Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Expedito Viana da Costa
Entrevistado por Rosana Miziara
Urucu, 03 de julho de 2003
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB216
Transcrito por Transkiptor
00:00:37 P/1 - Expedito, você pode falar seu nome completo, local e data de nascimento?
00:00:42 R - Expedito Viana da Costa, nascido a 22 de maio de 58, no município de Guapimirim, no estado do Pará.
00:00:58 P/1 - Expedito, em que ano e por que você entrou na Petrobras? Como é que foi o seu ingresso na Petrobras?
00:01:04 R - Eu entrei na Petrobras em 3 de maio de 1979, na atividade de telecomunicações, eu era operador de rádio e telefonia. Antes eu já trabalhava no sistema, em telecomunicações, mas em empresas contratadas da Petrobras. Da época pintor portador do concurso, eu fiz o concurso e passei até hoje na empresa.
00:01:28 P/1 - E por que você escolheu assim? Qual era a imagem que você tinha da Petrobras? O que te levou a prestar esse concurso?
00:01:35 R - A imagem da Petrobras, na época de 79, é que ela era uma, como é até hoje, uma grande empresa, e você tinha uma perspectiva muito grande de crescer, de melhorar de vida, vamos dizer assim.
00:01:48 P/1 - E como é que eram as telecomunicações naquela época?
00:01:52 R - Bom, as telecomunicações naquela época... Aqui e.
00:01:55 P/1 - Sobretudo, na região amazônica.
00:01:56 R - Exatamente. Se definia somente em rádio, telefonia e telegrafia. Você não tinha facilidade do telefone, Era só a rádio-telefonia e a grafia, no caso. Porque as correspondências, os documentos eram feitos através de operadores de telefonia ou telegrafistas, através do Código Morse.
00:02:19 P/1 - Como é que é? Você tinha que...
00:02:22 R - Não, na telefonia você ficava com o fone, a pessoa te passava as mensagens e você copiava através do que chamava... radiograma e boletins. Tem o boletim de perfuração das sondas, boletim de geologia e quando a sonda...
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Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Expedito Viana da Costa
Entrevistado por Rosana Miziara
Urucu, 03 de julho de 2003
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB216
Transcrito por Transkiptor
00:00:37 P/1 - Expedito, você pode falar seu nome completo, local e data de nascimento?
00:00:42 R - Expedito Viana da Costa, nascido a 22 de maio de 58, no município de Guapimirim, no estado do Pará.
00:00:58 P/1 - Expedito, em que ano e por que você entrou na Petrobras? Como é que foi o seu ingresso na Petrobras?
00:01:04 R - Eu entrei na Petrobras em 3 de maio de 1979, na atividade de telecomunicações, eu era operador de rádio e telefonia. Antes eu já trabalhava no sistema, em telecomunicações, mas em empresas contratadas da Petrobras. Da época pintor portador do concurso, eu fiz o concurso e passei até hoje na empresa.
00:01:28 P/1 - E por que você escolheu assim? Qual era a imagem que você tinha da Petrobras? O que te levou a prestar esse concurso?
00:01:35 R - A imagem da Petrobras, na época de 79, é que ela era uma, como é até hoje, uma grande empresa, e você tinha uma perspectiva muito grande de crescer, de melhorar de vida, vamos dizer assim.
00:01:48 P/1 - E como é que eram as telecomunicações naquela época?
00:01:52 R - Bom, as telecomunicações naquela época... Aqui e.
00:01:55 P/1 - Sobretudo, na região amazônica.
00:01:56 R - Exatamente. Se definia somente em rádio, telefonia e telegrafia. Você não tinha facilidade do telefone, Era só a rádio-telefonia e a grafia, no caso. Porque as correspondências, os documentos eram feitos através de operadores de telefonia ou telegrafistas, através do Código Morse.
00:02:19 P/1 - Como é que é? Você tinha que...
00:02:22 R - Não, na telefonia você ficava com o fone, a pessoa te passava as mensagens e você copiava através do que chamava... radiograma e boletins. Tem o boletim de perfuração das sondas, boletim de geologia e quando a sonda entrar em produção, entra o boletim de produção.
00:02:38 P/1 - E tem algum caos que tenha acontecido nessa época? Algum desvio de informação? Alguma informação desencontrada? Alguma história engraçada, curiosa?
00:02:49 R - Olha, nessa época, realmente, é... Deve ter.
00:02:52 P/1 - Acontecido em cada um.
