Memória da Petrobras
Depoimento de Eleni Erra
Entrevistado por Murilo Sebe
Cubatão, São Paulo.
23/9/2004.
Realização Museu da Pessoa
Entrevista nº PETRO_CB664
Transcrito por Ticianne Couto
P/1 – Bom dia, Dona Eleni
R – Bom dia, tudo bem?
P/1 – Tudo jóia, tudo bem. Para começar, vou pedir para a Senhora dizer, por favor, seu nome completo, local e data de nascimento?
R – Meu nome é Eleni Marcondes Erra. Local de nascimento, São Paulo, 25 de dezembro de 1956.
P/1 – Ok. Dona Eleni, conta um pouco para gente, quando e como foi o seu ingresso na Petrobras?
R – Meu ingresso na Petrobras foi até uma coisa assim meio gozada. Uma colega minha soube que tinha tido concurso público para auxiliar de escritório, e ela falou pra assim: “Olha! Você me acompanha até Cubatão, que eu quero ir fazer uma determinada coisa”, não me disse bem o que era, “e eu não quero ir sozinha.” E eu falei: “tá bom, então vamos.” E aí, acompanhei. Cheguei aqui, estava uma fila imensa na porta, na portaria, para fazer a inscrição. E chegamos lá, eu perguntei para ela, ela falou: “Olha, eu vou me inscrever para auxiliar de escritório.” Eu falei: “ tá bom”. Nisso, passou o pessoal, foi entregando o papel, um colega nosso que ele já se aposentou, foi entregando a ficha para que a gente fizesse a inscrição, era gratuita. Então, ele me entregou a ficha também, ela falou assim: “você também vai fazer?” Eu falei: “ ah, tem que pagar alguma coisa?” Ela falou “não, não tem que pagar nada.” “Bom, já que estou aqui, eu vou fazer também”. Acabei fazendo a inscrição. Isso foi em setembro de 78. Quando foi 15 de dezembro de 79, a Petrobras me chamou. Eu fiz o concurso, teve outro concurso, teve o teste de noções de português e matemática, e datilografia, né, naquela época era datilografia. E quando foi 15 de dezembro, a Petrobras me chamou para fazer os exames admissionais. E a partir de primeiro de março de 79...
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Memória da Petrobras
Depoimento de Eleni Erra
Entrevistado por Murilo Sebe
Cubatão, São Paulo.
23/9/2004.
Realização Museu da Pessoa
Entrevista nº PETRO_CB664
Transcrito por Ticianne Couto
P/1 – Bom dia, Dona Eleni
R – Bom dia, tudo bem?
P/1 – Tudo jóia, tudo bem. Para começar, vou pedir para a Senhora dizer, por favor, seu nome completo, local e data de nascimento?
R – Meu nome é Eleni Marcondes Erra. Local de nascimento, São Paulo, 25 de dezembro de 1956.
P/1 – Ok. Dona Eleni, conta um pouco para gente, quando e como foi o seu ingresso na Petrobras?
R – Meu ingresso na Petrobras foi até uma coisa assim meio gozada. Uma colega minha soube que tinha tido concurso público para auxiliar de escritório, e ela falou pra assim: “Olha! Você me acompanha até Cubatão, que eu quero ir fazer uma determinada coisa”, não me disse bem o que era, “e eu não quero ir sozinha.” E eu falei: “tá bom, então vamos.” E aí, acompanhei. Cheguei aqui, estava uma fila imensa na porta, na portaria, para fazer a inscrição. E chegamos lá, eu perguntei para ela, ela falou: “Olha, eu vou me inscrever para auxiliar de escritório.” Eu falei: “ tá bom”. Nisso, passou o pessoal, foi entregando o papel, um colega nosso que ele já se aposentou, foi entregando a ficha para que a gente fizesse a inscrição, era gratuita. Então, ele me entregou a ficha também, ela falou assim: “você também vai fazer?” Eu falei: “ ah, tem que pagar alguma coisa?” Ela falou “não, não tem que pagar nada.” “Bom, já que estou aqui, eu vou fazer também”. Acabei fazendo a inscrição. Isso foi em setembro de 78. Quando foi 15 de dezembro de 79, a Petrobras me chamou. Eu fiz o concurso, teve outro concurso, teve o teste de noções de português e matemática, e datilografia, né, naquela época era datilografia. E quando foi 15 de dezembro, a Petrobras me chamou para fazer os exames admissionais. E a partir de primeiro de março de 79 eu ingressei na Petrobras.
