Enoli Nawê - Como virei um pajé
Quando ele nasceu, ainda não tinha nome. Depois, seu avô lhe deu o nome de Walitere kadaoholiwali. Seu pai era pescador e não estava na aldeia. Ele já nasceu doente, e chegaram a levá-lo para a cidade para fazer um tratamento médico. Ele não tinha sangue suficiente. Um homem branco e seu pai doaram sangue para ele quando ele era bem pequeno. Recém-nascido, passou mais de um mês internado em Cuiabá.
Ele voltou para a aldeia e, quando fez 4 anos, encontrou um espírito em um sonho. O espírito estava ameaçando ele e drenando muita de sua energia. Então o pajé, que era seu avô adotivo, disse que havia uma divindade olhando para a criança e a ameaçando. O pajé foi resgatar a vida da criança e fez uma negociação com essa divindade, salvando assim a vida de Walitere.
Quando ele completou 10 anos, adoeceu novamente. Aos 17 anos, começou a sonhar com deuses e espíritos. Sempre que sonhava com esse deus, ele se assustava. O deus não aprecia o humano, seu cheiro era muito forte, e ele não se acostumava. Aos 17 anos, ele ficou cara a cara com o deus, pois estava sendo escolhido para ser pajé.
Depois de ser escolhido pelo deus para ser pajé, ele conheceu a aldeia, os alimentos, a realidade do mundo dos espíritos e se aprofundou nesses conhecimentos. Ele foi entrando nas casas e conheceu a tradição e o fundamento de todos esses espíritos.
Em seu casamento, ele mesmo escolheu a esposa. Mas escolheu a pessoa errada: a garota acabou não gostando dele. Ele ficou muito triste e se separou. Na semana seguinte, quis voltar para a casa da mulher, mas ela não gostou muito dele, e ele ficou sozinho de novo. Então ele quis se casar outra vez para mergulhar de novo no sofrimento. Depois de uma intervenção de seu tio, Walitere conseguiu se casar e ter filhos.
Porém, sua primeira pretendente mudou de ideia e se apaixonou por Walitere. Um dia, ele estava no pátio com os amigos. Quando voltou para dentro de sua casa,...
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Enoli Nawê - Como virei um pajé
Quando ele nasceu, ainda não tinha nome. Depois, seu avô lhe deu o nome de Walitere kadaoholiwali. Seu pai era pescador e não estava na aldeia. Ele já nasceu doente, e chegaram a levá-lo para a cidade para fazer um tratamento médico. Ele não tinha sangue suficiente. Um homem branco e seu pai doaram sangue para ele quando ele era bem pequeno. Recém-nascido, passou mais de um mês internado em Cuiabá.
Ele voltou para a aldeia e, quando fez 4 anos, encontrou um espírito em um sonho. O espírito estava ameaçando ele e drenando muita de sua energia. Então o pajé, que era seu avô adotivo, disse que havia uma divindade olhando para a criança e a ameaçando. O pajé foi resgatar a vida da criança e fez uma negociação com essa divindade, salvando assim a vida de Walitere.
Quando ele completou 10 anos, adoeceu novamente. Aos 17 anos, começou a sonhar com deuses e espíritos. Sempre que sonhava com esse deus, ele se assustava. O deus não aprecia o humano, seu cheiro era muito forte, e ele não se acostumava. Aos 17 anos, ele ficou cara a cara com o deus, pois estava sendo escolhido para ser pajé.
Depois de ser escolhido pelo deus para ser pajé, ele conheceu a aldeia, os alimentos, a realidade do mundo dos espíritos e se aprofundou nesses conhecimentos. Ele foi entrando nas casas e conheceu a tradição e o fundamento de todos esses espíritos.
Em seu casamento, ele mesmo escolheu a esposa. Mas escolheu a pessoa errada: a garota acabou não gostando dele. Ele ficou muito triste e se separou. Na semana seguinte, quis voltar para a casa da mulher, mas ela não gostou muito dele, e ele ficou sozinho de novo. Então ele quis se casar outra vez para mergulhar de novo no sofrimento. Depois de uma intervenção de seu tio, Walitere conseguiu se casar e ter filhos.
Porém, sua primeira pretendente mudou de ideia e se apaixonou por Walitere. Um dia, ele estava no pátio com os amigos. Quando voltou para dentro de sua casa, a mulher estava lá, querendo reatar a relação. Ele aceitou, mas decidiu não mudar para a casa dela. Ficaram morando na casa dele mesmo. Depois de vários dias de namoro, seus filhos nasceram.
Ele entrou na escola para estudar, mas, por causa de seu ofício de pajé, quando há necessidade, ele para para cuidar e cumprir seu dever com a comunidade. Ele fica sempre na comunidade rezando. É assim que fazem os pajés nos Enawenê. Seu grande compromisso não é com o mundo dos brancos, mas com os deuses e a comunidade.
O pai de Walitere também é um cantador. Ele está preocupado em não estar aprendendo os cantos porque tem outros focos. O pensamento do pajé é sempre curar as pessoas, não importa a dificuldade. E há casos bem difíceis em que o pajé precisa buscar realizar essa cura. Quando a situação é grave, o pajé realmente se preocupa. Assim como alguém se cura, a felicidade também chega.
Quando seu pai explica os cantos, ele estuda e se aprofunda. Mas quando sai, sua mente vai direto para as questões espirituais, questões dos pacientes e da comunidade. Por isso, sua caminhada é seguir com firmeza e disciplina o caminho do pajé.
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