Projeto: Memória Petrobras
Depoimento de Dine Dias Raposo
Entrevistado por Márcia de Paiva
Brasília, 08/02/2007
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB562
Transcrito por: Maria Luiza Pereira
P/1 – Boa Tarde, Sr. Dine.
R – Boa tarde, Márcia!
P/1 – Gostaria de começar a entrevista pedindo que o senhor nos diga o seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Dine Dias Raposo. Nascido em Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro, no dia 23/10/41.
P/1 – Senhor Dine, eu também queria que o senhor contasse como foi o seu ingresso na Petrobras.
R – Bom, em... Eu trabalhava numa empresa no Rio de Janeiro, eu saí do interior de Minas a onde eu fui criando, numa cidade chamada Além Paraíba, onde o meu pai tinha os negócios dele e fui para o Rio tentar uma oportunidade melhor. E, eu estava também estava na Companhia Comércio e Navegação quando eu tive a informação de um concurso para auxiliar de escritório, na Petrobras. Eu fiz esse concurso e, é... entrei, a antiga Sudist, no Rio de Janeiro, é...
P/1 – Sudist queria dizer o quê?
R – Superintendência de distribuição. Já era um trabalho da Petróleo Brasileiro na parte da distribuição, começando a trabalhar com postos de gasolina, certo? No dia 20 de dezembro de 1965, eu fui admitido na Petrobras.
P/1 – E, a partir daí... O senhor entrou como auxiliar de escritório.
R – Auxiliar de escritório.
P/1 – E a partir daí o senhor poderia contar um pouquinho a sua trajetória na empresa?
R – É, daí eu trabalhei na Sudist, nós tínhamos um escritório na Rua do Acre; se não me falha a memória, é... número 83. Acho que era 3 ou 83. E ali se concentrava todo o setor de vendas da empresa. Tinha os vendedores, que saíam para fazer o trabalho de conquista de novos postos, negociando a troca de bandeira que, para quem é leigo nessa história de BR, né, a troca de bandeira é quando nós propúnhamos aos revendedores que tinham posto Atlantic, tinha...
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Depoimento de Dine Dias Raposo
Entrevistado por Márcia de Paiva
Brasília, 08/02/2007
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB562
Transcrito por: Maria Luiza Pereira
P/1 – Boa Tarde, Sr. Dine.
R – Boa tarde, Márcia!
P/1 – Gostaria de começar a entrevista pedindo que o senhor nos diga o seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Dine Dias Raposo. Nascido em Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro, no dia 23/10/41.
P/1 – Senhor Dine, eu também queria que o senhor contasse como foi o seu ingresso na Petrobras.
R – Bom, em... Eu trabalhava numa empresa no Rio de Janeiro, eu saí do interior de Minas a onde eu fui criando, numa cidade chamada Além Paraíba, onde o meu pai tinha os negócios dele e fui para o Rio tentar uma oportunidade melhor. E, eu estava também estava na Companhia Comércio e Navegação quando eu tive a informação de um concurso para auxiliar de escritório, na Petrobras. Eu fiz esse concurso e, é... entrei, a antiga Sudist, no Rio de Janeiro, é...
P/1 – Sudist queria dizer o quê?
R – Superintendência de distribuição. Já era um trabalho da Petróleo Brasileiro na parte da distribuição, começando a trabalhar com postos de gasolina, certo? No dia 20 de dezembro de 1965, eu fui admitido na Petrobras.
P/1 – E, a partir daí... O senhor entrou como auxiliar de escritório.
R – Auxiliar de escritório.
P/1 – E a partir daí o senhor poderia contar um pouquinho a sua trajetória na empresa?
R – É, daí eu trabalhei na Sudist, nós tínhamos um escritório na Rua do Acre; se não me falha a memória, é... número 83. Acho que era 3 ou 83. E ali se concentrava todo o setor de vendas da empresa. Tinha os vendedores, que saíam para fazer o trabalho de conquista de novos postos, negociando a troca de bandeira que, para quem é leigo nessa história de BR, né, a troca de bandeira é quando nós propúnhamos aos revendedores que tinham posto Atlantic, tinha o posto Esso, Shell, para vir para a Petrobras. Nós estávamos entrando no mercado e queríamos que eles trabalhassem. Porque, com... alguns detalhes, na época, interessante, porque os revendedores das empresas multinacionais elas é... assinavam um contrato de obrigatoriedade de comprar produto só dela, inclusive os subprodutos: lubrificantes, baterias, como era o caso da Esso e nós entrávamos com a... nós não tínhamos dinheiro, a Sudist não tinha dinheiro para financiar. Que nós acreditávamos que a direção da empresa não acreditava muito que nós, que fosse ser sucesso, o que é hoje a BR. Aí, nós tínhamos que negociar com o que tínhamos. Oferecer os postos de iluminação para melhorar a iluminação do posto, umas bombas novas, porque as bombas eram realmente muito feias, muito ruins, é... velhas e também a idéia de que ele trabalhasse com a Petrobras com o contrato de compromisso de comprar apenas a gasolina ou óleo diesel. E o lubrificante ele ficaria com a opção de comprar de quem ele fizesse. E isso abriria muito mais o campo dele para atender o consumidor. Aquele consumidor que gostava do óleo Texaco ele poderia atender, o que gostava do óleo Atlantic ele poderia atender, o óleo Shell ele poderia atender. Quando ele precisava de uma... Se ele estivesse na Shell ele só poderia ter produtos Shell. Então, nós abríamos o mercado para ele.
