Meu nome é Elísio Caetano Filho. Eu nasci na cidade de Santos, São Paulo, no dia 29 de outubro de 1951.
Eu me formei em engenharia em São Paulo no ano de 1975. Eu havia feito concurso pra Petrobras, que já era uma empresa que despontava no Brasil e, certamente, aguçava todos nós, jovens, a trabalhar nela. Naquele ano, eu fiz concurso para a Petrobras mas, ao final, acabei mudando. Daí, vim para o Rio de Janeiro para fazer mestrado em engenharia nuclear. Era o ano em que o Brasil acabara de assinar um acordo de cooperação na área nuclear com a República da Alemanha. Eu vim, então, para o Rio de Janeiro, para a Coppe, aqui na UFRJ, fazer esse mestrado. Casei também, houve uma série de transformações e vim estudar. Vivia sob regime de bolsa. Era até uma bolsa muito boa. Entretanto, veio o nosso primeiro filho. Foi uma dádiva mas, certamente, do ponto de vista orçamentário, foi uma dificuldade. Eu estava na Ilha do Fundão, onde era o trabalho, vendo o Cenpes e aquela coisa toda, então me estimulei a prestar concurso novamente.
Prestei concurso e, então, entrei na Petrobras em fevereiro de 1977. Inclusive, escolhi fazer um curso que dava uma certa complementaridade ao meu mestrado. Fui admitido e consegui obter a classificação para a única vaga que tinha, no Centro de Pesquisas, que era onde eu queria trabalhar. A minha vida inteira eu estudei e trabalhei em centros de pesquisas. Então, eu vim para o Cenpes. Só que, dentro do meu treinamento, eu ainda passei cerca de um ano e meio fora do Cenpes. Fiz um curso de formação, depois vim para o Cenpes e fui encaminhado para estágios. Estagiei na Região de Produção do Nordeste, na Sede em Aracaju, onde fiquei. E cheguei ao Cenpes em 1979. A partir daí, integrei o que, na época, eram as primeiras células do segmento que nós chamamos de Exploração e Produção, fui trabalhar na produção, que era o Cenpes. Originalmente, o Cenpes foi concebido para a Companhia como um todo, mas...
Continuar leituraMeu nome é Elísio Caetano Filho. Eu nasci na cidade de Santos, São Paulo, no dia 29 de outubro de 1951.
Eu me formei em engenharia em São Paulo no ano de 1975. Eu havia feito concurso pra Petrobras, que já era uma empresa que despontava no Brasil e, certamente, aguçava todos nós, jovens, a trabalhar nela. Naquele ano, eu fiz concurso para a Petrobras mas, ao final, acabei mudando. Daí, vim para o Rio de Janeiro para fazer mestrado em engenharia nuclear. Era o ano em que o Brasil acabara de assinar um acordo de cooperação na área nuclear com a República da Alemanha. Eu vim, então, para o Rio de Janeiro, para a Coppe, aqui na UFRJ, fazer esse mestrado. Casei também, houve uma série de transformações e vim estudar. Vivia sob regime de bolsa. Era até uma bolsa muito boa. Entretanto, veio o nosso primeiro filho. Foi uma dádiva mas, certamente, do ponto de vista orçamentário, foi uma dificuldade. Eu estava na Ilha do Fundão, onde era o trabalho, vendo o Cenpes e aquela coisa toda, então me estimulei a prestar concurso novamente.
Prestei concurso e, então, entrei na Petrobras em fevereiro de 1977. Inclusive, escolhi fazer um curso que dava uma certa complementaridade ao meu mestrado. Fui admitido e consegui obter a classificação para a única vaga que tinha, no Centro de Pesquisas, que era onde eu queria trabalhar. A minha vida inteira eu estudei e trabalhei em centros de pesquisas. Então, eu vim para o Cenpes. Só que, dentro do meu treinamento, eu ainda passei cerca de um ano e meio fora do Cenpes. Fiz um curso de formação, depois vim para o Cenpes e fui encaminhado para estágios. Estagiei na Região de Produção do Nordeste, na Sede em Aracaju, onde fiquei. E cheguei ao Cenpes em 1979. A partir daí, integrei o que, na época, eram as primeiras células do segmento que nós chamamos de Exploração e Produção, fui trabalhar na produção, que era o Cenpes. Originalmente, o Cenpes foi concebido para a Companhia como um todo, mas materializado, inicialmente, voltado para as nossas atividades, de abastecimento, da área industrial. Ou seja, o Cenpes tinha uma grande ligação com o segmento – usando o termo em inglês – downstream, o segmento de abastecimento. E foi já nesses primeiros anos que começou essa célula que daria vazão ao segmento de Exploração e Produção. Então, eu tive a felicidade de ter chegado no início e passei a fazer parte desse grupamento de E&P, que hoje é um dos grandes grupamentos do Cenpes.
