Meu nome é Elimar Ribeiro de Souza, 42 anos. Eu sou campista, nasci em Campos do Goytacazes, Rio de Janeiro.
Eu trabalhava como professora na Prefeitura Municipal de Campos e fazia muitos concursos. Eu entrei na Prefeitura através de uma vaga de político, mas eu queria um emprego com meu próprio esforço. Então, fiz muitos concursos, fiz concurso para o Banco do Brasil, fiz concurso para ingressar na área de educação, ser professora do Estado, de escola estadual. E surgiu assim, de repente, esse concurso da Petrobras, em 1987. Só que eu não tinha interesse porque eu não tinha o curso técnico – nem hoje eu tenho curso técnico – por ter escolhido a formação de professor. E uma colega me ligou falando: “Olha, Elimar, a Petrobras vai ter concurso, abriu inscrição e tem um dia para quem não tem curso técnico.” Eu disse: “Opa Vou tentar.” “Vamos, Elimar, vamos” “Que nada, eu acho que é marmelada, larga isso É só para quem tem curso técnico, que estuda na escola técnica,” Ela disse: “Não, não Eles deram um dia pra quem não tem...” “Conversa fiada” Porque eu fazia muito concurso e nada. Aí, nesse dia, eu resolvi: “Então, vamos.” “Vem, vem Pega aí as coisas. Não paga nada não” “Então vou lá. De graça, até injeção na testa” Aí fui, fiz a inscrição, estudei um pouquinho – só tinha uma semana para estudar. Estudei e fui fazer a prova, eu acho que o que me ajudou na prova foi a minha tranqüilidade, porque eu achava que não ia passar, então não tinha aquela coisa, aquele nervosismo, fiz a prova toda, tranqüila. Eu fui a antepenúltima a sair da sala e depois soube que eu tinha passado e que tinha sido a antepenúltima da listagem. Ah, que bom Fui a terceira de baixo para cima, tá bom demais Aí, corri atrás mesmo, estudei muito porque eram quatro mesas, no caso, eliminatórias. Além de ter passado no concurso, a gente tinha que estudar para passar nas provas. É tipo um cursinho...
Continuar leituraMeu nome é Elimar Ribeiro de Souza, 42 anos. Eu sou campista, nasci em Campos do Goytacazes, Rio de Janeiro.
Eu trabalhava como professora na Prefeitura Municipal de Campos e fazia muitos concursos. Eu entrei na Prefeitura através de uma vaga de político, mas eu queria um emprego com meu próprio esforço. Então, fiz muitos concursos, fiz concurso para o Banco do Brasil, fiz concurso para ingressar na área de educação, ser professora do Estado, de escola estadual. E surgiu assim, de repente, esse concurso da Petrobras, em 1987. Só que eu não tinha interesse porque eu não tinha o curso técnico – nem hoje eu tenho curso técnico – por ter escolhido a formação de professor. E uma colega me ligou falando: “Olha, Elimar, a Petrobras vai ter concurso, abriu inscrição e tem um dia para quem não tem curso técnico.” Eu disse: “Opa Vou tentar.” “Vamos, Elimar, vamos” “Que nada, eu acho que é marmelada, larga isso É só para quem tem curso técnico, que estuda na escola técnica,” Ela disse: “Não, não Eles deram um dia pra quem não tem...” “Conversa fiada” Porque eu fazia muito concurso e nada. Aí, nesse dia, eu resolvi: “Então, vamos.” “Vem, vem Pega aí as coisas. Não paga nada não” “Então vou lá. De graça, até injeção na testa” Aí fui, fiz a inscrição, estudei um pouquinho – só tinha uma semana para estudar. Estudei e fui fazer a prova, eu acho que o que me ajudou na prova foi a minha tranqüilidade, porque eu achava que não ia passar, então não tinha aquela coisa, aquele nervosismo, fiz a prova toda, tranqüila. Eu fui a antepenúltima a sair da sala e depois soube que eu tinha passado e que tinha sido a antepenúltima da listagem. Ah, que bom Fui a terceira de baixo para cima, tá bom demais Aí, corri atrás mesmo, estudei muito porque eram quatro mesas, no caso, eliminatórias. Além de ter passado no concurso, a gente tinha que estudar para passar nas provas. É tipo um cursinho interno, só que era eliminatório, então eu estudei muito, muito, muita coisa mesmo, passava noites em claro. E consegui atingir o meu objetivo. Na época, eu embarquei pela primeira vez, me assustei, fiquei apavorada. Embarquei na Plataforma de PNA-1, Namorado-1, na Bacia de Campos. Embarquei para conhecer, antes de fazer o curso, caso quisesse desistir. Mas em nenhum momento pensei em desistência. Disse: “vou em frente”, porque eu gosto muito de desafios. Desafio é a minha meta Eu pensei: “Agora vou até o final Cheguei aqui e agora vou até o final.” Então, estudei muito, consegui atingir o meu objetivo e estou muito feliz de estar trabalhando na Petrobras. Agradeço muito a Petrobras pelos conhecimentos adquiridos e que eu estou adquirindo até hoje.
