Meu nome é Fernando Pochmann de Magalhães, eu nasci em 7 de outubro de 64, no Rio Grande do Sul. Sou gaúcho e vim ter contato com a Petrobras aqui no Rio de Janeiro, quando eu já morava aqui no Rio.
Meu pai era militar, minha família toda é do Rio Grande do Sul, e ele veio transferido para cá, para servir aqui no Rio de Janeiro. Depois ele entrou na reserva, tal. E eu estudei aqui, fiz escola técnica, segui carreira técnica aqui no Rio de Janeiro, em eletrotécnica. Fiz Centro Federal de Educação Tecnológica.
Na escola técnica, você já começa a aspirar a um trabalho na Petrobras. Em função da qualidade do processo, da empresa. Já é um sonho, vamos dizer assim. A gente já começa, na escola técnica, a querer entrar na Petrobras. Eu terminei a escola técnica em 82, tempo de crise, final do governo militar. Eu estava precisando trabalhar e fui ser bancário. Eu fiz um concurso pro Banco do Estado de Pernambuco, Bandep. Fiquei durante um ano como bancário e aí abriu um concurso na área técnica da Petrobras. Eu não aguentei e falei: “Tenho que voltar.” E aí, para realizar meu sonho, eu fiz o concurso e passei. Meu concurso é de 1984. Em 86, eu fui admitido na Petrobras. Fiz o curso de formação aqui na Reduc [Refinaria de Duque de Caxias], o que foi uma experiência pioneira. Era durante a noite e bastante puxado. De dia, a gente trabalhava e valeu muito à pena.
Na época do curso, a empresa disponibilizou prá gente um transporte, um microônibus que saía de Bom Sucesso. Então, a gente ia - a turma 47 - pra Bom Sucesso e vínhamos prá Reduc. O curso começava por volta de seis e meia e ia até às dez da noite. Às dez da noite, esse ônibus fazia um itinerário que tentasse ajudar a todos a chegar próximo de casa. No dia seguinte começava tudo de novo, de segunda à sexta-feira.
A gente fez uma visita técnica para uma olhada geral na refinaria. O curso de formação é bem abrangente, procura te dar uma visão global de...
Continuar leituraMeu nome é Fernando Pochmann de Magalhães, eu nasci em 7 de outubro de 64, no Rio Grande do Sul. Sou gaúcho e vim ter contato com a Petrobras aqui no Rio de Janeiro, quando eu já morava aqui no Rio.
Meu pai era militar, minha família toda é do Rio Grande do Sul, e ele veio transferido para cá, para servir aqui no Rio de Janeiro. Depois ele entrou na reserva, tal. E eu estudei aqui, fiz escola técnica, segui carreira técnica aqui no Rio de Janeiro, em eletrotécnica. Fiz Centro Federal de Educação Tecnológica.
Na escola técnica, você já começa a aspirar a um trabalho na Petrobras. Em função da qualidade do processo, da empresa. Já é um sonho, vamos dizer assim. A gente já começa, na escola técnica, a querer entrar na Petrobras. Eu terminei a escola técnica em 82, tempo de crise, final do governo militar. Eu estava precisando trabalhar e fui ser bancário. Eu fiz um concurso pro Banco do Estado de Pernambuco, Bandep. Fiquei durante um ano como bancário e aí abriu um concurso na área técnica da Petrobras. Eu não aguentei e falei: “Tenho que voltar.” E aí, para realizar meu sonho, eu fiz o concurso e passei. Meu concurso é de 1984. Em 86, eu fui admitido na Petrobras. Fiz o curso de formação aqui na Reduc [Refinaria de Duque de Caxias], o que foi uma experiência pioneira. Era durante a noite e bastante puxado. De dia, a gente trabalhava e valeu muito à pena.
Na época do curso, a empresa disponibilizou prá gente um transporte, um microônibus que saía de Bom Sucesso. Então, a gente ia - a turma 47 - pra Bom Sucesso e vínhamos prá Reduc. O curso começava por volta de seis e meia e ia até às dez da noite. Às dez da noite, esse ônibus fazia um itinerário que tentasse ajudar a todos a chegar próximo de casa. No dia seguinte começava tudo de novo, de segunda à sexta-feira.
