Eu sou o Erick, tenho 16 anos e através desse texto venho relatar a minha experiência com a minha descoberta como parte da comunidade LGBTQIAP+ e os problemas que enfrento até hoje(09/04/24) como vitima da homofobia e outras dificuldades;
Antes de qualquer coisa para dar algum contexto: minha mãe tem epilepsia e não pode passar por estresse, pois estresse provoca convulsões nela, por isso ela tem que seguir uma rotina com vários comprimidos durante o dia pra poder controlar essas convulsões e não pode sair sozinha de casa pois pode ser perigoso pra ela.
Voltando ao principal, desde que me lembro nunca me senti atraído romanticamente/sexualmente pelo gênero oposto de forma alguma visto que passei a maior parte da infância perto das figuras femininas da minha família, como Mãe, Tias, Primas, Avós e de certa forma isso reforçou a minhas perspectiva sobre oque é uma mulher.
Me recordo que na creche eu sempre ficava com as meninas, brincando de boneca, pentear cabelo, salão de beleza, mas sempre as professoras tentavam me introduzir ao futebol, carrinhos, coisas de menino em geral mas isso nunca me interessava e mais ou menos dos 6 aos 12, os meus colegas de sala e minhas professoras sempre me incentivavam a brincar e passar tempo com os meninos ao invés de ficar com as meninas, o que eu não concordava de modo algum, até minha mãe incentivava esse comportamento e me pressionava a ficar com os meninos e isso me incomodava muito.
O bullying começou quando eu confiei em uma amiga da época no 5° ano, ela se chamava "Fernanda Engelmann" e ela foi a primeira pessoa que confiei o suficiente mencionar que estava gostando de um menino da minha sala, só que ela fez algo que eu nunca pensaria que ela fizesse, contar pra sala inteira na frente de todo mundo, ficaram chocados e riram da minha cara o que obviamente me fez chorar, quando estava voltando da escola junto do meu irmão, alguns colegas de turma contaram pra ele e chegando em casa meu...
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Eu sou o Erick, tenho 16 anos e através desse texto venho relatar a minha experiência com a minha descoberta como parte da comunidade LGBTQIAP+ e os problemas que enfrento até hoje(09/04/24) como vitima da homofobia e outras dificuldades;
Antes de qualquer coisa para dar algum contexto: minha mãe tem epilepsia e não pode passar por estresse, pois estresse provoca convulsões nela, por isso ela tem que seguir uma rotina com vários comprimidos durante o dia pra poder controlar essas convulsões e não pode sair sozinha de casa pois pode ser perigoso pra ela.
Voltando ao principal, desde que me lembro nunca me senti atraído romanticamente/sexualmente pelo gênero oposto de forma alguma visto que passei a maior parte da infância perto das figuras femininas da minha família, como Mãe, Tias, Primas, Avós e de certa forma isso reforçou a minhas perspectiva sobre oque é uma mulher.
Me recordo que na creche eu sempre ficava com as meninas, brincando de boneca, pentear cabelo, salão de beleza, mas sempre as professoras tentavam me introduzir ao futebol, carrinhos, coisas de menino em geral mas isso nunca me interessava e mais ou menos dos 6 aos 12, os meus colegas de sala e minhas professoras sempre me incentivavam a brincar e passar tempo com os meninos ao invés de ficar com as meninas, o que eu não concordava de modo algum, até minha mãe incentivava esse comportamento e me pressionava a ficar com os meninos e isso me incomodava muito.
O bullying começou quando eu confiei em uma amiga da época no 5° ano, ela se chamava "Fernanda Engelmann" e ela foi a primeira pessoa que confiei o suficiente mencionar que estava gostando de um menino da minha sala, só que ela fez algo que eu nunca pensaria que ela fizesse, contar pra sala inteira na frente de todo mundo, ficaram chocados e riram da minha cara o que obviamente me fez chorar, quando estava voltando da escola junto do meu irmão, alguns colegas de turma contaram pra ele e chegando em casa meu irmão mais velho de 13 anos na época (atualmente 19) junto dos meus pais começaram a me repreender, e eu com medo disse que eu estava apenas brincando, com medo de apanhar (o que meu pai fazia com certa frequência ao desobedecer ou não fazer algo direito) e ser humilhado, na época eu com certeza não compreendia motivo de tanto alvoroço, e acredito que isso tenha sido o motivo de eu ter medo de contar a qualquer pessoa que eu fosse próximo.