Antes, eu era professora, trabalhava com primário e jardim de infância. Na época, as crianças gostavam muito de mim, eu era muito palhaça. E depois que pintou essa inscrição da Petrobras, eu falei: ”Olha, a tia Elimar vai embora.” “Não, tia, não.” Aí choraram, as professoras lá na Prefeitura, as minhas colegas também sentiram muito, não queriam que eu saísse. Até uma coisa muito engraçada que aconteceu, na época, foi quando eu fui buscar a minha carteira na Prefeitura: “Você não precisa da carteira. Você não pode ser demitida Você tem que ficar aqui, o emprego está muito difícil” “Não, eu preciso da carteira porque eu passei para a Petrobras” “Ah Você passou para a Petrobras?” Então, lá fora, em relação também ao salário, isso me deu mais força para vir, não é?
Fiquei embarcada durante 15 anos. Quando embarquei, eu olhei muitas tubulações, muito painéis, fiquei assustada, achei que eu não ia dar conta. Aí, ingressei na Área Elétrica, que não tinha nada a ver comigo, nem conhecia direito. Eu tenho até um colega, que trabalha hoje comigo, que era meu supervisor, o Cléber (Antônio Cleber dos Reis). E a equipe ali, junto comigo, me ensinando a acompanhar as manobras do TG, que é o Tubo Gerador de Emergência, os painéis que a gente ficava olhando, tentando entender todo o funcionamento. E eu sempre ali, estudando junto com eles, a noite toda. A gente trabalhava a primeira semana de dia e a segunda semana era à noite. Na parte da noite, geralmente, não tinha muito serviço, então era quando eu estudava mais com a equipe. Senti dificuldade, mas consegui atingir, tanto é que eu recebi muitos elogios dos colegas, da supervisão e da gerência. Depois eu fui para a Área de Sistema, em seguida, fui para a Área de Óleo e depois, por último, para a Área de Gás. Então, eu já conhecia a plataforma toda. Era difícil, abrir válvula, fechar válvula. Muitas vezes eu não conseguia abrir uma válvula, mas eu dava um jeito, pegava tubo de andaime. Eu nunca dei o braço a torcer porque eu acho que a mulher tem que lutar mesmo, ela tem que mostrar que é capaz. Em último caso, se ela não conseguir, aí eu acho que ela deve buscar ajuda. Mas, fora isso, se dá para fazer, eu acho que deve tentar.
Na época, quando eu entrei, éramos em seis. Tinham, mais ou menos, quatro administrativas e eu e outra colega que era operadora. Então, a gente pegava no tranco mesmo, sabe? Quando nós entramos, eles não estavam acostumados com operadoras, foi a primeira vez que a Petrobras abriu esse campo para as mulheres. Então, nós chegamos e eles ficavam olhando para a gente meio assustados e a gente olhando também meio assustadas. Eles achando que a gente não ia atingir e a gente também achando, dentro da gente, que não ia conseguir. E eles eram muito amigos, toda a equipe. Chegavam junto, era muito difícil eu fazer uma manobra sem estar com alguém. Não por desconfiança, mas era uma equipe, a gente formava um grupo, formava uma equipe e uma família. Até hoje eu sinto falta da minha equipe... Eu sinto falta deles porque o que eu sou hoje agradeço a eles. Claro, agradeço a Deus o meu esforço, em primeiro lugar, agradeço a minha equipe e agradeço a mim mesma. Foram 15 anos e eu gostava do que fazia. Quando eu era professora, até que eu gostava, mas quando eu ingressei na Petrobras e comecei a trabalhar como operadora, comecei a me familiarizar com tudo aquilo que eu estava vivendo. Aqueles processos, você ver o óleo vindo, ver a separação do óleo, do gás, da água, ver o processo, como fazer para poder trazer o óleo, então eu fui me apegando àquilo e eu acho que faz parte da minha vida. Tanto é que eu tentei agora o vestibular para engenharia do petróleo. Pretendo continuar e espero que meu filho melhore, porque eu vim para cá e tive que desembarcar e encontrar uma vaga aqui no NAS, devido a fato de meu filho ter tido problemas com a minha ausência.
