Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos
Depoimento de Elias Nunes Junior
Entrevistado por Tânia Coelho
Macaé, 03 de junho de 2008
Realização Instituto Museu da Pessoa.net
Entrevista número PETRO_CB355
Transcrito por Winny Choe
P/1- Elias, seu nome completo, local e data de nascimento.
R - Elias Nunes Júnior, 20 do 10 de 58.
P/1- Você nasceu aonde?
R - Em Bom Jesus de Itabapoama, interior do estado.
P/1- E você qual é a sua formação, qual o curso que você fez?
R - Eu sou formado em Ciências Contábeis, tenho pós em engenharia de produção de petróleo e recentemente estou terminando um MBA em responsabilidade ambiental na UFRJ.
P/1- E como foi chegar a Petrobras? Como foi chegar até aqui e hoje em quem função você está aqui?
R - Eu quando entrei na Petrobrás eu entrei como nível médio entrei como técnico de contabilidade e tinha a proposta de chegar na própria empresa mesmo, chegar a ter um cargo de nível superior e ai eu comecei a traçar metas para atingir esse objetivo em 89 eu consegui passar para contador aqui na Petrobras. Era um objetivo pessoal meu.
P/1- Mas era pessoa estimulado também pela sua relação de trabalho com a empresa né?
R - Isso, claro, exatamente.
P/1- E como foi essa relação? Você foi descobrindo novas áreas que você queria entrar?
R - Não, eu diria o seguinte, na época quando eu entrei na Petrobras existia promoção por indicação e a promoção por concurso. Como eu tinha um espírito meio rebelde eu optei pelo concurso não pela indicação. Então eu às vezes, a promoção por indicação sempre foi difícil pra mim, optei por construir mesmo o meu espaço e chegar a ter uma mobilidade na empresa através da disponibilidade que ela dava pelo concurso.
P/1- E cada concurso era um novo desafio?
R - Exato.
P/1- O que era o mais complicado pra você? descobrir onde você queria ir, em que área você queria crescer?
R - Não a princípio, a área de contabilidade tem várias...
Continuar leituraMemória dos Trabalhadores da Bacia de Campos
Depoimento de Elias Nunes Junior
Entrevistado por Tânia Coelho
Macaé, 03 de junho de 2008
Realização Instituto Museu da Pessoa.net
Entrevista número PETRO_CB355
Transcrito por Winny Choe
P/1- Elias, seu nome completo, local e data de nascimento.
R - Elias Nunes Júnior, 20 do 10 de 58.
P/1- Você nasceu aonde?
R - Em Bom Jesus de Itabapoama, interior do estado.
P/1- E você qual é a sua formação, qual o curso que você fez?
R - Eu sou formado em Ciências Contábeis, tenho pós em engenharia de produção de petróleo e recentemente estou terminando um MBA em responsabilidade ambiental na UFRJ.
P/1- E como foi chegar a Petrobras? Como foi chegar até aqui e hoje em quem função você está aqui?
R - Eu quando entrei na Petrobrás eu entrei como nível médio entrei como técnico de contabilidade e tinha a proposta de chegar na própria empresa mesmo, chegar a ter um cargo de nível superior e ai eu comecei a traçar metas para atingir esse objetivo em 89 eu consegui passar para contador aqui na Petrobras. Era um objetivo pessoal meu.
P/1- Mas era pessoa estimulado também pela sua relação de trabalho com a empresa né?
R - Isso, claro, exatamente.
P/1- E como foi essa relação? Você foi descobrindo novas áreas que você queria entrar?
R - Não, eu diria o seguinte, na época quando eu entrei na Petrobras existia promoção por indicação e a promoção por concurso. Como eu tinha um espírito meio rebelde eu optei pelo concurso não pela indicação. Então eu às vezes, a promoção por indicação sempre foi difícil pra mim, optei por construir mesmo o meu espaço e chegar a ter uma mobilidade na empresa através da disponibilidade que ela dava pelo concurso.
P/1- E cada concurso era um novo desafio?
R - Exato.
P/1- O que era o mais complicado pra você? descobrir onde você queria ir, em que área você queria crescer?
R - Não a princípio, a área de contabilidade tem várias áreas então tem várias especificidades e aí eu ficaria na área contábil mesmo. Mas agora recentemente de 2003 pra cá fui trabalhar na comunicação empresarial e aí eu tive a oportunidade, a empresa me deu a oportunidade de fazer um MBA em responsabilidade social e estou terminando agora esse ano.
P/1- A responsabilidade social tem uma relação com a sociedade?
R - Direta, o conceito básico seria transparência, ética e relacionamento com as partes interessadas chama-se sta(?) hold. Quer dizer, cada palavra dessa aí e sustentabilidade são termos assim que às vezes as pessoas banalizam um pouco mais são termos muito profundos. Você fala em ética, ética é uma coisa que hoje no Brasil está faltando ética nas relações. Sustentabilidade, as pessoas usam isso de forma banal mais não conseguem fazer a própria coleta seletiva de sua casa, do próprio lixo de sua casa ele não consegue, pega e pões tudo dentro de um saco joga para o caminhão de lixo levar e não se preocupam nem em selecionar, um principio básico de responsabilidade sócio ambiental. As pessoas não tem isso muito arraigado vamos dizer assim.