A gente fez uma visita técnica para uma olhada geral na refinaria. O curso de formação é bem abrangente, procura te dar uma visão global de refinaria, ele não se atém às partes do processo; ele procura te dar uma formação geral para ser um operador de refinaria, o que hoje é técnico de operação. Depois é que você - de acordo com a tua classificação no curso e a disponibilidade de vagas - é alocado nas áreas, nos respectivos processos de acordo com a formação de cada um. Você tem um mix de formação de técnicos de operação: tem quem seja da área de eletrotécnica, quem seja de química, de eletrônica. E a gente procura adequar a formação à área de processo em que o cara vai trabalhar.
Eu sempre quis ficar na Reduc. A minha formação é em elétrica. Eu tinha tudo para trabalhar na termoelétrica, geração de energia e, no entanto, essa área que a gente chama de Utilidades, é composta por geração de águas, geração de vapor, tratamento de água, formação de energia elétrica. E, na época, a gente estagiava nas três áreas; fazia um estágio nas três áreas após o curso de formação. Eu passei pelas três áreas e gostei muito da área de tratamento de água e efluentes industriais. Alguma coisa me fez optar por essa área que era diferente da minha formação. Depois, eu fui estudar Química e me desenvolvi na carreira. Estou até hoje, vai fazer 23 anos nessa área de tratamento de águas e efluentes industriais.
Mudou muita coisa. Naquela época, a gente tinha uma visão de que a água era um insumo inesgotável. A gente dizia: “Ah, grande parte do planeta é formado por água...” Hoje, essa visão é completamente diferente em função da ação do homem, do que a gente chama de ação antropogênica. O homem interfere no meio ambiente de forma que a disponibilização das águas - que são de fácil captação, águas superficiais - você tem aí cerca de 2% de disponibilização. O homem vem deteriorando a qualidade dessa água em função de despejos industriais, esgoto doméstico. Fica um insumo cada vez mais difícil de você obter. Vai ser a grande crise do homem, a disponibilização de água, principalmente água doce para consumo humano. E hoje essa visão, ela acaba se tornando muito relevante, por quê? Você tem um binômio de consumo humano e consumo industrial. A legislação atual preconiza que a água é um bem público, então ela tem que servir a sociedade. Isso impacta fortemente no crescimento industrial porque você, para ter indústrias, você precisa desse insumo de água. E como o homem está acabando com a qualidade da água, você começa então a quê? A faltar água pro crescimento industrial. Isso fez dar uma guinada nessa visão desse insumo. E a gente sabe. Então, hoje, muitas tecnologias vieram a se desenvolver em função disso, de tentar tratar essa água que o homem vem poluindo cada vez mais. E tem a visão ambiental também que é você preservar os mananciais. Está havendo um desenvolvimento dessa tecnologia no sentido de você diminuir essa captação, esse uso da água e diminuição do desperdício. É esse o grande viés do desenvolvimento da indústria com relação a parte de tratamento de água. É você não descartar, você tentar reutilizar essa água, reusar essa água internamente de forma a você otimizar isso. A legislação hoje, ela faz você pagar pela captação e pagar pelo descarte dessa água. Você acaba pagando duas vezes. E aí entra uma tecnologia, nesse meio, para quê? Para você diminuir o descarte e reusar essa água nos teus processos. Isso é bom pra indústria, é bom pro homem, é bom pra nossa sobrevivência.
A Reduc investiu fortemente nessa parte de reuso de água de forma a você pegar aquela água do processo primário - do tratamento primário, que era descartada, tipo descarte de clarificadores, sistema de clarificação, lavagem de filtros de areia - e reusá-la, voltar com ela para a estação para diminuir a captação. A Reduc investiu no que a gente chama de processo de desidratação de lodo e depois secagem de lodo. Até porque esse resíduo ia parar no corpo receptor e a mudança da legislação não permite mais que a gente jogue esses resíduos, esse lodo, no corpo receptor. Então esse lodo vai ser disposto em aterros sanitários, hoje, que são os resíduos sólidos.