No meu processo de formação também em 1982 eu fui designado para fazer um treinamento no exterior. Em 1985, eu recebi o título de PhD, eu estudei na Universidade de Tulsa, em Oklahoma, nos Estados Unidos. Sou, como eu brinco, apesar da aparência jovem, um dos, talvez o mais antigo PhD, hoje, na área de petróleo da Companhia. E, de lá pra cá, sempre trabalhei na área de produção. Tive a oportunidade de disseminar conhecimentos; participei da formação da pós-graduação na UNICAMP, onde eu atuei como professor visitante, fiz parte do Conselho Cientifico da UNICAMP por vários anos. E tenho essa dedicação profissional ao segmento de pesquisas e desenvolvimento. Atuei como gerente por alguns anos, professor-visitante, tenho alunos em universidades, orientações em mestrado, participo em banca de tese e sou um coordenador de projetos, a minha função. Hoje, eu sou o que se denomina um Consultor Senior, talvez por causa da idade, não por causa de conhecimentos.
Nós somos um Centro de Pesquisas que buscamos a pesquisa aplicada, a pesquisa que vai gerar resultados para a Empresa. Ou seja, o conhecimento para se materializar em tecnologias aplicadas, ele passa por algumas etapas. Nós atuamos, particularmente, na etapa chamada de pesquisa aplicada, ou seja, aquele conhecimento que já atingiu um certo nível de maturação que se torna viável a sua transformação em tecnologia, em algo que eu vou poder fazer uso empresarialmente. Mas, para que isso aconteça, faz-se necessário a chamada pesquisa fundamental, onde eu, a partir do conhecimento, vou começar as concepções que desejadamente lograrão êxito e se transformarão em tecnologia. Aí entra a universidade, não é? Então, a universidade pra nós, nós contamos como uma universidade como uma parceira nesse processo de desenvolvimento tecnológico, de materialização de tecnologias que acabam se tornando práticas operacionais. É onde, então, a universidade atua naquele segmento chamado de pesquisa fundamental. Nós vemos a universidade como um gerador de conhecimento. No sentido lato, a universidade é uma geradora de conhecimento, no sentido estrito, seria uma repassadora de conhecimentos. Mas essa é uma visão, é uma escola menor; realmente a nossa concepção e a concepção que vinga, felizmente, a universidade é vista como uma geradora de conhecimentos. Então, eu não estou atualizado a cerca do número de convênios, mas nós devemos ter aí para a ordem de um milhar de convênios com universidades. E graças hoje à interligação não tão somente atrelada a UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro, excelente, uma das maiores universidades do país, nossa maior universidade federal do país – mas nos permite atuar com várias universidades do país e do exterior inclusive, sempre nisso, numa parceria complementar. O nosso desejo é que eles estejam dedicados a parte fundamental, chamada pesquisa fundamental, enquanto nós fazemos as chamadas pesquisas aplicadas. Pesquisas essas que, por sua vez, ao desaguarem nas tecnologias, nós faremos uso de novos parceiros. Aí, já são os parceiros que irão materializar essas tecnologias na forma de equipamentos, através do conhecimento vai gerar uma máquina, vai gerar um equipamento. Nós não fabricamos equipamentos. Nós estabelecemos novas parcerias já com o mundo fabril, com as fábricas e tal, e desenvolvemos equipamentos, ferramentas que, então, são incorporadas às nossas práticas operacionais. Então, é mais ou menos assim que eu veria a linha de desenvolvimento. E, logicamente, existe uma série de interfaces, e as interfaces têm que ser ocupadas senão passam a ser bloqueios. Nós transitamos,em todas essas áreas, nessas interfaces fazendo os chamados protocolos de comunicação, inclusive expressando o que a gente precisa. Nós, a nossa Companhia, acho também que é uma das grandes coisas que a gente faz, é antever as nossas necessidades. Nós temos que ter sempre uma visão de futuro. Logicamente, alguém já disse, a melhor forma de você detectar o futuro é você inventá-lo. Então, nós tentamos, muitas das vezes, inventar o futuro.