00:02:54 R - Não, o pior é que na parte de telegrafia, você tem... Principalmente na parte de, aliás, fonia, que você tem que ter percepção e entender 100% o que você está recebendo. Mas casos assim que eu me lembro na época, devido à época em que a gente trabalhava num regime totalmente, era a empresa, o governo, o governo militar, então você não tinha aquela facilidade que você tem hoje de... E como eu trabalhava em terra, os caos realmente aconteciam, mas em locais distantes, carremotos.
00:03:21 P/1 - Você não lembra de algum que tenha te contado?
00:03:26 R - Não, nessa época, sinceramente, não.
00:03:29 P/1 - E aí, depois disso, você ficou quanto tempo nessa função?
00:03:32 R - Dez anos.
00:03:33 P/1 - E depois?
00:03:34 R - Passei para a área de perfuração em 1984.
00:03:37 P/1 - Aonde?
00:03:38 R - A primeira viagem eu fiz para o Maranhão, na base do Caeté. Caeté, Barreirinhas... Estive no Médio Amazonas, em Porto de Móis. Aí, nessa época, sim, você encontra algumas coisas aí relacionadas a, como você fala, alguns causos, né? De pessoas que... Colegas nossos, né? Que da gente não fala, né?
00:04:07 P/1 - Fala, conta um.
00:04:11 R - Um caso muito interessante, um colega nosso que já aposentou, o Barreto, que o Barreto, ele tinha... Era militar, veio do militarismo. O ser humano fora de série, tá aposentado, ainda é vivo, tem um bom tempo, tem uma boa idade. Então o Barreto tem muitas histórias. O Barreto, tem um caso aqui no Gavião que fala do Barreto. Isso foi um fato verídico, não foi nem em casa. O nosso engenheiro responsável aí chegou a conhecer o Barreto, tem esse envelope que não pode deixar de ir pra Manaus. E o sr. Barreto, então, pegou o envelope e disse, doutor, pra não me esquecer, eu vou colocar o envelope embaixo do braço. Ele foi pro aeroporto despachar o avião. Despachou de embarque, conferiu, ele sai e passa. Ele disse, comandante, tá pronto pra sair, pode sair. Aí o comandante acionou, porque ele não era turbina, né, acionou os motores. Quando ele começou a fazer o táxi, que ele olhou pra baixo do braço o envelope. E ele segurava o avião, que era aquele DC-3, com a cauda aí embaixo. E ele puxava o avião pela cauda. Ele disse, para, para, para. E teve a lápis do doutor pra mandar. E o comandante não escutava nada e foi embora. Ficou esquecido de lápis.
00:05:23 P/1 - Mas é ótimo. E aí, depois de São Luís?
00:05:28 R - É, trabalhei em São Luís. Aliás, em São Luís eu cheguei, primeiramente, pro Urucu. Eu cheguei aqui no Urucu com a primeira sona que chegou aqui.
00:05:37 P/1 - Como é que foi?
00:05:38 R - Nós trouxemos a sonda num local denominado Jutaí, no rio Jutaí. Ela veio de Balsa até o porto Moura, no rio Tefer. E ela era uma sonda transportável, ou seja, um helicóptero transportável. Ela desmontava todo em pedaços possíveis de helicóptero poder carregar. E nós trouxemos a sonda. do Porto Moura até aqui no Roque 1, que foi o primeiro poço, o poço pioneiro aqui da região. Eu me tenho orgulho de dizer que sou pioneiro porque não vi o início da perfuração, mas deixei a sonda pronta para iniciar o furo. Foi na época que, por decisão da minha gerência, eu passei a ser um apoio na cidade de São Luís, no Maranhão. Essa rotatividade cá na imprensa não tem um ponto fixo hoje não, que está basicamente limitada a Urucu, a atividade. Mas na época que a sede era Belém, Você tinha todo o estado do Pará, Amapá, Amazônia, era tudo subordinado a Belém. Acre, a gente furou no Acre.
00:06:31 P/1 - Como é que era o Urucum, assim, quando você chegou com a primeira sonda de perfuração?
00:06:36 R - Não era. Porque era o quê? Uma clareira na selva de 200 por 200 em L. Então, se fosse no L, não era. Você tem uma ideia? A Copa do Mundo de 86, quando o Brasil foi desclassificado, nós estávamos nessa locação, o até então engenheiro fiscal, que hoje é falecido, o Cheno, disse, olha, você não... que não tinha televisão, você não deixou a gente ouvir o jogo. Aí nós conversamos com o encarregado, que é o Fará, que é outro colega nosso, e ele convenceu a gente a ouvir. Infelizmente, o Brasil foi desclassificado. Você tem uma ideia? Naquele tempo já tinha televisão aqui e a gente não tinha. O jornal, pra gente ver, era gravado no dia seguinte, naquele horário que você via. Hoje o loucuro, às vezes certos colegas me reclamam e eu até me chateio, porque tudo bem, deram sorte de contar o que nós já fizemos. Eu digo nós, que tem colegas aí que concentraram depois era isso aí. E as pessoas ainda reclamam do que hoje tem. Nós lutamos muito pra chegar onde tá hoje. E a tendência é cada vez melhorar mais.