P/1 - Com a bandeira Petrobras, mas ele podendo revender o lubrificante.
R – Vender produtos... os subprodutos.
P/1 – Os subprodutos.
R – Os subprodutos. E com a obrigação de comprar o combustível com a BR... no caso, a Petrobras, na época, né? Eu, inclusive tive a oportunidade de, numa época em que a, a Petrobras, ela assumiu o comando da Petrominas, uma distribuidora que tinha na região de Minas Gerais. E a Petrominas já estava avançando, era uma distribuidora, no mercado e... não foi bem e a Petrobras absorveu, comprou. E nós tivemos aí a oportunidade... Eu trabalhava no departamento de controle de vendas. Tem até um caso interessante, Márcia. Nós tínhamos que fazer o fechamento de todas as vendas do Rio de Janeiro, até o quinto dia útil. Que a diretoria exigia isso. Tinha que chegar até o quinto dia útil na mão deles. E teve vezes que nós estávamos na Rua do Acre, trabalhando até um hora, duas horas da manhã, tá?
P/1 – Fechar o balanço.
R – Cumprir com o acordado, né, com o determinado. Ah... E teve uma vez que faltou luz. E nós não tínhamos como fazer. Pegamos vela. Compramos velas, botamos em cima das mesas. (pausa)(choro)
P/1 – Quer parar um minutinho?
R – Ahhh... Na época as pessoas eram muito duras. Fizemos o trabalho e erramos três informações no relatório. Fomos chamados de burros. Não tínhamos esses computadores, não tínhamos máquinas, máquina era Facit, certo? E à luz de vela nós fizemos o trabalho. Erramos! Houve um erro. Mas não nos conformávamos com aquilo. O falecido Ayrton, Ayrton Coelho, que era o nosso chefe ficou altamente decepcionado, porque nós trabalhamos, fizemos o trabalho mas, infelizmente, numa condição precária. E era tudo precário, certo? Bom, dizendo para você que veja a trajetória. Eu, nessa oportunidade , quando a Petrobras encampou a Petrominas, eu já lidava com a parte de contratos, cuidando da parte de contratos que era assinado pelos vendedores e a equipe, invés dos vendedores da Petrominas, e a nossa equipe teve que assumir os postos Petrominas, ser apresentado aos vendedores Petrominas. E eu tive a oportunidade de sair também em campo. Eu conhecia bem já a maneira de trabalho da equipe, que eu trabalhava com eles, participava das reuniões e me deram a oportunidade de ir cobrir uma área. Eu não tinha nem carteira de motorista. Naquela época se saía com o carro, com o motorista e por incrível que pareça, não poderia ter. Mas era... Não tinha... O marketing nosso não era... coisa. Na porta do carro tinha um emblema da BR, aquele losango. Pô, você entrar num posto Shell, Esso, Atlantic para negociar... o vendedor da Shell passava, via um carro da Petrobras, dizia: “- Opa, eu vou lá!”, né, e atrapalhava nossa negociação. Aí nós começamos a trabalhar no sentido de tirar a imagem, ficar um carro neutro. E eu tive oportunidade de ir lá, de negociar um posto da Esso. Como auxiliar de escritório, negociou, o Valdir, que era o chefe de vendas depois na área, o Valdir Farias, ele viu que estava tudo correto, foi lá e fechou o negócio e eu iniciei. Bom, eu trabalhei muito tempo nesse setor, mas, por interesse meu, eu já estava noivo da minha esposa e, ela morava em Friburgo, eu vim... surgiu a idéia de casar. “Ai, vai, casa não casa...” e as dificuldades enormes, aí eu tive a infelicidade de perder uma irmã que trabalhava no Rio de Janeiro. Minha irmã Dila Dias Raposo, foi enfermeira chefe do departamento médico do Fluminense. Durante muitas reportagens no Rio de Janeiro, em jornais, ela saía nos jornais como o “anjo azul dos tricolores”. Foi enterrada em Petrópolis e eu fiz questão, quando botaram a bandeira, me desculpa divagar, quando colocaram a bandeira do Fluminense no caixão dela, eu fiz questão que ela descesse com a bandeira. Porque é hábito de tirar a bandeira, né?
P/1 – Hum, hum.