A Petrobras é fantástica porque ela te dá muitas oportunidades. Como operador, na realidade, eu acabei me desenvolvendo em áreas novos projetos e acabei aprendendo a parte de automação industrial. Eu tive oportunidade de trabalhar com automação industrial, automatizar aquelas unidades onde o homem fazia os processos de uma forma manual e de você agregar, nesse contexto, segurança. Então, ela me deu vários cursos e eu acabei entrando nessa área de automação para que o homem pudesse operar essas unidades à distância. Então, com a implantação do Centro Integrado de Controle, você tem, vamos dizer, o cérebro da refinaria, onde os operadores estão à distância e supervisionam e controlam as variáveis de processos dessas unidades. Eu tive a oportunidade de crescer dentro dessa área e acompanhar o desenvolvimento tecnológico da Petrobras porque isso foi um movimento que aconteceu na empresa como um todo. Hoje, eu tenho outra gama de conhecimento que, teoricamente, eu não pedi, a Petrobras me deu. Quer dizer, isso agrega muito valor, profissionalmente, à carreira do funcionário da Petrobras. Ela é uma empresa que investe pesado em tecnologia.
Eu sou técnico de operação sênior e passei por todas as funções na carreira de operação. Minha carreira é de turno, de revezamento, ininterrupto de revezamento. Fui supervisor de equipe de turno, depois eu fui técnico de operação - que era uma função em horário administrativo, de segunda à sexta-feira - e quando houve uma mudança do plano de cargos, fui enquadrado como técnico de operação sênior, aquele que já está quase lá no finalzinho da carreira. E, agora, entrei na área de treinamento. Então, eu estou como tutor, recebo os novos operadores, faço a especialização desses novos operadores que estão entrando hoje na nova Petrobras, vamos dizer assim. E outra grande oportunidade que a empresa me dá, de eu passar o conhecimento que eu adquiri, ao longo desse tempo, e multiplicar isso. Eu acho que é exatamente isso que faz essa empresa ser grande. É o conhecimento, o comprometimento da força de trabalho e essa multiplicação de conhecimento.
Eu passei por várias circunstâncias. É um aprendizado muito grande porque você trabalhar em turno é um horário muito atípico. Então, de repente, você acaba criando uma segunda família. Às vezes, a gente está mais tempo aqui dentro do que com a nossa própria família. Então, você acaba estreitando relações, você acaba aprendendo a entender as individualidades das pessoas. Você está numa madrugada, você está num sábado, você está num Carnaval, num Ano Novo e interagindo de uma forma que tem um objetivo comum que é a produção, é a continuidade operacional. Mas envolve uma série de outras coisas e a gente entende muito, muito, como é o ser humano, como são as pessoas. É um trabalho interessante.
No revezamento de turno, você tem uma tabela que você trabalha em três horários. Basicamente hoje, a nossa tabela, o sistema roda 24 horas, as unidades rodam 24 horas. Você imagina, por exemplo, equipamentos que trabalham com altas pressões, altas temperaturas, você não pode chegar lá e desligar a máquina: “Então vou embora, acabou meu horário.” Não dá. Então esse sistema, ele roda. E as pessoas, então, nessa tabela de turno, você tem três grupos de turno que trabalham de sete e 30 da manhã às 15 e 30; de 15 e 30 às 23 e 30; e de 23 e 30 às sete e 30 da manhã do outro dia. Então, enquanto três grupos de turno trabalham nesse horário, dois grupos estão folgando. E você vai rodando nesses horários, na tabela. Basicamente, você trabalha sete horários por mês, desses três horários durante o mês, rodando na tabela. E tem os folgões e tal.
