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Eremias Delizoicov

Urariano Mota *

“Historicamente”, assim começa um Comunicado Militar, ao relembrar os acontecimentos que deseja de 31 de março de 1964, “as Forças Armadas, lídimas representantes de todos os segmentos sociais, participaram, ativamente, de todos os episódios importantes na caminhada e no exercício da democracia”. E continua o Comunicado: “A convivência respeitosa e tolerante não implica aceitação de uma ideologia tirânica disfarçada de sublime utopia aos olhos dos ingênuos. A tolerância ajuda a superar o fanatismo pela verdade única”.

De fato, as impressões digitais de Eremias Delizoicov já estavam confirmadas pelo datiloscopista da Delegacia de Crimes Contra a Pessoa, de São Paulo, no dia 11 de dezembro de 1969. Era um cadáver de 18 anos: perfurado de balas, o rosto irreconhecível porque uma só ferida, os cabelos, tão úmidos, tão grossos por coágulos de sangue, davam a impressão de flutuar no chão seco. Nada havia naquele cadáver que lembrasse o jovem que eu conhecera. O menino que eu vira em 1968 não anunciava aquele fim. Eremias não era aqueles olhos apertados, a boca aberta, à procura de ar, a lembrar um afogamento. Um estranho peixe, com os cabelos a flutuar no seco.

Essas fotos dos mortos da Polícia Técnica são bem falsas na sua chocante realidade. Das simulações pornográficas estas são as mais mentirosas. É impossível discutir aqui a perversão das lentes da câmera, a direção que a mente acostumada à perversão dá a estas lentes, a convivência do fotógrafo com a perversão. Ou mesmo discutir o defunto dessas fotos como uma perversão. Defuntos que se apresentam como a encarnação da morte, quando deveriam ser apenas o resultado natural da morte. Esses fotógrafos de Institutos da Polícia Técnica são homens bem medíocres. São amantes e diretores de filmes de terror de quinta categoria. “Vesti azul, minha sorte então mudou. Vesti azul, minha sorte então mudou...”,...

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