Facebook Informações Ir direto ao conteúdo
Por: Museu da Pessoa, 30 de maio de 2014

Eu trabalho na roça porque eu acho bonito

Esta história contém:

Eu trabalho na roça porque eu acho bonito

Vídeo

Sou Francisco de Assis da Silva, nasci em 10 de abril de 1959 em Gregório, uma comunidade do interior cearense. Filho dos agricultores Deodato Pereira da Silva e Maria da Conceição, segui com muito carinho e orgulho o ofício do meu pai, sempre lidando com a lavoura. A minha mãe trabalhava batendo roupa aqui e acolá, fazendo faxina para um e para outro. No final de semana é que eles ficavam mais dentro de casa conosco. A maioria do tempo era só, pois ele saía de manhã para trabalhar e a minha mãe também saía para o outro lado. Não eram todos os dias, mas quase todos.

Lembro-me da casa que morávamos com o meu pai. Ela era uma casinha de taipa, coberta com palha de coqueiro. As paredes também eram cobertas de palha de coqueiro, feitas com palha virada. Nesse tempo não tinha uma comunidade como nós vivemos hoje aqui. Morávamos nas terras dos outros, daqueles que tinham mais condições e que nos davam a terra para morar e plantar. Ninguém tinha terra nessa época. Lá onde eu morava, juntávamos umas dez, 15 pessoas. Começavam as novenas de maio – de primeiro ao derradeiro dia de maio. Era uma festa normal. Era muito longe de onde morávamos, mas íamos à pé. Não tinha transporte para ir. Juntava aquela turma e ia. Ficávamos até quando terminava a novena e começavam as festas. Demorávamos um pouquinho e, depois, íamos embora, porque no outro dia tinha que trabalhar. Não tinha tempo de ficar até o fim. O meu pai não gostava muito de festa. Ele ralhava conosco porque íamos às festas. Às vezes, tínhamos que ir escondidos. Quando chegava tinha uma bronca danada, porque íamos sem pedir à ele. Os mais velhos não pediam e quando os mais novos pediam ele dizia: “Não vai para cantinho hoje”. Fazer o quê? Nos aquietávamos por ali mesmo. Nem ficava tentando.

O namoro era meio diferente. Não era como hoje em dia. Não tinha muita pegada. Hoje, os cabras colocam quente mesmo. Os velhos não eram muito bestas...

Continuar leitura

Dados de acervo

Baixar texto na íntegra em PDF

Projeto CSP

Depoimento de Francisco de Assis da Silva

Entrevistado por Luiz Gustavo Lima

Suipé, 30/05/2014

Realização Museu da Pessoa

CSP_HV008_Francisco de Assis da Silva

Transcrito por Ana Carolina

P/1 – Francisco, boa tarde.

R – Boa tarde.

P/1 – Quero agradecê-lo por nos ceder o seu tempo, que é muito importante. Estamos aqui para escutarmos a sua história, vai ser um bate-papo bem tranquilo. Para começar, eu queria que o senhor falasse o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.

R – Meu nome é Francisco de Assis da Silva. Moro aqui na Fazenda Forquilha, município de Siupé. Viemos da área da siderúrgica para trabalhar aqui na terra.

P/1 – Quando o senhor nasceu?

R – Espera aí. Eu tenho 55 anos. Nasci em 10 de abril de 1959.

P/1 – Onde o senhor nasceu?

R – Em Gregório, lá na área da siderúrgica.

P/1 – Tudo bem, chegaremos à siderúrgica agorinha. Qual o nome dos seus pais?

R – O apelido era Otávio, mas o nome dele era Deodato Pereira da Silva.

P/1 – E o da sua mãe?

R – Era Maria da Conceição.

P/1 – O senhor tem irmãos?

R – Tenho.

P/1 – São quantos?

R – Ao todo eram nove. Morreu uma, ficaram oito.

P/1 – Assim, nessa escadinha, qual lugar em que o senhor ficava?

R – Eu sou encostado nos mais novos.

P/1 – O senhor sabe alguma coisa da origem da sua família? Onde e como os seus pais se conheceram?

R – Não sei. Porque eles nunca nos passaram isso. Meu pai dizia que era do Engenho Velho, que eu também não conheci. E a minha mãe era lá da Paraíba. Também não sei aonde era.

P/1 – E você e os seus irmãos nasceram nessa mesma localidade?

R – Sim.

P/1 – O senhor lembra como era a casa?

R – Lembro-me da casa que morávamos com o meu pai. Ela era uma casinha de taipa, coberta com palha de coqueiro. As paredes também eram cobertas de palha de coqueiro, feitas com palha virada. Morávamos desse jeito.

P/1 – O senhor sabe dizer quantos cômodos tinha a...

Continuar leitura

O Museu da Pessoa está em constante melhoria de sua plataforma. Caso perceba algum erro nesta página, ou caso sinta falta de alguma informação nesta história, entre em contato conosco através do email atendimento@museudapessoa.org.

Histórias que você pode gostar

Meu pai foi o cara da minha vida
Vídeo Texto

Rubens da Silva Couto

Meu pai foi o cara da minha vida
Entre fios e bordados
Vídeo Texto

Marcelina da Silva Couto Ferreira

Entre fios e bordados
Minha vida na Juréia - Sustentabilidade em pauta
Vídeo Texto
Vídeo Texto

Germano Araújo da Silva

"Eu não vi o século passar, não"
fechar

Denunciar história de vida

Para a manutenção de um ambiente saudável e de respeito a todos os que usam a plataforma do Museu da Pessoa, contamos com sua ajuda para evitar violações a nossa política de acesso e uso.

Caso tenha notado nesta história conteúdos que incitem a prática de crimes, violência, racismo, xenofobia, homofobia ou preconceito de qualquer tipo, calúnias, injúrias, difamação ou caso tenha se sentido pessoalmente ofendido por algo presente na história, utilize o campo abaixo para fazer sua denúncia.

O conteúdo não é removido automaticamente após a denúncia. Ele será analisado pela equipe do Museu da Pessoa e, caso seja comprovada a acusação, a história será retirada do ar.

Informações

    fechar

    Sugerir edição em conteúdo de história de vida

    Caso você tenha notado erros no preenchimento de dados, escreva abaixo qual informação está errada e a correção necessária.

    Analisaremos o seu pedido e, caso seja confirmado o erro, avançaremos com a edição.

    Informações

      fechar

      Licenciamento

      Os conteúdos presentes no acervo do Museu da Pessoa podem ser utilizados exclusivamente para fins culturais e acadêmicos, mediante o cumprimento das normas presentes em nossa política de acesso e uso.

      Caso tenha interesse em licenciar algum conteúdo, entre em contato com atendimento@museudapessoa.org.

      fechar

      Reivindicar titularidade

      Caso deseje reivindicar a titularidade deste personagem (“esse sou eu!”),  nos envie uma justificativa para o email atendimento@museudapessoa.org explicando o porque da sua solicitação. A partir do seu contato, a área de Museologia do Museu da Pessoa te retornará e avançará com o atendimento.