Identificação
Eu me chamo Edna, tenho 51 anos, quatro filhos adultos e um casal de netos. Sou alegre e autêntica, adoro ler, ouvir música e bater longos papos com amigos que são em número considerável, sei ouvir e estar ao lado de alguém que precise de mim. Adoro bordar e fazer crochê é o meu passa tempo.
Depois de passar mais de 20 anos da minha vida trabalhando, criando filhos e cuidando da casa, eu resolvi fazer algo por mim, e passei os últimos sete anos investindo em minha pessoa: assisti palestras, fiz terapia para me conhecer melhor, cresci e hoje digo com muita crítica que eu me amo, e como tenho amor e disposição para ajudar alguém por isso eu fui para a fundação Gol de Letra, onde eu aprendo mais do que ensino.
Esta sou eu por mim mesma uma pessoa que ama a vida.
A minha história
Quando cheguei a São Paulo, eu tinha 5 anos, a primeira coisa que eu me lembro, foi de uma estátua enorme perto da Estação da Luz. Viemos morar na Vila Mazzei, era uma vila de casas iguais, em uma rua sem saída. Ali passamos por muitas dificuldades depois o pai arrumou serviço em uma fábrica de casquinhas de sorvete mas saiu logo pois suas mãos ficaram muito queimadas.
No ano 1957, eu precisei operar a garganta mas em uma semana, já estava bem neste ano. Eu entrei para escola e foi ótimo também, fiz a primeira comunhão logo, depois nasceu o meu irmão Aluizio. Depois nos mudamos para o jardim Tremembé. Na primeira casa que o meu pai construiu. Ela não estava terminada, faltava forro e piso mas precisávamos economizar porque mais um irmão estava chegando, o de numero oito e ficamos assim quatro homens e quatro mulheres. Eu sou a segunda. Este bebê veio prematuro e fraco, foi doente por muito tempo e mais uma vez as coisas ficaram muitos difíceis para nós. O pai trabalhava muito, às vezes, ele chegava tarde pois vinha caminhando para economizar. Logo a mãe começou a costurar para uma fábrica.
Eu não gostava muito, pois tinha que olhar o...
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Identificação
Eu me chamo Edna, tenho 51 anos, quatro filhos adultos e um casal de netos. Sou alegre e autêntica, adoro ler, ouvir música e bater longos papos com amigos que são em número considerável, sei ouvir e estar ao lado de alguém que precise de mim. Adoro bordar e fazer crochê é o meu passa tempo.
Depois de passar mais de 20 anos da minha vida trabalhando, criando filhos e cuidando da casa, eu resolvi fazer algo por mim, e passei os últimos sete anos investindo em minha pessoa: assisti palestras, fiz terapia para me conhecer melhor, cresci e hoje digo com muita crítica que eu me amo, e como tenho amor e disposição para ajudar alguém por isso eu fui para a fundação Gol de Letra, onde eu aprendo mais do que ensino.
Esta sou eu por mim mesma uma pessoa que ama a vida.
A minha história
Quando cheguei a São Paulo, eu tinha 5 anos, a primeira coisa que eu me lembro, foi de uma estátua enorme perto da Estação da Luz. Viemos morar na Vila Mazzei, era uma vila de casas iguais, em uma rua sem saída. Ali passamos por muitas dificuldades depois o pai arrumou serviço em uma fábrica de casquinhas de sorvete mas saiu logo pois suas mãos ficaram muito queimadas.
No ano 1957, eu precisei operar a garganta mas em uma semana, já estava bem neste ano. Eu entrei para escola e foi ótimo também, fiz a primeira comunhão logo, depois nasceu o meu irmão Aluizio. Depois nos mudamos para o jardim Tremembé. Na primeira casa que o meu pai construiu. Ela não estava terminada, faltava forro e piso mas precisávamos economizar porque mais um irmão estava chegando, o de numero oito e ficamos assim quatro homens e quatro mulheres. Eu sou a segunda. Este bebê veio prematuro e fraco, foi doente por muito tempo e mais uma vez as coisas ficaram muitos difíceis para nós. O pai trabalhava muito, às vezes, ele chegava tarde pois vinha caminhando para economizar. Logo a mãe começou a costurar para uma fábrica.
Eu não gostava muito, pois tinha que olhar o neném mas quando ele dormia, eu fugia para pescar, caçar passarinhos ou brincar nas árvores de um terreno que havia perto de casa. Eu sempre gostei de estudar e nunca repeti de ano. Aos dez anos, eu terminei o primário e para continuar a estudar não havia dinheiro, então fiquei em casa, ajudava a mãe no serviço e com as crianças. Uma coisa que eu não me esqueço é do carinho que o meu pai tinha com a gente. Ele levantava várias vezes à noite para nos cobrir. Ele fez isso até na semana que eu me casei. Eu adorava ... ainda sinto. Ele ajeitando o cobertor no meu pescoço.