Eu fui formado na área de Escoamentos Multifásicos. Eu fui de uma universidade que é líder no mundo, é uma universidade centenária, reconhecida, e as pesquisas para as quais eu fui preparado são na área de escoamentos multifásicos ou, de uma forma mais simples, escoamentos entre líquido e gás, que é o típico do nosso negócio em produção de petróleo. Como a gente diz, a mãe natureza, o que a gente chama de petróleo é uma mistura de fluidos que ocorrem na forma líquida e na forma gasosa. Então, nós temos notadamente o petróleo na forma líquida, por vezes, água, e gases ou hidrocarbonetos na forma gasosa, e por vezes também, de uma forma indesejada, a produção de sólidos. Então, a minha especialização foi nessa área, para contribuir no projeto de poços, no projeto de linhas, no projeto de todos os equipamentos que se fazem necessários para que a produção de petróleo e o ulterior transporte de petróleo por dutos seja possível, correto? Essa é a minha área de especialização. Eu trabalhei em vários projetos, eu tenho 27 anos de Companhia, como disse também, gerenciei grupos, gerenciei divisões e grupamentos maiores e a minha maior dedicação nos últimos tempos é um projeto denominado Sistema de Bombeamento Multifásico Submarino. Vou tentar explicar de uma forma bastante simples. Como eu disse, nossos poços produzem essa mistura de fluidos. E eles produzem essa mistura de fluidos normalmente com a própria energia, que a gente diz acumulada no reservatório. No próprio processo de geração, migração de petróleo se acumulam não só fluidos, mas tem uma forma acúmulo de energia. Então, esses fluidos são produzidos pela própria energia. Para gente tentar explicar essa bomba multifásica: esses fluidos, ao chegarem na plataforma, eles são separados. Essa corrente, então, afluente é separada em correntes efluentes: uma corrente de líquido petróleo, uma corrente de líquido água, uma corrente de gás, por exemplo. E aí, nós usamos máquinas convencionais para dar energia a esses fluidos para que eles cheguem ao destino final. Se nós temos uma corrente de líquidos, nós usamos máquinas chamadas bombas; se nós temos uma corrente de gás, nós usamos máquinas chamadas compressoras. Uma plataforma é o lugar geométrico onde os poços conseguem chegar, em princípio, através da energia própria acumulada na natureza e aí nós pré-processamos esses fluidos e colocamos em máquinas específicas que farão esses fluidos chegarem no nosso destino, no destino desejado, que poderá ser em terra, por exemplo, a 200 quilômetros para a terra – nós estamos imaginando no mar. O sistema que eu estou desenvolvendo, que eu coordeno o desenvolvimento, é o sistema onde nós teremos uma máquina capaz de fazer esse serviço sem que se faça necessário segregar essas correntes componentes da mistura que a natureza nos deu. Ou seja, um sistema que a gente vai instalar no próprio leito submarino – o sistema que nós estamos desenvolvendo é para mil metros de lâminas d`água – e nós vamos conseguir juntar energias com a energia da natureza, sem que eu tenha que pré-processar os fluidos. Com isso, eu tenho alguns benefícios naturalmente que ocorrem. Eu posso produzir mais, eu posso aumentar a produção dos poços. Eu produzo mais rapidamente. Passa a ser intuitivo, né, a medida que eu trago uma quantidade de energia para se somar à quantidade de energia que a natureza acumulou ao longo de milhões de anos, eu conseguirei produzir aquela massa de fluidos mais rapidamente. Para você ter uma idéia, esse sistema vai para um poço na Bacia de Campos, no Campo de Marlim e a nossa expectativa é que ele dobre a produção do poço, comparando com o poço produzindo apenas energia da natureza. Deixa-me fazer um comentário: existem formas outras de adicionar energia à natureza, mas todas as formas, como todas, elas têm limitações. A nossa forma mais comum é a chamada gas-lift, onde a gente injeta gás nos poços para facilitar a produção dos poços. Então, aquele gás é o veículo da nossa adição de energia. Mas isso tem limitações, acho que não cabe aqui comentar, mas tem limitações. Esse sistema de bombeamento é um sistema inédito em nível internacional, nós o fazemos em parcerias com várias empresas internacionais. A concepção é nossa. Os documentos iniciais, técnicos, dizendo o que o sistema deveria fazer, como o sistema vai operar, o que nós chamamos de engenharia, a chamada especificação técnica – veja, parece uma coisa absurda, nós estamos especificando algo que não existe – mas isso é, realmente, como nós concebemos. Nós sabemos o trabalho a ser feito, então, nós antevemos como o sistema deverá ser, para ser capaz de fazer aquele trabalho. E, a partir de como o sistema deverá ser, nós passamos a conceber tal sistema e fabricar tal sistema, construir um protótipo de tal sistema e aí testar esse protótipo em condições o mais representativas possíveis para que nós aprovemos esse protótipo para que ele possa realmente, o que a chama, debutar tecnológico, seja aplicado no final. Esse projeto, para você ter uma idéia da magnitude, eu trabalho nessa rota – que a gente chama de rota tecnológica – há 16 anos. É um projeto que atingiu a fase de materialização a partir de 1997. Nós estamos em 2004, cerca de sete anos.