00:07:49 P/1 - Desde que você entrou na Petrobras, qual foi o fato mais marcante para você?
00:07:55 R - O fato mais marcante para mim, por incrível que pareça, foi com um acidente. Eu não esqueço até hoje. Foi na cidade de Santarém. Uma viatura ia trazendo uns colegas da sonda, eu era o apoiador de Santarém, e o carro virou na estrada. E eu estava no aeroporto aguardando, demorou, nós pegamos outra viatura e fomos atrás, os colegas já estavam no hospital. E um colega, ao acordar, olhou pra mim e disse, não deixa eu morrer aqui, tá adivinhado. Deixa eu morrer, quero morrer perto da minha família. E eu disse, você não vai morrer. E eu fiz tudo, possível e impossível, pra levá-lo pra Belém. Hoje o rapaz tá trabalhando aqui, graças a Deus tá vivo. E o fato que marcou pra mim foi a situação que depois eu fui chamado a atenção pelo fato de, no momento de agir com aquele impulso, Eu mandei ele de maca, só que o problema dele não tinha, no momento, na avaliação inicial, ele foi em maca. E eu fui chamado à detenção por ter mandado ele de maca, que estava uma despesa maior para a empresa. Eu inclusive agi num momento, eu até destratei uma assistente social que hoje é aposentada, por ela me cobrar uma coisa que eu estava mais feliz de estar salvando uma vida. E não se o custo era, se tivesse que pagar, eu te pagaria depois. Eu acho que no momento de um acidente você se preocupa com a vida. Tem um ditado popular que diz, enquanto há vida há esperança. Eu prefiro sempre estar na esperança. Isso foi um fato que marcou muito pra mim. Até hoje a gente conversa sobre esse assunto. É de não esquecer, eu tenho uma grande gratidão. E no momento que ele usou aquela frase pra mim, não deixa eu morrer aqui, sei lá, eu mudei totalmente. E nesse dia após todo o trabalho, eu tava tão estressado que eu consegui, eu não conseguia dormir. Só fiquei satisfeito quando o avião decolou do aeroporto de Santarém pra Belém com ele a bordo. Na hora, as exigências ali, eu até burlei alguma coisa. Não, tem que ir um médico acompanhando, um enfermeiro. Eu peguei um dos colegas que estavam no voo, eu disse, tu é médico, tu é enfermeiro, mas fazendo tudo pra... Tinha que ir, porque o recurso maior estaria em Belém. Hoje ele tá aí pra contar a história também, junto comigo.
00:10:09 P/1 - Expedito, tem algum fato que você queira deixar registrado? Que eu não perguntei, deve ter muitas coisas, né, que eu não tenha perguntado, mas que você acha importante priorizar e deixar gravado?
00:10:21 R - Olha, realmente, o que eu gostaria de deixar, como está sendo feito esse trabalho para os que estão vindo ainda na empresa, eu gostaria que as pessoas amassem essa empresa como nós aprendemos a amar. Porque eu espero daqui mais algum pouco ano, não muito, estar me aposentando. E que aqueles colegas novos que vierem, que procurem vestir a camisa dessa empresa, que essa empresa É uma frase, na época que eu entrei, que a gente colocava em todo o telegrama que eu recebia, e essa frase ela vale pra mim até hoje. Que dizia assim, a Petrobras é grande, vamos fazer a maior. E essa vontade eu deixo para os que estão vindo aí, que ela continue grande e cada vez maior. Isso é uma frase que foi criada, não sei por quem, mas que em todo telegrama e boletim você botava no final lá. A Petrobras é grande, vamos fazê-la maior. Isso foi uma coisa que ficou e eu deixo essa mensagem.
00:11:16 P/1 - Você usava esse telegrama?
00:11:17 R - Usava nos telegramas. Você fazia o telegrama, tudo lá embaixo e vinha essa frase. Onde saiu isso?
00:11:21 P/1 - Quem soltou isso?
00:11:22 R - Não sei. Quando eu entrei já tinha. Então foi uma foto que marcou muito e eu acho que para deixar para o pessoal que está entrando, que faça da Petrobras cada vez a empresa maior. com trabalho e dedicação para que os nossos filhos e netos se orgulhem dessa empresa e dizem meu pai, meu avô trabalhou na Petrobras.
00:11:44 P/1 - Obrigada, Sr. Expedito.
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