P/1- Mais são dois cotidianos completamente diferentes. UM com a contabilidade que é uma coisa árida, números cálculos, e o outro é a conscientização social da responsabilidade social da empresa. Como é hoje e como vai ser amanhã?
R - O que me levou, teria que historiar um pouco. O que me identificou nessa área foi às mobilizações que aconteceram ao longo do tempo na bacia de campos, com a formação da SindiPetro. Porque quando a Petrobras se instalou aqui, nós éramos vinculados a SindiPetro do Rio de Janeiro, não tinha SindiPetro em Macaé. Ai eles mandaram aqui diretores de lá pra cá. Pra falar das categorias aqui. E a categoria foi percebendo num determinado momento que tinha que se cria a sua própria identidade em termos sindical. E ai houve mobilizações a primeira eleição eles perderam eleição e o processo dentro das forças que atuavam aqui e eram divergentes eles achavam que nós devíamos ter um sindicato próprio então as pessoas se uniram em torno desse objetivo, criaram uma associação em seguida fundaram o SindiPetro Norte Fluminense. Ai eu sempre fui, vamos dizer assim um colaborador.
P/1- Mas foi fundador?
R - Fui um dos fundadores da NF, não sei a matricula mais foi uma das primeiras. Essa prática que de repente responde a pergunta, porque você vem de uma área das ciências exatas, meio em descontração para uma área em que você vi lidar com públicos totalmente diversos, governo, sociedade, terceiro setor. Então eu acho que foi essa prática que eu tive a oportunidade de ter aqui no movimento sindical.
P/1- Hoje a sua rotina de trabalho reúne os dois processos?
R - Hoje eu estou trabalhando com responsabilidade social. Só que onde eu trabalho que é no compartilhado, não existe uma sistemática ainda então nós estamos criando padrões, sistematizando como seria a responsabilidade social porque ela tem vários públicos de interesse. Nesse área onde trabalho o publico de interesse é basicamente os trabalhadores terceirizados. E a demanda é muito grande porque geralmente quando se faz licitações existe a política, infelizmente existe a política do menor preço e o menor preço faz com que as empresas atendam a legislação pró forma. Tipo assim vamos imaginar que temos de ter um plano de saúde. E você contrata esse plano de saúde, contrata no Rio de Janeiro porque efetivamente esse plano de saúde em Macaé não funciona, ai a responsabilidade social atua, você precisa mudar esse plano de saúde para atender os funcionários.
P/1- Esse universo de terceirizados, essa questão na Petrobras é muito forte. Que universo é esse se você pudesse definir? Eles se sentem petroleiros? São petroleiros?
R - Olha eu vejo que hoje ta tendo um esforço da Petrobras em atender os interesses, hoje não, já há algum tempo, disponibiliza para esses terceirizados os mesmos direitos que são disponibilizados para os concursados. Digo isso não porque alguém me falou porque esta escrito no código de ética da Petrobras e pra mim o código de ética da Petrobras é o meu norteador das ações. Eu trabalho com responsabilidade social e sei que as ações contrariam grandes interesses mais eu vou sempre me nortear pelo código de ética. E o código de ética só vai ter força e voz se a gente ajudar a implementá-lo, reconhecer que ele é um instrumento que tem de ser implementado e a gente atuar efetivamente para que ele seja utilizado pelos trabalhadores, ser nosso instrumento de maior mudança.
P/1- Nessa linha qual foi sua maior vitória?
R - Nessa linha da responsabilidade social?
P/1- É nesse processo que você vem trazendo?
R - A, eu já trabalhei com público externo, eu gostei muito de trabalhar num projeto que hoje ele não esta mais. Eu trabalhava num projeto sócio-ambiental que o nome era Plantando o Futuro mais ele por circunstancias desconhecidas ele foi abortado o projeto. Mais ele era um projeto que começou com hortas comunitárias, depois se estendeu para área agrícola porque a vocação aqui é petróleo mais as pessoas se esquecem da área agrícola, das pessoas que precisam de uma assistência. Nós temos hoje a secretaria de Agricultura do Estado e do Município que as vezes deixam lacunas. E eu entendo que a Petrobras em termos de sócio-ambiental deveria entrar nessas áreas também mobilizando as comunidades. E esse projeto tinha essa finalidade de mobilizar, promovendo cursos, palestras a gente tinha nesse projeto a gente fazia revitalização de nascentes e matas ciliares que a gente mobilizava a comunidade. Ele era muito rico, e o projeto depois eu não sei por que não foi adiante mais foi um momento que eu gostei, um grande momento em termos profissionais relacionado a área de responsabilidade social na minha vida.