Eu vim para cá vai fazer dois anos. A minha atividade é na Área Administrativa, faço processo de pagamento, tanto de aluguéis como de serviços comuns. Sou fiscal de alguns contratos também na Área de Aluguel. E, quando eu cheguei aqui também, achei que não fosse dar conta, porque a minha mudança foi da água para o vinho. Então, eu achei que não fosse gostar, fiquei muito assustada e pensei muito no meu filho. Até hoje eu penso nele, às vezes me dá vontade de desistir, dá vontade de voltar de novo. Mas quando eu vejo o meu filho, a evolução que ele teve com a minha presença foi esplêndida.
Meu filho mudou da água para o vinho. Ele tinha quatro anos e começou a regredir. Quando eu tive o Gabriel – o nome dele é Gabriel –, com quatro meses voltei a embarcar e deixei ele com a minha irmã. E, com o passar do tempo, quando eu embarcava, eu esquecia tudo aqui em terra. Ligava de vez em quando para saber como é que estava e tal. Quando ele fez quatro anos, começou a ter problemas de saúde. Eu dizia para os meus colegas de trabalho que o meu sonho era trabalhar embarcada, meu sonho era me aposentar embarcada – mas não sei se vai se realizar. Quando eu soube que meu filho estava com problemas, eu resisti ainda, mas ele começou a piorar e tive que abrir mão. Mas eu não me arrependo de abrir mão por ele porque, hoje, eu vejo como meu filho evoluiu e estou feliz.
Uma história engraçada? Tem várias. Certa vez, os banheiros estavam sem água, então ligaram lá para o setor: “Olha, está sem água aqui no piso tal.” Eu disse: “Ah, tudo bem. Eu vou lá.” “Mas, Elimar, é lá no banheiro dos homens, no piso dos homens” “E o que tem isso? Vou assim mesmo, não esquenta a cabeça, não, estou indo pra lá.” Cheguei lá, tinha um rapaz de toalha, entrei no banheiro e o cara ficou assustado. “Eu quero saber onde está o vazamento que falaram que está aqui Tem vazamento? Não tem água, eu quero saber o que está acontecendo aqui.” “Mas, mas, mas...” “Mas o quê, meu amigo? Eu quero saber o que está acontecendo, ligaram para lá...” Aí o cara estava de toalha e ficou todo sem graça, mandou chamar o Geplat (Gerente da Plataforma), disse que tinha uma mulher no banheiro e não sei o quê. Ele não sabia que eu era operadora Aquilo me marcou, marcou muito essa passagem. Teve uma outra história no cellar deck, quando a gente estava fazendo preservação. Cellar deck é um piso. A gente fala cellar deck porque na plataforma não é primeiro andar, segundo andar, terceiro andar. É main deck, o principal, e cellar deck, embaixo etc. A gente fazia preservação nos equipamentos, então era mais ou menos duas horas da manhã, eu disse: “Ah, vou fazer preservação. Não estou fazendo nada mesmo, vou fazer preservação.” Aí fui lá embaixo, peguei uma lata de graxa e resolvi pegar uns trapos. Trapo é um pedaço de pano para poder limpar. É um pano, só que é todo costurado, tudo junto, aí fica um bolinho assim de pano. A gente chama de trapo. Eu tive que ir pegar uns trapos, só que o paiol estava fechado com tela. Eu olhei e vi uma tela solta, falei assim: “Vou passar por esse buraco para pegar o trapo.” Eu puxei a tela e quando entrei, por baixo, para pegar o trapo, eu fiquei presa. Aí tive que chamar meus colegas, eles vieram todos sacaneando que prenderam o rato na tela. Também tem outra história engraçada, quando eu fui fazer uma manobra com um colega no compressor, onde tem o barril do primeiro estágio e o barril do segundo estágio. A gente tinha que abrir umas válvulas embaixo, para drenar o óleo antes da partida do compressor. Meu colega: “Olha, Elimar, enquanto eu fico aqui, desce lá e vai abrindo as válvulas.” “Pode deixar que eu vou” Eu não estava conseguindo abrir e dei um jeito de passar por baixo da tubulação para tentar abrir as válvulas embaixo do barril. Então, fiquei presa, fiquei presa mesmo, não consegui mais sair. Aí eu chamei meu colega pelo rádio: “Dá uma chegadinha aqui...” Eu tentando disfarçar, porque já tinha acontecido e o embarque ia atrasar. Aí o Domingos (Domingos Sávio Pereira de Azevedo): “Por que está demorando tanto aí?” “Rapaz, eu acho que fiquei presa, eu não estou conseguindo sair daqui.” Aí veio um monte de gente tentar me tirar. Me botaram reta, fiquei mais ou menos meia hora para me tirarem da tubulação. Fiquei agarrada, presa mesmo na tubulação, aí o pessoal ficava sacaneando: “Aquilo ali é sacanagem até o desembarque...”