Hoje existe um protótipo desse sistema, um protótipo completo desse sistema sendo testado – agora o teste é para o desenvolvimento – numa instalação de teste, que nós também havíamos, no mesmo projeto, concebido e construído. Essa instalação acaba de celebrar dez anos. Inclusive, recebeu uma nova denominação que é “Núcleo Experimental Engenheiro José Otávio do Amaral Baruzzi”, é um colega nosso recém-falecido e que nós, reconhecendo a dedicação dele e a contribuição à Companhia, propusemos tal nominação e a Companhia aceitou. E, em 29 de outubro passado, quando essa instalação, que está em Aracaju, celebrou os dez anos, ela foi renomeada para Núcleo Experimental e recebeu o nome de colega, que por sinal trabalhava comigo, me assistia nesse projeto. Então, lá em Aracaju, no que nós hoje chamamos de NUEX – Núcleo Experimental – é onde esse sistema de bombeamento multifásico que eu coordeno, que é um trabalho conjunto, envolve universidades no Brasil, no exterior, companhias no Brasil, companhias no exterior, de várias nacionalidades. Ele está na fase final de testes e contando com o sucesso que a gente espera ter – um pesquisador tem que ser, antes de mais nada, um entusiasta. Entusiasta não é otimista. Otimista é o que acha que vai dar certo. Entusiasta é aquele que faz para que o otimista não se decepcione, a gente brinca. Ou seja, aquele que trabalha apesar de todos os percalços, mas sempre tem uma visão pró-ativa e uma visão otimista e junto todo o entusiasmo. Eu costumo dizer, os gregos não eram monoteístas e acreditavam que as pessoas entusiastas tinham um deus a mais dentro de si. Eu tento ter esse deus, preciso ser entusiasta. Tem alguns valores que a gente acredita e pratica por acreditar, então, o entusiasmo é um deles. E a perseverança é outro. Como eu disse pra você, eu trabalho nesse projeto, comecei lá nos idos de 1988, então já vão para 16 anos.
Eu estou na fase final – que todos os gerentes nos ouçam Estou na fase final, sem sobra de dúvida. Tem uma cobrança. Lógico que tem que ter. Apesar de, você há de convir, que fazer pesquisa é difícil; gerenciar é mais difícil ainda. Porque não há um determinismo nas coisas, não é? Eu acho que os valores pessoais – ao menos eu exercitava isso quando estava gerente – daqueles profissionais, o entusiasmo, a dedicação, a competência, a seriedade, o trabalho em grupo – eu sou apenas o coordenador de uma equipe pra mais de 50 profissionais trabalhando nisso – então, a sinergia conseguida, tudo isso constitui informações para que a gerência decida, e decida continuar aportando recursos. Lógico que também nós antevemos os benefícios disso. Há toda uma análise primeira de quais são os potenciais de benefícios, qual o estado tecnológico que nós estamos, qual é o tamanho dos degraus tecnológicos que nós temos, como é que está o estado da técnica, como é que está o mundo. Essas todas são facetas que levam a uma decisão. E a decisão é iniciar, é manter, é estimular, é cobrar, não é, é ajudar também, logicamente. Às vezes eu me vejo assim, como aqueles burrinhos que botam os antolhos assim e seguem em direção do alvo, a flecha e o alvo têm aquela simbiose. E logicamente, a gerência tem uma visão maior, ela tem um volume de informações maior, e ela contribui sempre nos nossos contatos e no direcionamento. Mas, posso te dizer, é uma decisão difícil para todos, porque fácil é fazer o que já estava feito. Quando nós buscamos inovar, nós não inovamos porque gostamos de inovar. Não é isso. Isso seria inadequado. Nós inovamos porque nós necessitamos inovar. Se nós olharmos para a nossa Companhia, o cenário que a gente atua, da onde a gente tem que produzir petróleo, nós por vezes estamos sozinhos em nível internacional. Então, prêmios, essas coisas, reconhecimento, isso são conseqüências. Mas nossa