Dia de Pesca – Uma Aventura no Guaporé
Por: Nivaudo Santos
Gênero: Comédia regional
Narrador: O menino, filho do pescador
A PARTIDA
Eu tinha quinze anos. Bastava meu pai dizer “vamos pescar” que eu pulava da rede como quem viu assombração!
Ele apareceu com os remos e o arpão, ajeitando a canoa.
Meu pai, amazonense de Borba, veio parar em Rondônia no tempo da borracha — e da coragem!
Disse com aquele orgulho de sempre:
— Hoje o rio vai nos dar almoço e janta, menino. Bora!
Eu já estava pronto, mochila nas costas:
— Pai, trouxe o isopor, a linha, o anzol… e o repelente. Aprendi com os mosquitos da última vez!
A PESCARIA
Saímos da Baía do Carrasco, passamos por Buena Hora, Graças a Deus, Quebra Bote (nome que dá medo!) e Las Palmas.
O arpão fazia borborim… e meu pai já se animava!
— Pilota, menino! Não deixa a canoa virar! Esse caparari tá mais forte que político em época de eleição!
Eu, desesperado, só conseguia gritar:
— Pai, a canoa tá dançando mais que quadrilha de São João!
Ele contava os peixes como quem soma prêmio de bingo:
— Três capararis, duas cachorras, quatro surubins… Se aparecer um tucunaré, a gente abre uma peixaria!
O ALMOÇO E A FLORESTA
Descemos da canoa e acendemos um fogo.
— Vamos assar um pedaço de peixe. Depois eu charqueio os outros. Você descansa, que eu sou multitarefa!
Deitei e provoquei:
— Multitarefa nada… é que você não confia no meu charque!
No barranco, um gavião saboreava ovos de tracajá. Um jacuraru saiu correndo como quem viu a conta de luz.
Macacos-prego nos observavam como fiscais da natureza. Um coçava a cabeça, outro pendurado no cipó parecia trapezista!
Os pássaros faziam festa. O bem-te-vi gritava, o japim imitava todo mundo.
Olhei pro meu pai e disse:
— Isso aqui parece desfile de escola de samba da floresta!
A VOLTA
Na subida do rio, voltamos pra canoa, cansados mas felizes.
Meu pai comentou:
— Mesmo sendo subida,...
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Dia de Pesca – Uma Aventura no Guaporé
Por: Nivaudo Santos
Gênero: Comédia regional
Narrador: O menino, filho do pescador
A PARTIDA
Eu tinha quinze anos. Bastava meu pai dizer “vamos pescar” que eu pulava da rede como quem viu assombração!
Ele apareceu com os remos e o arpão, ajeitando a canoa.
Meu pai, amazonense de Borba, veio parar em Rondônia no tempo da borracha — e da coragem!
Disse com aquele orgulho de sempre:
— Hoje o rio vai nos dar almoço e janta, menino. Bora!
Eu já estava pronto, mochila nas costas:
— Pai, trouxe o isopor, a linha, o anzol… e o repelente. Aprendi com os mosquitos da última vez!
A PESCARIA
Saímos da Baía do Carrasco, passamos por Buena Hora, Graças a Deus, Quebra Bote (nome que dá medo!) e Las Palmas.
O arpão fazia borborim… e meu pai já se animava!
— Pilota, menino! Não deixa a canoa virar! Esse caparari tá mais forte que político em época de eleição!
Eu, desesperado, só conseguia gritar:
— Pai, a canoa tá dançando mais que quadrilha de São João!
Ele contava os peixes como quem soma prêmio de bingo:
— Três capararis, duas cachorras, quatro surubins… Se aparecer um tucunaré, a gente abre uma peixaria!
O ALMOÇO E A FLORESTA
Descemos da canoa e acendemos um fogo.
— Vamos assar um pedaço de peixe. Depois eu charqueio os outros. Você descansa, que eu sou multitarefa!
Deitei e provoquei:
— Multitarefa nada… é que você não confia no meu charque!
No barranco, um gavião saboreava ovos de tracajá. Um jacuraru saiu correndo como quem viu a conta de luz.
Macacos-prego nos observavam como fiscais da natureza. Um coçava a cabeça, outro pendurado no cipó parecia trapezista!
Os pássaros faziam festa. O bem-te-vi gritava, o japim imitava todo mundo.
Olhei pro meu pai e disse:
— Isso aqui parece desfile de escola de samba da floresta!
A VOLTA
Na subida do rio, voltamos pra canoa, cansados mas felizes.
Meu pai comentou:
— Mesmo sendo subida, essa volta foi mais divertida que a ida. Até o peixe parecia querer voltar com a gente!
E eu, coçando o tornozelo:
— E os mosquitos? Já estavam com saudade do meu tornozelo!
Meus amigos, se eu contar tudo que vimos nessa pescaria, dava um livro… e ainda sobrava história pra virar série!
Até a próxima pescaria.
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