P/1- E você tem outros momentos que foi muito importante para você que você queira contar? O que foi um momento da luta sindical.
R - A esse pra mim foi um marco histórico do país, não foi nem meu, nem... Foi do povo brasileiro. Porque nós vivíamos a dicotomia do estado mínimo dado o liberalismo ou neo-desenvolvimentista e ai com a entrada primeiro foi do Collor, o objetivo dele era privatizar a Petrobras e nós estávamos mobilizados para isso, para o enfrentamento e depois veio o Fernando Henrique com tudo, tudo em cima tanto é que ele conseguiu privatizar a Vale do Rio Doce. Infelizmente, eu acho que a vale deveria ser estatizada de novo. O meu ponto de vista, sei que varias pessoas discordam mais esse é o ponto de vista da maioria do país. E o momento mágico aqui foi exatamente quando houve a quebra do monopólio. Foi uma greve até destemporânia, não foi uma greve de reivindicação de salário, não foi discidio, foi uma greve eminentemente de consciência política entendeu, de resgate da cidadania do povo brasileiro. Foi uma grande mobilização que não teve nada a ver com o processo de reivindicatório de petroleiro não. Foi uma greve pra mostrar pro governo neoliberal que aqui tem pessoas conscientes que pensam diferente e querem um Brasil melhor.
P/1- Você teve uma participação efetiva?
R - Tive, foram 31 dias de greve e eu participei dos 31 dias de greve.
P/1- E é o seu maior orgulho?
R - O maior orgulho da Petrobras foi ter participado desse movimento e ter freado a política neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. O conjunto da categoria porque nós tivemos o apoio de vários outros sindicatos teve o MODECOM movimento de defesa esqueci, teve a Associação Brasileira de Imprensa, foram vários órgãos que deram apoio e nessa época a gente tava recém saído da Constituição de 1988, os movimentos populares estavam muito forte no Brasil então a gente tava com o apoio de todas as classes populares, de todos os movimentos.
P/1- E essa vitória como cidadão e como petroleiro.
R - Exatamente como cidadão e como petroleiro.
P/1- O que é ser petroleiro pra você?
R - Ser petroleiro pra mim é um grande orgulho trabalhar na Petrobras e ser petroleiro. Eu vejo a Petrobras hoje como uma, nenhum governo pode falar de política macroeconômica sem falar na Petrobras. Nenhum governo que passou por ai. Então a Petrobras hoje é uma empresa que alavanca o crescimento, ela tem o potencial de mobilização das indústrias nacionais que ficam no entorno dela que é fantástico. Ela consegue criar condições. Ela é na verdade a propulsora de criar empresas que vão agir e atuar numa área específica e vão gerar conhecimento pro Brasil entendeu? E a coisa é genuinamente nacional e brasileira. E a Petrobras tem essa característica de mobilizadora.
P/1- E qual é a sua avaliação num projeto como esse que vem ouvir os profissionais da Petrobras para contar a sua história? Qual a sua avaliação desse projeto do Museu da Pessoa que vem aqui contar a história e ouvir vocês contarem a sua história?
R - A eu acho vamos dizer assim fundamental, é uma oportunidade única pra gente pelo menos ter a oportunidade de contar a nossa história então acho que vocês estão de parabéns trazendo pra gente essa oportunidade de um momento tão sublime para contar a nossa participação. Porque hoje eu estou com 50 anos então é a única oportunidade de poder contar o que eu pude deixar para as novas gerações que vão surgir e espero que elas venham mais conscientes e não sejam a geração do Aqui Agora porque a geração hoje esquece muito o contexto histórico e a própria televisão faz com que as pessoas tomem opiniões em cima de fatos isolados então espero que essa relação venha contextualizada, com uma posição firme dento de um contexto histórico mesmo, espero que ela venha. E esse é o momento que nós estamos aqui mostrando as pessoas que estão chegando agora, isso aqui não tava tudo pronto não, a Petrobras não era assim não. A Petrobras foi uma linha muito dura em 84 quando eu entrei a gente não podia chegar 5 minutos atrasado que era 3 atrasos era punição. Era uma linha muito dura que vinha do regime militar, vinha fechada. Tanto é que a primeira greve da Bacia de Campos é até uma coisa histórica interessante que o sindicato do Rio de Janeiro eram chamados de pelego. E eles pra mostrarem que eram independentes da direção da empresa promoveram uma greve de dois dias. E nós fizemos, éramos 40 companheiros e até quando a gente se encontra a gente comenta sobre isso e aí no dia seguinte veio uma decisão de punir severamente os participantes desse greve de protesto. Ai o sindicato sugeriu da gente ir lá doar sangue e lá fomos a gente doar sangue para abonar os dias. Quer dizer na verdade o sindicato não tinha tanta firmeza naquilo que tava propondo, foi um momento interessante. (risos)
P/1- Muito obrigado Elias parabéns pra você também e a gente encerra aqui.
Dúvidas:
Sta(?) hold
SindiPetro
discidio
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