Aos 12 anos, eu fui trabalhar em uma malharia no Bom Retiro, comecei como arrematadeira e aos 15 anos já era costureira lá foi ótimo. Eu conheci muita gente e logo, levei as minhas quatro amigas para trabalhar comigo. Na adolescência, eu ia a igreja e fazia horas extras para ir a matinê aos domingos principalmente para assistir os filmes do Elvis Presley. Com 15 anos, conheci o meu marido e começamos a namorar 1 ano, e depois ficamos noivos e marcamos o casamento para Janeiro de 1967.
Janeiro de 1967, eu me casei, só tinha 16 anos mas o que importava é que eu amava e era feliz. Em Maio de 68, nasceu a minha primeira filha a Maria Regina. Como ela chorava Mas eu tinha paciência e a amava muito. Dois anos depois, nasceram os meus gêmeos, um casal Sandra Mara e Marcos Rogério. Ele me deu muito trabalho por ser o segundo e mais fraco por isso ficou doente. Ficou alguns meses internado quando saiu demorou para ganhar peso. Em 71, eu tive a Maria Alexandra, a caçula, como estes quatro davam trabalho e despesas o João chegava a trabalhar 18 horas por dia porque as contas eram muitas. Em 1974, a Alexandra ficou doente, uma doença rara e longa que durou até os seus 15 anos, mas ela ficou bem depois de duas cirurgias e muito tratamento. Os meus dois filhos foram crescendo como toda criança: fazendo arte. Eu costurava para fora, trabalhava bastante mas eles precisavam estudar. O João não dava conta de tudo apesar de se esforçar muito ele sempre foi um ótimo pai e um homem muito trabalhador e honesto. Eu me mudei para esta casa com 24 anos, era muito bom. Pois eu estava na metade do caminho para casa da mãe. A Regina sempre foi boa aluna. A Sandra era o contrário: comportamento ruim. O Rogério não ficava atrás, a Alexandra também deu trabalho na escola. Aí começaram as paqueras, as preocupações, os choros, a fase de se achar injustiçado e todas aquelas histórias que todos os pais conhecem. Afinal todos são iguais, os meus até que foram tranqüilos no geral.
A Regina foi fazer o colégio técnico no Dervilli Alegretti, no curso de secretariado. Ela começou a trabalhar na Caixa Econômica Federal como estagiaria, o que foi ótimo logo. O Rogério e a Sandra também começaram a trabalhar e nós fomos levando a vida nesta época. Minha mãe teve um derrame cerebral que a deixou sem falar e sem andar. Foi uma época difícil, pois tínhamos que nos revezar para cuidar dela. Depois de um ano a Edneia foi morar com ela e com o pai. E tudo ficou mais tranqüilo e até hoje é a Edneia quem mais cuida dela mas todos colaboram estes são os meus irmãos que discutem mas não se esquecem da mãe. A Regina foi para a faculdade de administração, estudou por 2 anos e desistiu. Estava caro e não podia pagar depois de alguns anos. Ela voltou a estudar desta vez para fazer o curso de direito e eu fiquei muito feliz em 89 a Sandra se casou.
Em 1991 nasceu e eu quase explodi de felicidade a emoção de ter um neto é melhor do que a de ter um filho. Neste ano o Rogério resolveu entrar para a Policia Militar. Eu não queria mas sempre achei que cada um deve seguir o seu caminho. Era o que ele gostava e queria. Em 95 foi um ano de muita alegria e tristeza. Neste ano eu perdi o meu pai. Ele sofreu muito antes de morrer. Eu não aceitava perder o meu pai pois éramos muito ligados. Em Dezembro, eu tive um infarto leve mas deixou os meus filhos muitos preocupados. Mas eu estou muito bem apesar de estar em tratamento até hoje. A alegria ficou por conta da Regina que se formou em direito. Eu tinha uma filha advogada. Deus era muito bom para mim. Obrigado Senhor.
Há dois anos, a Regina se casou com o Edson e vive muito feliz. Ele é ótimo esposo e genro. Em 97 eu comecei a trabalhar com serviço voluntário em uma creche em Guarulhos, cuidava de 23 crianças mas aprendi muito com elas e fiz ótimos amigos, como Miguel e a Sônia com os quais tenho amizade até hoje. Há um ano eu vim para a fundação Gol de Letra e aqui eu faço o que gosto, ajudo as pessoas e também aprendo.
E foi assim em rápidas pinceladas pela vida de uma mulher tipicamente paulista que veio de uma grande família pobre e pouco estudei, mas passei toda a vida tentado aprender e crescer. Casou cedo, teve vários filhos, mas foi muito feliz e hoje, depois dos filhos adultos, ao olhar para atrás vê que apesar de ter chorado muito as coisas boas fizeram parte do maior tempo de sua vida.
Valeu a pena. Só valeu e a história continua
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