R – Falei, não. Era uma torcedora e funcionária. Aí, me apressou a ida a Petrópolis, porque eu tinha os meus pais morando lá, eu falei: Eu vou cuidar dos meus pais. E propus à minha noiva, aí nos casamos e por circunstâncias fui morar em Petrópolis e eu pedi a minha transferência para a BADUC, a base da Petrobras, ao lado da refinaria Duque de Caxias, antiga base, a BADUC I, que hoje temos a BADUC II, gigantesca, certo? E eu comecei a trabalhar na BADUC como... faturista. Nós fazíamos a emissão de nota fiscal, Márcia, em oito vias, à mão, no dedo. Os faturistas, tínhamos três; eu, Mello e Tião, o dedo era um calo só. Nós pegávamos as canetas esferográficas, enrolava o algodão, fechava com papel, botava e... para emitir as notas fiscais, tinha que sair em oito vias. Não se tinha máquina de datilografia, certo, para emitir pelo menos, não tinha máquina de datilografia. E muitas vezes nós ficávamos lá, na base, até três... eu às vezes virava a noite, para atender a Companhia Siderúrgica Nacional, para o BPF. As caldeiras da companhia não podiam parar e nós tínhamos que fazer o trabalho de faturamento, encaminhava os motoristas. Depois eu passei para controle de estoque, tinha que subir nos tanques da base, medir, fazer a medição e... todo um trabalho de uma base, todo trabalho de uma base. Nós tivemos grandes histórias nessa base, porque nós éramos mais jovens, eram todos uma equipe jovem, tínhamos as nossas brincadeiras lá dentro da base que eu me lembro com muita saudade, muita saudade.(pausa) Bom, eu tentei o meu primeiro concurso em 68, para assistente de vendas.
P/1 – Assistente de vendas.
R – É, vendedor. O vendedor da Petrobras. Não passei. Tentei o segundo...
P/1 – Isso era um concurso interno?
R – Concurso interno. Aí, no segundo eu tentei e passei em todas as provas, passei em todas as provas e no exame psicotécnico também eu fiquei, não fui indicado. Eu discuti, na época, foi lá na Petróleo, no setor de pessoal da Petrobras e disse: Por quê? Eu quero fazer um recurso. E me foi dito que o recurso era muito difícil de ser julgado. Eu queria saber o por que. Aí, na época me aconselharam; o cidadão que me ajudou muito, Marcos Zieda Ponce Pazini, ele: “Dine, vamos fazer, eu vou te ajudar a fazer esse recurso.”; ele trabalhava lá no setor... e eu fiz o recurso. Dizendo toda a minha trajetória na Petrobras, que eu já havia até atuado em vendas, tinha trocado bandeiras, né, na zona norte do Rio de Janeiro e que eu tinha condições prontas para fazer o trabalho de homem de vendas da empresa; era o meu sonho. Muito bem... é... eu estava na base; para você ter uma idéia, lá na nossa base nós não tínhamos telefone. Do Rio para Duque de Caxias não se tinha telefone. Era rádio, né? Aí um dia eu recebo uma informação lá: “Alô, P31, P31 (pausa) (choro), P35 chamando Dine!” Eu atendi.(pausa) (choro) O cara falou: “Oh, você tem que comparecer aqui no Rio que tu vai fazer um novo exame.” Mas não marcamos o dia! Eu, no dia seguinte pedi dispensa e “tccchhhuuuuu”... vazei lá para a sede.
P/1 – Foi para lá.
R – Quando eu cheguei lá o psicólogo estava lá porque ele ia fazer um teste com outro colega de Belo Horizonte e não tinha material para dois. Mandaram tirar cópia. Eu falei: Mas gente, eu não estou preparado psicologicamente para fazer esse exame hoje. Vocês tinham que me preparado, né, brincando, mas fui fazer. E fui entrevistado, o psicólogo me perguntou na época porque que eu havia sido não recomendado, eu disse: “Eu não sei. Porque, pela minha interpretação eu acho que o meu teste foi bom, a entrevista foi boa mas, infelizmente na área do senhor tem alguns psicólogos que são doidos.”; “Você está me chamando de doido?”, eu falei: “Não, eu só estou dizendo ao senhor que eu não entendi o por que. Ele falou então tudo bem, Dine, mas pelo que você conversou comigo, pela tua desenvoltura eu acredito que você tem plenas condições. Mas eu vou analisar melhor.” Quinze dias depois, o mesmo: “Alô P31, P31, P31, P35 chamando, câmbio! Dine! Dine, você topa ir para Brasília, você foi aprovado.” Eu falei: “Eu vou para qualquer parte do país, eu quero é ser homem de vendas nessa empresa”.(pausa) (choro) Desculpa eu me emocionar.
P/1 – Imagina. Isso era em que ano, senhor Dine?
R – Bom, aí em 70 eu vim para Brasília. Eu fiz um treinamento lá durante um mês, aí teve algumas pessoas na época que não queriam que eu saísse da base, aquela velha história de achar que determinados funcionários, modéstia parte, são imprescindíveis, aí você acaba tendo determinados comandantes, chefes, que atrapalham. Porque não deixam a pessoa crescer. Né?
P/1 – Hum, hum.
R – E me atrapalharam muito. Eu tive que tomar decisões fortes, desacatar até pessoas para que eu pudesse realmente vir para Brasília.
P/1 – Aí o senhor veio para a BR?
R – Não. Vim para Brasília ainda na Petróleo.