P/1 – Ao longo desses anos na Petrobras, a Senhora só trabalhou nessa refinaria?
R – Só nessa refinaria.
P/1 – E de toda essa trajetória junto à empresa tem alguma história marcante que a Senhora queira contar para gente?
R – Tem. Eu trabalhei antes numa contabilidade por dois anos. E lá tínhamos que fazer, vamos dizer assim, por produção. Então, tínhamos que comer rapidamente, tínhamos que ir ao toalete rapidamente, se tinha alguma festa, algum evento de alguma colega ou um colega que fizesse aniversário, podia levar o bolo, mas tinha que fazer aquela rápida comemoração e voltar para o serviço. Eu tinha iniciado recentemente na Petrobras, isso em 79. E quando foi em 80, teve uma festa muito bonita no antigo Horto, que fica na serra, no topo da serra aqui, que agora infelizmente nesse horto teve uma enchente, e foi tudo destruído. E essa festa era uma comemoração. Foram todos os empregados convidados, e eu também estava junto. Quando cheguei lá, conheci o Horto, o Horto é um lugar muito bonito.
P/1 – Quando foi a enchente?
R – Isso, a enchente foi em 94, se não me engano. Isso, a primeira festa que participei, com direito a passar o dia nesse Horto, era em 80. E todos os empregados, ônibus que levaram para subir, porque era um pouquinho distante, outros podiam subir a pé. Chegando lá, tinha churrasqueira, área de lazer, quiosques, um viveiro muito lindo de plantas ornamentais, de bromélias, samambaias, várias, orquídeas entre outras, árvores ornamentais, tinha animais, carneiros, ovelhas, tartarugas, pássaros, maritacas. Era muito bonito o lugar, muito bonito, além de ter um córrego que passava, que descia, né, que passava por lá com água bem cristalina, limpa, limpa. Aí, eu fiquei assim, preocupada em ter que voltar logo, como é que eu ia voltar, porque eu sabia que nós tínhamos que fazer, não hoje é dia de festa, hoje a gente vai ficar aqui comemorando porque, se não me engano, naquela época era comemoração de dez, 20, 30 anos de Petrobras. Então, eu fiquei assim admirada por ver aquela festa toda, muita fartura, muita comemoração, canto, alegria e fotografia. Aquele lugar maravilhoso que, infelizmente, foi destruído. Mas eu fiquei impressionada com o tratamento de uma empresa particular, da Petrobras.
P/1 – Tem alguma história marcante principalmente que envolva a empresa, algum fato bom que deva ser lembrado, ou um fato ruim, marcante que ao longo desses anos a Senhora tenha passado aqui na Petrobras?
R – Ah! Tem muitos fatos marcantes, né. Um fato meio triste, que foi o fato lá de saber da notícia da plataforma, que inundou. Eu estava auditando a SIX (Unidade de Negócio de Industrialização do Xisto), auditoria interna de sistema de gestão integrado. E eu e um colega também aqui da área da segurança o Genival, nós estávamos auditando a Six, quando chegou à informação. E nós estávamos no meio de uma reunião, eu estava como auditora - não a auditora líder, tinha o nosso colega da Bahia que era o auditor líder. E a gente escuta, foi uma notícia assim tão forte, pesada, que eu tive que fazer um esforço danado naquela reunião, né, que tava sendo a auditoria, para não chorar na frente de todos. Assim mesmo disfarcei um pouco, mas foi marcante. Doeu, e toda vez que eu lembro dessa auditoria da SIX, eu logo associo a notícia que veio da plataforma.
P/1 – Quando foi esse acidente?
R – Foi 2003.
P/1 – Esse último agora, né?
R – 2001, correto 2001.
P/1 – Dona Eleni, ao longo desses anos aqui na Petrobras, como a Senhora vê as conquistas, né, que tantos trabalhadores quanto a empresa, juntos acabaram conseguindo construir mantendo essa relação. Como a Senhora vê essa relação e as conquistas que foram alcançadas ao longo desses anos?