Sou filiada ao Sindicato desde quando entrei. Eu acho que a principal conquista foi o regime de 14 e 21, porque, na época, a gente trabalhava 14 dias e folgava 14. E o pessoal falou para mudar a escala, aquele negócio todo, 14 por 14 era muito rápido. Então, para mim, foi um marco. Hoje, a gente precisa até de mais, porque já não está sendo suficiente.
Nossa Isso aí melhorou muito Hoje, a Empresa vê o Sindicato de uma maneira diferente. As pessoas do Sindicato têm acesso a vários setores, participam. Eles não são discriminados. Bem, aqui na UN-ES de Vitória eu vejo desta forma. Eu não sei lá fora, mas aqui eu vejo que eles são tratados como qualquer um, normal. Não há a discriminação que tinha antigamente. Antigamente tinha discriminação, principalmente em relação às greves, a gerência já te olhava com maus olhos, a gente tinha toda aquela repressão. Então, eu acho que hoje, para mim, é um marco também muito grande, uma conquista muito importante dos sindicalistas estarem presentes sem serem discriminados, sem a gerência olhar para eles com maus olhos, como se fossem umas ameaças. Acho que isso aí foi também muito importante, um marco importante. Melhorou muita coisa Muita coisa Tem que melhorar mais, mas já melhorou bastante.
Amei. É importante porque as pessoas que estão lá fora têm uma imagem diferente da gente que trabalha aqui dentro, principalmente embarcado. Embarcado cria mais impacto As pessoas ficam: “Trabalhar lá é perigoso...” Não é perigoso. Só que requer muito cuidado, tem que seguir as normas de segurança certinho. Tanto é que em PNA-1 (Plataforma de Namorado 1), a plataforma que eu trabalhei, eu perdi um colega agora, no sábado, num acidente que ocorreu. Aquilo ali me marcou também, eu chorei muito, e foram quase dois anos separados. A gente sente como se fosse da família, ainda tem aquele vínculo, não é? Eu achei importante, é bom as pessoas ouvirem o nosso depoimento e saber que a gente tem saudades deles, não sei se eles vão ouvir... Porque mesmo estando afastada, a gente tem saudade e a gente nunca esquece o que nós passamos e a história da Empresa, nossa vida.
Eu tiro o chapéu para a Petrobras, não estou puxando o saco, de forma nenhuma – coisa que eu odeio. Eu tiro o chapéu devido à assistência médica da Empresa. Hoje meu pai é falecido, mas na época ele teve uns 10 derrames cerebrais. Meu pai viveu na cama durante muito tempo e tinha uma assistente social que ia ao hospital direto, ficava lá com a minha mãe, procurando saber se ele estava sendo bem tratado, se a minha mãe estava sendo bem tratada – porque ela foi como acompanhante. E essa assistente social ficou o tempo todo ali, junto dele. Então, eu acho que isso daí foi um marco importante da Empresa na minha vida, essa solidariedade. Para mim isso é muito importante, a Petrobras está de parabéns em relação a isso. Às vezes, as pessoas criticam a assistência médica, mas lá fora você não encontra uma assistência médica como a nossa. Então, eu tiro o chapéu, eu queria falar isso e não pude, nunca pude. Então, nessa oportunidade que eu estou tendo, eu quero agradecer a Petrobras. Agradecer de coração, de coração mesmo. Foram 10 anos. Desde que eu entrei na Empresa, meu pai adoeceu e a assistente social estava juntinho. Na morte dele, o helicóptero foi me buscar na plataforma; tinha um carro me esperando para me levar em casa. O motorista ficou o tempo todo comigo: “Elimar, eu só vou embora quando você me mandar embora. Eu estou por sua conta.” Então, foi muito importante, eu tiro o chapéu.
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