P/1 – Ainda na Petróleo?
R – Na Petróleo. E quem me trouxe? Marcos de Zieda Ponce Pazini, que era o chefe de setor administrativo aqui. Falou: “Vou dar o...
P/1 – O que ajudou o senhor a fazer o..?
R - A fazer o currículo... fazer a defesa.
P/1 – Fazer a defesa.
R – Aí, na vida, Márcia, muitas coincidências, tá? Nesse setor da Petróleo o chefe era um ex-aspirante que serviu o exército comigo. Quando eu subi um dia no elevador com ele, eu perguntei, ele me reconheceu, eu falei, e ele falou: Marcão, eu falei: Ué, você é o chefe desse setor, eu nunca te acho aqui, meu irmão. Ele falou: “-E você é o cara que fica trazendo bala para a Elizabeth, bombom, que é para ver se seu recurso já foi julgado...” Eu falei: Não, eu estou na briga! Eu quero saber, eu quero que julgue o meu recurso. E... o Eiras. Aí, muito bem, vim para Brasília. No dia 20 de maio de 1970, eu estava descendo nesse aeroporto, com a condição de ser um homem de vendas, um representante de Petrobras aqui. Porque todos que vinham voltavam dentro de seis meses, seis, sete meses.
P/1 – Por quê?
R – Isso aqui não existia, Márcia. Brasília era um deserto. Era um deserto realmente. Esses... Não tinha nada, nada, nada aqui! Só tinha aqui um prédio da Petrobras, esse prédio que hoje é a Fundação. Se tinha dez apartamentos para as pessoas em trânsito. Quando o pessoal do Rio viesse a Brasília, em trânsito. Mas nunca ficou ninguém ali, todo mundo utilizava hotel. Ok? Então, só tinha aquele prédio, matos e aqui atrás, onde é o DNPM, nós tínhamos os barracões do tempo da construção de Brasília, que moravam muitos funcionários da Petrobras. Muitos moravam aí, no meio de rato, barata. Muito bem. Joceni Barbosa veio também para a área financeira, Marcos Pazini e eu. Eu vim com o propósito assim: Eu vou encarar! Eu quero saber, eu quero continuar. Eu não vou voltar para o Rio de Janeiro tão cedo. E no Rio teve um chefe que me disse, falou assim: “- Dine, não vai daqui a três meses me mandar um bilhete, como todos fazem, me pedindo para voltar. Porque Brasília, tu vai sofrer!” O ar era insuportável. A época da seca aqui era uma loucura. Sangrar nariz, passar mal, trazer minha mulher, minha filha... Muito bem. Eu vim. Agora, eu vim com um propósito, né? (riso) Eu sabia de algumas informações de como estava a situação aqui. Nós tínhamos algum comando aqui que era difícil. O comando era muito difícil aqui. Havia muita...
P/1 – O comando da própria Petrobras?
R – Da própria Petrobras. A gerência, a supervisão; depois teve até um... alguns problemas aí que eu não sei se vale a pena comentar. Teve um inquérito administrativo e tal, porque a coisa realmente... Tinha um cidadão chamado Mauro Neves que havia sido gerente, esse um guerreiro já falecido, um guerreiro. Era o chefe da manutenção, ele saiu de gerente para ser chefe da manutenção. Um guerreiro! Adorava a Petrobras. Viajamos muito aí nesse interior de Goiás, Mato Grosso, não tinha estrada, não tinha nada nessa região. A Petrobras tinha meia dúzia de postos aqui em Brasília. Para você ter uma idéia, Márcia, tinha meia dúzia de postos. Muito bem! Só um detalhe. Eu digo: “Bom, para mim ser um homem de venda da Petrobras, representar a Petrobras, eu tenho que chegar bem. Tem uma loja, não sei se ainda tem, no Rio de Janeiro chamada Adonis, tinha a José Silva e a Tavares. Eu ganhando 260 cruzeiros, eu fui nessas três empresas, comprei camisas sociais, ternos e desci nesse aeroporto no domingo.(pausa)
P/1 – Todo bonito.
R – Impactando. Né? Além da minha beleza natural, a beleza da roupa.
P/1 – (riso)
R – Aí, quando eu desci o Marcos Pazini falou para mim: “- Dine, você veio assumir a gerência?” Eu falei: Se me derem oportunidade, eu assumo. A mesma pergunta me foi feita na segunda-feira, pelo Senhor Sales quando eu entrei na sala dele. Eu vim realmente muito bem vestido, porque eu disse “eu sou um representando da Petrobras”. Aí, eu comecei a trabalhar, aqui com o Senhor Reis, que depois foi para o Rio de Janeiro, era o supervisor da área, tinha o Ian Carvalho de Farias, era um outro colega e comecei a trabalhar, visitar os postos, fazer contatos. Detalhe: eu não tinha carteira de motorista e precisava ter. Eu tirei a carteira em Brasília, com muita dificuldade. Tirei e comecei a negociar com os vendedores de Brasília. Alguns até estranharam porque diziam: “Dine” - quando eu chegava – “Quem é você?”, eu digo: “Eu sou o homem de vendas que vou vir trabalhar contigo e te ajudar a fazer você crescer junto com a BR.” Ele falou: “- Você tem que estar visitando um dono posto de gasolina.” Porque, alguns anos atrás, Márcia, o dono de posto de gasolina era considerado um posteiro, um qualquer. Essa é a grande verdade. Era posteiro, um aventureiro, tinha muito no mercado. E a coisa foi se mudando. Começou a ter empresários, pessoas se preocupando em fazer um bom trabalho. E eu falei: “O senhor vai ter que respeitá-lo como tal.” Então, ia de paletó e gravata atender nos postos de gasolina em Brasília, certo? E passei a ter contato também com o DAU, Departamento de Arquitetura e Urbanismo, que era uma das funções nossas...
