu entrei na Petrobras porque o pessoal lembrava do meu pai, que tinha esse carinho para o meu pai. O Projeto Memória para o meu pai parece que é uma coisa que vai junto com esse sentimento que as pessoas têm aqui. De querer manter na memória os bons momentos que passaram aqui trabalhando na empresa, entendeu, é de(pausa) tudo que foi construído aqui, de colocar, de lembrar junto com os outros tantos colegas que trabalharam junto, isso é muito bom para todo mundo, para um trabalhador.
P/1 – Então está certo, Francisco, eu agradeço a sua participação, você ter vindo aqui colaborar com a gente, ter trazido foto, ter contado do seu pai.
R – Obrigado, obrigado Márcia.
P/1 – Obrigada.
(Fim da fita MBAC_CB_119)
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