Foram muitos desafios. A nossa função de operação tem desafios diários, cada dia é um dia, são coisas imprevisíveis. E dentro de determinados aspectos de confiabilidade, operacional, de segurança, você tem que interagir com esse processo de forma que você tenha continuidade operacional, com respeito à segurança das pessoas, ao meio ambiente. Isso é fundamental. Então, na realidade, esses desafios são diários, mas outros grandes desafios que nós tivemos aqui, que foram períodos que nós passamos aqui, períodos complicados em função de políticas, períodos de alguns acidentes que impactaram fortemente na imagem da empresa. E a força de trabalho acaba se sentindo atingida por esse impacto. O ano de 2000 foi um divisor de águas muito grande em função daquele acidente, do rompimento do oleoduto na Baía de Guanabara. Aquilo impactou fortemente a força de trabalho. Eu acho que esse foi o grande desafio que a gente teve, tentar virar o jogo. Tentar mudar essa imagem que a sociedade tinha, de uma Petrobras poluidora, de uma Petrobras que não respeita a sociedade, não respeita o meio ambiente. E isso fez com que a Petrobras crescesse muito em função dessa necessidade de mudar a empresa, a imagem da empresa pra sociedade e para o mundo. Porque a Petrobras é uma empresa internacional.
Literalmente, é vestir a camisa da empresa. Eu acho que esse é o jargão que a gente usa muito, mas que é como se fosse uma segunda pele. Você acaba vestindo a camisa da empresa, você acaba vivenciando a realidade da empresa. É uma empresa que se destaca mundialmente. Nós vamos ser a quinta empresa do mundo. Esse é o objetivo do governo, é o objetivo da empresa. É o que a gente quer, é o que a gente enxerga pro futuro.
A gente acaba vivenciando situações que são emergências operacionais. Às vezes acontece, faz parte do nosso trabalho, incêndios, a gente trabalha com temperaturas elevadas, a gente trabalha com pressões elevadas. Existe periculosidade no nosso trabalho e a empresa investe muito nessa área de segurança, treinamento pessoal inclusive, brigada de incêndio, pra vazamentos de gás, vazamentos de líquido. Hoje, a gente tem centros de defesa ambiental espalhados pelo Brasil todo, de forma que você possa atuar o mais rápido possível em caso de algum sinistro. Mas o investimento que foi feito ao longo desses últimos nove anos, foi um investimento muito pesado. Posso afirmar que foi a empresa que mais investiu no mundo, nessa área de segurança e é por isso que a gente está com esses resultados bons. Porque há muito que melhorar ainda, eu acho que esse é o grande desafio, você estar sempre melhorando, você tem um objetivo de você crescer, mas com melhoria contínua, com resultados sustentáveis. A Petrobras precisa ter resultados sustentáveis para ela poder continuar competitiva nesse mundo globalizado. Houve uma mudança muito grande depois de internet. Hoje você está conectado no mundo, se a empresa não tiver agilidade, ela não sobrevive no ambiente competitivo e a empresa. Ela vem seguindo nesse caminho, se mostrar competente, otimizada e competitiva, principalmente.
Isso é uma coisa que a empresa vem investindo bastante. É exatamente nesse relacionamento que ela tem, no entorno dela. Que na realidade aonde você implanta uma unidade da Petrobras, você tem um crescimento e, às vezes, um crescimento desordenado dessa região, e isso não era visto, não era tratado porque não era a atividade fim da empresa. Hoje, com esse viés social que a empresa tem, ela começa a interagir mais com a sociedade, com seu entorno. A gente tem umas contradições que ocorreram ao longo do tempo. Por exemplo, a Reduc trata água numa quantidade para uma cidade de - sei lá - 200 mil habitantes. No entanto, a comunidade aqui do lado da Reduc não tem água potável. Então está se estudando parcerias, alguma forma da empresa ajudar o Estado a fornecer, a ajudar nesse fornecimento de água para essa comunidade. E a coisa vai além. Hoje nós temos programas, por exemplo, de envolver todas as indústrias que estão no entorno da Petrobras, que isso aqui virou um pólo. É um pólo industrial e a empresa se relaciona com essas indústrias para tratar grandes sinistros que possam vir a ocorrer. Então, você tem vários programas, a empresa faz vários treinamentos, vários simulados. Ocorreu um agora, recentemente, envolvendo várias dessas empresas. Existem programas específicos para isso e cada vez mais porque, de certa forma, nós impactamos essa região. Então, a empresa tem que dar essa contraprestação, tipo, eu impacto você, mas, ao mesmo tempo, eu acabo ajudando você. Então, nós temos coleta de lixo. O lixo que é gerado aqui na refinaria. A gente tem um programa de reciclagem que acaba ajudando a comunidade, porque o retorno que você tem, o dinheiro que você tem dessa reciclagem, desse lixo, a gente ajuda instituições aqui, no entorno da refinaria. É outra relação que a refinaria tem, interessante, e muito importante para a comunidade.