P/1 – É isso... isso para os postos novos?
R – De postos novos. Nós fizemos aí um trabalho; tem muitos colegas juntos aí, Paulo Nogueira, Alceu Valente, Francisco Valente Junior, que se viesse aqui seria um depoimento riquíssimo, porque o Alceu Valente tem um história fantástica da Petrobras, uma pessoa maravilhosa! Maravilhosa. Foi um dos melhores gerentes que nós já tivemos aqui. Aquele que ia junto, agarrava junto, certo? Nós tínhamos que ganhar o mercado na marra, entendeu Márcia, na marra, na marra. Nós fomos agredidos em postos de gasolina para tentar trocar a bandeira. Eu tenho algumas... eu tenho fotos desse posto do Touring aqui no centro de Brasília, aqui perto da rodoviária, em que quando caiu a bandeira da Shell, que era nossa grande inimiga, nós fizemos questão de ficar em pé em cima do emblema dela, certo, como se fosse um troféu. Mas nós viajamos nesse interior de Goiás, Mato Grosso, certo? Aí, em 71; cheguei em 70. Em 71 eu tive o privilegio de ser indicado para fazer supervisão de vendas, com o meu comando, a minha equipe, aqui em Brasília. Então começamos também uma área de supervisão, uma nova fase, né, uma equipe nova chegando, gente nova na empresa e ganhar mercado. Era o nosso grande objetivo. Então, eu diria para você o seguinte: quando eu vim a Brasília, dando uma retornadinha aí, eu quando cheguei aqui eu fiquei três meses. Eu vim para fazer um estágio probatório de 60 dias. Se eu não passasse no estágio probatório, eu seria devolvido ao Rio de Janeiro como auxiliar de escritório. Então, passei o diabo! E aqui houve... tinha umas desavenças aqui violentas entre chefias. Muito bem, o que fizeram comigo? Me colocaram no balcão de pedidos. Para você recebia o pedido de telefonema de pedido de combustível. Não era esse o meu trabalho, não era esse o meu treinamento.
P/1 – Isso depois do senhor ter feito também um percurso rodando...
R – Não, não, não! Logo que eu cheguei.
P/1 – Ah! Logo que chegou.
R – É, para você conhecer os clientes. Aí, inaugurou a base de Brasília. Como eu era um cara formado em base com, modéstia parte, um excelente conhecimento de tudo que tinha acontecido numa base, o Bianco, que era o chefe do setor financeiro, que foi inaugurar a base, falou: “- Me dá o Dine! Eu preciso de homem lá.” Para ensinar...
P/1 – O que que é um funcionamento de uma base?
R – Ah, controle de estoque, você tem que fazer a medição de tanque, controlar o estoque, a perda, certo? A entrega dos caminhões, o controle de balança...
P/1 – Hã.
R – A balança, o caminhão quando entra tem uma tara, quando sai tem outra tara, havia o risco, e como nós pegamos muito, o caminhão trumbicado, saindo com mais produto. Aí nós pegávamos... os caminhoneiros faziam tanques falsos em baixo do caminhão... Acompanhamos tudo isso. Teve um que foi interessante, ele botou uma câmera de ar de pneu de trator dentro do tanque e uma ligação lá na cabine. Ele enchia... quando ele saía da base ele ia na seta; tem uma seta na medida. Ele chegava no posto de gasolina, Márcia, e enchia a bóia, o produto subia. Ele violava o lacre e tirava o produto. Nós tivemos que acompanhá-lo para dar o flagra. Entendeu? Então, no Rio de Janeiro também na base, teve histórias interessantíssimas com relação a isso. Perseguições, que isso é comum às vezes ________.
P/1 – Deixa eu perguntar também uma coisa, o senhor também acompanhou esse crescimento da BR aqui, né? O que o senhor também atribui, o que que foi mais importante para esse crescimento aqui?
R – Vou dizer para você só para fechar. Base, 42 dias na base, ensinando. Aí pediram a prorrogação do meu estágio por mais 30 dias. E eu mandando relatórios para o Rio de Janeiro que tinham me pedido, o histórico. Muito bem; depois de 30 dias fui aprovado. Aí eu já tive que sair do Hotel das Nações e arranjar moradia.
P/1 – Para ficar definitivo.
