Eu vou apenas escrever uma poesia que fiz, que diz um bocado sobre mim:
O grito dos inocentes
Eu sou sobrevivente, das enchentes,
Sou sobrevivente da violência
Eu sou sobrevivente da fome
Das drogas, dos estupros,
Eu sou sobrevivente
Da pedofilia familiar
Sou sobrevivente do abandono do governo
Da falta de moradia,
Da falta de infraestrutura, falta de médicos
Da falta de alternativas
De uma juventude sem perspectivas
Sem autoestima, sem educação,
Lazer, trabalho, sem esperança e... pois é.....
Sou sobrevivente do recrutamento para o crime
E tráfico de armas e drogas
Da prostituição, da prisão
Do poder público, que me abandonou aqui
Também sou sobrevivente de sua violências
Que pra mim foi a maior delas, o desprezo
Mas ainda não acabaram comigo
Estou viva, viva, viva.
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O baile
Ontem, quando fui dormir,
Era uma noite escura, como outra qualquer
Rolava um baile destes animadão
Do tipo pancadão, havia muita alegria
Rumores, gargalhadas, pó de dez
Pó de cinco, maconha, foguetes e fogueteiros
De repente, tiros muitos tiros
Despertei assustada, não ouvi mais vozes nem risos
Apenas os foguetes e tiros que agora passavam errantes,
E apenas de vez em quando gemidos
Choro muitos choros que cortava o silêncio
Onde estavam os que a pouco dançavam,
Cantavam e riam?
No chão estendidos estavam
Em poça de sangue muitos corpos
Com suas mães a chorar sem acreditar
Que seus filhos mortos estavam
Dava pra imaginar sua dor,
Como flecha seu coração atravessar
Estavam todos deitados, estavam
Todos dormindo, dormindo profundamente
pra nunca mais acordar.
(Textos enviados em outubro de 2009)