Durante o 6° ano em uma viagem escolar pra São Francisco do Sul, eu fiz uma amiga na qual vamos chamar de Maria Maul (com certeza não é o nome dela) e durante a viagem ficamos muito amigos e durante um jogo de verdade ou desafio um menino chamado Hiago me pressionou a beijar a Maria, coisa que eu não queria já que apenas via ela como amiga tanto que eu fiquei muito desconfortável além de me sentir culpado por ter feito aquilo.
Pulando mais no tempo e indo pros dias de hoje, sou gay assumido contra minha vontade "ah, mas porquê contra a vontade?" porque mesmo minha mãe e meu pai se divorciando, minha mãe e meu irmão resolveram que seria uma ótima ideia tentar roubar meu celular pra vasculhar tudo o que eu tinha e ver todos os meus segredos e conversas pelo simples fato de acharem que eu estava agindo estranho nos últimos meses, como resultado minha mãe fugiu de casa pelo estresse que ela estava tendo com meu irmão brigando e me humilhando na frente dela, e eu fiquei extremamente preocupado com ela porque eu estava com medo dela tentar se matar de novo (ela havia tentado suicídio outras 6 vezes por conta da depressão que ela teve após o divórcio, a depressão durou mais ou menos 1 ano e alguns meses) por culpa minha, coisa que não aconteceu, eu havia falado pra independente da situação ela não contar pra ninguém que eu era gay, coisa que ela desrespeitou e abriu a boca pro meu vô que inesperadamente foi o que mais entendeu e me aceitou.
Pulando várias outras coisas que aconteceram em não muito tempo, se eu não me engano semana retrasada eu percebi que sofro abuso psicológico em casa, e de certa forma físico também? não tenho certeza sobre o físico mas tenho certeza que o meu irmão é responsável por tudo isso, pois é ele que me xinga, me humilha, me desmotiva falando várias coisas LGBTfóbicas, chegou ao ponto dele dizer que os intersexuais (hemafroditas) são aberrações que nem deveriam existir, além disso ele também usa a famosa desculpa que Deus fez o homem e a mulher e eles devem reproduzir, que eu sou errado, que deveria chamar um padre pra me exorcizar e outras coisas. Acho que eu acabei saindo um pouco da linha, o abuso físico que eu sofro começou recentemente, quando eu fiz uma piada que quando fosse independente financeiramente e pudesse comprar minhas próprias coisas iria usar meu salto alto pra poder pisar nele caso ele tentasse me agredir de novo, ele ficou muito indignado com o que eu havia falado, e ele veio dizendo que oque eu tava fazendo era extremamente errado, que eu tenho que seguir o que q Bíblia fala, que estou cometendo o pecado de desonhar pai e mãe e essas desculpas, eu tentava argumentar mas ele começou a chegar perto de mim enquanto me mandava calar a boca porque era ele que estava falando, e quando ele chegou perto o suficiente ele me deu um tapa na cara e mandou eu calar a boca de novo, o tapa em si não foi forte mas foi completamente inesperado, e ocorreu outra vez depois mas não lembro nada além que ele me deu outro tapa na cara que não era forte.
Eu chamei meu pai pra poder tentar colocar ele na linha, mas eu sei que não adiantou de nada porque não adiantou das outras vezes que eu chamei meu pai, então porque iria agora? as agressões hoje em dia são fracas, antigamente era coisa de irmão, que ele batia em mim as vezes, e como ele era uma criança ele não sabia controlar q força, lembro de duas vezes que eu fiquei com marca, e uma vez que eu sangrei porque ele me bateu.
Não sei como eu to aguentando tudo isso, além de problemas em casa tenho que lidar com escola e notas que pra mim ja começa a ficar sobrecarregado, talvez sejam meus amigos? Quando eu estou com eles eu esqueço como é ficar em casa ouvindo o meu irmão e minha mãe reclamando, e eu não posso nem ir morar com meu pai, porque eu sei que seria pior pelo fato dele descontar estresse do trabalho gritando.
Eu realmente espero que as coisas melhorem e eu possa viver sem receber olhares por estar usando cropped e sem ter medo de apanhar na rua até sair gravemente ferido ou até mesmo apanhar até a morte simplesmente por estar vestindo o que eu quero.
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