R – Vagou um dos apartamentos que estava sendo ocupado aqui nesse prédio aqui em baixo, vagou um apartamento. Eu entrei. Pedi Senhor Sales, falou: “Olha, eu tô aí.” Vários colegas já moraram aí e tem histórias interessantíssimas esse anexo. Aí... Eu vim para aí. Aí tive que trazer a família, a mudança veio e ficou dentro de um depósito.
P/1 – E elas ficaram aí.
R – E eu morando num apartamento que era um banheiro e uma sala, com a minha filha e minha mulher. Comendo num restaurante que era aqui em cima. Nesse andar aqui, tinha um restaurante. Aí eu falei com a minha esposa: “Olha, nós temos que... é, está difícil porque nós estamos gastando muito dinheiro.” Aí passamos a cozinhar dentro do apartamento. Havia uma pia ali para não botar o prato na pia... Então, foi uma luta muito grande, certo, Márcia? E dizer a você o seguinte; só para... antes de eu concluir essa pergunta que você me fez, dizer a você o seguinte: Eu, Marcos Pazini e Barbosa tivemos que fazer um trabalho muito grande aqui em Brasília, primeiro para resolver o problema de moradia de funcionários nossos aqui, nós conseguimos fazer um dossiê que foi parar na mão do Presidente da Petrobras na época, que eu não me lembro se era o General Geisel. Ele entregou para o Dias Leite, que era o Ministro das Minas e Energia, esse dossiê. Fotografamos os barracos arrancando tábuas, rato, barata, as condições que moravam e Banco do Brasil, Banco Central, Caixa Econômica, como é que resolveram o problema dos funcionários em Brasília. Porque o Ministério de Minas e Energia cedia apartamentos para as pessoas, mas tinha gente nossa dentro do Ministério, cedido, bloqueando. Então nós trabalhamos, trabalhamos, trabalhamos, esse dossiê foi parar no Rio de Janeiro com fotos, com história. Como é que resolveu? Para você ter uma idéia, o Banco Central, alugava um apartamento, por exemplo, 200 reais, cobrava 10 por cento do funcionário. E nós começamos a brigar. Bom, no início de janeiro de 71 saíram os três primeiros apartamentos e cinco casas no Guará. Eu recebi um apartamento para pagar, financiado, o Marcos outro, o (Barbosa outro. Alguns colegas até reclamaram que estavam aqui há dois anos e nós recebemos primeiro. O Senhor Sales disse: “- Olha, eles fizeram esse, esse trabalho que muito pouca gente sabe...” E foi unindo, nós fizemos um trabalho de unir aqui. O pessoal da Petróleo Brasileiro, Márcia, era considerado aqui gente importante demais. BR era um...
P/1 – Mas o Senhor era funcionário da Petróleo, não da BR.
R – Petróleo, sim, Petróleo...
P/1 – Mas...
R – Sim, mas era Petróleo. Mas em 71, quando foi criado a BR, continuou, não havia sintonia. Não havia sintonia.
P/1 – Entre a BR e a Petróleo...
R – BR e Petróleo. Na Baduc nós tínhamos isso, um ranço, né? O pessoal da refinaria achava-se mais importante. Muito bem. Então, conseguimos fazer uma trabalho; eu disse para a Patrícia lá fora, pra... é Patrícia?
P/1 – Priscila.
R – Priscila. Que, é... Aqui, as festinhas de setores é muito separadas e eu queria fazer marketing, eu não tive condições na minha vida de fazer marketing. E eu me julgo um cara muito criativo e comecei a fazer festas. Final de ano, a primeira festa eu fiz nesse andar, em 71, festa de natal, tenho fotos. E comecei a trabalhar, criamos uma associação e unimos aqui, virou uma família realmente forte. Final de semana era um churrasco, para unir a BR, unir o funcionário da Petrobras e de colocar; porque o que eu digo é o seguinte: quando se entra na Petrobras aqui nós temos um vírus, é o “vírus Petrobras”, é o “vírus BR”, é amor, amor.
P/1 – Que que é ser petroleiro para o senhor?
R – O Petroleiro é o Petroleiro, é o homem que extrai o petróleo, que vai lá para... que eu já vi...
P/1 – Mas o senhor se sente um Petroleiro?
R – Eu me sinto um cidadão Petrobras. Eu não diria que eu sou um Petroleiro, eu diria que eu sou mais do que um... sou mais agarrado, essa coisa gostosa que é ser funcionário, ter sido, de ser um aposentado da BR. Na BR nós conquistamos mercado, nós brigamos por isso e você disse...
P/1 – Foi uma batalha? É que dá a impressão, vendo o senhor contar da troca de bandeira, até meio simbólico, né, de conquistar a bandeira...
R – Eu vou dizer para você o seguinte...
P/1 – Foi uma batalha ganhar...