A Reduc é um complexo industrial mais peculiar da Petrobras. A Reduc é a refinaria mais complexa do abastecimento, do refino. Ela tem um mix de produtos beirando quase 60 produtos. Nós produzimos muitos derivados e a Reduc cresceu muito nos últimos anos. A Reduc está com um fator de conversão, de unidades de coque - já partiu em meados de 2008 - que isso aí com certeza faz alavancar a Reduc. A Reduc entra mais fortemente até no próprio sistema Petrobras.
As unidades de processo, as unidades da Petrobras como um todo, elas se auto avaliam, sempre no intuito de melhorar. Aquilo que eu te falei, aquela melhoria contínua. A Reduc faz com que Caxias tenha o sexto PIB [Produto Interno Bruto] do país em função da arrecadação de produtos, na venda dos derivados que são produzidos aqui na Reduc. A Reduc tem o poder de alavancar a economia dessa região toda e isso é muito importante. Nós estamos precisando de desenvolvimento nesse país, dar emprego. Hoje nós temos aí 15 mil pessoas dentro da Reduc, na força de trabalho, sejam contratados, sejam do pessoal próprio. Todas as obras que existem na refinaria englobam um universo de 15 mil pessoas e isso é fantástico para uma região carente como é a Baixada Fluminense, é muito importante para o Rio de Janeiro, pra unidade federativa.
A Petrobras foi impactada, o país foi impactado fortemente pela escassez de recursos. A Petrobras tem uma visão estratégica até 2012, de investir cento e tantos bilhões. E, de repente, esse dinheiro vai e some do mercado. Como a empresa pode captar esses recursos num ambiente de incerteza, num ambiente de crise? Esse é o grande desafio que a Petrobras está passando, mas ela é uma empresa que - eu não tenho a menor dúvida disso - vai dar esse retorno pro país. E a empresa está sinalizando isso de uma forma muito transparente pra sociedade, que ela não vai parar com os investimentos dela, que ela vai continuar investindo apesar da crise. E eu tenho certeza que no ano que vem, a gente já está respirando melhor e a Petrobras fazendo a parte dela.
É uma grande preocupação porque a gente vislumbra vários perigos que eu acho que o país precisa se preparar. Ninguém sabe, na realidade, a potencialidade do pré-sal. A gente sabe que é muito grande, mas, tecnologicamente, não se sabe. A gente sabe da importância do petróleo no mundo. Há países fomentando guerras em função de petróleo e isso acaba impactando a gente. Você pensa: “Pôxa, a gente está com esse patrimônio que é do povo brasileiro...” E a gente fica preocupado em como isso vai ser tratado, como será o planejamento governamental, como fica a Petrobras inserida nesse contexto. Porque a empresa detém essa tecnologia de prospecção, de águas profundas, enfim, é campeã nesse sentido e vai continuar porque ela investe pesado nisso. Hoje é uma grande preocupação da gente aí, mas eu tenho certeza que a empresa vai fazer a parte dela, a gente espera que isso reverta da melhor forma possível para o país, pra sociedade brasileira. Eu acho que o brasileiro está precisando disso. Garantir essas reservas prá gente.