motivação maior é cumprir nossa missão, e a missão é de produzir, onde a gente diz: em vez de blasfemar contra Deus e a natureza, onde botou o óleo, não nos fez um país do Oriente Médio que você produz no quintal de casa, nós vamos atrás. E eu acho que isso é que o diferencial. Essa é uma Companhia onde inovação é um valor. E tem que ser porque faz parte da sobrevivência desta Companhia. Você está entendendo? Esse projeto que eu coordeno, é um projeto de inovação, já foi o I901 da carteira do PROCAP, quer dizer, o primeiro projeto de inovação, é o projeto maior que a gente já desenvolveu, certamente na duração, nos custos. Esse é um projeto que todos os parceiros juntos, provavelmente nós dispendemos algo da ordem de 70 a 80 milhões de dólares. É muito dinheiro. Mas, logicamente, todos nós temos consciência disso e isso se transforma em dedicação e quiçá nós sejamos competentes o bastante para conseguir sobrepujar todos os desafios. Como eu disse, é algo inédito, tem potencial de benefícios para nós bastante grande; e tem o potencial de revolucionar nossa prática operacional. Ele traz o que a gente chama de liberdades, flexibilidades operacionais que nós não tínhamos antes, que a tecnologia que nós tínhamos até então não nos propicia. Esse sistema há de propiciar isso. E isso é o que eu acredito que tem levado a nossa Companhia a continuar apoiando esse desenvolvimento. Para ser mais preciso, esse projeto começou no PROCAP I, nós trabalhamos de 1986 a 1991.
A gente hoje diz até mil, mas na época não dizia. Mas a motivação era realmente conseguir conquistar um conjunto de tecnologias que propiciasse a produção de petróleo até mil metros lâminas d´água. Então, poderia ser adjetivado como PROCAP 1000, não é? Nós trabalhamos nesse programa, era de 86 a 91, não é, o PROCAP. O primeiro PROCAP, na verdade, era um programa muito mais de extensão tecnológica. Nós tínhamos já tecnologias, produzíamos no mar, produzíamos nas chamadas águas rasas, que nós caracterizávamos como profundidades de até 400 metros – na verdade isso era arbitrário; no mundo era caracterizado até 300 metros, então nós estávamos além – mas nós sabíamos do nosso horizonte. O nosso horizonte, já naquela época, sinalizava já para mil metros. Então, daí o PROCAP. Mas, então, era esse PROCAP I, mais de 80% dos seus recursos, quer sejam traduzidos por pessoas, projetos, dinheiro, inter-relações, eram centrados na extensão tecnológica. Era como se puxasse aquelas tecnologias de águas rasas para águas profundas. E nós tínhamos, me parece, dois projetos apenas que eram de inovação tecnológica. E esse sistema de bombeamento era um dos projetos, era o I901. E, na verdade, naquele período, nós estávamos fazendo o que a gente chama de mapeamento tecnológico, onde nós visitávamos outras companhias, discutíamos com pares, víamos e participávamos de algumas iniciativas primeiras na área.
Até que findo, completado com sucesso o PROCAP 1000, aí sim, no PROCAP 2000, começado em 1992, foi criado esse projeto, mas numa forma executiva, onde nós deveríamos fazer a concepção do sistema, construir um protótipo, desenvolver uma instalação de testes. Esse NUEX que eu te disse, nós começamos em 1992 e concluímos, foi inaugurado em outubro de 1994. Então, passamos dois anos desenvolvendo a própria instalação de testes para testar os protótipos que nós iríamos desenvolver e que nós estamos até hoje. Lógico, eu tenho a dizer com orgulho, a equipe produziu uma série de benefício intermediários nesse processo. Por exemplo, você me permite citar, em junho de 1996, nós qualificávamos essa tecnologia para o que a gente chama de uso a seco. Ou seja, colocar essa máquina híbrida, que nós chamamos de bomba multifásica, mas que opera com líquido e até opera com gás, muito gás, até 95 % de fração de presença de gás.