R – Em Brasília tinha seis postos da Petrobras. O Presidente Geisel, antes de assumir o Médici... Brasília quando foi criada por Juscelino em 60, quando foi inaugurada, não tinha posto de gasolina. Então foram cedidas algumas áreas para os postos de gasolina para até pessoas “amigas”, ok? Mas com o contrato com a NOVACAP, a empresa que tomava conta dos terrenos em Brasília, que hoje é a TERRACAP, é... o contrato era por dez anos. E depois de 10 anos os terrenos com os postos seriam licitados e ganharia a melhor proposta. Muito bem. Quando cheguei aqui 71, 70, já estava a briga, o governo querendo fazer a licitação. Aí foi quando nós levamos ao Presidente Geisel, modéstia parte, eu fui dos participantes, de que tinha um decreto; se não me falha a memória, 200, em que uma empresa de economia mista, que era a NOVACAP, quando uma outra empresa de economia mista se interessasse pela propriedade da outra empresa de economia mista, nós... a preferência era de quem se interessou. E nós compramos as dez áreas de postos de gasolina pelo preço de avaliação. Porque as multinacionais tinham combinado em Goiânia, fizeram um acordo em Goiânia: “Seguinte: ninguém entra em licitação um do outro. A Texaco vai entrar sozinha no dela, a Shell no dela...” E nós é que descobrimos isso e fomos em cima dos vendedores. Eles pagavam um salário mínimo de aluguel. Claro! A NOVACAP queria um posto para atender a população e nós entramos com o comércio. Renegociamos para 14 salários mínimos, alguns saíram, outros venderam e fizemos a primeira conquista. Nove postos, porque um foi desapropriado a área para fazer um acesso para os eixinhos, do eixo fundamental, do eixo rodoviário para o eixo eixinho. Então, esse posto foi eliminado. A Petrobras ofereceu a esse revendedor, mesmo sem ter o compromisso, em ter o outro posto de nós compramos da área aqui perto do Detran. Ele viu o posto, foi na inauguração e no dia da inauguração ele disse: “- Eu não quero.” Aí um outro revendedor assumiu no dia seguinte. Entendeu? Então, essa briga pelo mercado ela foi muito forte. Porque era uma verdadeira briga, Márcia, de conquistar, de ter que trocar bandeira, de passar noites em claro. O interior de Goiás e Mato Grosso, eu fui supervisor dessa área também, o Chaves, olha, você viajar, ficar 15 dias longe da família para tentar conquistar posto em Cárceres, em Sinope, em Alta Floresta, em Rondonópolis, em Gurupi, Guruaçu, Barreiras, na Bahia, fui o primeiro cidadão a ir a Barreiras, em 1971, em maio de 71 eu saí daqui às 9:00 horas da manhã, são 600 e poucos quilômetros, chegamos lá duas horas, duas e meia da manhã.
P/1 – Imagina.
R – Procurando um cidadão chamado Suruna, não, Jorge Washington.
P/1 – (risos)
R – Que na cidade ninguém conhecia Jorge Washington. Aí, até que numa farmácia nos informaram: “- É porque vocês estão falando do Suruna, que queria montar um posto de gasolina em Barreiras.” Vimos o terreno dele e não... ele não servia para nós. Tinha dois postos da Atlantic, Alberto Lins, que se transformou em um grande amigo meu, trocamos a bandeira do posto Atlantic.
P/1 – Senhor Dine, eu queria era... Infelizmente a gente não vai ter tanto tempo para... todo tempo pra...
R – Resumir.
P/1 - Enfim, ouvir todas as suas histórias que são maravilhosas. Eu gostaria que o senhor selecionasse uma que tenha sido impactante para o senhor, na sua trajetória. O senhor se aposentou quando?
R – Eu me aposentei em dezembro de 91.
P/1 – Se aposentou pela BR...
R – Pela BR e em seguida fiquei aqui por mais cinco anos através de um contrato de prestação de serviços, porque eu fazia... aí eu saí eu fui dois anos para o Conselho Nacional de Petróleo, fiquei dois anos e meio, fui requisitado, não pedi, o General pediu lá um funcionário da Petrobras para ajudar e eu fui requisitado, fui indicado, fui para lá para o CNP, Conselho Nacional de Petróleo, na época, e lá eu fiquei dois anos e meio. Quando eu voltei, criaram, a BR tinha... a Petrobras tinha criado um Núcleo de Promoção e Imagem. E foi interessante, Márcia, essa idéia, porque colocaram muita gente que eles achavam que já tinham dado tudo pela Petrobras, a nível de Brasil, certo, botaram aqueles vendedores mais velhos, tal, que disseram que estavam desestimulados e pior que aquilo explodiu. Todo mundo trabalhou que nem um louco e fez do sistema do Núcleo, eventos maravilhosos. Nós fizemos eventos maravilhosos.
P/1 – Isso visando à valorização da imagem?