Nos anos 90, havia um ciclo de desenvolvimento de novas ideias. E a gente estava no auge da globalização, do neoliberalismo, daquelas políticas de privatização, porque aquilo era mundial. Foi um período de incertezas. Enquanto força de trabalho, a gente ficou preocupado, porque você se sente ameaçado. Hoje, a gente vê que isso acabou sendo bom, teve um lado bom, fez com que a empresa se reformulasse, que a empresa olhasse para o seu interior e visse quais eram os pontos fracos. Havia o monopólio, que hoje não existe mais, e a empresa se preparou para competir. Só que, na realidade, essa competitividade acabou não acontecendo. Os parceiros internacionais não vieram. A empresa agora está tentando uma parceria lá na refinaria do Nordeste, com a Venezuela. Tentando, vamos dizer, arrumar parcerias no mercado internacional. Há vários exemplos com essa nova legislação dos campos de petróleo. Você já tem poços que são operados pela Petrobras; a Petrobras tem lá 40%, a ADP tem 20%. Você tem a legislação das jazidas de petróleo que veio com a Constituição de 88, e depois a quebra do monopólio. E estamos aí: a Petrobras continua competitiva, crescendo e dando resultados.
Eu já fui, vamos dizer, mais aguerrido. Faz parte. Eu também tive os meus aprendizados ao longo da história. Eu acho importante. Acho que o sindicato é importante para representar a categoria, mas não é só em questões salariais. Tem que ser também em condições de trabalho, segurança no trabalho. A Petrobras é uma empregadora muito boa, tudo o que eu tenho, eu devo a Petrobras e tenho orgulho de trabalhar na Petrobras. Falo isso numa boa. Tranquilo. Mas, de qualquer forma, essa relação entre empregador e empregado, precisa de um equilíbrio. E aí entra o sindicato, no intuito de tentar equilibrar essas forças para que no final das contas, fique bom para um lado e fique bom para o outro. E atividade sindical, ela bem trabalhada, um sindicato ágil, um sindicato informatizado, com bons propósitos, ele é muito importante pra toda categoria.
Houve momentos bons e momentos ruins. Isso faz parte de gestão. Sindicato tem a sua gestão também. E o sindicato tem as influências políticas, como a própria empresa tem. E teve gestões boas, teve gestões não tão boas, dependendo do contexto político da época. Teve momentos em que nós fomos manipulados sim. E outros momentos muito bons, onde você via que, realmente, o sindicato estava ali para atuar em função da categoria profissional.
Nós tivemos uma greve que - essa não tem como não recordar - foi pelo turno de oito horas, um direito garantido constitucionalmente e que por motivos, enfim, na época, a empresa ainda não havia implantado. Havia se passado dois anos e aí nós fizemos um movimento muito forte: nós paramos a produção da Reduc. Acho que foram 52 dias. Isso foi em 94, 95. Pelo turno de oito horas. Cinco grupos, turno de oito horas. Eu fiquei aqui dentro durante 30 dias sem rendição. Não dá para esquecer Você longe da família e com uma responsabilidade muito grande de não dar prejuízos à empresa, de manter os equipamentos. Numa situação de estresse muito elevado onde os ânimos estão aflorados e você numa situação de incerteza. Durante uma greve, você está com teu contrato de trabalho suspenso. Tudo pode acontecer. E ocorreram demissões, na época. Muitos e muitos colegas foram demitidos. Hoje a gente vê que foram demissões arbitrárias. Faz parte da política, desse jogo de correlação de forças. E esses colegas tiveram, vamos dizer, lesões de direito. Eles entraram na justiça e isso foi reparado. Inclusive, nós fomos anistiados. Eu fiz jus às férias, que na época eu perdi, dois meses de férias, a empresa. Nós conseguimos uma anistia no Congresso e hoje nós vimos que aquela lesão de direito foi reparada. Faz parte também. As coisas demoram um pouco e, no final, a empresa acaba seguindo a lei.
É minha vida. Eu entrei jovem aqui... Aliás, me considero jovem, maduro, 45 anos.
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