Então, para você ter uma bomba convencional – para a gente reforçar a compreensão – opera com 100 % de líquidos, 0 % de gás. Um compressor convencional opera com 100 % de gás e zero de líquido. Na verdade, há uma certa tolerância para a ordem de frações de unidades de “por cento”, um por cento, dois por cento, de um ou de outro contaminando essas correntes. E veja, nós desenvolvemos uma máquina que tolera 100 % de líquido ou até 95 de gás. Ela é realmente híbrida, uma máquina híbrida, tem esse comportamento híbrido entre uma bomba e um compressor. E, lembra lá o que eu disse no início, é o que a gente necessita, porque a mãe natureza nos dá um fluido nos dois estados físicos – líquido e gasoso. E, antes, para eu dar energia para esses fluidos eu teria que separar essas correntes. Agora, eu não preciso mais. Então, em junho de 1996, a nossa Companhia reconheceu a maturidade dessa tecnologia para uso a seco. A seco, que a gente diz, é uma máquina operando em terra, nos nossos campus em terra ou conveses de plataformas e navios no mar. Nosso objetivo primeiro e maior é o desenvolvimento de um sistema submarino, um sistema que a gente possa instalar no leito submarino. Bom, a partir de 1996, com esse reconhecimento, nós tivemos bombas instaladas em plataformas na Bacia de Campos. Nós também desenvolvemos no NUEX, essas bombas passaram pelo NUEX o seu desenvolvimento, foram qualificadas e foram aplicadas na Bacia de Campos e aplicadas também na Bahia, na RPBA, agora UN-BA. Na Bacia de Campus, essas máquinas bateram recorde de disponibilidade. Disponibilidade é o tempo que uma máquina opera sem que eu tenha necessidade de servi-la, de dar manutenção, de consertar. Então, veja, essas máquinas vieram para fazer um serviço muito mais rigoroso, com menor potencial de dano devido a essa flexibilidade. Por exemplo, numa dessas plataformas, nós éramos obrigados a queimar gás. Nós produzimos gás na maioria dos nossos campos; é o chamado gás associado com o petróleo. Naquela oportunidade, por vezes, nós éramos obrigados a queimar gás. Nós não tínhamos uma linha de exportação de gás, o que nós chamamos de um gasoduto. Nós só tínhamos uma linha de exportação de óleo, de petróleo, que é o nosso oleoduto, saindo da plataforma. Então, aquele gás eventualmente produzido em excesso, nós éramos obrigados a queimar. Com essa máquina, não. Nós extinguimos a queima de gás. Por quê? Porque nós conseguimos usar, colocar o gás e o líquido juntos, sendo exportados por aquele, antes denominado, oleoduto, que agora passou a ser o que nós rebatizamos na brincadeira, um duto bifásico, um duto de líquido e gás. Esse é um dos exemplos da potencialidade dessas máquinas. Isso já é história, quer dizer, hoje nós já temos mais bombas sendo instaladas na Bacia de Campos, já tivemos na Plataforma P12, P22, agora em P18. Cada vez mais também nossos colegas com as suas criatividades, eles começam a perceber nichos de aplicação para essas máquinas, como a gente faz na nossa vida, você tem um equipamento, tem uma necessidade: “Puxa vida, eu podia usar aquilo para aquilo, se eu adaptasse aqui, acolá, não é?” Isso já começa a ser uma realidade.
A aplicação que nós faremos na Petrobras 18 é inédita, nós nunca vimos ser feita em nível mundial. Então, já é uma evolução do uso dessas máquinas. Para dar mais argumentos pro meu chefe continuar me apoiando, deixa eu te dizer: nesse período, outra coisa que a gente fez nesse projeto foi também desenvolver a tecnologia que nós chamamos de medição multifásica. Lembra como eu te disse, a corrente, o que é produzido nos poços é uma mistura de óleo, na forma líquida, água, na forma líquida, hidrocarboneto, na forma gasosa e, por vezes, os indesejados sólidos – por vezes a gente se vê com produção de areia e tal, mas isso é menos comum. Agora, quando nós produzimos, nós temos que, de quando em quando, estar monitorando a capacidade de produção de cada um de nossos poços, para ver se eles estão, vamos dizer, saudáveis. Porque, uma vez se nós não fizermos isso, o poço pode adoecer. O que significa adoecer? Ele passa a ter um dano, ele passa a produzir menos e, por vezes, pode ser cada vez mais difícil, como nós humanos. Se você não cuida da sua saúde, só cuida quando fica doente, normalmente pode ficar uma seqüela e o custo é maior, não é isso? Agora, veja. Permita-me, eu tento fazer essas figuras de linguagem para ser compreendido e faze-la da forma mais fácil. Eu espero não estar chateando você, mas tentando realmente fazer a comunicação ser efetiva. Nossos poços no mar, eles produzem a distâncias consideráveis da plataforma. A plataforma é um ente de um custo alto. Hoje, nós já vemos plataformas da ordem de um bilhão de dólares. Então, é dinheiro. É muito dinheiro Nós maximizamos, procuramos maximizar a produção para essa plataforma. Nós temos poços tipicamente a dez quilômetros de distância. Já tivemos poços a 20 quilômetros, o Marlim 4 era a 20 quilômetros de distância.
