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História
Por: Museu da Pessoa, 5 de junho de 2026

Eu Existo e Resisto

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Eu Existo e Resisto

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A gente resolveu não desistir

O futebol sempre esteve presente na minha vida. Eu sempre me vi nele, realizando algo coletivo, de estar com o outro. Em 2016, a gente recebeu o convite de um colega para jogar contra um time da região. Eu comentei com ele que uma coisa era jogar sem compromisso, outra coisa era coordenar um time de futebol. Mas aceitamos o desafio. Eu e minhas irmãs decidimos convidar as meninas, e ouvimos tantos relatos: não podiam jogar porque estavam acima do peso, porque estavam gestantes, porque tinham filhos e não tinham com quem deixar, porque o companheiro não permitia, porque a família achava que futebol ia influenciar a orientação sexual da filha, ou simplesmente porque futebol é coisa de homem. Ouvimos tantas coisas que, naquele momento, ficamos um pouco desanimadas. Mas, ao mesmo tempo, a gente acreditava que, mesmo sendo só quatro irmãs, a gente conseguia jogar bola. Por que desistir? No dia do jogo apareceram quase trinta mulheres. O time adversário nem compareceu. A gente jogou entre nós, e decidimos que, a partir daquele dia, todos os domingos íamos nos encontrar para jogar bola. Foi dali que, de fato, constituímos um time.

O futebol de várzea, para mim, é um espaço de acolhimento dentro do território periférico. Acho que não existe um bairro periférico que não tenha um campo de futebol, porque é ali que as pessoas se encontram. Mais do que jogar bola, é um esporte educacional, que trabalha a participação. Eu gosto de uma frase do Nego Bispo que fala sobre o envolvimento: a gente pensa sempre em desenvolver o território, mas eu trabalho pensando em como me envolver na comunidade e, ao mesmo tempo, ser envolvida por ela, para que eu seja pertencente disso.

Os espaços que essas mulheres ocupavam na várzea não eram dentro do campo - isso você pode ter certeza. Muitas são atravessadas diariamente pelo sexismo, pelo machismo, pela gordofobia, pela homofobia. Quando conheci outras referências, como...

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