R – A Petrobras, por fazer concurso público, por ela admitir um grupo de pessoas muito capacitado, ela tem um corpo técnico muito eficiente, competente, capaz. E os empregados têm visto, sabem da contribuição que a Petrobras traz para o Brasil. Então, os empregados têm essa consciência. A própria Petrobras tem consciência do seu papel no Brasil. Ela investe cada vez mais nesses empregados, esses empregados respondem cada vez mais esses mesmos investimentos. Então o quê que faz? De um lado têm os empregados que têm a consciência do que a Petrobras é para o Brasil. A Petrobras tem a consciência dela de que, através do seu corpo de profissionais, ela vai obter cada vez mais essa representatividade, essa valorização, essa contribuição que ela faz para o Brasil. Então, eu vejo assim, quanto mais a Petrobras nos dá, os empregados respondem a esses estímulos, e a esses investimentos a essa valorização. E ele joga de novo para dentro e a Petrobras cada vez mais vai crescendo, não só no aspecto tecnológico, que ela detém know how, né, como também na parte humana mesmo, vai saindo extra muros, vai saindo da Petrobras, indo extra muros para o Brasil inteiro. E agora, pro futuro talvez, em outras regiões externas, né, no exterior.
P/1 – Então, a Senhora que principalmente nessa parte humana, ao longo desses anos, teve avanços significativos?
R – Sem dúvida. Com certeza, muito significativos, de ambos os lados.
P/1 – Está certo. Ainda com relação aos trabalhadores, teve alguma greve, algum movimento que, ao longo desses anos, foi marcante, ou que tenha alguma história que possa ser lembrada?
R – Teve sim. Teve a greve que ficaram os companheiros aqui dentro, né. Esse daí foi na época do governo do Fernando Henrique Cardoso. E realmente foi muito desgastante, foi sofrido. Foi sofrido pro lado do pessoal que estava aqui dentro, dos que não estavam dentro da refinaria, mas estavam em greve lá fora, sem saber o que estava acontecendo, que rumo ia levar aquilo tudo, as conseqüências que tiveram, né. Mas eu também entendo que nada é por acaso. Não existe destino, pelo menos assim eu acho, que não existe destino. Eu acho que as coisas acontecem porque é uma vontade divina. Alguém, nessa história toda que aconteceu, todos aprenderam, os empregados aprenderam seus lados com essa greve que foi muito difícil; a empresa aprendeu pro seu lado também, tirou a sua lição, que também foi muito difícil e até o próprio governo. Eu acho que todos aprendem, nada é por acaso, talvez não de imediato o entendimento, mas pro futuro a gente vai entendendo as coisas e vai internalizando.
P/1 – Então a Senhora acha que também, ao longo desses anos, mesmo antes ou agora depois dessa greve, essas relações entre os trabalhadores e a Petrobras mudou?
R – Mudou, e para melhor. Eu acho que houve um amadurecimento dos dois lados, né. A negociação eu não participo dela, lógico, mas o que eu leio dos informativos, tanto do lado do sindicato quantos os da Petrobras, a gente percebe que há uma evolução na negociação. As discussões são melhores, as vantagens tanto para a Petrobras quanto para os empregados são melhores. Então, a gente tem percebido que há um avanço. Houve um avanço.
P/1 – Está certo. Dona Eleni, eu queria que Senhora dissesse para a gente o que a Senhora achou de ter participado desse trabalho junto ao movimento de Memória dos Trabalhadores e ter dado a sua contribuição pro nosso trabalho?
R – Eu achei muito bom. Fui indicada também como vários colegas e achei muito bacana terem lembrado do meu nome. Estou aqui, acho que realmente eu estou com 25 anos de Petrobras, já assisti muitas coisas, mas que me recordo são mais coisas boas do que as ruins. Então, pra mim foi bom eu acho que é um depoimento - depois mais tarde eu vou querer uma cópia - (risos) que quando eu tiver velhinha, eu mostro pros meus netos que um dia eu tive essa entrevista, trabalhei na Petrobras, que ela vai existir muitos anos, e com certeza os meus netos vão ter muito orgulho dela.
P/1 – Tá ok então. Obrigado Dona Eleni.
R – Obrigada.
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