Agora, as linhas também nós fomos pioneiros no mundo em usar, nós usamos linhas flexíveis. Linhas, que nós chamamos, são as tubulações; nós denominamos linhas. Essas linhas têm um custo alto. O fabricante vai dizer que não, que o custo é justo. Mas a gente costuma dizer: “Os franceses, normalmente, queijos, perfumes e linhas flexíveis são itens bons, mas muito caros”, a gente brinca. Então, uma das coisas que a gente faz para mitigar esses custos é, por vezes, juntar essa produção de alguns poços, seis a dez poços, tipicamente oito poços, a gente coloca, no que eu chamaria assim, numa caixa coletora. Imagina: oito poços produzindo para uma caixa e de uma caixa sai uma linha tronco, única. Essa linha tronco, a gente vai economizar porque não são oito linhas singelas. Lógico que a linha tronco vai ser maior, mas o custo ainda é mais interessante do que oito singelas. E, por vezes mesmo, oito linhas singelas, nós chegamos num navio ou numa plataforma e não conseguimos colocar porque é muito peso na plataforma. Então, pronto, resolvemos o problema do ponto de vista de custo. Nós juntamos toda a produção desses oito a dez poços numa linha tronco e produzimos. Agora, ficar monitorando o que chega na linha tronco, não quer dizer que aqueles poços que contribuem para essa linha tronco, estão contribuindo como deveriam. Pode ser que um esteja, vamos dizer, doente e então o outro compensa. Mas nós não queremos isso, não queremos essas compensações. Nós queremos que todos estejam produzindo no seu potencial, como nós dizemos. Faz-se necessário que nós tiremos um desses poços, numa certa periodicidade, a cada 30 a 40 dias, no mínimo, nós escolhemos um poço desse para testar. Colocamos ele em separado, por uma linha separada para a plataforma para que ele produza. E aí, nós monitoramos a condição para verse ele está saudável ou não.
Essa é a forma convencional, com todos os custos incorridos. Lembra, temos duas linhas aí, não é, a linha tronco, a linha de testes. Nós temos o custo incorrido pelo fato que nós não vemos o nosso poço quando queremos. Nós temos que fazer um rodízio. Por vezes o vemos 30, 40 dias depois da vez que nós o vimos, correto? Nós desenvolvemos então, um sistema de medição multifásica. Imagina algo que eu conseguisse colocar lá junto a essa caixa coletora – tem nome, chama-se manifold, é um termo em inglês – eu coloco lá esse medidor e faço o poço passar por dentro dele sem ser, o que nós chamamos intrusivo – e faço, como se fizesse uma fotografia daquela condição. Com essa fotografia, eu sou capaz de dizer quanto está passando de água, quanto está passando de óleo, quanto está passando de gás. Mais importante: essa informação pode ser feita na ordem de minutos, a qualquer tempo. E a informação, graças às telecomunicações, ela é veiculada praticamente em tempo real em Macaé, por exemplo, na nossa sede, onde o engenheiro responsável por aquela produção, pelo reservatório, ele tem condição de ter essa resposta, é um diagnóstico que ele encontrou. Esse sistema, foi instalado em 1997, foi o primeiro no mundo. Foi instalado e operou por quase cinco anos. Hoje, nós já estamos nessa tecnologia de medição multifásica – medir sem separar – nós já estamos na fase de disseminação tecnológica. Nós já temos outros fabricantes, não somente aquele um que foi nosso parceiro, que foi a Companhia Fluenta – hoje é dita Roxar – é uma companhia norueguesa. Fora essa, já tem outras companhias como a Framo, que é uma outra companhia norueguesa, e já vem equipando nossos manifolds.