R – Valorização da imagem da Petrobras, entrando em exposição agro-pecuária, negociando para não pagar nada. A grande festa dos estados que tinha aqui em Brasília, eu consegui colocar um trailer da Petrobras e não paguei nada, só para divulgar o nome da Petrobras. Era, era... a intenção era amor mesmo a essa empresa e divulgar, de fazer. Então, eu diria a você mesmo... Eu me aposentei em 91, fiquei mais cinco anos e depois, logo que eu saí, fiquei dois meses parado, passeando, aí uma empresa em Brasília, uma grande revenda em Brasília de postos de gasolina, me convidou para fazer a área de treinamento, que eu já estava fazendo aqui, palestras inclusive aqui eu já estava fazendo. Aí eu fui para essa empresa e fiquei dez anos fazendo palestras, preparando frentistas para atuar no mercado de posto de gasolina, aqui em Brasília.
P/1 – Agora eu gostaria que o senhor me contasse aquela história que eu pedi para o senhor selecionar.
R – Eu diria para você o seguinte: um dos fatos que aconteceu, que eu diria que foi um grande momento. Eu tenho dois aqui fantásticos que me colocou numa... Para mim foi grandioso, para mim. Não só as trocas de bandeira, as viagens que eu fiz, tudo aqui na Petrobras, nessa região de Goiás, os grandes amigos que eu fiz, mas eu diria para você o seguinte: quando a Petrobras fez aqui em 90, o desafio BR, que é um projeto que a Petrobras... que a BR andou fazendo, não sei por que parou, nós preparávamos alguns revendedores, aqui foi em cerca de 90, em que nós treinávamos, treinávamos e dava um programa de treinamento. Os postos competiam entre eles, ok? Entre eles. Eles faziam a competição entre os postos, com orientação nossa. O ganhador ganhava carro, em termos de aumento de vendas, tinha uma disputa de aumento de vendas, de ganhar mercado, ganhava prazo de combustível. Então, nós fizemos... Eu tive a orientação de vir o Nei
P/1 – A orientação de?
R – De Nei, um rapaz da APRO, já aposentado também e... Meu Deus do céu! Como é o nome da outra colega? Bom, o fato é que eles vieram aqui me assessorar. Eu era coordenador do Núcleo. Então começamos a ter que montar primeiro um clube, para que se fizesse o lançamento do evento para os revendedores e contratar artistas, decorar. E na época, foi no governo Collor, a Setembro foi contratado, ela não trouxe material nenhum. E eu como não... me desculpa, eu era um cara precavido, eu tinha um depósito lá na base só com material promocional que eu negociava com o pessoal da Petróleo. Quando tinha evento da Petróleo aqui o pessoal recebia do Dine Raposo, todo apoio possível. O que não acontecia talvez em outros estados, que eles reclamavam. Aqui, o colega da Petróleo que vinha, o hotel... primeiro a suíte era revistada para ver se não tinha nenhum detalhe. E as pessoas eram recebidas com um cartão meu, às vezes com uma caixa de bombom; porque vinha a Conceição vinha a Suzete...
P/1 – E o evento foi um sucesso!
R – Sucesso maravilhoso! Um trabalho de trabalhar até cinco, seis horas da manhã. Teve um dia que eu saí cinco horas da manhã, alguém me perguntou; o Ernesto Weber que era o presidente da BR na época, perguntaram para ele o que que ele... acho que era ele, o que que ele... não, isso foi no outro evento, foi no outro evento. Perguntaram para ele, começaram a coordenar, alguém falou o que que ele deveria fazer, ele falou assim: “- Ué, quem criou o evento, quem coordenou, quem fez?”; “- Dine Raposo”. Ele falou: “Então, esse careca aqui que eu conheci no Rio de Janeiro, esse é que eu quero conversar. O que que eu vou ter que fazer aqui.” Então nós fizemos num outro evento. Mas o desafio foi fantástico, a emoção foi muito grande em termos... né, o encerramento foi no Clube Naval, eu consegui colocar para a diretoria da Petrobras, que chegou de ônibus, eu coloquei 22 BRs, é um clube que tem ali, todo em altos e baixos, eu não sei se você conhece...
P/1 – Não, não conheço.
R – ...O Clube Naval, em Brasília, ele é todo em altos e baixos, nós colocamos 22 BRs, em que, a ilusão de ótica, quando entravam parecia que o BR estava surgindo. Isso, modéstia parte...
P/1 – Muito bonita.
R – ... idéia do Dine Raposo. Modéstia parte.
P/1 – Senhor Dine a gente vai ter que terminar a entrevista...
R – Tá bom, querida.
P/1 – O nosso tempo já esgotou e eu gostaria de agradecer a sua participação, tá bom?
R – Tá bom, querida.
P/1 – Eu gostaria de saber se o senhor gostou de ter participado?
R – Foi bom.
P/1 – De ter contribuído...
R – Foi bom, foi bom. Eu diria para você que, é... (pausa) Isso aqui não quero nem depois que você, depois você vai me xingar o que eu vou dizer, tá? Mas, deixa... Se vocês forem gravar... Eu diria que, gente, eu não seria nada (pausa) (choro) na minha vida sem essa empresa. Tenho dois amores na minha vida: minha esposa e a Petrobras. São as duas coisas que eu amo. Certo, ok?
P/1 – Muito bonito, muito obrigada pela sua participação.
R – Obrigado, Márcia.
(Fim da fita MpetCBBR- nº. 13)
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