Mas, então, medição multifásica foi outra das tecnologias que nós desenvolvemos no curso desse projeto. Hoje, nós temos bombas multifásicas, essas bombas híbridas – poderiam se chamar bombas compressor – para operar em condições a seco, em terra ou conveses de plataforma e navios; nós temos a medição multifásica para operar no leito submarino ou para operar em plataformas ou em terra; e nós estamos concluindo o desenvolvimento – que era o objetivo maior – do sistema completo de bombeamento multifásico submarino. À função dos testes, o ano que vem, tão cedo quanto no primeiro trimestre, tão tarde quanto no terceiro trimestre, estaremos instalando no Campo de Marlim, o nosso poço hospedeiro é o Marlim 10, o MRL 10-RJS, como é a nomenclatura do poço, que é um dos poços primeiros desse campo, e produzindo para a Petrobras 20 – a plataforma-mãe e a plataforma hospedeira. Esse é o último estágio do desenvolvimento. Esse protótipo vai operar por dois anos com 98% de disponibilidade, não adianta um sistema vaga-lume que opera e pára, opera e pára. Nossos custos de intervenção são altos, muitas vezes proibitivos, para que a gente opere com um sistema desse. E aí, estará completado esse ciclo de desenvolvimento do sistema de bombeamento. Logicamente que a evolução continua. Nós temos uma máxima: “O que nós conseguimos fazer hoje, certamente amanhã faremos melhor.” Então, o que vai acontecer é, simplesmente, um marco tecnológico onde nós teremos um sistema desse porte que, eu repito com orgulho e em função de toda a equipe, é um sistema inédito e ímpar em termos mundiais no que ele faz e no potencial dele. E nós esperamos que a tecnologia, logicamente há de continuar e nós embarcaremos em novos desafios. É mais ou menos assim os 14 anos da minha vida nesse projeto de bombeamento e medição.
Eu queria fazer só dois comentários, para concluir. Primeiro, a cerca do NUEX, que eu disse que é a nova denominação do que nós chamávamos de Sítio de Testes de Atalaia - a palavra sítio veio a calhar porque lá é realmente muito aprazível, tem cocos, cajus, animais silvestres, então realmente é uma dádiva. Eu vou pra lá muito freqüentemente. Eu vou tão freqüentemente que as pessoas me vêm aqui e perguntam se eu já voltei, ou seja eu estou muito freqüentemente lá. Eu queria dizer também que isso foi um sonho nosso, de toda a equipe, e foi construído e nada melhor do que ver um sonho materializado. Completou, recentemente, 10 anos. É interessante notar que novos sonhos foram sonhados para ele. Hoje ele é um ente, é um campus avançado do Cenpes, no Estado de Sergipe, mais propriamente na Cidade de Aracaju, onde nós temos uma unidade de produção, a nossa UN-SEAL – Unidade de Negócios Sergipe-Alagoas. E, mais do que isso, a fora fazer o papel que ele já vinha fazendo, de ser um campus avançado de desenvolvimento com alto grau de representatividade, lá nós usamos petróleo mesmo, gás natural, trabalhamos com pressões, temperaturas típicas de nossas práticas operacionais e aliadas, logicamente, a um grande arsenal de monitoramento típico de nossos laboratórios. Outra vez, é uma coisa híbrida, um misto de uma área operacional com um laboratório. Isso nos permite uma condição ímpar, e ele é ímpar a nível mundial. Nós nos orgulhamos disso. E se não fosse assim, deveríamos ser punidos porque tivemos todos os recursos da Companhia para fazê-lo, então, tínhamos que fazer mesmo. Mas eu dizia que ele tem novo sonho, novo patamar, que é uma interação com toda a inteligência daquela região, com toda a Academia, as Universidades, os centros tecnológicos, formação de mão-de-obra e interação. Esse é o novo sonho. FAMÍLIA Eu fico muito feliz, realmente, eu choro, vou às lágrimas, às vezes, porque, eu não te disse, mas falando um pouco mais de mim, eu venho de uma família pobre. Meu pai era um operário no Porto de Santos e eu consegui estudar. Eu estudei a minha vida inteira em escola pública e ganhava ainda bolsa para comer, porque eu não tinha dinheiro para comer.
Conseguir conquistar um lugar numa Companhia que orgulha a todos, conseguir ser treinado aqui, formado, estudar no exterior – o meu doutorado custou uma centena de milhares de dólares para a Companhia – , então, isso é ímpar. Eu vejo hoje, às vezes, nosso país parece que as pessoas acreditam: se os jovens forem meninos, serão jogadores de futebol; e se forem meninas, elas desfilarão, os seios ainda púberes, numa plataforma para vender roupa. Não é. Isso é muito pequeno para um país como o nosso. Um país como o nosso, ele tem o que a natureza nos deu, ou seja a crença que tivermos, o nosso Deus nos deu, o que nos foi dado, nós temos que transformar isso num país mais justo, num país admirado. Nós já somos admirados no mundo pelas nossas relações pessoais, mas nós precisamos construir ainda mais, dar um futuro aos nossos filhos, acreditar nisso e trabalhar. Isso é que nos motiva e nós temos na nossa Comp
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